What Doors May Open
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Prometo que o beijo vem logo, logo.
Quem sabe amanhã, neste mesmo bat-horário e mesmo bat-canal.
Aproveitem e se divirtam com essa Quinn que dá até mesmo nos meus nervos. Ai, ai, tadinha da Rachel.
Capítulo 7
Ela não dormiu naquela noite.
Ela não conseguiu dormir porque Quinn quase a tinha beijado e teria se Santana não tivesse interrompido. E Rachel não sabia o que isso significava. Claro, em um sentido muito lógico, poderia concluir que Quinn gostava dela, mas…aquela era Quinn e, como ela era objeto de sua afeição, às vezes a lógica tinha que ser desconsiderada. Mas reforçada por sua autoestima, ela escolheu acreditar que realmente Quinn tinha sentimentos por ela. O jeito como ela a olhara quando estavam prestes a se beijar fazia a acreditar que havia um pouco mais do que interesse. Foi… foi ardente e daquela vez Rachel tinha certeza de que não estava delirando porque Quinn estava pressionada contra ela, sua respiração irregular, o corpo inclinado, então fechou seus olhos e apenas esperou o que ela sabia que estava por vir. Se Santana tivesse mantido a merda da boca fechada.
E o que foi aquela piscadela que ela deu a Rachel, afinal? Será que ela sabia de alguma coisa? Rachel se perguntava se Santana sabia que ela era gay ou se... Santana sabia que Quinn era gay. Ou bi ou qualquer outra coisa— algo que não a fizesse ser totalmente hetero, porque se Quinn era hetero não havia necessidade dela ter prendido Rachel no balcão e fazer aquilo com ela— ou quase fazer.
Talvez ela só estivesse curiosa. Rachel entendia que essa era a idade de maturação, o suficiente para se iniciar uma exploração da sexualidade e talvez Quinn não fosse tão tensa quanto as pessoas achavam. Talvez sob a superfície era apenas uma garota que também pensava em sexo e sexualidade. Mas, porque Rachel de todas as pessoas?
Sua cabeça doía. Pensar em Quinn estava a fazendo explodir, mas ela não conseguia parar de pensar tanto. Ela se levantou de sua mesa, seus problemas de geometria ali esquecidos. Prometeu a si mesma resolve-los mais tarde, pegou um casaco e saiu pela porta.
"Papai, posso ir à casa de Finn?" Rachel perguntou quando desceu as escadas.
Leroy abaixou o jornal da sua linha de visão para olhar a filha. Ela estava uma pilha de nervos desde a noite anterior. Chupou os dentes pensando, antes de murmurar, "Claro."
O passeio até a casa de Finn foi relativamente silencioso. Rachel encolheu em seu assento quando Leroy a olhou desconfiado. "Como foi a sua sessão de estudos na noite passada?"
"Foi tudo bem," ela piou. "Eu já te disse isso."
Ele riu. "A memória é a primeira coisa a ficar velha, você vai aprender isso um dia."
Rachel zombou. "Você não é tão velho."
A conversa acabou com Rachel praticamente pulando para fora do carro quando Leroy parou na frente da casa de Finn. "Te vejo mais tarde, papai!"
Ele acenou para ela, mas ela já estava na porta. "Vejo você depois, querida."
Carole abriu a porta com um sorriso no rosto. Seu sorriso tomou uma pitada de confusão quando ela percebeu que era Rachel que estava lá. "Olá… Rachel. Como está você?"
Rachel pigarreou nervosamente, só agora percebendo que era a primeira vez que ia a casa dos Hudson após o término. "Oi, Carole," ela sorriu tão brilhantemente quanto possível. "Tenho estado bem, e você?"
"Também." Seu sorriso não vacilou, mas apertou quando ela deu um passo para o lado permitindo que Rachel entrasse. "Acho ótimo que você e Finn tenham sido capazes de manter a amizade mesmo depois que ele terminou com você."
Rachel parou um momento absorvendo o que Carole disse, e se voltou para ela. "E-ele— o quê?"
Carole franziu a testa em simpatia. "Oh, Sinto muito, Rachel. Eu sei que deve estar sendo difícil para você." Ela andou até Rachel e a envolveu em um abraço. "Eu sei quão fácil é se apaixonar por Finn— Ele é um bom garoto, afinal."
"Ele é," Rachel disse firmemente.
"Um menino tão doce."
Rachel saiu do abraço, oferecendo um sorriso a Carole antes de começar a subir as escadas. "Foi maravilhoso vê-la novamente, Carole!"
"Você também, Rachel!"
Ela marchou para o quarto de Finn, o constrangimento apertando o ombro, abriu a porta, batendo-a em seguida. Finn estava no chão, em frente à sua cama, absorto em um videogame. Rachel marchou até ficar ao lado dele, colocando as mãos nos quadris. "Por que sua mãe acha que você terminou comigo?"
O queixo dele caiu enquanto ele se atrapalhava com a resposta, tentando matar zumbis. "Uh… bem, essa foi apenas uma maneira de manter o verdadeiro motivo do rompimento em segredo. Você sabe, a verdadeira razão… você ser gay."
"Eu sei o que eu sou!" Rachel exclamou, as bochechas queimando. "Mas Carole estava lá, com pena de mim, achando que ainda sou apaixonada pelo bom, doce e inocente menino dela!"
Finn sorriu timidamente. "Eu sou muito doce."
"Ugh!" Ela levantou os braços e bateu os pés mais uma vez. Expirou lentamente, dizendo a si mesma para se acalmar, porque aquele não era o motivo que a tinha levado até ali. Seu estômago se apertou quando imagens da noite passada se infiltraram em sua cabeça. Ela alisou as costas da saia e sentou na cama de Finn. "Ok, eu não quero falar sobre isso agora. Tenho algo importante para discutir com você."
Ele olhou para ela como se ela fosse louca, virando-se, em seguida, para o videogame. "Você é a única que está gritando comigo, mas tudo bem. Sobre o que você quer falar?"
"Quinn tentou me beijar ontem a noite," Rachel murmurou enquanto suas mãos se remexiam em seu colo.
Finn continuou olhando para a tela da TV. "Como você gostaria, em seus sonhos, ou—"
"Não," Rachel respondeu imediatamente, ligeiramente ofendida. "Na vida real."
Isso fez com que Finn pausasse o jogo. Ele o salvou e desligou o videogame, levantando-se lentamente. "Quinn beijou você?"
"Quase me beijou," ela resmungou. "Santana interrompeu."
Finn olhou para ela não compreendendo. "Então… Quinn na realidade—explique isso."
Ela corou ao lembrar da situação que teria que explicar. "Ok, bem, nós estávamos conversando—"
"Sobre o quê?"
"Eu ser gay."
Finn riu. "Então, você apenas introduziu esse assunto?"
Rachel sorriu, um sorriso maroto por conta do que estava prestes a revelar. "Foi Quinn quem iniciou a conversa."
Finn levou a língua até a bochecha, seu rosto transformado em um fascínio mudo. "Ela que iniciou a conversa sobre você ser gay?"
Rachel assentiu. "Ela me perguntou como era. Então eu tentei responder, mas, de qualquer maneira— essa é a melhor parte." Os olhos dela brilharam com o entusiasmo que ela não se permitiu sentir na noite passada. Agora ela estava retransmitindo tudo para Finn, e parecia que ela realmente revivia toda a noite que passara com Quinn. "Ela me perguntou se eu gostava de alguém e eu perguntei porque isso importava para ela. E ela disse que não sabia."
"Sim, mas isso não parece muito bom," Finn admitiu.
Rachel fez uma careta para ele. "Eu não terminei. E então ela disse que às vezes me pega olhando para ela." Finn sorriu enquanto Rachel continuou. "Então eu perguntei como ela sabia disso, a menos que ela estivesse olhando para mim também."
"Certeira," Finn disse com um sorriso malicioso.
Rachel sorriu timidamente. "Ela não disse nada depois disso."
Ele sentou ao lado dela, olhando-a em uma mistura de confusão e terror enquanto a história se desenrolava.
"Então, eu fui até a cozinha beber um pouco de água," Rachel continuou. "Eu realmente não estava esperando que ela respondesse. Então, estava eu na cozinha; Mas eu não conseguia pegar o copo no armário e acho que estava expressando minha frustração alto demais, porque Quinn chegou um pouco depois." Fez um gesto vago com as mãos, sorrindo ironicamente. "Ela me chamou de anã. Nada de novo, certo? Mas sequer soou como um insulto. Parecia que ela estava brincando ou algo assim. Então, ela estava atrás de mim e pegou o copo para mim. E a próxima coisa que senti foram os seus dedos em meu cabelo e—"
Finn se mexeu na cadeira. "Bem, isso é-isso é—"
"Eu não acabei," Rachel interrompeu. "Então eu decidi acabar logo com aquilo e me virei para encará-la, eu estava cansada de ser confundida e só queria saber o que ela estava pensando. E então ela segurou o meu rosto assim." Rachel segurou ambas as faces de Finn, trazendo-o para perto, face a face. "E ela franziu os lábios," Rachel sussurrou. "E os seus olhos se fecharam e eu sei que ela teria me beijado se Santana não tivesse interrompido, Finn."
O rosto de Finn estava enrugado como se ele sentisse dor e ele respirava profundamente de modo que Rachel se afastou para olhá-lo preocupada. "Você está bem?"
"Bem," ele sussurrou, a ereção reveladora entre as coxas. Rachel fez uma careta quando finalmente a viu, virando-se de costas para dar privacidade a ele.
"Eu não conto essas coisas para realizar as suas óbvias fantasias lésbicas, Finn," ela resmungou, cruzando os braços.
"Yeah, bem, você quer meu conselho?" ele resmungou de volta. "Eu não posso te ajudar sem que isso não venha como um preço a se pagar algumas vezes."
Ela suspirou. "Finn, o que tudo isso significa?"
Ele encolheu os ombros. "Com Quinn, nunca se sabe. Mas posso te dizer que ela não faz nada por acaso."
"Você quer dizer que ela quase me beijou de propósito?" Rachel perguntou com esperança.
"Sim… Mas não sei se isso significa que ela gosta de você." Ele coçou a cabeça pensativo, tentando se explicar.
"Mas você acabou de dizer que ela não faz nada por acaso."
"Carto. Mas isso não quer dizer nada, considerando que ninguém nunca sabe o que ela está pensando." Ele piscou os olhos como se recordando alguma dor do passado. "Ela é meio louca."
Rachel gemeu, jogando-se para trás e caindo na cama. O aroma de gozo velho entrou em seu nariz e fez seus olhos arderem. Ela os apertou, colocando a palma das mãos em seus olhos frustrada. "Finn, isso não está ajudando."
Ele se virou para olhá-la. "Alguma vez você já pensou em, não sei, falar com ela?"
Soou um pouco sarcástico, mas Rachel não tinha certeza, porque ela nunca tinha ouvido ele usar do sarcasmo antes. Mordiscou os lábios antes de responder da melhor maneira que pode. "Eu estou com medo."
"Você nunca teve medo de Quinn."
"Sim, mas eu não sentia nada por ela antes que não fosse admiração por sua beleza física. Agora, eu-eu gosto dela," disse com cautela. "Eu gosto do fato de que ela pode ser agradável e prestativa quando ela quer."
Finn suspirou. "Eu não sei como te ajudar."
Rachel se inclinou para dar um tapinha no ombro dele. "Não, você já fez o suficiente. Obrigada. Pelo menos agora eu sei que não foi algo impulsivo, coisa de momento. Foi proposital. Isso é melhor do que nada, certo?"
Ele sorriu. "Você está pronta para isso, cara."
"Finn."
"Rachel," ele se corrigiu com uma careta quando ela lhe lançou um olhar atravessado.
###
A Segunda-feira era assustadora. Como sempre fora nas duas últimas semanas. Rachel não tinha nenhuma expectativa, no entanto. Ela descobriu que em relação a Quinn Fabray era melhor não ter nenhuma expectativa. Ela era imprevisível. Mas uma coisa que ela podia prever era Quinn caminhando pelo corredor naquele exato momento.
Linda como sempre com suas duas amigas ao seu lado, Quinn caminhou pelo corredor, balançando os quadris perigosamente e prendendo a atenção de Rachel. Rachel estava ali, entre ficar para ver Quinn pela primeira vez desde sexta-feira ou fugir, que era o que seus instintos diziam para fazer. Borboletas de pavor passeavam em seu estômago quando Quinn se aproximou.
Mas a parte mais preocupante do dia de hoje, de tudo isso, era que ela não estava olhando para Rachel. Ela passou por Rachel, continuando pelo corredor, sem olhar uma vez sequer em sua direção.
Rachel não tinha certeza se aquele era o momento propício para começar a chorar ou não. Ela praticamente podia ver seu coração, mole e sem batimentos grudados na sola do sapato de Quinn enquanto ela continuava a caminhar pelo corredor. Suas pálpebras bateram rapidamente na incompreensão daquela situação. Ela caiu de volta contra os armários, olhando para as mãos. "O que eu podia esperar?" murmurou para si mesma. "Ela nem gosta de mim."
"Bem, é claro que ela não gosta de você," Kurt assobiou baixinho quando deu um passo para perto. "Você mal conhece você mesma." Ele parou na frente dela fazendo um gesto largo com as mãos. "Quinn Fabray é tipo, a nata social desta escola agora que é Capitã das Cheerio. Some a isso o fato de que ela realmente é muito bonita; mesmo para os meus padrões. Ela tem meninos babando em cima dela todos os dias, então o que faz você pensar que ela poderia notar uma garota do coral que tem uma grande voz?"
Ela sentiu uma estranha mistura de ofensa e bajulação quanto ao comentário sobre sua voz e não sabia se sorria ou se fechava os punhos em fúria porque Kurt não sabia o que estava falando. Quinn a tinha notado. Chegou a quase beijá-la na boca, há dois dias e meio atrás. Mas sequer tinha esse ponto a considerar já que Quinn havia de certa forma a humilhado quando na vez seguinte em que se viram agiu como se nada tivesse acontecido. Mas era difícil compreender isso sem ter o seu coração pisoteado no processo. No entanto, considerando o jeito frio que Quinn a tratara, Rachel estava disposta a obter seu coração pisoteado de volta, mesmo que dilacerado.
"Agora, é assim que se chama a atenção de alguém," Kurt sussurrou. Ele arrumou os cabelos e sorriu largamente, cruzando uma perna na frente da outra enquanto respirava, "Oi, Finn."
Rachel virou-se para encontrar Finn parado perto dos dois. "Você está realmente muito bem hoje," Kurt continuou, correndo os olhos cima abaixo pelo corpo de Finn.
Finn se mexeu desconfortável, parando na frente de Rachel. "Ei, Kurt." Ele deu mais um passo depois de olhar para Rachel, "Você está bem?"
Rachel deu de ombros uma vez. "Quinn me ignorando. Qual é a novidade?"
Finn suspirou e a envolveu em um abraço de urso, Kurt aproveitou a oportunidade e se juntou a eles envolvendo um braço ao redor de Finn. "Cara, o que há com você?" Finn finalmente perguntou.
Todos eles recuaram e Kurt sorriu para ele. "Vou entrar para o time de futebol."
"Uh, já temos a nossa equipe. Mas acho que você pode tentar se quiser."
Kurt bateu palmas. "Adorável. Quando serão as audições?"
"Testes, cara. E você pode ser testado hoje depois da escola se quiser."
Kurt passou um braço em torno de Rachel. "Fantástico. Nós estaremos lá."
Rachel balançou o braço se distanciando horrorizada. "Eu não vou tentar entrar no time de futebol para que algum porco Neanderthal atravesse por mim!"
"Talvez Quinn perceba você se você estiver no time," Kurt disse.
Ele foi muito cruel naquele instante, porque ela estava realmente pensando nisso, até finalmente colocar os pés no chão. "Não, absolutamente não! Eu não vou tentar entrar no time de futebol."
Kurt suspirou. "Tudo bem, então ao menos me acompanhe no teste. E o grave porque você sabe que meu pai acha que eu sou..." ele parou de falar olhando-a e ela acenou com a cabeça.
"Sim, não tenho problema em filmar."
"Ótimo." Kurt se virou para Finn. "Então certamente estaremos no treino de hoje à tarde." Ele estendeu a mão para Finn e ele apertou a dele, até que Kurt começou a acariciar os dedos de Finn que puxou a mão de volta.
Finn olhou para ele estranhamente antes de acenar um adeus para Rachel e sair.
"Ele está tão na minha," Kurt sussurrou.
Rachel encolheu-se, contente com a dose que tinha de ceticismo em relação a Quinn porque com certeza ela não queria parecer assim.
###
Kurt surpreendentemente precisava de uma música tema para se aquecer a fim de desempenhar melhor o papel de kicker (chutador). Mas ele foi impressionante tão logo Single Ladies foi autorizada a tocar por tempo suficiente. O treinador Tanaka passou muito tempo o elogiando, então Rachel só podia pensar que ele era mesmo maravilhoso. Ela se sentou na arquibancada registrando Kurt com a câmera de vídeo que tinha conseguido emprestado de Jacob Ben Israel. Ela teve que trocar um par de calcinhas para consegui-la. E lamentou o fato dela ter que ter um estoque de calcinhas novas em seu armário apenas para o caso dela precisar de algum favor de Jacob.
A prática de futebol terminou e Kurt fez uma reverência, acenando para Rachel nas arquibancadas. Rachel acenou de volta com um sorriso, fechando a câmera e rindo quando Kurt deu um tapa na bunda de Finn provavelmente disfarçando como sendo um ato desportivo. Ele pulou alegremente em sua direção com um sorriso gigante no rosto. "Eu fui incrível, não fui?" perguntou sem fôlego. "Você me viu bater na bunda de Finn? Eu sou a rainha das fãs, não vou mentir."
"Você esteve ótimo, Kurt." Ela lhe entregou a câmera. "Agora, isso deverá estar nas mãos de Jacob amanhã ou então ficarei devendo um sutiã também. Por favor, lembre de trazer de volta."
Ele se atrapalhou para ligar o dispositivo, ansioso de ver a si mesmo. "Sim, sim, sem problema."
Finn veio subindo as arquibancadas pouco depois e se sentou ao lado de Rachel. Ele se inclinou para olhar para Kurt. "Você foi ótimo, cara. Tem um bom chute."
Kurt sorriu largamente e Rachel revirou os olhos para os dois, concentrando-se mais à frente, no rabo de cavalo de Quinn, balançando para frente e para trás enquanto corria pelo campo. Puck a parou e os dois ficaram ali, conversando por mais tempo do que Rachel gostaria. Seu lábio inferior desapareceu entre os dentes quando ela cruzou as pernas e inclinou para frente, olhando os dois atentamente.
Quinn saiu um pouco depois e começou a liderar o grupo para uma série de alongamentos. Ela era... realmente flexível. Então, de repente, ela deslizou até o chão e as coxas se separaram em uma escalada perfeita. Rachel engoliu em seco para a imagem à sua frente. Quinn endireitou-se lentamente, alisando a parte de trás da saia como se pudesse ocultar alguma coisa. Rachel se virou assim que Quinn se inclinou para baixo para tocar os dedos dos pés.
Finn sorriu para a forma como ela o olhou ruborizada. "Você deveria falar com ela depois do treino."
"Você acha que ela seria agradável comigo?" Rachel perguntou quando finalmente seus olhos voltaram para o campo. Quinn tinha terminado o alongamento e todas as Cheerios estavam alinhadas na posição de animação.
"Provavelmente não," Kurt começou a falar do seu outro lado. Ela fez uma careta para ele. "O quê?" ele perguntou. "Só estou dizendo. Quinn não é agradável."
"Bem, Quinn foi gentil com ela quando Rachel foi até a sua casa Sexta-feira," Finn defendeu.
Kurt suspirou e se virou para Rachel. "É verdade! Esqueci que você teve a chance de ir até lá! Como foi? O que diabos elas fazem quando estão todas juntas?"
Rachel sorriu enigmaticamente antes de sussurrar, "Quinn quase me beijou."
Kurt piscou uma, duas, três vezes. "Eu estou falando sério aqui."
"Eu também," ela disse girando os olhos em exasperação. "Ela quase me beijou."
"Sério?"
"Sim, sério."
Os olhos de Kurt procuraram os de Finn como se quisessem confirmar. Finn acenou positivamente e Kurt voltou novamente para Rachel. "Isso é absolutamente selvagem. Eu não consigo acreditar!"
O sorriso dela aumentou. "Acredite, Kurt."
"Bem, você disse quase, o que significa que não aconteceu, e que, portanto, você precisa dar o próximo passo, assumir o controle da situação, amiga."
O barulho do megafone de Sue fez os três se encolherem e cobrirem os ouvidos enquanto olhavam para o campo. As Cheerios estavam dispensadas.
"Agora é a sua chance," Kurt sussurrou, agarrando-a pelo braço e a puxando. "Vá!"
Rachel lançou um olhar preocupado para Finn que lhe mostrou os dois polegares para cima enquanto Kurt praticamente a empurrava para baixo das arquibancadas. Rachel ficou na linha de fundo, observando Quinn colocar seus pertences na mochila. Ela a deslizou pelo ombro, olhando para cima em seguida e encontrando os olhos de Rachel. Rachel ficou imóvel quando Quinn segurou o seu olhar por um longo tempo, sua expressão de pedra. Então ela ajeitou mais uma vez a mochila e continuou a andar para o portão de volta para a escola.
Ela olhou para trás, para Kurt e Finn mais uma vez, sentindo-se totalmente despreparada— o que não era um sentimento familiar para ela. Eles fizeram gestos largos indicando que ela deveria tentar mais uma vez o que foi suficiente para incitá-la a andar em direção à escola.
O corredor à sua volta parecia particularmente estranho, sem a agitação dos estudantes e das classes. Não havia ninguém em sua longa extensão, nenhum som exceto o som das moedas que Rachel tinha guardado no bolso e que tilintava a cada passo que dava. Ela continuou andando, olhando para trás de vez em quando, como se Quinn fosse um mostro que viria de surpresa atrás dela para assustá-la. Ela parou em frente ao vestiário feminino, onde um coro de risos flutuavam pelo corredor e causavam uma sensação engraçada em seu estômago. Especialmente quando o som familiar do riso de Quinn chegou a seus ouvidos. Caminhando lentamente, ela calmamente abriu a porta e entrou. Os risos soaram mais altos então ela se aventurou, seu estômago dando um nó de nervosismo, e continuou andando.
"Eu posso fazer isso," ela sussurrou para si mesma. "Eu posso falar com ela."
Ela contornou uma parede chegando até às fileiras de armários na sessão principal do vestiário. Os chuveiros estavam em pleno vapor, uma nuvem de fumaça tomando todo o lugar. Rachel passou a última fileira e foi quando ela viu Quinn.
Topless.
Bem, ela ainda usava o sutiã esportivo vermelho, mas ela poderia muito bem estar nua se a forma como o coração de Rachel acelerou indicavam isso. Seus ombros eram fortes e delicados, os músculos magros das costas flexionados enquanto ela dobrava a parte de cima de seu uniforme e se abaixou para colocar em sua mochila. Sua pele parecia tão suave e de cor branca leitosa. Tudo o que Rachel queria fazer era estender a mão e tocá-la— na extensão de suas omoplatas, na parte inferior de suas costas, exatamente na curva onde sua bunda começava.
Seu rosto pegava fogo quando Quinn se virou. O queixo dela caiu e franziu o cenho em aborrecimento por um breve momento até ser tomada pelo reconhecimento. Então ela se endireitou, colocando os ombros para trás. "O que você está fazendo aqui?" ela perguntou calmamente.
Rachel pigarreou, tentando manter os seus olhos nos de Quinn, mas havia muita pele nua que continuava a clamar por sua atenção. "Eu-eu vim para conversar." Sua voz guinchou como a de um menino na puberdade e ela corou ainda mais quando Quinn arqueou uma sobrancelha.
"Com quem?"
Rachel piscou confusa com a pergunta. "Com você."
"Sobre o quê?"
Ela arriscou dar um passo para frente, suspirando diante do óbvio desvio de Quinn. Mas por alguma razão, a relutância de Quinn ofereceu a ela um pouco de conforto porque Rachel também não se sentia confortável em ter aquela conversa. Ela arriscou dar uma rápida olhada ao redor, raciocinando que todas as outras líderes de torcida estavam no chuveiro se as vozes divertidas e esvoaçantes que vinham lá de dentro e a fumaça de vapor não eram qualquer indicação. "Você sabe sobre o que," ela disse em voz baixa.
Quinn se mexeu, seus músculos abdominais flexionaram quando ela colocou a maior parte do seu peso na perna direita e Rachel não poderia deixar de olhar nem se quisesse. Quinn era definida, mas sem exagero. E ela parecia tão malditamente macia. Seus seios eram pequenos, mas desenvolvidos, plenamente seguros dentro do sutiã. Rachel prendeu a respiração; ela não sabia se aquele vapor estava pregando alguma peça sobre ela ou não, mas ela tinha certeza de que poderia ver os dois mamilos endurecidos através do tecido do sutiã esportivo.
Quinn pigarreou severamente e o olhar de Rachel subiu para o rosto dela. Havia um certo rubor ao longo do rosto de Quinn que poderia ser interpretado como proveniente do calor do vestiário. "Não," Quinn disse, alongando a palavra enquanto dava um passo mais perto. "Eu não sei sobre o quê." Havia um brilho desafiador que escurecia os seus olhos e a sensação de borboletas voando em seu estômago atingiram Rachel.
Ela respirou fundo, tentando recuperar o encorajamento que Finn e Kurt haviam lhe dado anteriormente. "Você…" Ela mordeu os lábios nervosamente.
"Eu o quê?" Quinn disse rispidamente.
"Você quase me beijou," Rachel sussurrou, doente com aqueles jogos mentais. Ela apontou o dedo para Quinn. "Você quase me beijou quando eu estava na sua casa Sexta e eu preciso saber o que isso quer dizer!"
Ao longo do seu pequeno discurso, ela tinha a vaga ideia de que tinha apontado o dedo em direção a Quinn e que no momento ele apontava para o peito de Quinn. Seu dedo descansou um pouco acima do sutiã esportivo vermelho. A pele dela era tão quente. Um calor indescritível parecia fluir através de Rachel imediatamente e fazer os seus músculos doeram e derreterem. Sentia as pernas bambas, o rosto inflamado e arrepios subiram ao longo de sua pele. Ela saltou como se tivesse se queimado, apertando a mão em punho enquanto dava um respeitoso passo para trás.
Quinn esfregou os lábios lentamente, enrugando a testa quando se aproximou.
Rachel piscou rapidamente, aparentemente incapaz de compreender o fato de que Quinn estava caminhando em sua direção. Felizmente, seus pés antes paralisados começaram a tomar medidas cuidadosas andando para trás em busca de segurança. Infelizmente, ela se viu apoiando o corpo em um armário. O toque do metal frio em seu corpo superaquecido fez ela gemer.
Quinn pressionou as mãos contra o armário ao lado da cabeça de Rachel, inclinando-se para mais perto. Rachel suspirou silenciosamente no instante seguinte quando ela sentiu o estômago nu de Quinn pressionou contra o dela através da sua camisa. Quinn olhou fixamente para ela sem qualquer hesitação. "Porque tem que significar alguma coisa?" ela questionou rispidamente.
A pressão suave do corpo dela desmentia a falta de calor do comentário e Rachel sentiu o seu cérebro nublado apenas por conta daquele contato. Toda vez que Quinn respirava, pressionava-se ainda mais a Rachel que praticamente se derretia encostada no armário. "Porque," ela sussurrou com a voz rouca. "Porque você não pode apenas quase beijar alguém somente para bagunça-la."
Quinn ruminou como se estivesse realmente pensando na declaração de Rachel. Ela se encostou ainda mais, as unhas passeando para a parte de baixo do armário, fazendo Rachel tremer. Quinn sorriu— afiada e feroz, mas o sorriso se foi tão rápido quanto veio. Ela se inclinou até que seus lábios tocaram a orelha de Rachel. "Se eu tivesse beijado você… você me beijaria de volta?"
Rachel balançou-se onde estava diante do duplo assalto de ter Quinn tão próxima e ao mesmo tempo as rajadas quentes de sua respiração contra a sua orelha. Seus lábios formigavam em antecipação e ela os lambeu lentamente, os olhos fechados enquanto ela pensava de novo na Sexta-feira. Elas estavam em uma posição similar, só que a mão de Quinn estava delicadamente em seu rosto e não fortemente pressionadas no armário atrás dela.
"Eu estou esperando, Berry." Um arrepio penetrou por sua espinha ao ouvir a voz de comando de Quinn ronronar suave deslizando para dentro.
"Sim," ela sussurrou sem fôlego, virando o rosto para Quinn. Seus olhos se encontraram e uma pitada de surpresa pode ser vista nos olhos de Quinn que se ampliaram ao encontrar os de Rachel.
Quinn se afastou abruptamente. Rachel observou a maneira como o peito de Quinn subia para cima e para baixo quando ela ficou a alguns pés de distância. Em seguida ela se endireitou como se nada tivesse acontecido. Caminhou de volta para o banco onde sua bolsa estava e, de costas para Rachel, abriu o zíper da saia, deslizando-a para fora dela. O queixo de Rachel caiu quando o tecido vermelho vibrante da calcinha entrou em seu ponto de visão. Quinn lançou um olhar por cima do ombro, seus olhos estreitados criticamente enquanto observava Rachel a assistindo. Então, sem uma palavra, caminhou em direção aos chuveiros, desaparecendo sob a nuvem de fumaça.
Fale com o autor