Notas iniciais
Capítulo novo.
Bom, não sei bem se vai atender às expectativas, mas prometo que o evento esperado está próximo!

Enjoy!

Capítulo 8

Após breve consideração, Rachel finalmente resolveu jogar toda a lógica fora.

Quinn a queria.

Talvez ela tivesse sido jogada em algum universo alternativo que de alguma forma a fez entrar em cena, mas essa era a única conclusão que ela conseguia chegar. Era a única conclusão que ela queria chegar. A questão era… como proceder a partir de agora. Ou se ela deveria agir de algum modo. Possivelmente não porque o que ela iria querer com aquilo? Um relacionamento?

Provavelmente não.

Se acontecesse alguma coisa, um pouco de excitação e muita humilhação era como tudo iria acabar e Rachel não sabia se queria continuar com aquilo.

Porque Quinn certamente não iria.

Se fosse para acontecer, definitivamente teria que partir de Rachel o primeiro movimento, o único movimento.

Ela ainda não havia conseguido organizar os pensamentos em relação ao encontro com Quinn no dia anterior. A forma como os quadris se mexeram quando ela deslizou a saia pra fora do corpo, o vermelho que lhe tomou quando percebeu que Rachel olhava para ela, o quão difícil os mamilos de Quinn estavam, projetando-se provocantemente através do tecido do sutiã. Rachel lambeu os lábios, lembrando de como suas mãos coçavam para— fazer o que exatamente? Apertá-los? Rolá-los entre os dedos? Será que Quinn gostaria assim? Será que ela ainda chegaria tão longe— em alguma parte?

Rachel tentou colocar esses pensamentos para longe, já sentindo sua frequência cardíaca se acelerar. Quinn certamente sabia como jogá-la em uma pirueta de emoções e depois derrubá-la ao chão. Era injusto, de verdade. Enquanto ela era um nítido turbilhão de emoções, Quinn continuava a mesma, impenetrável, intocável, como tinha sido desde o início. A única vez que Rachel conseguiu vislumbrar uma rachadura em sua armadura foi quando ela respirara de forma irregular contra o seu queixo, um pouco antes de quase se beijarem.

Rachel sentou rapidamente em sua cama. A única vez que vira Quinn despida de armadura foi quando elas estavam prestes a se beijar. Isso tinha que significar alguma coisa, certo?

Mas isso não importava agora. Rachel caiu para trás de costas contra a cama, recordando seu dia na escola quando Kurt lhe disse que tinha ouvido Mercedes falar que ouviu de Tina, que ouviu na entrevista de Jacob a Puck que ele tinha pedido Quinn em namoro naquela manhã no primeiro período. Não ouvira nenhuma confirmação durante todo o dia escolar— Rachel fez questão de manter os ouvidos atentos para ter certeza. Mas o pedido estava demorando de ser respondido, e o seria eventualmente. Toda a escola estava esperando com a respiração suspensa. Os garotos para saber se Quinn estaria fora de mercado e as garotas pensando o mesmo a respeito de Puck.

Independentemente de qualquer espécie de paquera que vinha acontecendo entre ela e Quinn ao longo daquelas duas semanas, ao dizer sim para Noah Puckerman Quinn apenas confirmaria aquilo que Finn dissera a Rachel desde o início: Quinn não é gay.

Os eventos do dia pesavam sobre o peito e imaginar a garota de quem gostava dizendo sim a Puck agredia a sua mente. Ele só a queria porque ela era popular e virgem. Ele só queria aumentar sua popularidade e-e seu score ou o que quer que os meninos chamem hoje em dia.

Ela suspirou indiferente ao pensamento. Não importava quão tola ela era ao pensar em se abster do sexo— alguns adolescentes naturalmente necessitavam depois de um tempo quando os hormônios se encontravam em fúria e na maioria do tempo gritando muito alto— ela respeitava a decisão de Quinn em esperar, bem como sua posição de presidente do clube de celibato. No entanto, ela gostaria de fazer um registro de que a criação de um clube de abstenção para adolescentes trazia a sensação de volta à idade das trevas, onde o sexo era algo que ninguém podia falar e a ignorância corria desenfreada.

Puck não respeitava a decisão de Quinn em esperar. E Rachel não queria que Quinn fosse pressionada a ir contra a religião e moral apenas para agradar um garoto que, provavelmente, só iria feri-la e deixá-la.

Rachel se levantou da cama com um beicinho, saindo do quarto e descendo as escadas. Seus pais estavam sentados juntos no sofá, assistindo algo que Rachel não se preocupou em querer saber. Ela andou até tomar o campo de visão deles e se enterrou no pequeno espaço entre os dois corpos. Agarrou a mão de Hiram e enterrou o rosto no peito de Leroy. E seis palavras, que ela ainda não tinha considerado em sua existência falar, passaram chorosas entre seus lábios. "Por que gostar de garotas é tão difícil?"

As sobrancelhas de Leroy se levantaram ao longo da testa antes de todo seu rosto ser tomado por um sorriso. Hiram ecoava o mesmo sorriso enquanto a mão que segurava a de Rachel a apertou de modo tranquilizador. Leroy beijou a sua cabeça. "Quando eu estava no colegial, eu me fiz a mesma pergunta."

Rachel riu de si mesma. Com uma simples declaração de Leroy e a pressão quente da mão de Hiram sobre a sua, ambos tiraram um grande peso dos ombros dela em segundos. De repente ela se sentiu tola. Seus pais sabiam— é claro que eles sabiam!— eles sabiam provavelmente esse tempo todo. "Vocês sabiam esse tempo todo, não é?"

Hiram balançou a cabeça negativamente. "Não, seu pai conseguiu me convencer a cerca de uma semana atrás."

Rachel fez beicinho.

"Eu tive um pressentimento," Leroy admitiu. "Você nunca pareceu tão interessada em garotos e, quando você tinha um namorado, você mal falava sobre ele além do que se referia ao Glee. E você voltava todo dia reclamando sobre a ex-namorada dele. Qual o nome dela?"

Hiram riu. "Quinn, querido. Não se atreva a esquecer esse nome de todos aqueles que Rachel já tenha dito."

Rachel corou diante da análise deles onde abertamente comparavam notas sobre os últimos dois meses de sua vida.

Leroy sorriu, olhando para ela. "Você falava sobre ela mais do que falava sobre ele. Foi quando comecei a me perguntar."

Ela caiu para trás contra o assento e cruzou os braços com petulância. "Vocês poderiam ter me dito que sabiam. Eu estive confusa e desajustada por semanas."

"E eu fui dando dicas a você por semanas," Leroy respondeu incrédulo. "Eu queria confrontá-la, mas depois de conversar com seu pai, nós decidimos que realmente não queríamos te forçar a falar, querida; nós queríamos que você nos falasse por vontade própria. E você fez. E sabe o que mais?"

Ela balançou a cabeça e se voltou para Hiram quando ele provocativamente puxou uma mecha de seu cabelo. "Não foi tão ruim, foi?"

"Não, pai," Rachel respondeu timidamente, abaixando a cabeça envergonhada por tê-los feito esperar por todo esse tempo por algo que iria aproximá-los ainda mais, ao criar uma fenda catastrófica entre eles em sua cabeça. Ela bufou em um suspiro quando sentiu lágrimas pinicarem seus olhos.

"Vem cá, meu amor."

Logo em seguida, ela caiu nos braços de Hiram, um choro silencioso de alívio e exaustão vertendo de sua garganta sem aviso. Ela sentiu uma mão quente esfregar suas costas para cima e para baixo suavemente enquanto Hiram falava em seu ouvido. "Você está certa," ele sussurrou. "Nada mudou."

E, milagrosamente, isso não aconteceu. Nada havia mudado em sua casa entre o tempo que Rachel levou para sair do armário e agora. Ela ainda tinha dois pais que a amavam e a protegiam e continuará a tê-los pelo resto de sua vida. Ela sorriu, um sorriso trêmulo que borbulhava a sua garganta. "Vocês devem pensar que eu sou boba."

"Eu acho que você é Rachel," Leroy disse suavemente em algum lugar atrás dela. "Eu achei que você fosse Rachel dez minutos atrás e ainda acho que você é Rachel agora."

De todos os conselhos e estímulos que ela tinha recebido nas últimas três semanas de sua vida, seu pai simplesmente dizendo que ela ainda era Rachel e sempre seria foi a melhor coisa que alguém já lhe dissera.

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Rachel apertou o telefone no ouvido firmemente. Ela olhou para o final do corredor, acenando para Kurt. "Você ouviu falar alguma coisa?" ela sussurrou desesperadamente no telefone enquanto girava a combinação de seu armário. Depositou seus livros rapidamente, abrindo completamente a porta para olhar a si mesma no espelho. Além da ansiedade que tinham arregalado seus olhos ao nível maníaco, ela parecia relativamente normal hoje.

"Não, nada ainda," a voz de Kurt flutuou pelo telefone. "Ninguém está falando. O que é uma coisa boa, acho."

Rachel suspirou de alívio, agarrando o seu brilho labial de cima de seu livro de geometria.

Quinn ainda era solteira.

Não havia nenhuma fofoca em burburinho ao redor dizendo que ela havia dito sim a Puck e Rachel tomaria aquilo como uma vitória pelo tempo que durasse. Ela retirou a tampa do brilho labial e correu o aplicador suave e uniformemente pelos lábios. Eles se tingiram de um tom mais escuro, mais atraente de rosa, e ela sorriu, apertando-os para então separá-los criando um som de ‘pop’ que ela tanto amava. Ela tampou o brilho labial em seguida, passando o dedo mindinho no canto da boca para remover o excesso pegajoso.

"Isso significa que ela ainda está solteira, certo?" ela pediu uma confirmação.

"É o que eu presumo," Kurt disse.

Rachel inclinou a cabeça para fora da porta de seu armário vendo Kurt caminhar pelo corredor em sua direção. Ela fechou o flip do telefone e se encostou no armário quando ele se aproximou. "Você acha que ela vai dizer sim?"

"Honestamente?" ele perguntou. "Ela é popular, ele é popular, juntos serão ainda mais populares. E você sabe o que popularidade significa para ela."

Rachel balançou a cabeça tristemente, esfregando os lábios fabulosamente pintados de gloss. "Suponho que você esteja certo. Eu só queria…" ela deu de ombros. "Eu não sei— que aquilo tivesse significado mais para ela."

Kurt acenou com simpatia quando ela se virou para o seu armário, pegando os livros para a próxima aula. "Pelo menos você teve a sorte de flertar de leve e quase beijá-la por um par de semanas. Finn nem sequer bate um cílio para mim."

Ela riu e suspirou de uma vez. "Finn não sabe como bater cílios."

"Vê?" Kurt falou rindo. "Pelo menos Quinn sabe fazer isso."

"Obrigada, Kurt," ela disse sinceramente, apreciando o fato de que ele estava tentado animar seu espírito apesar de ser um difícil trabalho.

"Hey, hey, anime-se, criança." Ele estendeu a mão para esfregar seu braço suavemente. "Esta é apenas a sua primeira paixão. Meu pai sempre diz que primeiras paixões são difíceis de superar, então é por isso que ele se sente uma porcaria agora. Mas você vai superar, confie em mim."

Ela sorriu diante do suporte que o seu amigo Kurt acabou sendo e o abraçou com força. Ela nunca se imaginou como o tipo ideal para ficar com A garota— ela não era George Clooney ou… Ellen Degeneres. Ela não ia acabar ficando com a garota, mas no fim das contas ela acabou ficando com um amigo que parecia com ela.

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Ela se viu parando nos computadores todo o dia para verificar o website de Jacob, querendo saber se havia alguma atualização sobre Quinn. Até agora o seu status estava pendente. O que Quinn estava esperando, Rachel não tinha ideia.

Seus dedos tamborilavam impacientemente o mouse antes dela sair da internet e depois da área dos computadores para a sala de aula, sentando em sua mesa. Ela tirou o caderno e começou a escrever quando uma ideia a acertou. Puxando seu telefone, rapidamente começou a digitar uma mensagem para Finn.

Noah lhe contou alguma coisa?

Depois de enviar a mensagem ela voltou ao trabalho, escrevendo suas anotações de química. Seu telefone tocou logo depois e discretamente ela o abriu sobre a mesa.

Sobre o quê?

Ela revirou os olhos com um grunhido silencioso.

Honestamente, Finn, meu plano de mensagem de texto é limitado a 150 por mês. Isso inclui envio E recebimento. Eu não tenho tempo a perder com mensagens, então, por favor, não me faça gastá-las. Eu estava me referindo ao pedido de namoro de Noah para Quinn.

As respostas foram instantâneas… e inúteis.

Oh…

Desculpe.

Mas, uh, não. Tudo o que eu sei é que eles ficaram juntos umas duas vezes, mas que ela não queria mais ficar porque ele não tinha pedido ela em namoro. E agora ele a propôs, mas ela ainda não disse sim.

Rachel piscou rapidamente com a última mensagem de texto. Quinn havia beijado Puck… mais de uma vez. Ela beijou Puck, mas não beijou Rachel. Mas teria se as circunstâncias fossem as ideais. Rachel se atrapalhou com o lápis, olhando para o seu caderno, mas não o vendo. Quinn teria beijado ela assim como beijou Puck, se Santana não tivesse interrompido. E agora a oferta de ser a namorada de Puck estava em cima da mesa por cerca de um dia e Quinn ainda não havia reivindicado essa posição. Ela estava protelando. Protelando por alguma razão.

Rachel mordeu os lábios, uma resolução rastejando em sua mente. Ela era exagerada, mas Rachel estava determinada a dar alguma coisa.

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Rachel entrou na sala do coral, não sendo vista pelos demais que sussurravam próximos ao piano.

"Eu ouvi dizer que ela evitou Puck o dia todo," Mercedes disse baixo.

"Eu ouvi dizer que Puck seguiu em frente," Kurt replicou.

"D-de-de jeito nenhum," Tina gaguejou. "Ele está tentando atingir um recorde."

Todos olharam para ela. Ela encolheu os ombros. "Ele está tentando ser o primeiro e único homem que teve relações sexuais com todas as Cheerios."

Rachel parou o passo, inclinando a cabeça para o lado enquanto ouvia atentamente.

Mercedes franziu os lábios. "Eu não acho que ela vá dizer sim."

Rachel observou os lábios de Kurt tremerem em um sorriso, mas ele o conteve perguntando, "Por que você acha isso?"

"Porque Puck é um prostituto," ela brincou. "Ele passa por todas as líderes de torcida como um—"

"Um jogador de futebol?" Kurt perguntou.

Todos riram animadamente e Rachel limpou a garganta fazendo com que sua presença fosse percebida. "Boa tarde, colegas do Glee," ela disse inocentemente. "Posso perguntar sobre o que vocês estão falando?"

Mercedes deu uma olhada para ela. "Puck e Quinn estão em cima do muro e nós estamos tentando descobrir para que lado eles vão."

Kurt assentiu. "Será que eles vão parar em uma cama com rosas ou em uma moita com espinhos?"

Todos olharam para Rachel, esperando que ela algum comentário. Ela deu de ombros com indiferença, tentando agir como se não se importasse e o seu coração não estivesse envolvido. "Eu não tenho ideia."

Mercedes acenou negativamente. "Este espaço é para especulação."

Foi uma dispensa e Rachel aceitou a sugestão, não querendo discutir o futuro de Quinn com duas pessoas que não tinham ideia do quão envolvida ela estava. Ela sentou e cruzou as pernas com força, suspirando enquanto pensava no quão estranho o Glee seria hoje.

Finn entrou na sala um pouco depois e Rachel sorriu de alívio quando ele se sentou ao lado dela. "Eu estou tão nervosa," ela sussurrou imediatamente.

Ele passou um braço ao redor dela. "É isso, ok? Se ela disser sim para ele você poderá finalmente seguir em frente, sabe?"

Ela o olhou suplicante. "Mas ela quase me beijou, Finn. Isso tem que significar alguma coisa."

"Ela disse que significava?"

Não. Não, ela não disse. Rachel caiu de volta contra o seu assento. Então, Quinn também não disse que não significou nada. Ela perguntou a Rachel— perguntou para confirmar— se ela a tivesse beijado, Rachel beijaria de volta. E isso significava alguma coisa. Tinha que significar.

Quinn entrou com Santana e Brittany da mesma forma como fazia todos os dias. Linda. Ela não parecia como se tivesse um debate interno em andamento, como se toda a escola estivesse esperando que ela tomasse uma decisão. Ela parecia como uma garota normal de 16 anos. Seus olhos se estreitaram e olharam afiados para o grupo que estava próximo do piano e, depois de poucos segundos, Kurt, Mercedes e Tina se dispersaram de volta aos seus lugares.

Rachel sorriu divertidamente.

Então Quinn passou por ela, as pregas da saia roçando em seu quadril como já era normal e o rotineiro calor a inundando.

Puck entrou com o seu violão pendurado no ombro e um sorriso no rosto. Um grupo de meninas se aglomeraram do lado de fora da porta em desespero enquanto ele caminhava subindo os degraus em direção a Quinn. Rachel inclinou seu corpo para o lado, tentando não parecer óbvia enquanto observava a interação. Seus olhos pinicaram em aborrecimento quando Puck ficou diretamente na frente de Quinn.

"Vamos lá, babe. Você tem toda uma escola esperando por você. Diga sim logo."

Ela revirou os olhos, imaginando Quinn fazendo exatamente o mesmo com as longas e torneadas pernas cruzadas e os braços armados sobre o peito. "Eu te pedi um tempo para pensar." Ela disse a ultima palavra com mais força, mal contendo a irritação e Rachel sentiu seu estômago palpitar.

"Não é como se eu estivesse te pedindo para casar comigo, Q. Apenas deixa o Puckasaurus ser o seu grande e quente namorado por alguns meses."

"Então, o quê? Só assim você poderá ter sexo comigo?"

Rachel mordeu os lábios pensativamente para onde a conversa estava indo. Pelo menos Quinn estava ciente das verdadeiras intenções de Puck. Isso era algo muito bom.

Puck suspirou, deslocando seu peso. "Tudo bem, acho que acabou. Mas seria quente; é tudo o que estou dizendo."

Ele andou em direção ao fim da fila de cadeiras. Quinn rapidamente se inclinou em Santana e falou baixo em direção a ele, "Eu falei a você que acredito na abstinência!"

Puck se sentou pesadamente na cadeira, encolhendo os ombros. "E eu disse que isso era coisa para pessoas feias."

Santana riu e até mesmo Brittany abriu um sorriso divertido. Quinn, no entanto, cruzou os braços com ainda mais força e virou para frente.

Rachel olhou para ela com admiração, tinha adquirido um novo respeito pelo ato de abstenção. Ela podia admitir, embora não se sentisse atraída por ele, que Noah Puckerman, era um individuo muito atraente. Muitas garotas estavam atraídas por ele e Quinn provavelmente também estava. Mas ela escolheu exercer o autocontrole, num esforço de proteger a si mesma e a sua moral. Rachel sorriu um pouco.

Os olhos de avelã piscaram finalmente depois de uma eternidade. Eles estavam arredondados e suavizados antes de Quinn piscar mais uma vez, lentamente, e olhar para baixo, para Rachel. Seus olhos se encontraram e Rachel sorriu timidamente numa tentativa de demonstrar entendimento quanto ao fato de como Quinn devia estar frustrada com a cena, embora tenha dado o seu melhor para não a transformar em um espetáculo.

Lábios vermelhos se curvaram para cima enquanto Quinn continuava a olhar para ela. E então ela olhou para longe, a língua se arrastando ao longo do lábio interior lentamente.

Rachel corou com a exibição provocante, voltando-se para frente. "Sedutora."

"O que você disse?" Finn perguntou.

Ela congelou imediatamente. "Oh, uh, E-eu disse—espirro!" Seu rosto queimou quando ela ouviu a risada baixa de Quinn duas fileiras acima. "Eu disse espirro—E-eu tenho—achoo!" Ela cobriu a boca com as mãos, fazendo um barulho falso de espirro e desejando que alguém a matasse para tirá-la daquela miséria. "Veem? Apenas… apenas um espirro."

Finn olhou para ela em confusão antes de decidir que era melhor para ele não saber. "Uh, com certeza ok."

Sr. Schuester entrou um pouco depois, efetivamente tirando Rachel daquela situação. "Boa tarde, pessoal. Desculpa pelo atraso, mas estou aqui agora. Nós podemos começar com as baladas de todos agora se—"

"Na verdade, Sr. Schue." Rachel virou-se para encontrar Puck levantando-se e pegando sua guitarra. "Eu gostaria de cantar uma música para dar o pontapé inicial se não tiver problema."

Sr. Schuester sorriu encorajador. "Uau, alguém além de Rachel, Mercedes ou Kurt quer iniciar, é uma grande mudança." Ele fez um gesto em direção ao centro da sala. "Fique a vontade, Puckerman."

Rachel zombou de irritação, cruzando os braços sobre o peito quando Puck desceu as escadas. Ele ergueu a guitarra em suas mãos, descansando os dedos levemente sobre as cordas, enquanto olhava para o fundo da sala. "Essa música é para minha futura namorada."

Rachel aprovou a ideia da música imediatamente com um bufo. Por que ela mesma não pensara em fazer uma serenata para Quinn? Bem, a verdade é que pensara, mas teria sido embaraçoso e assustador cantar uma canção de amor e olhar para a capitã das Cheerios ao mesmo tempo. Rachel podia ter perdido um monte de coisa no caminho, mas apesar de tudo isso, ainda tinha a sua dignidade e orgulho.

Puck dedilhava seu violão, cantando com um sorriso, "If you're horny, let's do it. Ride it my pony."* (Se você estiver excitada, vamos fazer isso. Monte no meu pônei)

Quinn se levantou abruptamente, seus pés pisando em aborrecimento enquanto caminhava para baixo. As pregas de sua saia bateram contra Rachel, em raiva má colocada, quando ela saia da sala sem dizer uma palavra. Os dedos de Puck atingira um acorde errado e um som miserável ecoou pelo ar. Todo mundo estremeceu com o som quando ele se virou em direção à saída. Ele suspirou, voltando-se para o grupo. "Eu acho que foi muito quente para ela."

A mão de Rachel subiu no ar. "Mr. Schuester, posso, por favor, ir ao banheiro?"

"Claro," Sr. Schuester respondeu distraidamente enquanto repreendia Puck por cantar uma música tão imprópria.

Rachel pulou do seu assento rapidamente, saindo da sala do coral. Caminhou pelo corredor vazio até o banheiro mais próximo e entrou, fechando a porta atrás dela.

Quinn estava debruçada sobre a pia com as mãos apoiadas firmemente em torno dela, respirando profundamente.

Rachel se aproximou dela lentamente. "Você está bem?"

Os ombros tensos foram para trás imediatamente. "Estou bem," Quinn respondeu rispidamente. Ela ficou ereta, inclinando-se para o espelho checando sua maquiagem. "Puck é apenas um idiota. Nada de novo nisso."

Rachel sorriu lentamente, a ousadia a fazendo dar um passo para mais perto. "Aquela música foi… realmente inapropriada."

Quinn zombou. "Yeah."

"Eu-me desculpa se ele te fez se sentir desconfortável." Ela engoliu em seco, mexendo na manga de seu suéter. "Eu sei o quanto você valoriza a abstinência sexual e da forma como a sociedade é sexualizada hoje imagino como você deve ter sexo enfiado em sua cara o tempo todo, mesmo não querendo isso."

Quinn ficou em silêncio por um longo tempo, olhando-se no espelho. Rachel pensou no quanto ela era vaidosa, mas não protestou. "Eu não estou interessada em ter relações sexuais com garotos," Quinn murmurou finalmente. "Especialmente idiotas como Puck que estão apenas interessados em me usar e depois me jogar de lado, para ser mais popular, exatamente como ele fez com as outras garotas da minha equipe."

Seu tom de voz era penetrante e gelado, enviando um arrepio na espinha de Rachel. Ela balançou a cabeça em silêncio, sem saber como responder a uma declaração tão poderosa. Ela olhou profundamente para o piso de cerâmica marrom do banheiro por um momento, o cheiro fraco de todas as cabines atingindo o seu nariz. Ela se aproximou de uma na intenção de fechá-la quando algo lhe chamou a atenção. Agora estava um pouco apagado, mas ali havia um desenho dela. Os zeladores deviam ter tentado por meses lavar aquilo. O desenho em si era estranhamente sofisticado e a artista deve ter tomado muito tempo com aquilo. Era lascivo e ainda mais inadequado do que a canção que Puck tinha cantado no Glee. E para quem dizia não pensar em sexo, a artista conseguiu fazer um desenho dela muito vulgar e sexual. Os lábios de Rachel subiram um pouco enquanto ela traçava o desenho com os dedos. "Você nunca me disse porque desenhou esse," ela falou baixo, mas sabia que Quinn a ouviria de qualquer maneira.

Os olhos de Quinn mudaram de foco até olhar Rachel através do espelho. Seus olhos se arregalaram em cortante surpresa, as bochechas queimando. Sua mandíbula se movimentou para frente e para trás em aborrecimento antes de seu olhar cair, dispensando-se de comentar.

Rachel se afastou da porta da cabine quando se mostrou óbvio que ela não receberia uma resposta. Seus olhos se voltaram para Quinn no espelho, aproximando-se lentamente quando percebeu que já não parecia que ela estava prestes a estrangular alguém a qualquer momento. Rachel parou logo atrás dela, olhando por cima do ombro de Quinn e fazendo contato com os olhos através do espelho. Respirou fundo antes de calmamente afirmar, "Estava me perguntando se poderia ir a sua casa hoje depois da escola. Ainda preciso de ajuda em geometria."

Não era uma completa mentira— apesar dela só querer ir até a casa de Quinn uma última vez para saber se tudo aquilo era apenas uma casualidade ou se elas iriam se beijar de uma vez por todas. Mas receber alguma ajuda para melhorar sua nota em geometria, não seria ruim.

Os lábios de Quinn se esticaram em um sorriso perigoso quando ela olhou para Rachel através do espelho. Seus olhos brilhavam maliciosamente antes dela se virar para ficar de frente a Rachel. "Você precisa de ajuda em geometria?" ela perguntou, a voz suave e rouca, mas totalmente convencida da mentira de Rachel.

Rachel fez o seu melhor para manter contato com os olhos dela. "Sim."

Quinn lambeu os lábios lentamente, empurrando-se para fora da pia até Rachel. Ela olhou com o ar divertido ao perceber Rachel tentando recuperar o fôlego. "Porque você é péssima em matemática."

Ela sorriu para a antiga brincadeira, observando um brilho divertido e cruel nos olhos de Quinn. "Porque eu sou péssima em matemática."

Quinn murmurava baixinho, mordendo o lábio inferior. Os olhos dela se apertaram enquanto pensava na situação e Rachel assistia em silêncio o lábio inferior sendo feito de refém enquanto ela o desejava entre os seus. Finn disse que Quinn tinha um beijo fantástico e Rachel não queria mais nada além de experimentar por si mesma. Seu corpo balançava para frente por conta própria, como se o calor do corpo de Quinn estivesse ligado ao dela.

Um momento depois Quinn focou novamente nela com um sorriso diabólico. "Eu vou ensinar você."

Rachel sorriu aliviada. "Adorável."

"Amanhã."

"Q-quê?" ela balbuciou.

O sorriso de Quinn se ampliou incrivelmente, os lábios curvados mesquinhamente. "Amanhã."

"Por que não esta noite?"

Ela deu de ombros. "Estou ocupada."

Rachel resistiu à vontade de bater o pé petulante. Quinn sempre insistia em provocações que estavam começando a desgastar sua saúde mental. "E se eu estiver ocupada amanhã?"

Outro dar de ombros. "Então vamos ter que esperar até o dia seguinte."

Um dia depois não era bom. Até lá Quinn poderia facilmente estar nos braços de Noah Puckerman, passeando pelo corredor como o novo casal. O que também poderia acontecer amanhã, mas Quinn estava novamente num dos seus humores e Rachel não via jeito de dissuadi-la. "Tudo bem," ela resmungou. "Amanhã."

Quinn sorriu vitoriosamente, olhando para Rachel. Ela oscilou ligeiramente para frente até que nada além dos olhos cor de avelã e os lados rosados tomavam a visão de Rachel. Então, com mágica, Quinn foi embora, andando em direção à saída.

Rachel bufou quando se viu a seguindo com o olhar. As pequenas saídas sensuais e tempestivas de Quinn estavam começando a ficar manjadas.

Notas finais
*Pony, Ginuwine. O clipe da música: http://www.youtube.com/watch?v=i7P6ut6HPR8