We're not broken
6 Too much silence
Notas iniciais
Finn estava cercado por ervas e alguns objetos com magia negra. Ele canalizava poder deles, desconfiado do silêncio vindo dos irmãos. Ele não podia simplesmente aceitar que Klaus tinha desistido de lutar por sua filha e, além do mais, aquela não era a vitória que ele desejava. Não seria até todos os irmãos que o traíram estarem mortos.
Ele murmurava um feitiço ao mesmo tempo em que cortava uma serpente ao meio. Parecia ligeiramente lunático com aquela expressão obstinada no rosto.
― Finn, o que está fazendo? – ele ouviu o ruído do salto de Freya em sua direção e encerrou o feitiço, sem sucesso.
― Klaus está quieto demais – ele reclamou, enxugando uma gota de suor que descia por sua têmpora.
― Se acalme, irmão – ela consolou, encostando a palma de sua mão na bochecha do irmão mais novo. Sorriu gentilmente, fazendo-o lembrar da forma como Elijah sorria. Eram incrivelmente parecidos. – Talvez esteja na hora de eu fazer uma visita a nossos irmãos rebeldes.
Ele sorriu. Gostava de saber que poderia contar com sua irmã mais velha. Fora ela, tinha poucos aliados, tudo com o que podia contar era com os próprios poderes e inteligência, mas Freya era poderosa, talvez mais do que Esther. O único ponto negativo da mulher era o fato de ela não aceitar a morte dos irmãos. Dizia detestar aquele tipo de traição.
― Se você não tivesse me impedido de... – ele ia dizendo, ganhando confiança com cada palavra, mas ela o interrompeu.
― Nós não faremos isto, Finn. Bem ou mal, eles são nossa família – outra vez ela parecia com Elijah. – E se eles continuassem vampiros nós nunca teríamos de ouvir falar em Dhalia.
― Você tem razão – ele concordou, com infelicidade. – Esta guerra está ganha.
― Temos que devolver Rebekah, Kol e você para os corpos originais – ela comentou, sonhadoramente, mas a ideia não agradou em nada a Finn. Ele gostava de ser bruxo e mortal. – Depois eu posso fazer o mesmo feitiço que a mãe e fez e...
― Podemos discutir isto em outro momento, Freya? – ele interrompeu, tão infeliz com a ideia de voltar a ser um vampiro que não conseguia ouvir mais outra palavra.
Freya se recompôs rapidamente, notando que o irmão não gostava da ideia de voltar a ser vampiro, mas quando Dhalia viesse e levasse Hope, aquela era a única opção que restaria a eles. Afinal, se qualquer um dos irmãos que estavam em corpos de bruxo conseguisse ter outra criança, a poderosa bruxa retornaria mais outras vezes. O plano de Esther era uma piada.
― Tome cuidado com Elijah – ele alertou, lembrando-se da explosão.
― Ele não irá me machucar – Ela garantiu, virando as costas ao irmão mais novo e caminhando para fora do cemitério.
×××
― O que eu estou dizendo, Elijah, é que mais precauções deveriam ser tomadas – Klaus dizia, ligeiramente exaltado em contrapartida a calma aparente do irmão.
Elijah lançou um olhar curto a direção do híbrido, como se o que ele dizia tivesse pouco valor.
― Nós estamos tomando precauções, Niklaus. Trouxemos Katherine para termos uma chance, nós não... – o vampiro se interrompeu ao escutar o ruído persistente de sapatos batendo contra o chão. Aguçou a audição e notou que aquele não era um coração conhecido.
Klaus também parecia estar ouvindo, pois lançou a Elijah um olhar preocupado. Os dois saíram juntos, como vultos, da sala onde estavam e pararam na varanda sobre a entrada da propriedade Mikaelson. A presença da mulher confiante, parada e encarando-os como se já esperasse aquela reação não os agradou.
― Irmãos – ela abriu algo parecido com um sorriso. Elijah estreitou os olhos prontamente na direção da mulher, ao passo que Klaus desceu as escadas, ficando frente a frente com a irmã mais velha, Freya.
Ela teve um suave sobressalto pela aparição repentina, mas continuou exatamente no lugar em que estava, cara a cara com o híbrido.
― O que você está fazendo aqui? – Klaus perguntou, com a raiva borbulhando em sua língua. Tudo o que sabia daquela mulher era que ela ajudava Finn.
― Vim visitar meus irmãos, não é óbvio? – ela respondeu, amigavelmente. – Sei que não confiam em mim, mas vocês precisam me ouvir.
― Oh, é mesmo? – Klaus respondeu com a voz carregada em ironia. Olhou para a direção da figura imóvel de Elijah e estranhou aquele comportamento. Por que diabos ele ainda não tinha se movido?
― Eu estou aqui para me aliar a vocês, contra Dhalia – ela soou confiante. A presença dos irmãos era inquestionavelmente amedrontadora, mas Freya já tinha passado pelo suficiente para aprender a não temer vampiros, afinal também não podia morrer. – Vocês podem pagar para ver, mas ela irá despedaçar cada um de vocês, Hope sequer lembrará que teve uma mãe ou um pai.
Ela baixou a cabeça por um segundo parecendo, aos olhos de Klaus, com alguém que deseja ser digno de pena. Pena que ele não sentia. Elijah fez seu primeiro movimento após aquela última frase, desceu as escadas teatralmente e colocou-se dois passos atrás de Klaus, apoiou sua mão no ombro do irmão mais novo com firmeza e falou numa voz nítida e calma:
― É hora de ouvirmos a versão dela da história, irmão.
Klaus lançou um olhar infeliz a Elijah, mas afastou-se, dando espaço suficiente para que Freya pudesse respirar. Ela elevou os olhos na direção de Elijah e eles brilhavam de uma forma estranha, quase maternal.
― Eu sabia que podia contar com sua racionalidade, Elijah – ela suspirou, aliviada, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, o vampiro a sua frente soou ríspido.
― Isso não significa que vou acreditar em algo que saia por sua boca ou que irei lhe conceder minha confiança.
Ela sorriu na direção do irmão e ignorando completamente a face descontente de Klaus aproximou-se e tocou o rosto de Elijah, que não se esquivou. Ele sentiu o toque, bem como a textura quente e macia da palma de Freya. Algo fez com que ele se sentisse inclinado a acreditar no que ela dizia, então começou a pensar que ela manipulava sua vontade. Estava próximo de afastar a mão da mulher quando uma porção de imagens tomou conta de sua mente. Ele via através dos olhos de uma criança, uma mulher – sua mãe, estava grávida e a criança parecia completamente deslumbrada por ganhar um irmão.
― O que você está fazendo? – Klaus interrompeu bruscamente, atraindo a atenção de ambos os irmãos.
― Mostrando a Elijah algo que só nós compartilhamos – ela sorriu na direção de Elijah, mas ele não retribuiu. – Sei de sua reputação, Elijah. Ela precede você, garanto que serei digna de sua confiança.
― Desde que não tente manipular meus pensamentos novamente – ele alertou, apesar de ainda soar ríspido e de afastar a mão da irmã, algo dizia que ela poderia ser de confiança.
Finalmente Klaus exibiu um sorriso. Mínimo e maldoso. Mostrou o caminho para a irmã mais velha olhando para Elijah. Ela jamais perdeu a postura, caminhou na frente do híbrido original e do vampiro original sem medo, até um aposento particular, semelhante a uma biblioteca, mas com poucos livros na estante.
― Estamos ouvindo, irmã – Klaus incentivou sarcasticamente e sem muitas delongas Freya antecipou-se para contar o quão ruim sua vida tinha sido com Dhalia e como condenada a não morrer ela estava.
Klaus passou a maior parte do tempo revirando os olhos e bebericando o whisky que havia colocado em seu copo, enquanto Elijah estava recostado a parede, analisando tudo o que Freya dizia com cautela e atenção. Nem as expressões faciais da bruxa lhe passavam despercebidos.
― Então, tudo o que você quer é matar Dhalia? – Elijah perguntou. Aquilo nada mais era que um grande teste. Se Freya estivesse atuando, ele saberia.
― É claro. Mil anos de escravidão, apenas um acordada em cem. Acho que tive o suficiente.
― Então por que está ajudando Finn? – ele retrucou firmemente, ficando completamente ereto e ajustando o nó de sua gravata.
― Eu o estava testando, mas o pobre Finn foi destruído por Esther. Ele está fora de si, tudo o que quer fazer é trair a própria família e matar uma criança inocente, eu prefiro punir quem realmente tem culpa – ela respondeu quase de imediato, notando que Elijah aprovara sua resposta. Ela sabia que ele o faria. – Não precisarão se preocupar com ele, desde que confiem em mim.
― Está pedindo muito para uma primeira visita, irmã – Klaus rosnou.
― Tudo o que eu peço, Niklaus, é tempo para me provar – ela respondeu, finalmente soando como se tivesse aborrecida. – Voltarei a vê-los quando tiver resolvido o problema com nosso Finn.
Ela se virou nos calcanhares ligeiramente e caminhou a passos largos para fora. Klaus sabia que bruxas não tem super audição, mas mesmo assim esperou até achar que ela tinha se afastado o suficiente para falar.
― Eu tenho uma leve suspeita que está inclinado a confiar nesta mulher, Elijah – seu tom era corrosivo, como se o irmão mais velho tivesse feito algo que realmente não o agradou.
― Guarde suas suspeitas para você, Niklaus. Por ora, nós temos de usar todas as armas disponíveis, goste ou não.
― Nós estamos nos referindo a proteção de minha filha, Elijah – ele rebateu ligeiramente insatisfeito.
― Sei perfeitamente a que estamos nos referindo, Klaus. Freya passou pelos lobisomens sem dificuldades, imagino se eles continuam desmaiados ou se já estão aptos a defender Hope enquanto conversamos.
― Por isso insisto que Hayley e Jackson venham morar aqui – Klaus sorriu triunfante. – Poderão governar meu exército melhor se estiverem perto.
Elijah passou a língua nos dentes, com os lábios fechados. Olhou para a direção oposta à do irmão e serviu-se de uma generosa dose de whisky, deixando o híbrido sozinho. Ver Hayley e Jackson... Ouvir os dois durante a noite, seria muito mais do que Elijah julgou-se capaz de aguentar, afinal ele ainda nutria algo por ela. Algo impossível.
Assim que chegou a segurança de seu quarto arremessou o copo ainda cheio contra uma parede, na esperança de sentir-se um pouco melhor, aliviar a raiva que sentia. Sabia que Klaus divertia-se com aquilo. O copo partiu-se em milhares de pedaços e o whisky sujou todo o carpete, ativando o interruptor em seu cérebro que trazia o monstro à tona. Sentiu sua bochecha formigar com as veias e sua visão ficou muito mais aguçada, assim como sua audição e olfato. Mexeu lentamente sua cabeça para os lados, sentindo as vertebras do pescoço estalarem.
― O que é capaz de fazer Elijah Mikaelson arremessar um copo? – a voz de Katherine o trouxe de volta a realidade. As veias negras sumiram, a audição, olfato e visão voltaram ao normal e ele virou-se para olhá-la.
― Você não imaginaria – ele respondeu. – O que quer?
― Conversar? – ela parecia insegura. – Sobre o que disse no outro dia.
― Receio não estar na melhor condição para conversas, Katerina ― ele afrouxou o nó de sua gravata, retirando-a logo em seguida. Foi até seu guarda roupas e selecionou algumas mais confortáveis, deixando-as prontas para serem vestidas após um banho. – Rebekah vai me matar por ter sujado esse carpete.
― É com isto que se preocupa, Elijah? – a vampira indagou, sabendo que ele evitava o real motivo de sua raiva. – Eu ouvi parte da conversa, sabe como sou, incapaz de resistir a uma conversa secreta. Sei que a mãe da garotinha irá se juntar a nós logo. É com isto que se incomoda, não é?
― Mantenha sua audição longe destas conversas, Katerina. Sabe que Klaus não gosta de ser incomodado – era irritante para ela, o modo que ele evitava as perguntas.
― Você precisa relaxar, Elijah. Quando estiver pronto para isto, me avise – ela falou deixando-o sozinho.
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