Well, You Just Cant Tell
9 Cap. 9 – Bailey’s house
Notas iniciais
Leiam as notas finais.
Boa leitura :)
PDV Michelle
O final de semana passou lentamente sem o Jeff ao meu lado. Eu estava perdendo o controle de tudo e principalmente da nossa amizade, tudo depois da chegada de William. Mas as últimas palavras de Jeff me deixaram louca, nada fazia sentida na minha cabeça, exatamente nada.
“Ele estar arrebentado daquela maneira é culpa das suas loucuras! Você nem o conhece e fica julgando... Ele não quis falar, mas pelo que eu conheço dele, já faço uma idéia do que aconteceu.” Afinal, o que estava acontecendo? Por que seria minha culpa? Não tinha outra opção se não perguntar para o próprio William.
Era um domingo à noite, me vesti com a camiseta dos Stones, minha calça de couro, meu coturno e sai atrás da casa do William. Segui o caminho do bar para tentar achar a casa. Sentei em uma rua, observando cada residência para tentar descobrir, quando na casa em frente ao banco onde eu estava sentada, do outro lado da rua, vejo alguém pulando a janela do segundo andar. Mal pude acreditar, era William. Ele correu para trás da casa, fui até lá, mas no meio do caminho...
- Quem é você? – um homem quase dois palmos maior que eu me perguntou. Parecia furioso.
- E-e-eu...? Quem é você? – o homem pegou forte no meu braço — Me solta! – eu estava morrendo de medo.
- O que você pensa que esta fazendo no meu jardim? – podia sentir o cheiro forte de álcool saindo de sua boca.
- Você está me machucando!
- Hm... – disse percorrendo os olhos pelo meu corpo. – Você é gostosa... Vamos brincar? Você quer brincar com o titio? – falou seguido de uma risada. Eu já estava tendo náuseas de tanto nojo. De repente alguém me soltou dele dando um soco no homem, que por conta da embriaguez, caiu no chão desnorteado.
- Corre... Atrás de mim... – falou saindo em disparada para um mato que havia um pouco distante dali. Quando estávamos realmente a salvo, ele veio para cima de mim, me segurando forte nos braços. – O QUE VOCÊ QUER COMIGO? – perguntou rude. – POR QUE NÃO PARA DE ME PERSEGUIR? – ele apertava meu abraço cada vez mais forte e estava me machucando.
- William... Você está me machucando... – falei com os olhos marejando, mas quando olhei direito para o rosto dele, ele também estava chorando. – Você... Você está chorando... – falei surpresa.
- Não. Você está vendo coisas... – falou me soltando e virando de costas para mim. Ele tremia, estava nervoso.
- O que você estava fazendo? Você pulou da janela do segundo andar!
- O que te interessa? – falou estúpido como sempre.
- Na verdade nada... Mas eu sou idiota e burra o suficiente para me preocupar com quem não merece!
- Rá! Preocupada comigo? Por favor, não me faz rir!
- Você é um completo estúpido! Se eu não estivesse preocupada não gastaria tempo e nem saliva para perguntar!– eu gritava com ele praticamente. Ele ficou em silêncio.
- O Bailey... – ele começou a falar com a voz tremula. – Ele me bateu, ele quase me desmontou vivo...
- Aquele homem nojento que tentou me agarrar?
- Sim...
- Quem é ele afinal?
- Meu pai... – ficamos longos minutos em silencio.
- Nossa... Não sei o que te dizer... Desculpa.
- Pelo o que?
- Não sei direito... – dei um profundo suspiro. – Que susto... – ele continuou mudo. — Bom... Acho que pra mim deu por hoje. – falei me recompondo. Ele me olhava estranho. – Você vai fazer o que agora?
- Não sei... – eu sentia a tristeza dele em mim. – Se eu voltar para casa... Meu pai me mata. Acho que vou ter que andar por aí a noite inteira...
- Você não quer que eu te leve até a casa do Jeff?
- Não, deixa para lá...
- Tem certeza? Você não quer ir lá pra casa? – ele ficou mudo e me encarava estranho outra vez.
- Por que você está me ajudando?
- Força do habito. Não gosto de ver as pessoas passando por aquilo que eu nunca gostaria de sentir na pele ou... O que já senti... Então, você vem? – perguntei.
- Não é uma boa idéia...
- Não é uma boa idéia você ficar andando por ai à noite. Vamos lá... Deixe de ser durão consigo mesmo...
- Eu sou um covarde... Vou pra minha casa e lhe dar com as conseqüências. – falou limpando os olhos.
- Você não é covarde por que não quer apanhar... Você não lembra o que você fez com Brad aquele dia que ele ameaçou me bater? – ele deu um meio sorriso triste. – Eu me surpreendi com você àquela hora... Bom, Jeff já fez isso várias vezes e sempre acabava apanhando por minha causa... Mas Jeff, bem, ele é meu melhor amigo. É surpreendente que vem de uma pessoa que te odeia...
- Eu não te odeio... – o encarei sem entender. – Eu... Só estava tentando manter a distância. Você foi bastante arrogante comigo. – falou seguido de uma risada desanimada.
- E você parece um tanto explosivo e imprevisível...
- É, são duas palavras que me descrevem muito bem. – falou sério.
- Mas você não é tão idiota quanto eu pensei... Você não é falso como os outros. Você é você mesmo e ponto. Isso é... Legal. – ficamos em silencio por um longo tempo. – Não vamos ficar parados aqui no meio do mato. Vamos pra minha casa... Eu estou te devendo essa... – falei trilhando para fora do mato. Fiquei do lado de fora esperando, mas ele estava demorando. – Você não vai vir? – falei um pouco mais alto. – William? – então o vi saindo de lá e vindo em direção a mim.
Fomos andando silenciosamente até minha casa. Eu mais a frente e ele atrás de mim. Ao chegar em casa fomos pro meu quarto, onde ele ficou me olhando do lado de fora, como se esperasse alguma coisa. Fiquei o encarando por um tempo e ele desviou o olhar. Não tínhamos trocado uma palavra se quer até este momento.
- Você vai ficar parado ai na porta até que horas?
- Estou esperando você me mostrar onde eu vou dormir... – falou sem jeito.
- Você vai dormir comigo.
- Hã?
- O que? Você tem alergia a mim?
- Nã-não é... É que... Sei lá, estranho.
- Você vai deitar na cama para dormir e não para transar comigo. – ele virou um pimentão na mesma hora.
- Você é bem direta, não? – falou timidamente. – Eu sei disso, não precisa falar... Só que acho meio estranho uma menina... Ah, deixa pra lá.
- O Jeff sempre dorme comigo. Não tem nada de mais nisso... – falei entrando no banheiro. – Já volto.
Entrei no banheiro para tomar meu banho e relaxar. Demorei uns quinze minutos e sai. Bill estava sentado na minha cama olhando alguns porta-retratos no meu criado-mudo. Estava tão entretido que nem me viu saindo do banheiro.
- Pelo jeito você gosta de retratos... – falei para chamar sua atenção.
- Ah... Er... Você tem mais fotos com Jeff do que com qualquer outra pessoa...
- Sim. Ele é a única pessoa que eu tenho.
- E essa aqui? – falou pegando um porta retrato com uma mulher linda de cabelos negros, compridos e ondulados nas pontas e olhos azuis, iguais os meus. – Quem é?
- Minha mãe... – falei segurando o choro.
- Nossa... Ela é linda. Você é muito parecida com ela. – sorri olhando para baixo.
- Isso foi um elogio? – brinquei triste.
- Acho que foi... – ele falou dando os ombros e levantando da cama. – Você tem alguma roupa pra me emprestar?
- Ah... Claro. Só um minuto. – fui até o quarto do meu pai e peguei um pijama para Bill. – Está aqui... Pode usar o banheiro – falei o entregando.
- Obrigada...
Liguei a TV e fiquei sentada na minha cama assistindo. Não estava com o mínimo de sono, pois havia dormido a tarde inteira. Quando Bill saiu do banheiro, sentou do meu lado. Olhei para ele e vi que tinha olheiras profundas e que provavelmente fazia tempo que não dormia direito.
- Você quer assistir TV? – ele assentiu negativamente. – OK. – falei desligando e em seguida me levantando para apagar a luz. Ele deitou mirando o teto e eu deitei ao seu lado.
- Posso te perguntar uma coisa, várias coisas na verdade? – ele perguntou num tom de voz baixo.
- Claro... – falei indiferente.
- Como sua mãe morreu? – aquela pergunta embrulhou meu estomago e me deu uma vontade imensa de chorar. Virei-me para ele e fiquei o encarando por alguns minutos. – Bom... Não precisa responder... – falou encabulado. Eu continuei por muito tempo em silencio e ele voltou a mirar o teto, constrangido.
- Overdose... – disse quebrando o silêncio e o fazendo olhar rapidamente para mim. – Desculpa... Eu estava tentando me controlar. Não quero chorar na sua frente... – ele virou completamente para mim me olhando timidamente. Ele era a pessoa mais tímida que eu já conhecera em toda minha vida. – Overdose de heroína... Isso foi há quase quatro anos atrás, no mesmo ano que conheci Jeff. Se não fosse por ele, eu já teria me matado. Entrei em depressão e ele foi o único que ficou ao meu lado.
- Eu... Sinto muito...
- Está tudo bem agora... – falei dando um sorriso.
- Não precisa se sentir constrangida em chorar na minha frente... – falou alcançando meu rosto com uma das mãos. A minha vontade de desmoronar era enorme, mas continuei agüentando firme.
- Acredite... Eu estou melhor.
- Eu não acredito... Mas se você não quer falar sobre isso, eu finjo que acredito. – falou acariciando meu rosto, mas parecia forçar aquilo.
- Obrigado... – falei sorrindo sem graça. – Qual é a outra pergunta?
- Ah... Eu segui você aquele dia e, quando você foi até o bar, o cara pediu alguma coisa sobre uns DVD’s em troca da bebida... Que DVD’s são esses? – dei uma risada alta.
-Ah... DVD pornô. – falei com naturalidade. Ele arregalou os olhos.
- Mas isso ele não compra em qualquer loja de putaria?
- Eu dou de graça para ele.
- Então você... – eu sabia o que ele estava querendo insinuar.
- Nããão! – comecei a rir mais – Eu não, meu pai sim.
- HÃÃÃ?!
- Meu pai faz filmes pornográficos, ele é ator pornô. – ele parecia ter entrado em choque.
- Por essa eu realmente não esperava...
- É, ninguém espera... – debochei.
- Er... Você sempre usa drogas daquele jeito? – falou mudando de assunto rapidamente, percebi que estava encabulado.
- Na verdade depende do meu estado emocional. E você?
- Eu uso bastante. – lancei um olhar incrédulo para ele.
- Sabe quando você não espera algo de uma pessoa, ao mesmo tempo em que esperava... É estranho... – falei rindo.
- Como assim? – perguntou confuso.
- Você tem uma carinha tão angelical, mas ao mesmo tempo passa uma pessoa tão agressiva... Não sei te explicar. – ele riu.
- Eu entendi. – ele suspirou – Desculpa por ter sido um grosso com você aquela hora. Mas até agora eu não entendo o porquê de você estar fazendo isso por mim.
- Você é amigo do Jeff. É muito difícil fazer amizade com ele por que é uma pessoa muito fechada, então não é qualquer um que sai andando com Jeff. – Bill começou a rir.
- Não é mais fácil você dizer que me achou legal? – ele debochou, arqueando as sobrancelhas.
- Mas eu não te acho legal... – fingi, também arqueando as sobrancelhas. Ele ficou sério, me fazendo sorrir outra vez. – Mentira... Eu te achava um ridículo depois daquela vez que tentei te ajudar e você foi um grosso, eu sei que fui estúpida antes, mas... Você não é assim, dá pra ver. Se fosse me deixaria sozinha para morrer aquela noite. E se é, provavelmente tem um motivo... – falei esperando que ele me contasse.
- Obrigado, mas, eu to com sono... Acho melhor dormimos. – cortou o assunto.
- Tudo bem, é melhor mesmo. Boa noite...
- Boa noite. – respondeu constrangido e virando para o outro lado.
Dormi no mesmo momento que virei para o lado, o que era estranho, pois havia dormido a tarde inteira. Na manhã seguinte havia esquecido completamente de que William estava dormindo ali e me espreguicei atingindo seu olho com minha mão.
- Ai! – ele resmungou sonolento.
- Merda... Esqueci que você estava ai... Desculpa William. – falei sentando rapidamente. Ele também sentou com dificuldade, esfregando os olhos. – Pelo jeito você não dormiu direito... Percebi que você estava que era uma pedra do meu lado, quase nem respirava. – ele me olhou expondo olheiras ainda mais profundas. – Ah, desculpa te acordar. Eu vou descer por que preciso arrumar algumas coisas lá em baixo e você pode continuar dormindo...
- Não, eu... To bem. – falou sem graça. — Estamos atrasados pra escola?
- Não... Hoje é feriado.
- Ah... – falou fechando os olhos e os abrindo novamente com muito esforço.
- William, olha só pra você, esta caindo de sono. Fica aí dormindo, agora que você vai ficar mais a vontade. Pode acordar a hora que quiser. Provavelmente eu vou estar na sala se precisar de mim. – ele ficou mudo, me encarando. – Vai... Deita. – falei o empurrando de leve pelo braço. Ele pousou a cabeça no travesseiro e relutava com os próprios olhos. – Não precisa ficar com vergonha. Acho que agora podemos nos considerar amigos, não? – ele apenas sorriu fraco, mas sincero e voltou a dormir.
- Obrigada... – sussurrou antes de apagar.
Desci as escadas e fui arrumar a casa que estava uma bagunça. Ao terminar, me sentei no sofá e fiquei assistindo TV. De repente a campainha tocou. Abri a porta e tive uma surpresa.
Notas finais
Parabéns se leu até aqui... Hahaha
Obs: Alguém já deve ter percebido que essa Michelle é baseada na música "My Michelle" do Guns, né?
Bjos ♥
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