Welcome To My Life

17 Uma Águia Dourada


Notas iniciais
Sorry guys. Nao queria demorar tanto pra postar, mas as ideias fizeram PUF ;-;

Hazel POV

De uma coisa eu tenho absoluta certeza: esses semideuses são completamente burros.

Em uma das aulas de sobrevivência eu os ensinei a mandar mensagens de Íris, contudo, deixei bem claro que não era para desperdiçar os poucos dracmas que tínhamos, pois talvez fossemos precisar deles em nossa viagem para o acampamento. Mas como eu já deixei bem explícito: eles são burros, e gastaram todos os nossos dracmas!

Não perdi meu tempo dando bronca neles, é completamente inútil.

Mas depois de um tempo em meu antigo dormitório, a Quinta Coorte, pensei em usar meu ultimo dracma e mandar uma mensagem para Frank.

Suspirei. Infelizmente eu não podia gastá-lo, se algum de nós morresse por não termos como avisar e nem chamar ninguém a culpa seria minha e eu seria executada em publico por minha falta de responsabilidade. É, a conversa com Frank podia esperar.

Antes do jantar resolvi dar uma volta e acabei parando em meu lugar favorito no Acampamento Júpiter. A vista que a colina proporcionava continuava praticamente a mesma, a única coisa que fazia falta era a movimentação dos campistas e moradores da vila.

Sentei na grama macia e lembrei-me dos bons e difíceis tempos que eu, Frank, Nico e Percy passamos ali. E, apesar de todas as criticas sobre o que eu deveria ou não ter feito eu não me arrependia de minhas escolhas.

Então, lembrei-me de minha maldição e do que Plutão dissera a seu respeito no Conselho Olimpiano depois que derrotamos Gaia. Ele alegou que a maldição só seria retirada quando algo realmente importante para mim ocorresse.

Talvez ele esteja certo, pensei.

Passos ecoaram e vozes animadas se distanciaram. Ao levantar, vislumbrei o reflexo de uma esmeralda e ordenei que retornasse para as profundezas.

Reyna POV

Há três dias eu estava tentando entender meus sentimentos pelo Will e a pressão que eu sentia não ajudou em nada. Você deve estar se perguntando: mas que pressão?

Bem, depois daquela cena do refeitório ele me entregou um papelzinho, mas o problema era o que estava escrito nele:

Quinta-feira, no anfiteatro ás 17h.

E infelizmente já era quinta-feira. Eu havia acordado há algum tempo e continuava deitada na cama olhando para o teto e tentando decidir o que fazer. Eu cogitara a possibilidade de não ir e dizer que o papel fora molhado e ficara ilegível para o caso de ele me perguntar o por quê.

Mas minha consciência não me permitia tal tipo de coisa. Já os gregos não têm esse tipo de problema, afinal, bem, acho que o grego já diz tudo.

As únicas opções que me pareciam válidas eram ir falar com Will e rezar para que eu entendesse meus sentimentos.

O real motivo por eu estar relutante em aceitar uma possível relação com ele era minha mãe. Eu estava consciente de que isso parecia ridículo porque eu nunca nem ao menos a vira, contudo eu estava com medo de receber sua desaprovação e algum tipo de praga.

Ainda com preguiça me levantei e fiz minha higiene matinal, em seguida fui para o pavilhão do refeitório. Sentei ao lado de uma de minhas irmãs e conversamos sobre algumas táticas de ataque gregas.

Sem que eu percebesse meus olhos percorreram o refeitório a procura de cabelos loiros cujo dono provavelmente estaria sentado em algum ponto da mesa sete. Quando o encontrei ele cegava um pobre coitado que estivesse distraído com seus poderes de filho de Apolo juntamente com seus irmãos. Entretanto seu olhar vagava periodicamente até mim.

Nossos olhares se encontraram momentaneamente e ele piscou para mim; constrangida, desviei o olhar e voltei a conversar com minha irmã, Lohane. Ela é ruiva e possui olhos azuis penetrantes, algumas de suas feições são parecidas com as minhas e também é muito esperta, o que me deixou sem graça no momento, já que ela havia percebido que Will e eu havíamos trocado olhares.

Mais uma das características de Lohane é a curiosidade. Ela odeia quando não lhe contamos algo e naquele momento ela parecia estar se contendo para não me atropelar com um monte de perguntas.

O daí em si foi tranquilo e sem muitas esquisitices – pelo menos pelo o que eu sei. Quem não estava tranquila era eu, a todo instante eu me flagrava desenhando estratégias de batalha no chão.

Engraçado como o tempo passa rápido quando não queremos. Faltavam apenas cinco minutos para as cinco horas quando saí do chalé e andei relutante até o anfiteatro.

O local estava deserto, então me sentei e esperei. Parecia que uma eternidade havia se passado até que eu fosse surpreendida por uma voz familiar.

– Ei – passos desceram até onde eu estava — Por que está aqui sozinha?

Antes que eu pudesse responder outra voz disse:

– Relaxa Jason. Eu pedi para ela me esperar aqui hoje.

Will. Senti sua presença antes mesmo dele se pronunciar. Mantive meu olhar fixo no horizonte. Não registrei o momento que Jason foi embora, somente o que Will sentou ao meu lado.

– Desculpe te fazer esperar – disse após um momento constrangedor de silêncio – É que eu tive que passar na enfermaria antes de vir. Sabe como é.

Tivemos mais um período de silêncio até ele continuar ligeiramente mais confiante:

– Eu fiz um poema – ele tirou um papel dobrado de dentro do bolso e me entregou – pra você.

Eu o encarei, perplexa, sem acreditar que ele havia se dado ao trabalho de me fazer um poema. Will sorriu confiante e fez um aceno com a cabeça indicando que eu deveria abri-lo.

Eu o entreguei o papel e ele pegou-o aparentemente confuso.

– Leia pra mim.

Will simplesmente dobrou o papel e recitou o poema em sua voz calorosa e encantadora.

Olha esse meu sorriso bobo

Meu olhar que me desmente

Não culpe meu dente torto

Ou meu jeito indecente.


“Posso te chamar de minha?”

“Posso elogiar seu cabelo?”

Me desculpe por não ler sua mente

Me desculpe por ser tão doente.


Posso te amar

Mas sei odiar

Odeio quando não está perto

Ou o fato de não poder te ligar.


Fale que me ama

Por favor

Odeio estar sempre te amando

E não saber se a mim amar.


Eu te amo, só pelo fato de te amar

Não queira explicar

Pois no ódio existe o amar

Mesmo se você o odiar.

– É lindo – admiti.

Ele ficou em silêncio por mais alguns segundos, como se esperasse que eu dissesse algo mais.

– Reyna – começou – você sabe por que te chamei aqui hoje, não sabe? – assenti timidamente – Eu não sei se estou fazendo algo errado ou se sou eu, mas eu lhe imploro que me dê uma chance, por favor.

– Will, eu, eu preciso de tempo pra pensar. Faz pouco tempo que os acampamentos de juntaram e eu ainda não me acostumei com o modo dos gregos de agir e...

– Não vai ajudar em nada usar a desculpa de que eu sou grego, porque pra mim e pra mais um monte de gente isso não faz a menor diferença. Mas, para sua sorte, eu vou aceitar ser apenas seu amigo, por hora. Pode ser?

Examinei cada uma das palavras cuidadosamente e após ter certeza de que ele não estava de alguma forma trapaceando apertei a mão que ele estendia amigavelmente.

– Bem, nós temos aula de latim, você vem? – disse enquanto se levantava e se dirigia para a escada.

– Claro.

Levantei-me e acompanhei-o até a aula de latim. Eu, de certa forma, estava feliz por sermos amigos, mas eu sabia que ainda teria que pensar mais sobre o assunto, por que cedo ou tarde ele ia voltar a me pedir uma chance.

Jonathan POV

Quando acordei e fiquei sabendo que aquela figura pálida, baixa e fria havia nos salvado fiquei extremamente surpreso. Ele pareceu perceber e se sentiu ofendido com isso, mas a culpa não é minha se o cara não parecia ter nem amor próprio e muito menos a boa vontade de ajudar alguém por livre e espontânea vontade.

– Quem é esse? – ele perguntou a me ver pela primeira vez.

– Bom, eu faço a mesma pergunta.

Foi a Yuu quem respondeu primeiro.

– Esse é o Jonathan, o encontrei e Londres. E você – ela o examinou atentamente – é o Nico, filho de Hades, certo?

Ele assentiu e olhou para mim de cima a baixo e depois para a Yuu, como se pensasse “Fala sério. Esse é seu namorado?”. Senti-me ofendido com a frase não dita pelo garoto, mas decidi ignorá-lo.

Depois ele voltou para sua sessão de destroçar zumbis, aparentemente já destroçados... E eu que sou o estranho...

– Bem, acho que já podemos continuar – disse Bianca. – Não que eu queira, mas quanto mais cedo chegarmos lá, mais cedo voltamos para casa.

Assentimos lenta e relutantemente.

Juntamos nossas coisas e partimos logo após terminarmos nossa refeição fria e sem graça. Em Londres, minha família ainda mantinha a tradição do chá da tarde, porém com algumas mudanças que em minha opinião foram ótimas, porque eu odeio chá, então eu estava acostumado a comer várias vezes ao dia – apesar disso eu sou magrelo – e a mudança repentina desse hábito estava me matando.

– Faltam apenas alguns metros – informou Alice.

Ela nos conduziu por um caminho de terra que logo em seguida se juntava a uma escada de pedras. Logo nos vimos saindo do um porão de um dos prédios antigos da cidade. Saímos do prédio tentando agir normalmente e ignorando os guardas que nos olhavam desconfiados. Atravessamos a rua e paramos em um parque arborizado com uma grande fonte no centro.

– Certo – disse Marina. – Estamos na Croácia. Mas na profecia dizia que mais sete pessoas estariam comigo e Bianca e até agora só quatro estão conosco.

– Três. Somente três – disse Nico.

– Como assim? Você não vai nos ajudar? – perguntou Bianca.

– Eu tive algumas desavenças com Cupido no passado.

– Que tipo de desavenças?

Ele desviou os olhos dela quase imediatamente.

– Não é importante. O fato é que não vou ajudá-los na missão.

Alice observou-o atentamente por alguns segundos e então girou sobre os calcanhares e seguiu em frente. Sem muita escolha nós a seguimos, deixando o filho de Hades para trás.

Leo POV

Quanto mais perto chegávamos de Long Island mais sentíamos a diferença do clima; nuvens pesadas ameaçavam cobrir o céu estrelado e não era necessário esforço algum para se ouvir os trovões e ver os raios nas nuvens que se moviam rapidamente, conectando-se umas às outras.

– Com sorte chegaremos antes que comece a chover – comentei torcendo para que estivesse certo.

Não fazia ideia de como estava errado. Mal se passaram três minutos e nós já estávamos encharcados até a alma. A neblina impedia que víssemos mais de dois palmos à frente.

Ouviu-se o grito de uma águia ao longe. O que ante eu pensei que fosse apenas uma coincidência ou uma simples falta de sorte logo se mostrou com a fúria de Zeus. Raios caiam a poucos metros de nossas cabeças – quase deixando-nos cegos pela claridade e surdos pelos estalidos – dificultando o deslocamento de Festus.

Calipso estava agarrada a mim tentando proteger os olhos e ouvidos. Eu estava debruçado sobre o dragão e também tentando me proteger.

De repente, algo inesperado ocorreu. A águia que anteriormente fora ouvida a distância apareceu a uns poucos metros de altura, e ao nos identificar em meio a neblina mergulhou em nossa direção coam as garras à mostra.

Por pouco ela não arrancou minha cabeça. Todos os pelos do meu corpo se eriçaram e eu estava completamente atento para um novo ataque. Tirei um bastão de meu cinto de ferramentas e momentaneamente me senti tentado a sacar algo cortante, mas isso significava por Calipso e até a mim mesmo em risco, já que Festus desviava subitamente dos raios.

Mais águias surgiram da escuridão e nos atacaram. Vez ou outra uma delas fazia cortes superficiais me meus braços e costas, mas a maioria focava sua atenção em Calipso, que devia estar usando algum tipo de feitiço para não ser morta pelas aves.

Estando muito a mim mesmo não notei a aproximação de uma águia dourada ligeiramente maior que as outras. Só notei-a quando Calipso soltou um grito de medo e dor.

Virei-me rapidamente e encontrei-a com as mãos ensanguentadas que tentavam, em vão, estancar o sangue de três grandes e profundos cortes que começavam em suas costas e terminavam em seu braço direito.

Assustado, convoquei meu fogo interior e dirigi-o à águia que avançava novamente. Infelizmente o fogo não fui suficiente e não causou dano à ave.

– Festus! – gritei.

Ele me atendeu imediatamente e virou-se para encarar a águia que cada vez estava mais próxima. Senti o fogo passando por seu corpo, logo a águia dourada saiu voando com o corpo em chamas e desapareceu em meio à névoa.

– Calipso – peguei-a delicadamente e coloquei-a na minha frente, segurando ela pra que não caísse.

Ela não vai morrer, eu repetia para mim.

Ordenei para Festus que ele fosse o mais rápido possível.

Em alguns minutos chegamos ao Acampamento. Havíamos pousado próximos ao lago de canoagem; pulei para o chão e tentei pegá-la no colo, mas meus braços viraram gelatina e não suportavam tal esforço. Procurei em volta por alguém que pudesse me ajudar.

– Percy!

O garoto, que andava tranquilamente em um passeio noturno com a namorada, olhou em minha direção e arregalou os olhos. Em seguida disse algo para Annabeth e correu até nós.

– Calipso? Ah meus deuses – murmurou após ver a gravidade de seus ferimentos.

Ele pegou-a nos braços e disparou o mais rápido que podia para a Casa Grande. Ao chegar lá ele adentrou o lugar e colocou-a delicadamente no sofá de oncinhas do Sr.D, que ele ficou com preguiça de levar com ele quando deixou o acampamento.

Ela gemeu e se moveu com dificuldade antes de abrir os olhos que ameaçavam se fechara qualquer instante. Ela olhou confusa para nós dois.

– Pe-Percy?

– Er, oi – ele esboçou um sorriso fraco. – Você... Você vai ficar bem.

Annabeth entrou correndo na sala e parou ao nosso lado, avaliando o quão critica era a condição de Calipso.

– Percy, vá correndo à enfermaria e traga isso. É urgente – ela entregou uma lista a ele.

A dor em meu coração aumentava a cada minuto. Cada segundo que passava meu mundo desmoronava um pouco.

– Annabeth, ela não vai aguentar. Precisa de cuidados especiais...

– Eu sei. Quíron já devia ter chego.

– Vo-você é a An-Annabeth? – ela perguntou fracamente, com a voz expressando sua dor.

Antes que ela pudesse responder Quíron e Percy entraram apressados. O centauro sentou em sua cadeira de rodas e olhou significativamente para Percy e eu.

– Rapazes, vocês precisam sair.

Deixamos a sala e fechamos a porta.

Permiti que meu corpo caísse na cadeira mais próxima. Olhei para o nada por um bom tempo.

Annabeth POV

– Tire a blusa dela.

Apressei-me em segurá-la e tirar sua camiseta empapada de sangue. Depois disso ele começou a fazer seu trabalho.

– Sim – respondi – Eu sou Annabeth.

– Percy... Ele falou muito de você. Principalmente dormindo.

Dei um sorriso fraco.

Vi ela cerrando os punhos à medida que o centauro tentava curá-la.

– Acho que tirei conclusões precipitadas a seu respeito – gemeu – Obrigado por tentar me salvar, mas esse é meu destino, sempre foi. Quis contar para o Leo, mas não tive coragem.

– Eu estava presente quando Zeus e os deuses me condenaram a milênios naquela ilha. Quando achei que já estava tudo decidido me surpreendi com uma pergunta de Zeus – ela tossiu fracamente. – Ele havia me perguntado se eu gostaria de ter a chance de sair da ilha. Eu afirmei sem perceber meu erro. Os deuses nunca permitiriam que eu vivesse em seu mundo após ter lutado contra eles e meus temores se confirmaram hoje. Uma morte dolorosa me aguardava, felizmente, agora que ela chegou, tenho alguém me ajudando. Senão, tudo seria bem pior.

Ela tossiu novamente e sangue escorreu por sua boca.

Quíron parou o que estava fazendo e olhou-a atentamente. Uma compreensão telepática pareceu acontecer entre eles. Ele se abaixou e beijou sua testa suavemente, logo depois ele proferiu algumas palavras, que entendi como:

– Descanse em paz.

Ela deu seu último suspiro e morreu com um sorriso de alívio no rosto.

Ouvi Quíron praguejar baixinho enquanto eu colocava nela uma camiseta limpa. Ele saiu e encostou a porta, ouvi-o dizer pesarosamente:

– Meu caro Leo, vamos conversar.

Notas finais
Por favoooor dexem reviews! E se tiverem alguma possivel ideia tbm... Bjocas