Notas iniciais
Sorry pela demora de novo

Leo POV

Há algum tempo eu esperava por um passeio noturno depois que retornasse de Ogígia. Só não esperava que minha companhia fosse o diretor meio cavalo do Acampamento.

– Minha criança, eu já presenciei muitas situações complicadas em minha longa e solitária vida, contudo não consigo encontrar palavras menos... dolorosas para lhe dizer isto.

Uma pequena pausa seguiu sua frase para ele ver como eu estava reagindo a tudo isso e então ele continuou quando percebeu que nada poderia amenizar minha dor.

– Perdoe-me se eu estiver sendo insensível, mas vou direto ao ponto: Calipso morreu.

Calipso morreu. A notícia ecoou em minha cabeça e se apoderou de mim como um parasita se apodera de sua presa, e de repente eu não queria mais viver. Eu me sentia igual quando minha mãe morreu em meio a sua loja de ferramentas – que inconscientemente eu havia ateado fogo. Agora a situação não parecia diferente, se eu não tivesse tirado ela de sua ilha ela ainda estaria viva.

– Quíron, por favor – implorei -, me diz que isso é só uma pegadinha dos deuses, que ela... – as lágrimas escorriam livremente por minhas bochechas e molhavam minha camiseta, minha garganta se fechava cada vez mais, me impedindo de respirar.

– A mortalha dela será queimada amanhã, se você comparecer...

Mas eu já não estava mais ouvindo, todos os meus sentidos estavam entorpecidos, meu mundo desmoronava e eu queria morrer, desejei a morte como jamais imaginei ser possível. Eu queria me juntar a ela, eternamente.

Mesmo assim eu me arrastei cambaleante até o Bunker 9 e tudo o que eu me lembro depois disso eram a dor e os inúmeros pesadelos com minha mãe e Calipso.

Percy POV

Assim que Quíron disse aquelas palavras eu tive a certeza de que ela havia morrido.

Levantei com certa dificuldade e passei a porta enquanto um suspiro de infelicidade escapou. Encontrei Annabeth cobrindo Calipso com um pano branco. Parei ao seu lado e observei a garota sem vida que se escondia sob o lençol.

– É uma pena — comentei -, ela era uma boa pessoa, apesar de tudo.

– Todos temos nossos defeitos... Gostaria que todos nós pudéssemos ter uma morte tranquila durante o sono após uma longa vida feliz, Percy, mas nem sempre é possível. As Par... As Benevolentes – corrigiu-se – não são muito generosas na maioria das vezes.

Ela disse tudo àquilo como se pensasse em algo do passado, como a morte de Silena Beauregard – quando tentou recompensar seus erros e liderara o chalé de Ares enquanto fingia ser Clarisse e seu ataque ao krakon, o qual lhe arrancara a vida impiedosamente. Contudo, algo me dizia que ela estava pensando em Luke, o semideus filho de Hermes que foi corrompido por Cronos e morreu dolorosamente ao se sacrificar para nos salvar.

Abracei-a carinhosamente, apertando-a contra meu peito.

– É – concordei. – Eu também gostaria que fosse assim.

Fomos até o refeitório e ela se sentou comigo até o jantar ser anunciado.

– O que o Quíron disse ao Leo?

– Não faço a menor ideia. Eles foram pra floresta antes de começarem a falar.

– Algo me diz que ele não vai reagir muito bem. Vamos ver se ele vai continuar a vida normalmente. Se sim deixamos que ele conte por si mesmo. E se não...

– Teremos que contar para turma – conclui.

– Eles não iriam saber realmente o que aconteceu, porque não sabemos tudo completamente, mas iriam saber o suficiente para entender a situação e ajudá-lo.

Assenti quase imperceptivelmente.

Ela encostou a cabeça em meu ombro e eu encostei a minha na dela. Então percebi que ela sentia pena de Calipso, isso me surpreendeu um pouco já que alguns anos antes eu havia ficado desaparecido em Ogígia por duas semanas com uma garota imortal que costumava se apaixonar pelos caras que apareciam em sua ilha e quando voltei ela quase ter me socado por ter desaparecido.

Deixei que apenas por alguns segundos esses pensamentos fluíssem em minha mente e depois os reprimi para um canto da minha mente e resolvi aproveitar nossos dois segundos antes de o jantar ser anunciado e ela ser “obrigada” a ir se sentar juntos com seus irmãos.

Quíron apareceu no meio do jantar com uma expressão não muito boa.

Durante o sono tive alguns pesadelos no qual meus amigos e minha família morriam de diversas formas terríveis e dolorosas. Ao acordar de manhã disse a mim mesmo que eram apenas sonhos que haviam se formado pelo ocorrido de ontem.

Yura POV

– Então, como se chama essa cidade? – perguntei olhando para o calçadão distante ladeado de palmeiras e depois para a mistura de casas e ruínas antigas e edifícios modernos.

Alice abriu a boca, mas quem respondeu foi Marina.

– Split.

Bianca sorriu sarcasticamente.

– Tipo banana-split? — Jonathan perguntou visivelmente confuso.

– Sim. Algum problema com isso? – Alice parecia ofendida.

– Claro que não. É só um pouco estranho.

Ignorei-os completamente e fiz minha próxima pergunta: onde encontraríamos Eros?

– No Palácio de Diocleciano. Francamente, vocês nunca foram à escola, não? Esse é o lugar mais óbvio para se procurar um deus aqui – disse a filha de Eros já menos ofendida.

– Grossa – Bianca murmurou.

– Na verdade, acho que deveríamos ir até a casa dele...

Alice franziu as sobrancelhas e olhou para Marina como se ela tivesse ficado louca.

– Mas ele mora do Palácio, todos moram lá.

– Acredite, ele tem uma casa. E é lá que vamos encontrá-lo – afirmou Marina.

– Como pode ter certeza? Você nem o conhece — perguntei.

– Tenho certeza porque foi ele que me disse. Vamos logo, eu sei o caminho.

Decidi que seria melhor não fazer perguntas pelo seu tom de voz. Passamos pelo edifício imponente que era o Palácio de Diocleciano e depois de mais duzentos metros começamos a subir uma das colinas que cercavam a cidade. A mansão no topo era bonita, apesar do ar tenso e sombrio ao seu redor.

Ela tinha um estilo meio gótico e era muito parecida com o Palácio de Diocleciano, havia uma trilha de pedra atravessando o jardim até a casa, a qual tinha três andares e janelas em forma de ogiva. No fundo, um jardim deixava alguns galhos de árvores à mostra.

– É aqui. Alice, agora é com você. Você o conhece melhor do que eu – disse Marina enquanto parava e se voltava para ela.

– Ok, hã, fiquem com as armas às mãos e se caso nós encontrarmos meu pai, não olhem para ele, mais especificamente para seu rosto. E façam o menos de barulho possível, talvez ele tenha algumas visitas desagradáveis em algum dos quartos.

Mais tarde eu chegaria à conclusão de que com quartos ela queria dizer prisão.

Entramos hesitantes enquanto preparávamos nossas armas. Após procurarmos pelo andar de baixo chegamos à conclusão de que ele devia estar em um dos andares superiores. Sendo assim, subimos o primeiro lance de escadas e a única coisa que nos esperava era um corredor escuro cheio de portas, que só eram possíveis de se ver por causa de alguns feixes de luz que entravam por uma janela de mosaicos no final do corredor.

Curiosamente nós andamos até lá, mas só o que encontramos foi uma fonte antiga que já não funcionava; esculpido em seu topo estava um bebê de fraldas e um arco e flechas, uma típica imagem do Cupido.

– Quem, em nome de Hades, tem uma fonte dentro de casa?

– Um louco como meu pai... – murmurou Alice mais para si mesma do que para nós.

– Será que a fonte tem alguma função especial? – indagou Bianca.

– Duvido. Provavelmente é só mais um sinal de seu narcisismo, mas se tiver eu não quero saber qual é.

Depois de no certificarmos de que não havia nenhum sinal de algum deu grego naquele andar resolvemos subir o ultimo lance de escadas. O terceiro e ultimo andar era composto por uma sala com uma imensa televisão, um sofá cheio de almofadas e vários espelhos – se não houvesse tantos espelhos pela casa eu diria que era pra aumentar o ambiente. E quase invisível em um canto tinha uma porta alta e branca, com maçanetas e detalhes dourados.

– Eu vou ver se ele está lá. E não façam barulho e nem mexam em nada.

Concordamos e esperamos que ela entrasse no cômodo. Depois de uns cinco segundos que ela estava lá dentro, nos aproximamos e o pessoal procurou um jeito de bisbilhotar.

A única coisa que eu fiz depois que a Ali entrou no cômodo foi ficar parada observando aqueles inúteis tentarem ver ou ouvir o que acontecia lá dentro. Suspirei.

– Vocês são cegos ou o quê? – perguntei frustrada por eles ainda não terem notado nada – Tem uma janela para ventilação em cima da porta – expliquei ao ver seus rostos confusos.

Suas expressões se desanuviaram e deixaram transparecer um pouco de constrangimento.

– Nós já sabíamos – Jonathan blefou.

– Aham. Percebi.

Marina ficou olhando pro nada por um tempo como se considerasse algo e depois fez um movimento positivo com a cabeça.

– Jonathan, se ajoelhe ao lado da porta; Yuu, sua nas costas da Bianca – ordenou.

Depois de nos arrumarmos conforme o pedido, ela tirou uma caixa de madeira de sei lá da onde e colocou em um canto um pouco afastado de nós.

– Agora você sobe nos ombros do Jonathan, Bianca.

Antes que ele pudesse protestar de alguma forma Bianca pulou em seus ombros. Depois de uma pequena discussão nós o convencemos a ficar de pé com nós duas em seus ombros. Eu tive a leve impressão de que ou nós íamos cair ou de que ele ia quebrar ao meio.

– O que você vai ficar fazendo? – Jonathan perguntou quase sem voz de tanto esforço.

– Eu vou... vou tentar ajudar vocês para o caso de vocês caírem — Marina respondeu levantando apressadamente do caixa de madeira para no instante em que parássemos de prestar atenção nela ela voltasse a se sentar.

– Seria mais fácil se você subisse nas costas do Jonathan – disse Bianca.

– Eu sei. Mas não queria correr o risco de ver Eros.

– Por isso colocou a Yuu no seu lugar?

– É. Ela não vai fazer muita falta – disse com indiferença.

– Ela ‘tá aqui sabia? – perguntei irritada.

– Sim – respondeu simplesmente e depois se sentou de novo – Agora, faça o favor de ver o que ta acontecendo lá dentro.

Uma onda de fúria justificada me invadiu.

– Bianca, eu quero descer! – gritei.

– Cala boca, Yuu — Jonathan me repreendeu. De que lado ele está afinal?!

– Vê o que está acontecendo lá dentro – disse Bianca.

– Eu. Quero. Descer.

– Se você ver o que está acontecendo lá dentro você desce mais rápido — ela disse irritada.

– Veja você então!

Segurei-me na cabeça de Bianca, usando-a como apoio, e tentei colocar usar as coxas de Jonathan como apoio. Então aconteceu.

Logo eu e Bianca estávamos no chão e Alice, que acabara de abrir a porta, nos olhava de olhos arregalados.

– O que...? – um homem apareceu nas sombras e acho que a voz sexy vinha dele – ALICE!

E tudo ficou preto.

Notas finais
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