Welcome To My Life
19 Tudo Por Causa de Minas Terrestres
Notas iniciais
Bianca PoV
Depois que o Cupido teve seu pequeno chilique com o nosso “repentino aparecimento inesperado que poderia acabar com seus planos” ele fez com que desaparecêssemos e reaparecêssemos em um campo de batalha próximo a um castelo em ruínas, mas que na realidade era só um monte de madeira, isopor e papel machê – e quem descobriu isso? O Jonathan. E como ele descobriu isso? Tropeçando.
Sério, ele é muito inútil.
– Você ‘tá zuando, né? Eu não viajei meio mundo em um labirinto subterrâneo, bolorento, imundo e lotado de monstros pra depois o deus do amor me mandar pra um cenariosinho de batalha feito em Holywood! –disse irritada.
Eros, que estava em um canto meio afastado, riu e deu alguns passos à frente, mas ainda assim mantendo o rosto coberto pelas sombras. Pude perceber que ele era um cara meio magrelo, de estatura média e com cabelos negros um tanto compridos bem parecidos com os de Nico.
Parei minha análise por um segundo. Ele era igual o Nico.
Bem, não completamente, percebi após mais uma minuciosa olhada, ele tinha um par de asas brancas.
– Se você prefere voltar e ser minha escrava eternamente sinta-se à vontade.
Ia dizer alguns comentários nada elegantes ao seu respeito, contudo ele continuou:
– Você não considera tudo verdade o que ia dizer sobre mim, afinal eu sou bem parecido com o Nico.
– Conhece o Nico? – perguntei esquecendo que mais cedo Nico tinha decidido ir embora justamente por já ter conhecido Eros.
– Ah, sim – riu ironicamente – Acho estranho vocês estarem namorando, levando em conta a última paixonite dele.
Eros viu minha expressão confusa.
– Ele não te contou? Acho que quando terminarmos aqui eu talvez precise ensinar a ele como não se deve esconder esse tipo de coisa de quem se está usando pra fazer ciúmes – ele tentou fazer com que parecesse estar refletindo consigo mesmo.
Com o canto do olho percebi que Yura estava parada olhando fixamente para o local onde Eros estava enquanto Jonathan a olhava feio. Marina me observava com os olhos semicerrados.
Eros avançou mais um passo em direção à luz deixando a parte inferior de seu rosto à mostra, seus lábios vermelhos e perfeitamente esculpidos tentando reprimir um sorriso culpado.
– Ele não está me usando, não seria capaz disso – minha confiança foi diminuindo cada vez mais – Eu sei que não.
– Você não sabe de nada, o conhece a uma semana – lágrimas ameaçaram escorrer dos meus olhos, mas eu as controlei com facilidade, sempre fiz isso com muita frequência. – Que tal uma pequena história para você conhecer melhor Nico di Ângelo?
Sem esperar uma reação minha ele continuou:
– Há três anos, um garotinho feliz e sua irmã, ambos filhos do deu do submundo, Hades, foram resgatados das garras do Dr.Espinheiro com a ajuda das caçadoras de Artemis. A garota, que também se chamava Bianca, se juntou à caçada deixando seu irmãozinho. Mais tarde, uma profecia levou sua irmã para uma missão e desesperado para protegê-la, o garotinho implorou para o herói que havia ajudado a salvá-lo que protegesse sua irmã.
“Ao retornar ao acampamento o herói deu-lhe a noticia de que Bianca morrera para salvar a vida de todos, e ele se sentiu traído, contudo, mesmos assim ele não pode deixar que os guerreiros-esqueleto ferissem Percy e então fugiu assustado com o que acabara de fazer e com seus sentimentos. O garoto era rancoroso e odiou Percy Jackson por muitos anos. Dois anos se passaram e o garoto tentou ajudar Percy derrotar Cronos levando-o até o palácio de seu pai, mas ele havia enganado Percy, sua única intenção era receber a permissão de ver o espírito de sua mãe falecida muitos anos antes. Percy Jackson foi aprisionado por algumas horas, mas o garoto o ajudara a escapar e o levara ao Rio Estige para se tornar invulnerável e ter uma chance de derrotar Cronos. Nico sempre deixou o acampamento por amor”.
Fez-se um silencio momentâneo enquanto Eros me deixava digerir as palavras.
Marina se adiantou e parou ao meu lado colocando a mão sobre o cabo da espada instintivamente.
– Nico di Ângelo sempre foi um traidor rancoroso. Durante o ultimo ano ele formulou ideias de como poderia conseguir o que queria e acho que ele só está tentando despistar suspeitas usando você. Annabeth não seria uma adversária agradável e ele sabe disso, principalmente quando o que está em jogo é seu namorado.
Abri a boca para dizer que tudo o que ele dizia era mentira. Nenhum som saiu.
– Como ele mesmo admitiu na presença de seu irmão Jason: “E-eu não estava apaixonado por Annabeth.”, “Eu me odiava. Odiava Percy Jackson.”, “Tive uma queda pelo Percy. Essa é a verdade. Esse é o grande segredo.”.
– Bianca, é só uma distração! – alertou-me Marina.
– Talvez você queira ouvir isso dele mesmo.
– Chega! – Marina gritou tirando a espada da bainha e segurando-a de forma ameaçadora. – Cansei dos seus joguinhos. Nós queremos resgatar Atena e não vamos embora sem você nos dizer onde ela está.
A menção de Atena me lembrou dos reais motivos de estarmos ali e fiquei revoltada por Eros ter conseguido me desviar do foco da missão. Habilidosamente tirei o arco que levava nas costas já colocando uma flecha em posição. Isso pareceu tirar Yura de seu estupor, já que ela sacou sua espada de ferro estígio e colocou-a em posição, Jonathan fez o mesmo com seu arco.
– Acham mesmo que podem me derrotar com esses seus brinquedinhos? – ele fez um movimento quase imperceptível com a mão esquerda e nossas armas saltaram para longe de nossas mãos, indo parar atrás das coxias. – Eu sou um deus.
– Pouco me importa se você é um deus! – Marina se virou para nós. – Olhem, eu não lhes contei, mas venho tendo pesadelos com o que aconteceria se Atena não for encontrada e levada de volta ao Olimpo e nós temos apenas algumas horas até a guerra começar. E vai muito além de uma briga entre Zeus e Poseidon, o mundo inteiro sofreria as consequências. Os deuses do Conselho acabariam se destruindo na guerra, Hades não faria nada para impedir isso, o mundo viraria um caos!
– Isso é uma grande besteira. Eu não estou com Atena – disse Eros. – E se uma guerra acontecer não será minha culpa – ele falava com tanta convicção que chegava a me convencer.
– Você é um mentiroso desalmado. Você está com Atena e a prendeu em algum lugar naquela sua casa.
Voltei meu olhar para Marina que agora parecia se controlar para não fincar sua espada no estômago do deus.
– Você quer a guerra. Sempre quis que o mundo se destruísse aos poucos por amor — ela afirmou.
– Não parece certo o que você está dizendo – Eros deu um sorriso triunfante quando ouviu minhas primeiras palavras. – O mundo não merece ser destruído por um deus que quer que seus poderes sejam reconhecidos e venerados.
Avancei alguns passos e convoquei mentalmente uma tempestade de raios.
– Ainda mais um deus do amor feio – concordou Yuu. Jonathan comemorou silenciosamente.
Os olhos do deus faiscavam de raiva. Foi com uma voz sombria e vingativa nada digna do deus do amor que ele disse:
– Vocês querem guerra? Então que assim seja.
E pela segunda vez no meu dia tudo ficou escuro.
Connor Pov
– Nós queremos nossas minas terrestres de volta! – Clarisse berrou enquanto esmurrava a porta com tanta força que me surpreendi por ela ainda não ter saído do batente.
– Eu não trabalho nos fins de semana! – guardei cuidadosamente a granada de peido de centauro. As filhas de Afrodite iam amar aquilo.
– Hoje é terça – ela bateu mais um pouco na minha porta.
– O Chris sabe que você fica por aí batendo e implorando na porta de outros caras?
– Essa porta também é dele, Stoll! – coitado do Chris.
Distraidamente puxei a cortina e espiei pela fresta a multidão enfurecida que se formava em frente ao meu chalé. E eles ainda estavam à caráter, com tochas e aquelas coisas que parecem garfos. Lutei para não rir.
– Er... Eu estou com um caso grave de... Travisinite – forcei uma tosse. (N/Travis: virei doença agora? ¬¬).
– É contagiosa? – algum idiota perguntou do meio da multidão.
Connor Stoll, você se superou. Alguns filhos de Ares tem pavor de gripes, dizem que isso os torna mais fracos. Grande parte deles acredita nisso, infelizmente Clarisse não.
– Altamente – tossi mais algumas vezes e continuei o processo de engarrafar aquela maravilha que os peidos de centauro são. – Se eu fosse vocês nem chegava perto desse lugar, a Traisinite te deixa tão fraco que não dá pra levantar nem um palito de dente.
Ouvi uma agitação lá fora. Clarisse, que continuava esmurrando minha porta impiedosamente, diminuiu a intensidade das batidas para tentar convencer seus irmãos de que Travisinite não existe.
– Ele está mentindo seus imbecís! – gritou irritada.
Tossi e me curvei para frente quando fiz que estava vomitando. Graças à boa e velha Zeusa Fabulosa existem as cortinas preá distorcer as coisas.
– QUEM FOR EMBORA ESTARÁ RENUNCIANDO AO SEU SANGUE DIVINO! – Clarisse é bem persuasiva quando quer.
Fiquei tão assustado com o grito repentino que devo ter pulado meio metro da cadeira, esqueci completamente o que estava fazendo. Arregalei os olhos quando vi o frasco que eu devia estar segurando encostar no chão.
– Droga.
O chalé inteiro sofreu uma pequena explosão e um cheiro tão ruim que não deveria nem existir entrou pelas minhas cavidades nasais e se impregnou nos meus pulmões.
Empurrei a porta e sai correndo pro lago de canoagem.
Mais tarde, na hora do almoço, eu resmungava sozinho enquanto me esfregava com um sabão misterioso.
O problema dos peidos de centauro é que só dá pra engarrafar se ele estiver concentrado e quando eles são concentrados eles fedem mais que o normal e se tornam altamente sensíveis e explosivos. E isso mais que Super Bonder.
Resumindo tudo o que aconteceu hoje: eu fiz o chalé de Hermes sofrer uma mini explosão e ficar fedendo; fui obrigado por meus irmãos amados a me lavar em público usando uma sunga com uma carinha feliz atrás e uma boia cheia de florzinhas; tive que devolver as minas terrestres do chalé de Ares no lugar e ouvir reclamações dos meus irmãos por termos que dormir do lado de fora do chalé correndo o risco das harpias da patrulha nos comerem por engano.
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