Welcome To My Life
10 Uma Sombra Me Levou ao Esgoto
Notas iniciais
Marina POV
– Como assim, desapareceu?
– Desconfio que Zeus seja o culpado – disse o deus se jogando no banco ao seu lado e passando a mão no cabelo, aflito.
Quíron se adiantou e disse:
– Levem Rachel para a enfermaria – disse aos dois garotos. — Acho que devemos falar sobre a profecia.
– O Céu e o Mar condenados estarão/Aos pés de um deus que destruiu seu coração... – começou Annabeth.
– Deverão entrar no labirinto renomado/Onde quatro estarão ao seu lado/Da cria do amor é responsável, das trevas surgirá e pela deusa da sabedoria lutará/Para um amor perdido salvar – completei impensadamente.
Todos se voltaram para mim e ficaram me encarando.
– Eu... eu já ouvi isso antes – disse Bianca. – Em um sonho. Já faz muito tempo, mas não consegui esquecer.
– E o quê você viu nesse sonho? – perguntou o centauro.
– Foi um sonho bem esquisito. Primeiro ouvi a voz gritante de um homem zangado. Não consegui entender o que ele dizia. Depois vi um cavalo e uma águia, eles começaram a brigar e então foram acertados por uma flecha – todos ouviam atentamente. – Duas vozes começaram a implorar por algo – ela franziu a testa como se tentasse se lembrar de mais algum detalhe. – Não lembro direito, mas acho que tudo ficou escuro depois, eu continuava sonhando, mas só via um escuro infinito.
– E a profecia? – perguntei.
– Quando acordei as frases ficaram presas no meu cérebro. Como se uma voz ficasse falando em meu ouvido. Por dias tentei tirar aquilo da cabeça, mas não tive sucesso.
Uma ideia começou a se formar em minha cabeça. Como se lendo meus pensamentos, Annabeth disse:
– Isso deixa tudo muito claro, embora não me agrade a ideia de vocês terem que entrar no labirinto, o Céu e o Mar são Zeus e Poseidon, assim como a águia e o cavalo, e a escuridão, bem a escuridão só pode ser Hades. Precisamos de um filho de cada um desses deuses.
Poseidon POV
– Eu vou.
Reconheci a voz da pessoa que eu sabia que iria se oferecer para ir. Um sentimento protetor tomou conta de mim e eu soube o que fazer.
– Não. Você definitivamente não vai. Se eu precisar pedir para Hefesto fazer um trono igual ao que ele usou para prender Hera para te impedir, pode ter certeza que eu faço isso!
– Percy não vai nessa missão. Eu vou. E pouco me importa o que vocês pensam disso, o problema é meu. E se eu não tivesse nascido isso nem estaria acontecendo.
Percy abriu a boca para protestar, mas ela nem deu chance de ele continuar.
– E você fique fora disso. Já me causou muitos problemas e eu não estou à procura de outro. Além disso, Annabeth não iria gostar nem um pouco que você fosse em uma missão sem ela e no dia do aniversario de vocês – explodiu Marina.
– Acho que não estamos em um bom momento para uma briga familiar – interveio Quíron. – Tudo bem, você irá na missão juntamente com Bianca.
Ele consultou alguns papéis e franziu a testa.
– Ahnn. Nico, Hades quer você no palácio dele amanhã às 16 horas, sem atrasos. Hazel você deve ir ao Acampamento Júpiter, ordens de Lupa. Parece-me que ficamos sem opções.
– Vocês não ficaram sem opções. Eu sou filha de Hades.
Katie POV
Santa Deméter! Isso está cada vez mais interessante! Acho que vou pegar um pouco de cereal (N/A: Uma pessoa normal pegaria pipoca).
– Como pode ter tanta certeza? – perguntou Connor.
– Esta tarde eu estava na floresta, escurecia e já havia muitas sombras. Sem querer eu pisei em uma e fui parar no esgoto. Então me lembrei de algo sobre filhos de Hades conseguirem viajar nas sombras. Tudo ficou muito claro para mim, espero que para você também ou vai querer que eu desenhe?
– Isso facilita a minha vida. Vocês três irão partir amanhã cedo. Mas para onde vão? – Quíron indagou.
– Acho que devemos entrar no labirinto e esperar que a tal cria do Amor nos guie – disse Marina.
– Será que poderíamos fazer outra coisa? Estou ficando entediada. E meu cereal acabou. — disse.
– Há uma infinidade de coisas que podemos fazer – disse Drew (N/A: É impressão minha ou ela deu duplo sentido à frase?).
– Podemos começar a caça-bandeira – Marina sugeriu. – Enquanto você fica aqui perdendo seu tempo e sua sanidade mental.
Se é que ela tem uma.
Rimos dela até o começo do jogo. Os times continuavam praticamente os mesmos, mas agora o chalé de Atena estava no outro time.
Hazel POV
Depois de descobrir de um jeito bem incomum que tinha uma irmã, Annabeth estabeleceu uma estratégia de batalha e fomos atrás da bandeira.
Percy, Annabeth e eu nos escondemos em um dos túneis e esperamos até que todos os filhos de Ares e Belona não estivessem mais a vista.
Os romanos haviam construído uma pequena fortaleza na qual colocaram a bandeira bem no centro com uma porção extra de pessoas protegendo-a, que na verdade eram só quatro pessoas.
– Qual é o plano? – indagou Percy olhando para Annabeth.
– Ei! Outras pessoas também podem ter planos! – ele fez uma expressão confusa e eu continuei. – Sempre que você pergunta se alguém tem um plano você olha para ela – esclareci.
– Hazel tem razão Percy, então, qual é o plano? – perguntou a filha de Atena.
Procurei algo pela mente, mas não encontrei nada.
– Eu estava esperando que você tivesse um – admiti.
Vi um leve movimento atrás da fortaleza e me perguntei o que poderia ser. Um jato de água pegar um dos campistas discretamente, sem deixar que os outros notassem.
– Parece que já acharam um jeito. Percy será que você...?
– Claro.
Ele repetiu o mesmo procedimento juntamente com a irmã. Logo nos vimos livres dos campistas que guardavam a bandeira.
– O que fazemos agora? O que vamos fazer com os outros?
– Vamos atacá-los.
Marina havia aparecido ao nosso lado e já desembainhava a espada.
Vencemos poucos minutos depois. Os filhos de Ares ficaram momentaneamente atordoados por terem perdido tão depressa.
O dia havia sido longo e depois de mais uma hora na fogueira fomos dormir.
Annabeth POV
Ah, meus deuses! Não acredito que já faz um ano que estou namorando o Cabeça-de-Alga!
Raios de sol entravam pelas janelas e deixavam rastros de luz pelo chalé. Lá fora os pássaros cantavam alegremente.
Me peguei pensando nele e em tudo o que passamos juntos, eu parecia uma boba com um sorriso enorme na cara.
Levantei-me apressadamente e peguei minhas roupas, me enfiei no banheiro e sai depois de dez minutos lá dentro.
Fui andando até o chalé de Poseidon e bati na porta infelizmente a voz que me mandou entrar não era a que eu esperava, mas entrei mesmo assim.
– Bom dia.
– Hum. Bom dia – respondeu.
Minha irmã estava terminando de arrumar suas coisas. Percy, que inda dormia, resmungou algo incompreensível.
– Bem, acho que é melhor eu ir indo, não quero deixar ninguém esperando – disse ela.
Assenti e disse que quando Percy acordasse nós iríamos nos despedir, ela deu risada e falou que quando ele acordasse ela provavelmente já teria sido comida por um monstro.
Assim Percy e eu ficamos sozinhos me sentei na beirada de sua cama e fiquei olhando-o, esperando que ele acordasse. Perdi a paciência e cutuquei ele.
– Acorda dorminhoco.
Olhos verde-mar me encararam por um segundo e então se fecharam novamente.
– Que horas são? – resmungou.
– Hora de você acordar.
Ele se sentou, de mal grado, na cama e me deu um beijo na testa, pegou suas roupas e entrou no banheiro. Ele saiu depois do que pareceram séculos.
– Feliz aniversário, Cabeça-de-Alga.
– Feliz aniversário, Sabidinha.
– Temos que nos despedir. Vamos.
Puxei-o pra fora do chalé e fomos até o Punho de Zeus, o local estava lotado de campistas.
Depois de eu fazer minha despedida Percy repetiu o processo, mas quando a abraçou ela começou a reclamar dizendo que ele não queria soltá-la.
Travis também veio se despedir e houve uma pequena discordância entre os dois e eu tive que apartar uma briga, apesar de todos os protestos do chalé de Ares, uma coisa completamente irrelevante, já que isso sempre acontece.
Bianca POV
Durante as despedidas Nico apareceu e me puxou para um canto afastado, ele parecia preocupado.
– Por favor, tome cuidado. Já estive no labirinto antes e é um lugar bem esquisito. Só era possível se saber para onde estava indo com a ajuda do Fio de Ariadne ou com a de um mortal que pudesse ver através da Névoa, mas desconfio que, sobre os comandos de Pasifae, nem isso seja mais possível.
– Pode deixar.
Dei um beijinho nele e voltei para o Punho de Zeus. Terminada as despedidas encostei no local em que havia o símbolo de Dédalo, um ∆.
Entramos hesitantes no pequeno buraco que havia se aberto. Assim que todas entramos ele se fechou de um modo que parecia que jamais abriria de novo.
– Muito bem. Aqui estamos, mas para que lado devemos ir? – perguntou Marina.
– Aquele lado cheira a morte. Vamos por esse – disse a filha de Hades indicando o caminho à nossa frente.
Andamos pelo que podiam ser minutos ou horas, era difícil saber. Eu havia levado um relógio, mas por alguma razão ele parara de funcionar. Sugeri que fizéssemos uma pausa para descansar e ninguém se opôs.
– O que vocês acham de pararmos por hoje?
– Tudo bem. Quando será que vamos achar a tal cria do Amor?
– Bem que ela poderia aparecer logo. Estou cansada disso tudo – resmungou Yura.
Depois de comermos algumas barrinhas de cereal fiz o primeiro turno de vigia. O labirinto produzia ruídos, como se ele estivesse se movendo, o que, na verdade, ele estava fazendo.
Percy POV
Depois que as meninas entraram no labirinto alguns campistas me desejaram um feliz aniversário e Annabeth e eu fomos andar pelo acampamento.
Ela estava linda, como sempre, em suas roupas do acampamento. Seus cabelos brilhavam e seus olhos tempestuosos estavam ainda mais tempestuosos, só que de um jeito bom.
– Ei. Eu tinha, hã... Eu tinha planejado de a gente passar o dia na praia, então...
– O.k., Cabeça-de-Alga. Eu vou me trocar e encontro você lá – disse.
– Vai demorar muito? Porque eu não quero morrer de saudade.
Ela revirou os olhos. Então antes de me beijar disse:
– Tenho certeza de que você vai sobreviver.
Quando ela me beijou eu me senti como se o meu cérebro estivesse derretendo. O que sempre acontece quando ela me beija, o que pode ser meio perigoso, porque se estivermos no meio de uma guerra e ela me beijar... Acho melhor não pensar nisso. Eu era, sou e sempre vou ser o cara mais sortudo do mundo.
Observei ela se afastar e fiquei pensando em tudo o que passamos juntos, nossas brigas, nossas missões, quando caímos no tártaro, nossos encontros que foram interrompidos por algum deus ou monstro...
Quando dei por mim já haviam se passado uns dez minutos, fui até o meu chalé e peguei a cesta de piquenique que havia escondido dentro do meu armário e enchi de comida, guardando um lugar para a água com gás e limão que Annabeth tanto gosta.
Ao chegar na praia quase tive uma parada cardíaca. Annabeth estava simplesmente ma-ra-vi-lho-sa. Se mesmo com aparência de morta ela é bonita imagine de biquíni!
Poderia ter ficado olhando-a pelo resto da eternidade e pelo jeito que ela riu de mim devo ter ficado mesmo. Ela andou até mim, deu um beijo em minha bochecha e me levou até a canga estendida na areia.
Nos sentamos e desfrutamos de nosso maravilhoso piquenique na praia. Depois de eu comer praticamente metade da comida, o que era bastante, em vinte minutos Annabeth achou melhor guardarmos o resto para mais tarde.
Minha namorada sugeriu que fizéssemos um castelo de areia. Eu topei.
Mas apesar de eu ser filho do deus do mar e a maioria das vezes me dar bem na praia meu castelo ficou horrível. A única parte que pelo menos parou em pé cedeu e acabou virando parte do meu monte de areia.
Já Annabeth estava indo muito bem. O castelo dela tinha vários andares e varias torres, com direito a uma bandeirinha em cima de cada uma das torres. Um rio dava a volta no castelo e havia uma ponte passando por cima dele.
Acho que você já entendeu que o castelo dela ficou simplesmente magnífico.
– Isso não é justo. O seu parece que é feito de pedra enquanto o meu virou um montinho de areia – reclamei.
– Percy, eu sou filha de Atena. Você esperava o quê? Que meu castelo também virasse um montinho de areia?
Olhei para ela inexpressivo, com cara de idiota e ela riu de mim.
– Podemos fazer alguma coisa que eu consiga fazer? – perguntei emburrado.
Ela andou até mim, passou os braços ao redor do meu pescoço e perguntou:
– Tipo o quê?
Pensei por um instante. Então, puxando Annabeth atrás de mim sai em disparada em direção ao mar. Continuei andando até a água começar a bater em minha cintura. Abracei-a por trás e juntos afundamos na água.
Quando submergimos Annabeth estava sem fôlego de tanto rir. Para chamar a atenção dela joguei um pouco de água em sua direção.
É desnecessário dizer que depois disso começamos uma guerra de água.
Annabeth e eu nos sentamos na beira da água e observamos enquanto o Sol se encontrava com o mar. Era reconfortante estar junto dela. Eu me sentia completo e feliz.
– Percy, eu te amo.
– Eu também te amo, Annabeth.
Delicadamente eu puxei seu rosto para perto do meu enquanto ela enlaçava meu pescoço. Nosso beijo foi longo e apaixonado, mas infelizmente tivemos que parar porque nossos pulmões precisavam de ar.
Levantamos-nos e juntamos nossas coisas para voltarmos aos chalés. Andamos sem dizer absolutamente nada. Antes de deixar que ela entrasse em seu chalé disse:
– Tenho outra surpresa pra você hoje à noite. Te pego às oito.
Foi quando senti um cheiro forte de perfume e uma nevoa rosa preencheu o local por um instante.
– Afrodite?
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