Welcome To My Life
11 Ilhas, Chalés e Templos.
Yura POV
Faziam horas talvez até dias que estávamos no labirinto, mas pareciam apenas alguns minutos, era horrível essa sensação.
Tenho um pouco de claustrofobia. Quando eu era pequena houve um furacão na cidade onde morava e minha mãe e meu padrasto foram vitimas, e eu fiquei durante dias nos escombros. Desde esse dia tenho medo em ficar presa em lugares pequenos e não se pode dizer que os corredores do labirinto eram espaçosos.
Há algum tempo Bianca havia me chamado para fazer o segundo turno de vigia. Eu estava sentada com as costas encostada na fria parede do labirinto. Eu sentia a presença de centenas talvez milhares de monstros e praticamente a cada minuto meu radar interno detectava algumas mortes. Monstros? Semideuses? Mortais infelizes que caíram por um acaso no labirinto? Difícil dizer.
Estava batucando uma música qualquer e algo me chamou a atenção. Uma presença assustadora, que procurava por jovens e viajantes para comer.
– Acordem! Temos que ir andando! Agora! – gritei.
Rapidamente juntamos nossas coisas e corremos pelo corredor oposto do rugido que se ergueu.
Quase fomos mortos por machados presos no teto, por agulhas venenosas fincadas nas paredes e por uma rocha de uma tonelada que passou pelo corredor. Como você deve ter percebido nós temos muita sorte.
Para nosso azar a criatura era mais rápida que a gente e não teve nenhuma dificuldade com as armadilhas, alcançou-nos rapidamente.
– O que é aquilo? – indagou Bianca. – Me lembra uma empousa.
Realmente ela era bem parecida com uma empousa, mas seu rosto era um tanto destorcido e haviam manchas vermelhas ao redor dos olhos, como se eles houvessem sido retirados recentemente.
– Aquilo é a Lâmia – como percebi que ninguém tinha ideia do que eu estava falando continuei. – Lâmia é filha de Poseidon e era amante de Zeus, Hera ficou com ciúmes e matou todos os seus filhos assim que nasceram, por fim transformou-a em um monstro e foi condenada a não poder cerrar os olhos, para que ficasse para sempre obsecada com a imagem dos filhos mortos. Zeus, apiedado, deu-lhe o dom de extrair os olhos para poder descansar.
– Você não pode mandá-la para o Tártaro? – perguntou Marina.
– Não é tão simples assim! O Labirinto está sob magia, os monstros não podem ser mandados para o Tártaro se não forem mortos.
A criatura estava se aproximando rapidamente e já exibia suas presas.
– Acho que devem saber que ela suga o sangue das pessoas – comentei.
As duas me olharam com um olhar que dizia: Por que não disse isso antes?
Corremos por um corredor e chegamos a uma bifurcação, no entanto eu continuei correndo e fui pelo túnel da esquerda, o outro estava cheio de monstros.
Para complementar a nossa falta de sorte tudo o que encontramos foi uma parede bloqueando nossa passagem. Procurei pelo símbolo de Dédalo, porém não o encontrei.
– Eu sinto... – murmurou a filha de Poseidon.
Fechou os olhos e se concentrou profundamente. Não sei por quanto tempo perdi minha consciência, mas quando acordei estava estendida na areia e um salva-vidas gato checava se estava tudo bem comigo.
– Elas precisam descansar, tem um hotel a umas duas quadras daqui. Não é muito caro – explicou à Marina.
Depois disso só me lembro de andar duzentos metros, subir cinco andares de escada e me jogar na cama.
Leo POV
A verdade é que eu havia fugido do acampamento de manhã bem cedo, algumas harpias haviam tentado me comer e uma delas mordeu meu dedo e case arrancou-o.
Festus e eu vínhamos voando há algum tempo. Apesar de Festus ser confortável meu traseiro estava dolorido de tanto ficar sentado em uma posição. Contudo eu tinha motivação suficiente para continuar. Olhos escuros e amendoados e uma linda ilha me davam forças.
Surpreendentemente, mas nem tanto assim, Ogígia fica no Mar de Monstros. Era de se imaginar que fosse, porque, bem, ninguém localizou a ilha em... O que? Três mil anos?
Ao longe conseguia ver algumas agitações na água e resolvi parar para descansar em uma pequena ilha com apenas meia dúzia de árvores, um morro a uns quinze metros da praia e com algumas rochas escarpadas.
Desci e peguei minhas coisas, recolhi alguns galhos e fiz uma pequena fogueira, o que me fez sentir saudade de casa. Com surpreendente rapidez montei uma rede na qual coloquei o saco de dormir que levava em minha mochila.
Observei as constelações e me perguntei se conseguiria realmente tirar Calipso daquela ilha.
Veja bem, eu estava em uma situação complicada: os deuses prenderam Calipso em Ogígia como punição por ela ter ajudado seu pai na guerra, ninguém havia encontrado a ilha em milênios, os deuses juraram pelo rio Estige que a libertariam e mesmo assim não o fizeram, e, mesmo que eu conseguisse tirá-la de lá quem garantiria que os deuses não a mandariam de volta?
Entretanto havia outra coisa me incomodando. Ela recebera muitos heróis em sua ilha e se apaixonara por todos eles, mas eles não eram simples heróis, eram os melhores heróis do século. Ela me explicara que para um herói poder ir, tinha somente que pedir e uma balsa mágica apareceria, contudo também era preciso que ela se apaixonasse por ele. Na minha ultima visita eu havia, sem querer, destruído sua mesa de jantar e ela passara a me odiar e a me ignorar. Mas não é isso que me preocupa.
Depois de um tempo ela passou a ser legal comigo e depois de a balsa aparecer ela me beijou, e não foi um beijo qualquer, mas algo me fez pensar: e se ela estivesse apenas começando a gostar de mim e apenas me beijou para a balsa não desaparecer e me deixar mais tempo preso na ilha? E se depois de eu resgatá-la ela se esquecesse de mim e se apaixonasse por outro cara? Não seria difícil trocar um cara magro, baixinho e cheio de cicatrizes como eu por um dos caras altos e fortes do acampamento.
Por fim adormeci com esses pensamentos torturantes na cabeça.
Afrodite POV
Anwwwwww! Não acredito! Já faz um ano! Acho que vou explodir purpurina azul e vomitar arco-íris! Pensando bem, vomitar não é um ato digno de mim.
– Deuses, Annabeth! Você ainda não fez nada com seu cabelo? Francamente. Olha essas pontas duplas! – disse pegando uma mecha deu seu cabelo e balançando na frente de seu rosto. – E, Percy! Olha só essa espinha! Parece que vai explodir.
Percy tentou olhar para a espinha quase no meio da testa e ficou vesgo por um instante.
– Isso não pode ficar assim. Percy vá para o seu chalé. Assim que terminar de arrumar Annabeth eu apareço por lá.
Ele provavelmente ia protestar, mas deu um aceno de cabeça e se foi resmungando.
Sorri para a garota a minha frente e ela recuou um passo.
– Vamos entre. Temos muito que fazer – fiz uma careta. – Mas, pensando melhor, devemos ir para o meu chalé.
Assim que entramos minhas filhas me cercaram me pedindo opiniões para aquilo e ajuda para aquele outro e blá blá blá.
– O que você faz aqui? – perguntou Piper de seu beliche sem ao menos erguer o olhar .
– Tenho algumas coisas pra fazer.
– Tipo retocar a sua maquiagem perfeita e ensinar as pessoas a quebrar o coração dos outros? – disse sarcasticamente.
– Por que? Você acha que preciso de um retoque? – me observei atentamente em um espelho – Ah, mas não estou aqui para isso; vim arrumar Annabeth.
A filha de Atena olhou para amiga e disse sem emitir som algum:
– Socorro!
Levei-a para o banheiro e fiz aparecer uma maca e todos os melhores produtos de beleza do mundo.
Depois de depilá-la, fazer uma limpeza de pele, tirar a sobrancelha, hidratar, cortar, desembaraçar e lavar seu cabelo umas cinco vezes eu já estava cheia de ouvir reclamações e de dizer que a beleza dói; mandei-a tomar banho e depois ficar um tempo em uma banheira com mais alguns produtos.
Depois de mais meia hora ela voltou e eu sequei seu cabelo. A diferença entre antes e depois era muito grande: antes seu cabelo estava lotado de pontas duplas e parecia um ninho de rato.
Ok, talvez eu esteja exagerando um pouquinho, mas depois de fazer um milagre seu cabelo estava brilhante e sedoso, e não havia nem uma ponta dupla.
– Muito bem. Fique em pé para que eu possa decidir o que você vai usar.
Depois de examinar todos os ângulos eu finalmente decidi que roupa ela usaria.
Estalei os dedos e a filha de Atena acabou trajando um belíssimo vestido mullet (N/A: Pra quem não sabe mullet é aqueles vestidos que atrás é mais longo que na frente), tomara que caia e de um tom um tanto mais escuro que o verde-água. Um cinto fino enlaçava sua cintura.
Annabeth calçava um peep toe aveludado e preto, usava um colar de coruja e várias pulseiras cravejadas por pedras, os brincos eram de pérolas e delas saiam fios de ouro e eu anda lhe dera uma bolsa Chanel preta.
Seu cabelo estava preso em um meio coque e caía por sua costas, as unhas estavam pintadas de azul e pareciam mostrar as estrelas. Suas pálpebras estavam sombreadas por um rosa claro, os olhos estavam destacados e com cílios postiços. E além de tudo seus lábios estavam cobertos por batom vermelho.
– Pronto – bati palmas – Pode se olhar no espelho.
– Hã, Afrodite, tem certeza de que sou eu?
– Ah querida, é claro que é você. E nem precisa me agradecer.
Depois de deixá-la com Piper me dirigi ao chalé de Percy.
– Muito bem Percy. Aqui estou e não quero ouvir reclamações sobre o que vou fazer ou como eu vou fazer. Já escutei reclamações suficientes para uma vida toda.
Após alguns reparos dei a ele um Olimpo Express rosa, mas ele reclamou e acabei trocando-o por um azul.
– Percy, irei teletransportar vocês de volta à meia-noite e quando quiser dar os presentes para sua querida namorada é só pedir e eles aparecerão. Tchauzinho.
Annabeth POV
Estava recostada na cabeceira da cama de Piper enquanto conversávamos sobre onde Leo poderia ter ido e sobre o filhinho do treinador Hedge e da ninfa do vento, Mellie, quando simplesmente despareci. Desapareci como um monstro assim que é vaporizado.
A atmosfera era um tanto mais fria do que a de Long Island no verão; as colunas eram feitas de pedra branca e circulares, no estilo grego; havia várias estátuas da mesma pessoa, a que me dera á luz. Atena.
Não era um sonho, eu estava mesmo no Parthenon. E não era aquele Parthenon que os mortais veem, não eram as ruínas do templo. Não, era o Parthenon da Grécia Antiga, o mesmo de quando os deuses ainda governavam e viviam no país.
Olhei cada mínimo detalhe, anotando-os mentalmente para usar na reforma do Olimpo.
Uma variedade de estátuas espalhava-se estrategicamente e havia também muitas tapeçarias.
Na busca pela Atena Parthenos tive o privilégio, se é que se pode assim dizer, de ver algumas das obras de Aracne. Como sabem, Aracne era uma das servas de Atena e um dia acabou achando-se melhor tecelã que a deusa, a qual amaldiçoou a serva, transformando-a na primeira aranha.
Neste dia pude ver os trabalhos de minha mãe: eram maravilhosos, tão bons quanto os de Aracne, só que mais, hã, divinos.
– Já terminou de olhar? – perguntou uma voz às minhas costas.
Sorri e respondi impressionada:
– É que esse lugar é tão...
– Eu sei. E você também está tão...
Ri e revirei os olhos. Repentinamente uma pergunta me veio à cabeça.
– Percy, foi você que teve a ideia de vir aqui ou foi Afrodite?
Ele hesitou, queria dizer que tivera a ideia, no fim suspirou e respondeu minha pergunta com outra pergunta.
– Se dissesse que tive a ideia você acreditaria?
– Claro que não, Cabeça-de-Alga. Agora, o que vamos comer?
– Eu não sei.
Segui-se um forte estalido e a voz insistente de alguém falando ao celular.
– Desculpem o atraso. Andem, sentem-se.
Uma mesa com toalha branca e pratos de porcelana preencheu o espaço em que deveria estar a Atena Parthenos.
– Hermes. O que faz aqui? – indagou Percy.
– Ah, Afrodite descobriu sobre o acidente com o... Bem, vocês sabem. Ela me chantageou e hoje serei seu garçom.
E como sempre, ninguém se lembra das cobras.
George!, repreendeu Marta, Seja educado.
Digam-me, vocês têm ratos?
– Não.
– Ok. George e Marta, silêncio. Quanto mais cedo eu terminar aqui mais cedo iremos embora.
O deus nos serviu uma típica salada grega, com tomate, pepino, pimentão, cebola vermelha, pedaços de queijo feta, alcaparras, azeitonas e temperada com orégano, sal, pimenta-preta e azeite.
Como entrada comemos uma boreka, que são uma espécie de pastel com massa normal ou folhada que podem ser recheados com carne, queijo, espinafre ou outros legumes. Os nossos eram de carne e de queijo.
Quando chegamos ao prato principal eu já estava praticamente cheia, mas o cheiro da Macarronada Grega estava tão bom que não pude resistir.
E para finalizar, Hermes nos serviu como sobremesa uma coisa mais italiana e mais normal: sorvete de morango, chocolate e pistache com nozes salpicadas por cima.
Sem nem mesmo se despedir o deus desapareceu e nos deixou sozinhos sentados à mesa.
– O que acha de passearmos pela cidade? Sei que estivemos aqui na guerra e que passamos por muitas coisas, mas eu acho que você ainda quer conhecer a cidade.
– Tudo bem. Vamos.
Apesar de ainda haver um rastro de destruição pela cidade isso não a tornou menos bonita. Ao chegarmos à praia nos sentamos em um banco de frente para o mar. Percy depositou as sacolas das coisas que compramos ao seu lado e passou um braço ao meu redor, eu me aconcheguei nele.
– Obrigada por hoje. Não achei que fosse lembrar.
– Por mais que eu lembre você sempre vai achar que eu irei esquecer não é?
– É. Você não é o tipo de pessoa que tem uma boa memória pra esse tipo de coisa, Percy.
Ficamos um tempo sem dizer sequer uma palavra quando ele pigarreou nervoso.
– Eu tenho um, hã, um presente pra você – ele me entregou um pacote enfeitado com fitas azuis.
Ao abrir o pacote me surpreendi, em minhas mãos havia um novíssimo laptop parecido com o de Dédalo e uma faca também parecidíssima com a que Luke me dera anos antes.
Meus olhos ficaram marejados.
– Achei que fosse gostar – murmurou junto de minha testa. – Mas acho que acabei te deixando triste.
– Não estou triste, sério. Esse presente é maravilhoso. Obrigada, de verdade – de repente me senti culpada, não havia lhe comprado um presente. – Mas, eu não tenho um presente pra você.
– Você esqueceu de comprar um presente pra mim? Você deve ter sido abduzida por alienígenas, Annabeth. Mas, se você quiser me dar algo, pode comprar aquele skate com um tridente desenhado que vimos dez minutos atrás e me beijar.
– Não tenho dinheiro suficiente para comprá-lo — mal acabei a frase e ele me mostrou o Olimpo Express azul. — E eu não vou te dar um beijo de presente!
– Por que você é tão má comigo? Vai, é só um beijo – ele fez aquela carinha de cachorro pidão e eu resolvi ceder só dessa vez.
Ao terminarmos de comprar o skate mal demos um passo para fora da loja e fomos levados de volta para o acampamento.
Aparentemente todos ficaram preocupados com o nosso desparecimento repentino e resolveram ficar acordados até a meia-noite.
Agradecida me sentei em um banco e tirei os sapatos, estava completamente cansada de andar com aquilo.
– Onde estavam? – perguntou Quíron. Ele não estava com uma cara muito boa.
– Atenas. Afrodite nos mandou para lá. – expliquei.
– E essas sacolas? – alguém perguntou.
Percy sorriu e disse:
– Suvenires!
Depois disso a noite foi agitada porque todos queriam um suvenir e tal; até Quíron ganhou um, era uma estatuazinha de brinquedo dele mesmo.
Quando o alvoroço passou e Quíron nos mandou dormir já passavam das duas da manhã.
Fale com o autor