Welcome To My Life
15 Meio-Sangues Meio-Gays Parte 2
Notas iniciais
Poseidon POV
– Isso é tudo culpa sua Poseidon! Se você não tivesse se aproximado de Atena ela não estaria desaparecida agora! Eu deveria te mandar pro Tártaro! berrou zangado.
– E por que não me manda? Já que me odeia tanto retruquei.
– Porque ela jamais me perdoaria se o fizesse!
Ele me encarou e olhou bem fundo nos meus olhos. A raiva crescia rapidamente dentro dele. O raio-mestre em sua mão direita estava direcionado ameaçadoramente em minha direção; ele o usaria a qualquer momento contra mim.
Ri zombeteiramente.
– O grande e poderoso Zeus, meu irmãozinho, está, pela primeira vez, preocupado com as consequências!
Levantei, peguei meu tridente que estava ao lado de meu trono e caminhei firmemente até ele. Em um piscar de olhos pressionei as lâminas de minha arma em sua garganta.
– Você não tem vergonha de dizer isso? Você não tem vergonha de culpar os outros? berrei. Abaixei o tom de minha voz e em um sussurro ameaçador perguntei Você não tem vergonha, de depois de tudo o que fez dizer que se preocupa com ela?
Zeus me afastou com um empurro e caminhou furiosamente para o outro lado do Olimpo.
Passei a mão pelo cabelo, aflito, e sentei-me em um degrau. Respirei fundo para me acalmar e fechei os olhos. Mesmo deuses têm seus problemas, e eu adoraria se os meus desaparecessem.
– Eu ouvi o que aconteceu, Poseidon. Afrodite me esperava fora da sala dos tronos e me guiou até um banquinho perto de uma fonte.
– O que você quer, Dite?
– Você deveria ter sido um pouco mais compreensivo e tentado pensar como seria estar na mesma situação que ele. Afinal, ele só está tentado fazer o papel de bom pai e cuidar de Atena; ele sente que perdeu a filha para o irmão mais velho e irritante dele, o que não ajuda nem um pouco nessa situação disse me ignorando. Você entende?
– Sinceramente, não. Mas por que me trouxe aqui?
– O que vê?
Olhei ao redor e tive a impressão de que deveria me lembrar de algo sobre aquela praça.
As árvores balançavam levemente com a brisa, o sol radiante iluminava o ambiente de uma forma divina, os passarinhos cantavam alegremente nos galhos, a fonte fazia um barulho agradável, contudo o lugar parecia vazio, triste.
– Afrodite, me diga logo o porquê de estarmos aqui, eu realmente preciso de um tempo sozinho.
– Estamos aqui porque quero te ajudar, mas principalmente porque você deveria ter boas lembranças daqui.
Imitei aquela cara de idiota que o Percy faz quando não tem a menor ideia do que está acontecendo e a deusa do amor sentada ao meu lado suspirou.
– Embora muitos não saibam aqui é o lugar em que Atena passa a maior parte de seu tempo e não na biblioteca. Certa vez perguntei a ela o motivo e ela simplesmente me disse que gosta da sensação deste lugar. Este é um lugar especial para vocês dois, muitas coisas aconteceram com vocês aqui. Neste mesmo banco em que estamos sentados ela me confessou pela primeira vez, há tantos anos atrás, que estava perdidamente apaixonada por você; foi aqui que vocês conversaram pela primeira vez.
Lembranças maravilhosas e felizes encheram minha mente.
Viajei até o passado e revivi cada uma de minhas lembranças mais felizes.
Sentado em um banquinho em uma praça com a mais bela paisagem, eu esperava a deusa da sabedoria, que depois de eu insistir tanto, aceitou se encontrar comigo.
Eu brincava distraidamente com a água da fonte quando ela apareceu em toda a sua perfeição, usando com um vestido de corujas e uma simples sapatilha. Ela andou até mim e sentou-se ao meu lado. Sorri.
Dias depois estávamos rindo como loucos de um Apolo que havia acabado de ser, sem querer, amaldiçoado por Afrodite. Quando nossos risos cessaram encontrei seus olhos e aproximei-me lentamente, finalmente beijei-a.
A cena mudou e ela recitava um belo poema de amor, assim que terminou ela olhou para mim, sorriu e disse três pequenas mas grandes palavras, eu te amo.
Tudo passou como um borrão, e me vi preso em nossa ultima lembrança feliz, a do dia em que disse que não seria apenas nós dois daquele dia em diante.
Ao retomar a consciência olhei para o lado e vi que a deusa do amor deixara-me sozinho naquele mesmo banco em que tudo isso havia acontecido.
Reyna POV
Annabeth e eu conversávamos sobre alguns fatos absurdos que ocorriam com frequência no acampamento. Estávamos sentadas na mesa de Atena, ela de frente para mim, o que dava a ela uma visão do que estava acontecendo fora do refeitório.
– Você viu aquele garoto de Marte que golpeou a si mesmo com a espada?
– Claro. Só fico me perguntando como alguém pode... ela interrompeu a fala no meio da frase e ergueu uma sobrancelha interrogativamente.
Virei-me e dei de cara com aquele garoto irritante de Apolo andando em nossa direção.
– Ei, Annabeth, será que você não me daria alguns minutos a sós com a Reyna?
– Claro Will.
Ela se levantou, pegou seus papéis e deu uma piscadela pra mim enquanto tentava esconder uma risadinha.
O filho de Apolo se aproximou e se sentou bem ao meu lado. Will abriu a boca, mas hesitou e voltou a fechá-la; depois de alguns instantes eu perdi a paciência e disse:
– Se você veio aqui para me fazer perder meu tempo e ainda por cima não disser nada eu vou embora.
Apesar de ter dito isso por dentro eu travava uma batalha mental comigo mesma.
Ele é tão lindo.
Ele está tentando te causar algum dano físico!, disse meu outro lado.
E aqueles olhos azuis.
Calem a boca, pensei.
– Não, não vai embora. Bem eu... hã... Como você já deve ter percebido e-eu g-gosto de você e ele praticamente sussurrou essa ultima parte eu adoraria se me desse uma chance.
Fiquei boquiaberta. Ele havia acabado de me chamar pra sair. Demorei um tempo para assimilar o que havia acontecido e enquanto isso ele pegou a xícara de café pela metade que eu estava bebendo e mexeu o liquido restante.
– Escuro como a noite, quente como o deserto e amargo como a vida.
(N/A: encontramos esse provérbio árabe na nossa apostila de física)
– Bem que você poderia adoçar a minha ele pegou minha mão de cima da mesa e a segurou.
Respirei fundo tentando pensar com clareza. O que ele disse certamente teve algum efeito e ele esperava por uma resposta.
– Quem não provou o amargo não sabe apreciar o doce sou muito teimosa quando quero.
– Todos os dias em que você não está comigo são amargos, e estou decidido a mudar isso.
– Will...
Não tive uma chance sequer de terminar a frese, pois no instante seguinte ele tinha colocado uma das mãos em meu rosto e se aproximado perigosamente.
As únicas coisas da qual me lembro perfeitamente são as ondas elétricas que percorreram meu corpo enquanto ele me beijava à perfeição. Obviamente eu não resisti e acabei correspondendo o beijo enquanto minhas mãos se enroscavam em seu cabelo loiro.
Nos separamos assustados quando ouvimos a corneta soar indicando a hora do almoço, infelizmente fomos um pouco lentos e uma multidão de campistas apressados chegou antes da hora e viu a cena, formando um meio circulo à alguns metros de nós.
Eu corei até ficar igual um pimentão e Will tinha um sorriso enorme e satisfeito no rosto. Ele se levantou pegou um papelzinho do bolso da calça e o colocou em cima da mesa, piscou para mim e foi se juntar a seus irmãos na mesa de Apolo.
Continuei paralisada na mesa de Atena por mais alguns minutos até que minhas irmãs me ajudaram a levantar e me levaram para nossa mesa. Não falei absolutamente nada durante o almoço inteiro, tentava me esconder atrás de uma cortina de cabelos e sentia o olhar de Will em minhas costas.
Percy POV
Sim, eu fui um dos campistas que chegou antes da hora no refeitório, mas apesar disso eu não tinha a menor ideia do que tinha acontecido. Annabeth diz que sou muito desinformado.
Por isso, quando Annabeth veio me ver logo depois do almoço eu perguntei sobre o assunto. Então ela me contou o que havia acontecido antes de ela ir para o lago de canoagem.
– Então o Will e a Reyna estão juntos?
– Percy, já disse que não sei. Disseram-me que viram eles se beijando, mas não tem como ter certeza.
– Se eles estão mesmo juntos o Will tem sorte.
Ela olhou torto para mim e eu corri para explicar melhor a frase antes que ela me matasse.
– Quer dizer, porque ele está tentando conquistá-la há muito tempo e não obteve nenhum resultado, então...
Ela continuava desconfiada então eu a abracei e dei um beijo em sua bochecha e depois disse:
– Ah, qual é, Annabeth. Você sabe que é única pra mim.
– É bom mesmo, porque se não eu transformo você em sushi.
– Você não faria isso.
– Quer apostar? havia um brilho desafiador em seus olhos que me disseram que talvez ela fosse mesmo capaz.
Gemi desconfortável com tal pensamento.
– Você não vai fazer isso, né?
– Claro que não Cabeça-de-Alga que alívio Mas se você der uma escorregada sequer esteja preparado.
Resmunguei insatisfeito e ela riu de mim, o que me deixou mais insatisfeito ainda.
– Isso não é justo!
– E isso?
Ela me beijou.
Depois de nos separarmos eu demorei um pouco pra me recuperar e então respondi sua última pergunta.
– Completamente justo.
Ela riu e depois me chamou de bobo. Dei um sorriso sarcástico.
– Depois desse beijo qualquer um ficaria.
Ela revirou olhos e me ajudou a levantar, então fomos para mais um treino entediante de rastreamento.
Yura POV
Nosso turno de vigia teria sido muito mais tranquilo se Bianca não tivesse dito que minha música estava tão alta que ia acordar os mortos. Depois de colocarmos um fim nessa discussão ela falou um pouco de sua vida no orfanato, a qual tinha muito em comum com a minha.
Até este ponto estava tudo bem, mas foi então que ela tocou em uma ferida: a vida com minha mãe. Contei, de mal grado, a história que sempre contava para pessoas enxeridas que viviam se metendo na vida dos outros.
No fundo, bem lá no fundo, eu sabia que podia confiar nela, mas não queria admitir. Com Jonathan é diferente, eu sinto que posso confiar nele, como se ele exalasse confiança.
– Você está mentindo para mim! pelo visto ela é mais inteligente que uma porta.
– Não estou mentindo, estou apenas ocultando os fatos reais.
– Vocês podem falar um pouco mais baixo? perguntou uma voz sonolenta.
– Jonathan, tire ela daqui antes que eu cometa um assassinato!
Ele jogou a coberta e levantou se arrastando, me puxou para o outro lado, longe de Bianca, e me obrigou a sentar no chão ao seu lado.
– Nós fazemos o próximo turno, vá dormir.
A filha de Zeus lançou-me um olhar mortífero e, por fim, se deitou e adormeceu.
Antes tarde do que nunca.
Fiquei encarando o nada com os joelhos abraçados até que o garoto ao meu lado perguntasse qual era o meu problema.
– Minha mãe. Eu... sinto falta dela.
– Você não pode, sei lá, tentar invocá-la ou alguma coisa do tipo? sugeriu. Afinal, você é filha de Hades, o deus dos mortos.
Me encolhi ainda mais se é que isso é possível e escondi minha cabeça nos joelhos.
– Ei.
Ele me puxou para perto delicadamente e me abraçou. Escondi meu rosto em seu peito e passei os braços ao redor de sua cintura. Assim que me acalmei e retomei o controle de minhas emoções perguntei:
– Por que eu sempre choro?
– Não tem problema disse alisando meu cabelo.
Aproveitei o calor de seu corpo até que minhas pálpebras começaram a pesar e eu deitei e adormeci usando sua perna de travesseiro
Jason POV
Estava quase na hora, espero que esteja tudo pronto, estava confiando no Chris, mas acho que isso não foi uma boa ideia.
Vesti uma calça escura e uma camisa social preta, calcei um All Star preto; passei o perfume que Piper havia me dado em nosso aniversário de dois meses.
Fui até o local preparado e estava tudo maravilhoso. Deques haviam sido colocados e enfeitados com flores rosas e lilases; suportes com tochas iluminavam com uma luz dançante o local. A mesa, que estava em um canto mais reservado, levava uma toalha rendada e as cadeiras eram de mogno esculpido.
Dei uma olhada em meu relógio e descobri que faltavam apenas cinco minutos para o horário combinado. Apressadamente peguei o buquê de rosas que algumas filhas de Deméter haviam feito e caminhei até o chalé de Afrodite.
Bati na porta e esperei que algum ser humano decente a abrisse para mim. Garotas conversavam em altas vozes e a voz que eu esperava ouvir saiu abafada pelas outras. Por fim uma garota abriu a porta e, ignorando os comentários, fechou a porta atrás de si.
– Desculpe se te fiz esperar demais, mas tive que fugir delas lá dentro.
– Não, tudo bem. Você não me fez esperar quase nada foi então que a observei direito. Piper, você está... Estonteante.
Devo ter ficado parado e de queixo caído por um tempo porque Annabeth chamou minha atenção.
– Jason, pare de babar e leve sua namorada se não quiser ter o resto do acampamento a olhando advertiu. Garotos... disse revirando os olhos.
– Hum, você também não está nada mal. Vamos? disse pegando minha mão.
– Claro. Só um instante.
Peguei um pano preto de dentro do meu bolso e vendei-a.
– Jason, pra que isso?
– Esse jantar é uma surpresa, então...
Guiei minha namorada até a praia e depois retirei a venda. Ela observou tudo curiosamente e depois comentou:
– Drew disse que se eu fizer algum risco no salto dela ela me mata.
Entendi a indireta e a peguei no colo.
– Então é melhor que você não risque o salto.
Ordenei que os ventos nos levassem até o deque que estava a vários passos na areia de distância.
– Obrigada. Você foi muito cavalheiro.
– E o cavalheiro te direito a uma dança com a dama?
Ela mordeu o lábio inferior e assentiu com a cabeça para depois abrir um lindo sorriso.
Piper parecia surpresa com esse meu novo jeito e eu também. Afrodite devia estar usando sua magia do amor em mim porque eu nunca agi assim. Por mais que eu tivesse escolhido o Acampamento Meio-Sangue e me tornado menos romano, eu não deixo de ser um, e romanos não são do tipo romântico.
Peguei sua mão e a levei até um lugar mais iluminado. Antes que pudesse pensar em qualquer coisa uma melodia suave começou a tocar. Coloquei as mãos em sua cintura, puxando-a para mais perto.
Surpresa, ela pousou as mãos em meus ombros e me olhou de forma curiosa, tentando entender o que estava acontecendo comigo. Depois do momento tente-descobrir-o-que-há-de-errado-com-Jason ela levou suas mãos até o primeiro botão de minha camisa.
– Você está parecendo um adulto assim.
Minha namorada desabotoou o botão e abriu um pouco a gola. Devo admitir que me senti mais leve, como se um peso tivesse sido retirado de meus ombros.
– Pronto, assim está melhor.
Continuei conduzindo-a até a musica chegar ao fim e ela me surpreender com um beijo. Deuses, foi tão maravilhoso que desse dia em diante eu passei a entender a sorte que é ter uma namorada filha de Afrodite.
Depois de nos separarmos eu ia sugerir que fossemos jantar, mas antes que eu pudesse dizer isso uma musica começou a tocar. Não era uma musica lenta e romântica como a outra, ela era rápida e um tanto... sensual?
Puxei Piper para mais perto e comecei a me mover habilidosamente no ritmo da musica. Ela demorou um pouco para pegar o jeito, porém depois de alguns minutos ela fez cada passo direitinho.
Afrodite e Apolo deviam estar por trás disso tudo, porque eu jamais, mesmo que fosse para evitar minha própria morte, eu jamais conseguiria dançar assim.
Contudo, somente parte de minha mente estava focada em tentar descobrir o que estava acontecendo comigo; a outra parte concentrava-se somente em Piper e em como a cor de seus olhos mudava de verde para azul e para castanho em apenas alguns segundos, em como seus cabelos esvoaçavam durante a dança, em como ela parecia mais bela do que quando fora reclamada e recebera a benção de Afrodite.
Terminamos a dança em uma cena clássica na qual eu a segurava pelas costas enquanto ela se inclinava suavemente em direção ao chão. Levantei-a e permaneci com a mão em suas costas, mantendo-a perto de mim. Seu coração estava acelerado, assim como o meu.
– Não sabia que dançava tango — disse ela.
– E-eu também não. Mas e você?
– Ah, alguns anos atrás meu pai fez um filme e ele teve que aprender a dançar tango contou. — E eu me tornei a parceira de treino dele. Podemos ir jantar agora?
Concordei.
– E Jason, você dança muito bem.
Ela me deu um beijo na bochecha e eu sorri. Sem mais delongar ela me puxou até a mesa e sentou de frente para mim. Minutos se passaram e nada... Antes que eu perdesse a paciência e estrangulasse o garçom eu gritei para as árvores.
– Ei. Tem alguém aí?
O ruído de alguém tropeçando chegou até nós e depois o de alguém puxando um carrinho. Logo um garoto pálido e de cabelos negros surgiu.
– Nico? Onde está o Chris?
– A noticia de que Clarisse sabe cozinhar se espalhou e ela ficou brava com o Chris ele estremeceu. É a coisa foi feia.
O garoto começou a retirar as coisas do carrinho e colocá-las desorganizadamente na mesa. Assim que ele terminou fez uma reverência e anunciou sarcasticamente:
– Seu jantar está servido. E se precisarem de alguma coisa continuou não me procurem.
Ele saiu andando com o carrinho em direção as sombras.
Suspirei decepcionado. Servi a cada um de nós uma generosa porção de lasanha e um grande copo de suco de morango. Nosso jantar estava esplêndido e fiz uma nota mental para agradecer Clarisse e então fiz outra nota mental para só fazer isso quanto ela estivesse mais calma.
Carreguei-a até a faixa de areia acabar. Andamos de mãos dadas até seu chalé. Lá ela me deu um beijo de boa-noite e se despediu de mim. Eu estava me virando para ir embora quando ela me surpreendeu.
– Eu prefiro esse novo Jason.
E me deu um rápido beijo na bochecha para depois entrar em seu chalé.
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