Welcome To My Life

16 Chihuahuas Assassinos


Notas iniciais
Olá amores. Eu até lhes contaria as novidades agora, mas vou deixar vocês lerem primeiro.

Alice POV

– Muito bem, bem pessoal. Estamos quase chegando à Croácia, então levantem esses traseiros preguiçosos daí. Está me ouvindo Yura?

Gritei em seu ouvido fazendo com que se sobressaltasse.

– Eu tento entender qual é a graça de vocês me acordarem tão indelicadamente!

Peguei seus pertences no canto e joguei-os nela, a qual me olhou ferozmente e arrumou suas coisas de mal grado.

Arrastamos-nos em uma subida íngreme pelo que pareciam séculos. Em nossa pequena pausa aquele ser chamado Yura tirou um aparelho suicida de dentro da bota.

– Você tem um celular? – indagou um Jonathan surpreso.

– Guarde isso! Quer que nos achem? – exclamei.

– Calma. Ele nem tem chip, o que o torna quase inútil.

– Guarde isso logo. Vamos continuar.

Eu estava prestes a dar mais um passo quando uma imagem tremeluziu e uma garota dona de cabelos loiros ondulados e um olhar selvagem gritou:

– Jonathan! Seu desgraçado, vagabundo, idiota, pateta, babaca, imbecil... – e muitos outros apelidos carinhosos que os quais eu não vou repetir.

Quando o tempo da mensagem acabou todos nos voltamos para o garoto paralisado e de olhos arregalados.

– Você a conhece? – perguntou Yura.

– Er... – ele gaguejou um pouco. – Não.

Nem um pouco convencida ela se virou, assentiu e seguiu caminho a passos largos.

Isso só pode ser coisa do meu pai, pensei.

Leo POV

Eu estava nervoso, decididamente nervoso. Uma semana havia se passado desde que eu chegara à ilha e finalmente iríamos embora.

Festus, meu dragão feliz, nos esperava na praia sobre a sombra de um coqueiro; imaginei um mordomo servindo-o tigelas e tigelas de óleo de motor com molho de pimenta.

Sentado em uma rocha eu esperava pacientemente por Calipso. Quando ela resolveu aparecer carregava três malas: duas com seus pertences pessoais e outra com cristais que eu a convencera a levar. Peguei-as e guardei-as em um compartimento especial que eu mesmo havia criado no novo corpo de Festus.

Subi em suas costas e olhei pela última vez para Ogígia; meus olhos se fixaram em uma cratera, a qual me levara a conhecer Calipso.

– Todos a bordo!

Ela deu um sorrisinho e subiu em Festus e sentou-se atrás de mim, enganchando os pés nas costelas do dragão de bronze.

– Vou sentir saudade deste lugar – afirmou.

– Eu também – concordei. – Próxima parada, Acampamento Meio-Sangue.

Pensei por um tempinho para depois concluir.

– Ou alguma ilha no meio do Atlântico. Obviamente não tem como eu...

– Cale a boca, Valdez – me cortou Calipso depois de rir. – Vamos logo.

Dei a ordem e meu dragão de bronze rugiu e levantou voo, fazendo com que ela se agarrasse involuntariamente a minha cintura, me arrancando um sorriso.

Faltavam apenas alguns metros para alcançarmos a barreira quando ela perguntou sobre o vento:

– Será que vamos conseguir passar?

Acelerei e ao chegarmos ao limite ela soltou um grito que quase me deixou surdo e depois soltou um suspiro de alívio.

Era um dia chuvoso no triângulo das bermudas e o vento soprava forte, tornando o dia frio, como se em breve algo ruim fosse acontecer. Por conta do clima paramos do lado protegido do vento de uma ilha e nos preparamos para o almoço.

Enquanto Calipso retirava a comida de um recipiente térmico eu armei uma tenda, e embaixo dela fiz uma fogueira e uma rede para podermos descansar antes de continuar a viagem.

Aquele pode não ter sido o melhor almoço que alguém que acabou de sair de uma ilha da qual fora condenado a passar a eternidade gostaria de ter, mas tenho absoluta certeza que ela ficou feliz de ter tido pelo menos um.

Bianca POV

Depois daquela ceninha da mensagem de Íris nós continuamos andando. O que me surpreendeu foi que não fomos atacados, nem mesmo por uma mosca. Mas para um semideus, quando esse tipo de coisa acontece, significa que algo pior está por vir.

– Tem uma coisa que não consigo entender – disse. – Se Pasifae foi “morta” na guerra, como ela ainda pode ter total controle sobre o Labirinto?

Ninguém respondeu. Como se temessem que após minha pergunta Pasifae fosse aparecer do nada e nos mostrar como poderia controlá-lo mesmo se regenerando lentamente na parte mais profunda do Tártaro.

– Talvez, ao passar dos séculos, ela tenha aperfeiçoado suas técnicas, e agora seja capaz de controlá-lo mesmo a distância – arriscou Marina, havia uma pontada de dor em sua voz.

– Quer um pedaço de ambrosia? – ofereci. Ela negou.

Andamos por mais meia hora no mais completo silêncio. Somente quando um raio de luz pálida iluminou uma parte do chão de pedras foi que a filha de Eros anunciou:

– Falta pouco tempo para chegarmos à Croácia.

Sempre imaginei que o deus do Amor deveria morar em uma cidade como París ou alguma do tipo, mas porque na Croácia? Não faz muito sentido.

Estávamos todos tão absortos em chegar logo em nosso destino e tudo estava tão silencioso que quando ouvimos um latido fino e raivoso todos olhamos desesperadamente para o lado procurando uma ameaça.

O latido chegou até nós novamente e concluí que ele vinha de algum lugar abaixo. Uma caixa de papelão se mexia e emitia ruídos, tentando se livrar da caixa. Aproximei-me e levantei a caixa.

– É um chihuahua — disse a filha de Poseidon. – Lembro-me de ter tido um quando era criança. Mas ele... Sofreu um acidente.

Abaixei e peguei o cachorrinho delicadamente; suas costelas apareciam por baixo da fina camada de pele, seu cheiro não era nada bom, isso me levou a crer que ele não tomava banho e nem comia por algum tempo.

O cachorrinho deu lambidas carinhosas em meu braço, em seguida ele pulou de volta ao chão e latiu após alguns passos, dizendo para segui-lo. Os outros se entreolharam procurando por uma resposta.

– É só um chihuahua. Que mal ele pode nos fazer?

Eles deram de ombros e seguimos o cãozinho por parte do trajeto.

Marina POV

Seguimo-lo até uma caverna aparentemente deserta. Lá ele deu três curtos latidos e um bando de cachorrinhos peludos, fedorentos e magrelos saiu de um buraco da parede. Mas apesar de todos os seus defeitos, eles vieram até nós e rodearam-nos querendo carinho.

Yura e eu continuávamos meio relutantes, mas quando um chihuahua com uma juba dourada de leão veio até mim lentamente e se apoiou em minha perna lambendo as pontas de meus dedos meu coração derreteu igual manteiga e eu me abaixei para acariciá-lo.

Este deu uma mordida carinhosa em minha mão. Isso começou como uma brincadeira, entretanto a coisa ficou feia.

Yura POV

– Eu sei que sou diwa, mas por Hades, me deixem em paz! – exclamei quando metade dos cachorros veio pra cima de mim.

Não adiantou absolutamente nada, pois eles continuaram vindo em minha direção. Uma curiosidade sobre mim: não gosto de cachorros.

Como se lendo meus pensamentos eles se aglomeraram ainda mais à minha volta. A princípio eles sorriam só que depois de me cercarem seus dentes finos e afiados deram boas-vindas para mim.

Acredite, não é legal ser atacado por cachorrinhos chihuahuas. Especialmente quando seus dentes tem uma espécie de veneno paralisante e depois de algumas mordidas eu já sentia meu corpo travando e meus batimentos falhando.

Às vezes eu sentia a morte de alguém, mas sentir minha própria morte foi aterrorizante. Havia sobrevivido a tanta coisa que morrer devorado por cachorrinhos era deprimente.

Nenhum de nós estava morto, mas eu sentia nossas vidas se esvaindo.

Não tenho certeza do que aconteceu, mas houve uma mudança na atmosfera. Minha visão embaçada pôde captar movimentos de luta, algumas espadas e lanças tentando perfurar os cachorrinhos que procuravam fugir pelas frestas da parede.

Depois disso só o que me lembro é de ter sido carregada por um tempo até ser depositada sobre algumas cobertas e obrigada a beber um pouco de néctar.

Bianca POV

Quando acordei minha visão ainda estava turva e meu corpo se movia com dificuldade. Parte de mim queria terminar logo com a missão, mas a outra queria ficar pelo resto da eternidade deitada no saco de dormir.

Um tanto relutante interiormente cai em um sono profundo e tive um sonho estranho.

Nele, nós estávamos em uma caverna com grandes cachorros de dentes afiados. Eles atacavam-nos ferozmente com suas garras e presas, arrancando grandes pedaços de carne ao passo que cresciam.

Sentia-me inútil. Meu corpo pesava e não se movia nem mais um mísero centímetro. Respirar doía e meu peito quase não se mexia. Meu coração batia descompassado.

Como se para acabar com meu sofrimento, um grupo de cachorros se aglomerou ao meu redor e rosnaram pra mim.

Tudo ficou preto, em seguida pude ver meu corpo sendo devorado como se minha alma tivesse parado só para ver seu próprio fim.

Acordei suando frio. Havia sentado rapidamente e meu cabelo grudara em meu rosto, impedindo-me de ver qualquer coisa á minha frente. Minha respiração foi acalmando aos poucos.

Mas infelizmente o sonho não foi apenas um sonho, tudo havia realmente acontecido; só que diferentemente do sonho todos nós ainda estávamos vivos.

Apoiei minha cabeça nas mãos por um tempo e fechei meus olhos; coloquei meus cabelos para trás e me apoiei na parede atrás de mim.

Uma pequena nota: não havia uma parede atrás de mim.

– Ai – gemi fracamente.

Logo uma mão fria e pálida me ajudou a levantar e a bebericar um pouco de néctar.

– Como se sente? – a voz que eu tanto queria ouvir perguntou.

– Como se tivesse morrido e no caminho de volta minha alma tivesse sido lançada do Everest e batido a cabeça várias vezes.

Nico deu um sorriso triste e fofo ao mesmo tempo. A saudade tomou conta de mim e eu o abracei apertado até que ele reclamasse que eu estava deixando-o sem ar. Depois de ser solto ele dispensou o guarda-esqueleto que estava de vigia e me levou para o canto onde suas coisas estavam.

– É normal nos sentirmos assim depois de quase sermos mortos – Nico comentou. – Mas algumas pessoas dizem que depois de casar e formar uma família – ele corou nessa parte – os sonhos e essa sensação diminuem. Mas acho que isso diminui por causa do simples fato de a pessoa não sair mais em missões depois disso tudo.

Enquanto dizia isso ele tentava desesperadamente juntar as coisas que estavam espalhadas sobre seu saco de dormir. Sem muito sucesso tentei segurar o riso ao mesmo tempo em que dizia para ele parar de se preocupar com esse tipo de coisa. Não ligo para organização, aliás, eu sou completamente desorganizada.

Mas mudando completamente de assunto.

Nico era muito fofo e atencioso comigo, não estava acostuma a isso, minha vida inteira fui sozinha, obrigada a ser adulta, não fui mimada como as outras crianças. Minha mãe me deixou assim como meu pai, que só se importa com Jason e Thalia, eu sou uma inútil.

– Bianca? Bianca, você está bem? – acordei de meus devaneios e meus olhos estavam marejados, acho que ele percebeu.

– Não é nada, o que você disse mesmo?

Nico voltou a falar e prestar atenção se mostrou uma tarefa difícil, minha cabeça girava e imagens de minha mãe passavam, era uma sensação horrível e parecia que eu ia desmaiar novamente.

– Nico, você pode repetir? Eu não prestei atenção novamente, desculpe – disse assim que retomei o controle de minhas emoções.

– Você não está muito bem, não é? – afirmei. – Deixa pra lá, depois conversamos. Está com fome?

Meu estômago roncou à menção de comida.

– Muita.

Ele pegou uma mochila e de dentro tirou uma caixa, a qual me entregou. Abri-a e fiquei surpresa com o conteúdo, ou melhor, com o sabor do conteúdo.

– Pizza de pepperoni? – ele assentiu. – Como sabe que é a minha preferida?

– Eu não fazia ideia. Mas é a minha preferida também.

Sorri involuntariamente. Peguei uma fatia generosa e comia como se não visse comida há dias. O que era verdade se não contasse as pequenas mordidas nas barrinhas de cereais e nos goles de água miseráveis.

– Eu também trouxe refrigerante – disse me entregando uma Diet Coke.

Observei-o surpresa.

– Você devia ter vindo antes – conclui. Pensei por um tempo e depois duvidas surgiram em minha cabeça. — Como sabia onde estávamos? E que estávamos em perigo e com fome?

– É tudo um pouco confuso. Logo depois que vocês partiram Hades me chamou para ir ao seu castelo, principalmente para limpar uma pequena área do seu reino, ele simplesmente me disse que algo estaria por acontecer e me mandou ir comprar pizza depois de quatro dias. Então eu simplesmente apareci em um lugar um tanto conhecido e mandei que um esqueleto carregasse minhas coisas; depois de um tempo andando sem rumo escutei um grito e corri atrás do som. A principio achei que se tratavam de desconhecidos, mas depois pude reconhecer você e Marina, e sem mais duvidas me livrei dos cachorrinhos.

– Isso realmente não faz muito sentido. Afinal, como Hades sabia que algo iria acontecer?

– Não tenho a mínima ideia. Nem um oráculo poderia ter adivinhado algo com tanta precisão.

Esquecemos o assunto por hora e eu me concentrei em comer mais três pedaços de pizza. Quando ia pegar o próximo Nico me repreendeu.

– Você vai acabar com a pizza e deixar os outros passando fome! Existe uma coisa chamada dividir, sabia?

Mostrei a língua pra ele e me contentei em terminar minha Diet Coke.

– Não devíamos acordá-los? – Nico balançou a cabeça negativamente.

– Eles tiveram dias difíceis. Deixe-os dormir.

Concordei com indiferença, não estava muito animada para continuar a viagem.

Notas finais
E então?? Tenho algumas coisas para falar: 1- Desculpem pela demora de novo, mas eu fui viajar para participar de um campeonato e não tive tempo de escrever nem uma linha sequer, por isso demorei mas que o esperado. E sinto lhes dizer que talvez eu continue demorando. 2- A HeyJude, como vocês talvez já tenham percebido, não é mais autora da fic por escolha própria. Ela me disse que estava sem criatividade para a fic e disse que eu podia tirá-la de autora. E mais uma coisinha: o próximo capítulo terá uma surpresa hehe. Deixem reviews!!!