Weasley's Love
12 Rose
Notas iniciais
Rose
Lorcan dissertava a respeito das viagens que seus pais faziam mudo afora e segredou-me as descobertas mais misteriosas de seu antepassado Newt Scamander, famoso por seus livros de criaturas mágicas. O passeio estava agradável, e agradeci por não ter visto Scorpius depois de sair da carruagem. Seria constrangedor e irritante vê-lo agarrando-se à Stanton selvagemente ao passo que Lorcan e eu íamos com calma e respeito. Eu gostava de suas histórias, e ele das minhas.
– Ele deu um grande prejuízo ao Ministério americano. – concluiu, rindo. Eu também soltava longas gargalhadas.
– Imagino que sim. – concordei – Nossos pais também criaram uma confusão e tanta em Hogwarts, devemos considerar. Uma escola destruída não é pouca coisa.
– De fato, eles quase empatam no quesito bagunça. – rendeu-se.
Andávamos pelas calçadas irregulares de Hogsmead sem um cronograma a seguir. Entrávamos numa loja ou outra de tempos em tempos. Era natural e divertido. Minhas mãos possuíam algumas poucas sacolas, enquanto Lorcan estava abarrotado delas. Ele fora muito educado ao oferecer-se para carregá-las e, mesmo com relutância, permiti que o fizesse. Estávamos próximos à Casa dos Gritos, quando convidou-me para entrar. Aceitei prontamente. Seria minha segunda vez naquela a casa, na primeira, Scorpius acompanhava-me e inventava histórias tenebrosas a respeito da mesma, o que era engraçado, pois ambos sabíamos que nenhuma delas era verdade.
Lorcan rastejou por baixo do Salgueiro Lutador, tocando um ponto específico no objetivo de fazer a árvore parar de rebater. Deu certo. Na aula de Herbologia o professor Longbottom havia comentado a respeito do segredo do Salgueiro, despertando a atenção de muitos alunos, inclusive a minha e, obviamente, a de Lorcan.
– Esse truque é bem útil. – comentou quando terminei de passar pelo Salgueiro.
– Sim, ele é. Mas quando passa a ser de conhecimento geral, torna-se perigoso. Esta árvore serve para auxiliar a proteção dos terrenos escolares. Se todos sabem como pará-la, torna-se inútil. – rebati educadamente.
– Você é muito inteligente, Rose. Não que seja novidade para você. – elogiou, fazendo com que eu corasse um pouco. – E também é bastante bonita. – falou num tom mais baixo, aproximando-se.
– Vamos entrar? – sugeri ao perceber a curta distância.
– Claro. – aquiesceu, embora aparentasse estar um tanto frustrado.
Adentramos o recinto com curiosidade, embora soubéssemos que era apenas uma casa velha que abrigava Remo Lupin em noites turbulentas. Não demoramos muito por lá, logo estávamos de volta à calçada do vilarejo adentrando lojas aleatórias, até que, num certo momento, fui puxada pelo meu acompanhante até os fundos de uma floricultura. A visão era realmente encantadora. As plantas formavam aspirais coloridos por todo o jardim. Eram desenhos inexatos, porém encantadores.
– É lindo. – as palavras saíram sem que eu percebesse. Encarei Lorcan, que me observava sorrindo – Como descobriu este lugar?
– Meus pais são amigos da proprietária da loja. Meu irmão e eu costumávamos brincar aqui quando crianças. Girávamos até ficarmos tontos.
– Estou admirada. – confidenciei – Obrigada por me trazer aqui.
– Não foi nada. – proferiu envergonhado.
Continuei andando, explorando cada canto daquele jardim de grama verde e flores bem cultivadas. Pensava que não poderia ficar melhor, até que avistei o canteiro de rosas. Estava localizado abaixo do local em que nos encontrávamos, portanto pude distinguir os desenhos que as flores, separadas por cores, formavam. Desenhos não, letras. Um “R” adornado por rosas brancas, um “O” pelas vermelhas, as amarelas ficaram no encargo da letra “S”e, por ultimo, rosas azuis contornavam a letra “E”.
– Rose. – sussurrei maravilhada.
– É o seu nome. – Lorcan explanou, sua respiração em meu pescoço.
O fôlego me faltou, pois sabia qual seria o passo seguinte. Poderia fugir, mas não queria. Eu sabia o que aconteceria desde o momento em que aceitei seu convite e, para ser sincera, ansiava por isso tanto quanto ele. Não era apaixonada por ele, entretanto não merecia ficar à espera de alguém que não me quer como companhia. Quando me virei, o Scamander me olhava com um sorriso no rosto e uma rosa azul em mãos.
– Troco uma rosa por um beijo. – ofertou.
– É uma ótima barganha. – respondi, enquanto ele enlaçava minha cintura.
Roxanne
Era meu último dia em casa. Voltaria a Hogwarts no final da tarde, e não estava nem um pouco ansiosa. Meus pais haviam feito da minha vida um verdadeiro inferno ao trancafiar-me dentro de meu quarto, tirando de mim minhas tintas, pergaminhos e varinha. Era crueldade. Felizmente, no dia anterior meu pai pareceu dar-se conta do absurdo que fazia e devolveu meus pertences. Tentei desaparatar para longe do cativeiro em que vivia, todavia não obtive sucesso. Eles se encarregaram de colocar feitiços por toda a residência. Escrevia minha terceira carta do dia a Scott, e esperava receber respostas assim que retornasse à escola. Era assim que a sonsa da Rose havia combinado com a tal agência de carteiros. Eles deixariam as cartas num certo local e uma coruja qualquer levaria a Hogwarts. Deveria ter feito isso por conta própria.
Scott não tem irmãos e mora com os pais, que passam o dia todo fora de casa e não se importam muito com o que ele faz ou deixa de fazer. Ele nunca entenderia o inferno que vivo, por isso não citava minha atual situação nas cartas que lhe escrevo. Meu amor não merecia isso. Quando saísse de casa de vez, sem depender destes velhos idiotas e me livrasse de Fred, minha vida seria muito melhor. Pegaria todo o ouro que meus pais depositavam para mim no Gringotes, trocaria pela moeda dos trouxas e sumiria do mapa. Essa quantia no mundo bruxo já poderia ser considerado uma fortuna. No mundo trouxa, valia sete vezes mais. Scott iria comigo. Viajaríamos e conheceríamos os lugares mais românticos do mundo. Esqueceria de que era uma bruxa, que vim dessa família de hipócritas que se acham heróis. Estaria longe o suficiente para nunca mais ouvir Angelina me chamando por “filhinha”. Eu merecia mais do que essa família idiota. Eu merecia um grande amor.
Arrumei meu malão logo cedo e esperei até a hora de minha partida. Perto das cinco da tarde, meu pai abriu a porta do quarto, e mandou que fosse até a sala para uma conversa antes de minha partida. Deveriam ser apenas mais algumas recomendações patéticas e súplicas para que pedisse desculpas à incestuosa Dominique Weasley. Obedeci suas ordens com pressa para sair logo dali.
– Roxy. – Angelina choramingou quando adentrei o cômodo – Filha, vamos lhe dar uma ultima chance para se desculpar. – fungou – Para nos mostrar que tudo o que fez não passou de um surto temporário, para mostrar que está arrependida.
Revirei os olhos antes de responder.
– Não vou me desculpar, não estou surtando e não estou arrependida.
Jorge, que até então estava atrás de mim, se colocou ao lado dela.
– Não temos outra escolha, Roxanne. Vamos tomar medidas drásticas quanto às suas ações.
– Que tipo de medidas? Vão me encarcerar na escola, então?
– Não! – rebateu Angelina – Não somos monstros.
– Pediremos Minerva que comunique a todos os alunos a seu respeito. – começou George – Você poderá mandar quantas cartas quiser ao seu namorado. – disse a última palavra com desgosto – Também poderá ir aos passeios da escola. Porém, está proibida de conversar com qualquer aluno da escola. Qualquer um. E eles também não poderão trocar uma palavra sequer com você, a não ser que seja extremamente importante, caso contrário, perderão dez pontos para sua casa a cada palavra que trocarem. A partir de hoje, você segue a lei do silêncio.
Eles achavam que isso era castigo. Eram muito idiotas mesmo. Quanto menos imbecis em minha vida, melhor. E era isso o que toda e qualquer pessoa em Hogwarts era para mim. Insignificante.
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