Weasley's Love
1 Querido Diário
Notas iniciais
“Querido diário, nem acredito que finalmente chegou o grande dia, muito menos que ele passou tão rápido L. Eu queria poder aproveitar mais o primeiro de setembro, porém já passa da meia-noite, portanto ele já se foi. Você deve estar se perguntando: ‘Garota, o que faz acordada a essa hora? Já é madrugada, deveria estar dormindo!’. Saiba, Sr. Diário, que estou elétrica demais para executar tal ato, pois hoje fiz mais do que uma simples viagem, eu fiz um amigo.
Antes de entrar no Expresso, mamãe e papai me deram milhares de instruções – típico de pais na primeira viagem dos filhos para Hogwarts –, e entre as que papai mais frisou, havia uma em especial, a qual me pareceu que ele me mataria se não a cumprisse com louvor:
– Veja só quem está ali. – disse meu pai apontando discretamente para uma família que encontrava-se parada a uma distância considerável de nós. O homem loiro, que apresentava levemente os sinais da idade, estava vestido com um sobretudo escuro abotoado até o pescoço, e ao lado dele estava uma mulher que exalava elegância com seus belos cabelos castanhos amarrados em um rabo de cavalo baixo. Entre eles, quase que escondido, havia um garoto tão loiro quando o pai, e com as feições milimetricamente copiadas do mesmo. Ao nos ver ali, junto dos Potter, o mais velho deu um breve aceno com a cabeça. Seu filho imitou-o, ao passo que sua esposa lançou-nos um sorriso. Logo afastaram-se. – Então aquele é o pequeno Scorpius. – comentou em voz baixa – Não deixe de superá-lo em todos os exames, Rosie. Graças a Deus você herdou a inteligência da sua mãe.
– Rony, pelo amor de Deus. – o tom de mamãe mesclava seriedade e vontade de rir – Não tente indispor os dois antes mesmo de entrarem para a escola!
– Você tem razão, desculpe. – mas incapaz de se conter, ele acrescentou – Mas não fique muito amiguinha dele, Rosie. Vovô Wealsey nunca perdoaria se você se casasse com um sangue-puro.
Foi isso o que houve, Sr. Diário. Papai ordenou que eu superasse o tal do Malfoy e não fosse muito amiga dele. Quem dera eu pudesse evitar fazer exatamente o contrário quando naquela mesma manhã ele apareceu em minha cabine praticamente implorando para que o deixasse abancar-se ali. Segundo ele, todas as outras cabines estavam saturadas:
– Claro que pode. – permiti – Fique à vontade.
– Obrigada. – disse um tanto constrangido – A propósito, você é Rose Weasley, não é?
– Sim. – confirmei – E você é o Scorpion, certo?
– Na verdade, é Scorpius. – corrigiu-me.
– Oh, desculpe-me.
– Não por isso, relaxa. – alegou lançando-me um sorriso, o qual correspondi.
Conversamos durante todo o percurso e descobri que o garoto era uma ótima companhia. Falamos sobre nossas famílias, amigos, nossos hobbies e também sobre o medo de sermos selecionados por uma casa que desaprovasse o gosto de nossos pais.
Quando finalmente chegamos aqui, pegamos o mesmo barco para o castelo e foi tudo muito engraçado, principalmente a parte em que ele assustou-se com o tamanho de Hagrid. Falando nele, tenho que me lembrar de tomar chá com ele em sua cabana na sexta para conhecer seu novo bichinho. Espero que não seja uma acromântula.
Ao entrar no Salão Principal, eu juro, pensei que não viveria o bastante para ver algo tão lindo. É mil vezes mais bonito que o jardim do vovô Granger, e aquele jardim é imensuravelmente magnífico. E o Chapéu Seletorentão? É um chapéu, ele fala!
Na hora seleção, confesso, senti medo. E se o que papai me dissera fosse mesmo verdade? Será que me deserdaria caso meu destino não fosse a Grifinória? Todo o medo acerca disso extinguiu-se quando fui finalmente selecionada para a casa dos leões. As preces de Albus haviam sido atendidas quando o nome da casa que ecoou por todo o Salão não foi Sonserina, mas sim Corvinal. Temia separar-me de Scorpius. Ele havia sido tão atencioso e gentil comigo, que meu interior torcia para que mesmo que estivermos em casas diferentes, pudéssemos manter contato.
– Malfoy, Scorpius. – chamou Neville, digo, o professor Longbotton.
O loiro aproximou-se do velho banquinho de três pernas vagarosamente e claramente tenso. Sentou-se ali, e o velho chapéu falante decretou em alto e bom som:
– GRIFINÓRIA.
Vi que todos ali, até mesmo o próprio Scorpius, exclamaram surpresos. Um Malfoy na Grifinória? era o que mais se ouvia por todas as mesas do local, inclusive a dos professores.
Passada a confusão, fomos todos nos empanturrar com as delícias preparadas pelos elfos. Estou esgotada até agora, a comida de Hogwarts é maravilhosa.
Bem, acho melhor me deitar agora. Já estou começando a me cansar, e talvez, se me esforçar, consiga dormir. Amanhã volto para contar como foi meu primeiro dia de aulas. Espero encontrar meus primos mais velhos também. Até mais, Sr. Diário.
Com carinho, Rose Weasley.”
– O que tanto lê neste diário antigo, hein, mocinha? – sussurrou uma voz em meu ouvido fazendo meu coração disparar devido ao susto. Fui aliviando-me aos poucos quando constatei que era só a minha mãe.
– Que droga, mãe. – reclamei – Não se tem mais privacidade nesta casa, não?
– Sim, querida. Sabe que tem toda a privacidade do mundo, no entanto, estou aqui há uns dez minutos chamando seu nome no passo que você estava absorta na leitura de um diário de quase dez anos.
Revirei os olhos.
– Mamãe, será que pode deixar de ser exagerada? Ele não é tão antigo quanto seu exemplar de “Hogwarts: Uma História”.
– Rose, eu dei este caderninho a você quando tinha nove anos, ele é sim uma antiguidade.
– Eu tenho só dezesseis anos, mãe. – retruquei – Agora pode, por favor, me dizer o motivo de ter invadido meu quarto?
Ela deu-se por vencida estendendo uma carta em minha direção.
– É do amor da sua vida. – declarou. Bufei impaciente.
– Scorpius não é o amor da minha vida, sra. Weasley.
– Eu não disse que a carta era dele. – expôs com um sorriso zombeteiro em seus lábios. Peguei a carta de suas mãos e comecei a lê-la.
– Pode dar licença? – pedi quando reparei que minha bela progenitora ainda encontrava-se como uma estátua no meio do meu quarto olhando para mim com cara de paisagem.
– A carta é tão confidencial assim?
– Não mãe, ele só está se convidando para dormir aqui novamente. – ri com a fanfarrice de meu melhor amigo. Era um descarado mesmo.
– Diga a ele que pode vir na sexta, irei preparar o quarto de hóspedes.
– E o papai? Não dirá nada a ele? E se ele não permitir? – perguntei aturdida.
– Pode deixar, eu sei convencer seu pai. Meu poder de persuasão é enorme, se não fosse por ele, o seu amigo estaria degolado agora mesmo por aquela vez em que ele encontrou vocês dois dormindo juntos na sala.
– Estávamos apenas assistindo TV, já esclareci esta história. Scorpius não tem o aparelho em casa, por isso gosta tanto de passar o tempo aqui.
– Sei... Querida, sabe que pode me dizer a verdade, não é? –expressou-se agora séria.
– A verdade sobre o que, mãe?
– Que nutre sentimentos além de amizade por este rapaz.
– Ah, claro, sou completamente apaixonada por Scorpius. – disse sarcástica soltando uma risada no fim.
Mamãe finalmente deu-se por vencida e se retirou do quarto.
Reli a carta por mais três vezes e comecei a interliga-la com o conteúdo do diário. Uma Malfoy na Grifinória era um fato inaceitável, o mesmo sendo amigo de uma Weasley, então? Inconcebível. E se essa Weasley se apaixonasse por ele? Só faria algum sentido se o fato fosse exposto numa frase coberta de zombaria. Só que na maioria das vezes, é no meio das ironias e brincadeiras que se escondem as maiores verdades.
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