Weasley's Love
2 Fruta Proibida
Notas iniciais
Dominique Weasley
– Não acredito que continua com esta ideia ridícula fixa na cabeça, Roxanne Abigail Weasley. – disse à morena enquanto estávamos reunidas no antigo quarto de tia Gina n’A Toca.
– Sinto-me tão culpada por isso. – declarou Rose pesarosa – E pensar que isso só foi acontecer porque resolvi leva-las para conhecer meus avós maternos.
– Deixe de ser boba, Rose. – manifestou Roxanne – É apenas o destino trabalhando a nosso favor. – concluiu sonhadora.
– Destino ou não, você não sairá de Hogwarts por algo tão banal. Pode ir tirando seu hipogrifo da chuva.
– Dominique tem razão, Roxy. Por mais que goste dele, não pode tomar uma decisão tão arriscada e que, de quebra, pode arruinar sua vida por completo. – alertou a ruiva.
– Além disso, se pretende mesmo passar o resto de sua vida com ele, é melhor que esteja formada e trabalhando, afinal, não é certo esconder suas origens para sempre, uma hora ou outro ele saberá a verdade e é melhor que esteja preparada caso ele não compreenda. – alertou Lily usando sábias palavras.
A história é meio confusa, mas não a ponto de ser incontável. Era início de férias quando Eose convidou a mim e a Roxanne para uma temporada na Londres trouxa. Ficaríamos durante uma semana hospedadas na casa de seus avós maternos. Eu e a morena aceitamos imediatamente, visto que éramos as únicas sem compromisso algum durante este período. Os Potter haviam se mandado para a Espanha, vovô e vovó foram visitar tio Carlinhos e com isso restaram apenas as pessoas chatas, irritantes e metidas da nossa família, e qual seria a graça de estar com eles? O intuito da férias é nos livrar das pessoas horrendas e foi por isso que no final de uma tarde de domingo, surgimos as três na lareira da casa dos Granger.
Mesmo sendo eu e Roxanne maiores de idade, prometemos a Rose que não usaríamos magia para nada, o que foi extremamente cansativo para mim, já minha querida prima de olhinhos cor de mel achou fascinante. Roxy não bate mesmo muito bem das ideias.
No terceiro dia de nossa estadia por lá, decidimos dar um passeio pela vizinhança, o que incluía um parque ali perto e este parque incluía os amigos trouxas que Rose fez ao longo dos anos, e este grupo de amigos trouxas incluía garotos, o que infelizmente incluía Scott Smith. E foi aí que o mundo começou a entrar em colapso.
O tal do Scott era um amor de garoto. Bonito, inteligente, engraçado, culto, simpático, humilde, tímido – daquele tipo que parece não ter consciência de que é um partidão –, mente aberta e atraente. Em resumo, era perfeito. Não para mim, é claro. Eu me atraio pelos turrões, ignorantes, arrogantes, egocêntricos, narcisistas, zombeteiros e de cabelo castanho bagunçado. Se tiver olhos azuis, então, poxa vida, aí eu gamo, só que não estamos aqui para falar da minha linda pessoa, e sim de uma outra pessoa com uns neurônios a menos. Conclusão: graças ao efeito Scott Smitt – SS para os íntimos –, com menos de uma semana de convivência a idiota da Roxy conseguiu a proeza de se apaixonar pelo garoto. Tudo bem, ele era perfeito, tudo de bom, um cara difícil de se achar igual, e sem contar que o carinha se dizia híper afim dela também. Só tinha um probleminha que a cabeça oca da minha querida priminha se esqueceu de levar em conta. O cara era trouxa. T-R-O-U-X-A, TROUXA, muito trouxa, trouxa à beça. Acho difícil encontrar um rapaz que seja mais trouxa que o Smith mesmo que se busque no mundo inteiro. Agora, a minha amiga com sua cabecinha de vento estava realmente considerando a hipótese de sair de Hogwarts para se juntar a um garoto o qual só dera algumas bitocas e viver com ele uma linda história de amor. Isso na imaginação dela, é claro.
– Aposto que ele é um galinha que pega todas e só fez imagem de santo para te impressionar. – falei lançando em seguida um olhar reprovador a Rose, que estava prestes a abrir a boca para defender o retardado.
– Melhor deixarmos isso de lado por enquanto. – sugeriu Lily. Ah, a raspa do tacho dos Potter. Sorte a dela não ter um amor sofrido em sua vida – Contudo, deixaremos claro que a Roxanne não sairá de Hogwarts.
A dita cuja soltou um muxoxo.
– Sou maior de idade, vocês não mandam em mim.
Bufei já sem paciência alguma.
– Está certo, srtª. Sou Grandinha Demais E Sei Me Virar Sozinha, faça o que preferir, só espero que escute e reflita sobre o que Rose tem a lhe falar antes de tomar qualquer decisão. Pode começar, Rosie.
– O quê?
– Comece a explicar aquilo que combinamos. – sussurrei para a lerda em questão – É para hoje, Weasley.
– Ah, sim. – a ruiva ajeitou-se na poltrona mantendo uma postura ereta e pigarreou antes de começar: – Segundo pesquisas realizadas recentemente, dos alunos que não concluem a educação básica exigida, cerca de 12% acabam envolvidos na criminalidade. 57% conseguem empregos de baixa renda, como dobrador de reverendos ou carteiro, o cara que recebe as cartas enviadas pelas corujas e as entrega em residências de risco para as bichinhas, bairros completamente trouxas ou em lugares em que o dono é fresco demais para tocar nas pobrezinhas.
– Tá’, e os outros 31%? – quis saber.
– Bom, 16% são aquelas velhas feiosas e solteironas que possuem, em média, 46 gatos e vivem reclamando da vida. 11,75% correspondem às prostitutas e àqueles caras fedidos que ficam azarando as mulheres no Beco Diagonal e na Travessa do Tranco. – informou com uma careta – e vocês sabem o sentido de azarar, não é? Continuando... onde parei mesmo?
– Nos últimos 3,25%. – ajudou a ruiva mais nova.
– Ah, sim. Eles são raridade. São caras como seu pai, Roxy, que se deram bem trabalhando muito duro, mas que não são infelizes como os outros.
– Acontece que eu sou um fracasso. – lamentou-se – Não sei nem se tenho um talento. É mais que obvio que será Fred o grande herdeiro da Gemialidades Weasley. Papai mal me deixa entrar lá.
– Será que é porque você explodiu o depósito?
– Foi um acidente! Não tenho culpa se confundi bombas de bosta com fogos de artificio.
– Você não é um fracasso, só precisa ter mais juízo. – avisou Rose.
A morena suspirou antes de declarar:
– Está bem, não irei desistir dos estudos. – direcionou seu olhar e suas palavras a Rose – Esses tais carteiros existem mesmo? – a ruiva confirmou – Será que ele pode entregar cartas minhas a Scott, então?
– Creio que sim. – respondeu ainda que meio incerta.
– Preciso passar um tempo sozinha, será que podem me dar licença? – pediu Roxanne.
Atacamos seu desejo e descemos para o andar inferior. Lily foi se juntar a Hugo no jardim enquanto eu e Rose nos dirigimos para a cozinha, onde Angelina nos aguardava aflita. Coisa de mãe.
– Conseguiram arrancar esta ideia louca da cabeça dela? – questionou. Assentimos com a cabeça. – Maravilha. – suspirou aliviada – Sabem o motivo dessa rebeldia repentina?
– Não, senhora. – respondemos em uníssono e rápido demais. A tia desconfiou, contudo resolveu não se meter mais. Sorte a nossa.
***
No fim da tarde Rose se foi, pois precisava preparar tudo para a chegada de seu convidado especial. Quando estava me arrumando para aparatar de volta à minha casa, ouvi a voz de tia Gina me chamando.
– Dominique. – aproximou-se arfando devido á curta corrida – Não gostaria de ficar conosco neste fim de semana? Harry e eu passaremos um tempo fora de casa para resolver algumas coisas – uhum, sei bem o que significa este “resolver algumas coisas” – e pensei que seria bom ter alguém maior de idade por lá além de James.
– James estará lá? – perguntei tropeçando nas palavras.
– E por que não estaria? É a casa dele. – riu-se – Ele adora sua companhia, sei que sim, não precisa se acanhar.
– Então tudo bem, tia. – aceitei constrangida depois da grande mancada – Só tenho que avisar minha mãe e...
– Bobagem! – interrompeu-me – Fleur e Bill já sabem, só depende de você.
– Tá’ legal. Vou com vocês via Pó de Flu ou aparato?
– Pode aparar de uma vez, James já está em casa. Mando Albus e Lily após o jantar. Harry e eu partiremos daqui mesmo. Fique despreocupada, dará tudo certo.
Não me preocupar? Como ela quer que eu não me preocupe se James é a minha maça no Jardim do Éden? O fruto mais gostoso do mundo e que, devido à porcaria do sangue Weasley que corre tanto em suas veias quanto nas minhas, não pode ser provado. Porém, o que acontece se eu já tiver dado uma mordidinha?
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