Weasley's Love

3 Mais do que deveria


Notas iniciais
Olá pessoas, como vão? Eu melhorei um pouquinho, embora ainda esteja me sentindo incomodada com a respiração falha, mas nada que me impeça de escrever. Gostaria de agradecer pelos reviews no último capítulo, vocês são uns amores. Sei que é cedo para pedir recomendações, porém seria muito gratificante se vocês me deixassem um review pelo menos. Não precisa ser grande, mas só de saber que vocês reservaram um pouquinho do tempo de vocês para esta função já me alegra bastante. Tenham uma boa leitura, até mais. Beijitos amores!

Rose Weasley

Scorpius e eu estávamos sentados cada um de um lado do sofá com um pote de pipoca no meio de nós e assistindo um filme de comédia na televisão. Programa totalmente trouxa. Aposto todo o meu cabelo ruivo que o Sr. Draco Malfoy não aprovaria nada esta atitude do filho, visto que nem com a nossa estranha amizade ele ainda se conformou totalmente. Não posso negar que meu pai se igualava a ele neste quesito, sempre que me via com o loiro lançava a ele um olhar estranho, como se aquilo fosse capaz de espantá-lo ou, pelo menos, proteger-me de qualquer mal que a Doninha Jr. poderia vir a me causar. Francamente, acho a atitude dos dois muito patética e antiquada, no entanto quando se trata de pais super protetores é raro que em algum caso os filhos tenham a oportunidade de mostrar aos responsáveis que estão com a razão, portanto, de um tempo para cá, meu amigo e eu decidimos deixar a opinião dos patriarcas de lado e aproveitar a nossa relação. Muito sensato de nossa parte.

Nossas mães eram uns amores, tanto conosco quanto relacionando entre si. Não diria que Astoria Malfoy e Hermione Weasley eram grandes amigas, entretanto mantinham uma relação saudável, e sempre ajudavam Scorpius e eu nos casos de piração de nossos pais. Uma coisa pelo menos Draco e Ronald têm em comum: o medo do sofá desconfortável da sala.

Hugo já estava tão acostumado com as visitas regulares de Scorpius que no fim das férias sempre ficava preocupado se ele apareceria ou não. Já havia virado rotina a partir do quarto ano. Faltando duas semanas para o fim das férias ele sempre vem aqui para casa e passa o fim de semana aqui. Volta para casa no fim da noite de domingo e deixa um convite para que eu o visite, coisa que nunca sou permitida a fazer, pois é difícil meu pai deixar de enfatizar em seu discurso, que geralmente dura cerca de meia hora, que moças descentes não devem passar temporadas nas casas de rapazes, que era uma atitude de desrespeito a si mesma e à família. Ele só esquece de mencionar que mamãe costumava passar boa parte das férias, se não as férias inteiras, n'A Toca, em sua companhia, do tio Harry e de todos os homens da família Weasley.

Ríamos tanto com o filme que nossas barrigas doíam e nos contorcíamos tentando evitar gargalhadas escandalosas – o que era difícil – para não acordar o restante dos integrantes da minha família, que deveriam estar no décimo sono.

– Este é bem melhor do que o que vimos antes, é o melhor da noite, eu diria. – comentou Scorpius ainda rindo enquanto os créditos subiam lentamente pela tela – O que faremos agora?

– Vamos dormir, oras. – respondi com um bocejo – O sol já está quase nascendo e se papai nos pega aqui novamente tenho certeza de que será nosso fim.

– Qual é a do seu pai? O mundo inteiro sabe que somos apenas amigos, nada além disso.

Pois é, apenas amigos, para meu completo desgosto.

– Meu pai não vê as coisas deste ponto de vista. – óbvio que não, papai vê as coisas pelo mesmo ponto de vista que eu.

Levantei-me para deixar os restos de pipoca e o balde na cozinha. Senti os olhares de Scorpius queimando em minha costas, mas não dei confiança. Sempre desconfiei que ele sentia o mesmo que eu, porém não colocava fé em minhas suspeitas. Tinha medo que era apenas meu cérebro fazendo-me criar falsas esperanças. Quando retornei, o Sr. Apenas Amigos encarava-me de forma estranha.

– Rose, preciso te dizer uma coisa, mas realmente não sei como irá reagir. – parecia incomodado e nervoso.

Respirei fundo. Deveria ter reparado nos sinais. Ele estava excessivamente carinhoso hoje, atencioso demais. Me abraçou varias vezes. Era por isso, era pelo que ele me diria. Era a hora, ele finalmente percebeu, depois de anos, resolveu reparar em mim.

Coração acelerado? Confere. Olhos piscando dez vezes mais rápido? Confere. Respiração ofegante, boca seca, pernas bambas? Confere. Ele abriu aquela linda boca rosada e eu estava mais que preparada para ouvir da boca dele as palavras que esperei por tanto tempo.

– Seu pijama está sujo.

Ops, palavras incorretas. Como assim?

Senti meu coração desacelerando aos poucos e murchei instantaneamente. Sendo filha de quem é, deveria ser mais inteligente e menos iludida, Rose, dizia meu inconsciente em reprovação.

Baixei o olhar para a camiseta e a calça bege, mas não vi mancha alguma. Será uma pegadinha, mais uma das brincadeiras dele?

–Na parte de trás da calça, Rose. – ele estava encabulado até demais – E parece, você sabe... bem, é vermelho e... – ele não continuou.

Gelei de imediato. Droga, Rose, como você é burra. Corri direto para meu quarto, totalmente corada de vergonha. Existia mico maior do que passar por uma situação deste nível na frente do cara que, na sua imaginação, é seu futuro marido? Patético, não conseguia pensar em coisa pior para acabar com uma noite tão agradável.

Troquei-me às pressas e sentei-me na cama refletindo sobre minha recaída no quesito “derretidinha pelo amigo loiro”. Não posso deixar isso acontecer de novo, ele não gosta de mim, não olha para mim da forma que olha para as outras, sequer pensa em mim como um homem deveria pensar numa mulher, o melhor é esquecer e partir para outra. Não adianta correr atrás de quem não te quer, de quem não te deseja. Scorpius é seu amigo, nada mais, recitava como um mantra.

Poucos minutos depois ouvi leves batidinhas na porta.

– Rose, já está dormindo? – murmurou meu amigo do outro lado.

– Não, entre.

Ele obedeceu e sentou-se ao meu lado, passando seu braço esquerdo pelos meus ombros.

– Está chateada comigo? – perguntou receoso.

– Não. – silenciei-me por um instante – Aliás, obrigada por me avisar. Não deixa de ser constrangedor, mas agradeço.

– Ai amiga, sabe que não precisa ter vergonha de mim. Somos BFFs. – disse com uma voz afetada, o que me fez rir.

Ficamos ali sentados por um tempo até que comecei a bocejar novamente. Meus olhos pesavam e minha mente já vagava por outros espaços.

– Você está com sono. – constatou o óbvio.

– Só um pouquinho.

Ele me fez levantar da cama, desforrando-a logo depois.

– Deite-se, você está cansada, Rosie. – brincou com o esboço de um sorriso nos lábios.

Acatei a ordem e deitei-me em minha confortável cama. Scorpius levantou-se, apagou a luz e, quando pensei que tinha ido para seu quarto, senti o colchão afundando a meu lado.

– Vá para a cama, se papai te pega aqui...

– Eu sei, já vou. – riu – Você tem medo de que seu pai pense alguma coisa de nós?

– Ele já pensa, só não podemos dar motivos para que a imaginação fértil dele comece a confabular contra nós mais ainda. – minha voz já estava arrastada pelo sono, isso era notável.

– Então não vamos dar corda. Já vou me deitar.

O loiro chegou perto e me deu um abraço apertado, um pouco desajeitado devido ao fato de estarmos deitados, porém reconfortante. Depositou um beijo em minha testa e, quando estava na porta, acendeu a luz novamente. Meus olhos demoraram alguns segundos para se acostumarem com a claridade.

– Você é minha melhor amiga, Rose, não sei como viveria sem você. – sorri com sua declaração porque sentia que era sincera. Ele voltou a apagar a luz e sibilou baixinho – Eu amo você.

Fechou a porta, no entanto ainda pude ouvir seus passos se afastarem ao longo do corredor, indo em direção ao quarto reservado para ele.

Quando ouvi a porta se fechando, permiti-me fazer meus próprios votos a ele, mesmo sem a presença do destinatário, mesmo ali, no quarto escuro e isolado, foi para ele quem confessei.

– Eu também te amo, Scorp. Mais do que deveria.