Notas iniciais
Olá gente do meu coração! Estava morrendo de saudade de postar em WL, de verdade. Bem, este capítulo será dedicado à minha linda amiga Naah Floro que tão gentilmente me deu um capítulo de aniversário. Sei que este capítulo em particular não é surpresa para ela, mas ela merece. Aliás, meu aniversário foi na quinta, mereço parabéns! Espero vocês nas notas finais!

Dominique Weasley

James estava estranho. Rose estava estranha. Scorpius, que já era estranho, estava pior, com os olhos vidrados em alguém da Sonserina. Juro que tentei encontrar lá alguém que pudesse despertar sua atenção, mais especificamente uma garota que fosse mais bonita que Rose. Não encontrei. A minha prima, por sua vez, encarava seu pudim completamente desmotivada, da mesma forma que fizera com o purê e ainda antes com o frango. Só o fato dos dois não estarem grudados era mais assustador do que os corredores do terceiro andar. James comia como um dragão, o que era normal, porém eu mesma reparei que sua mente vagava por outras realidades, como se já não vivêssemos em uma totalmente paralela. Eu tomava calmamente meu sorvete com calda de morango, e enquanto deliciava-me com esta esplendorosa sobremesa, Rose se retirou da mesa da Grifinória . Segundos depois o Malfoy fez a mesma coisa, entretanto seguindo pelo lado oposto. Alguma coisa estava muito errada. Entrei numa discussão acirrada comigo mesma: seguia a minha prima ou deixava que ela ficasse sozinha? Ás vezes era bom se isolar para pensar na vida, Rose no entanto sempre soube pensar no meio de um monte de gente. Não é à toa que conseguia estudar até mesmo durante uma festa no Salão Comunal da Grifinória após uma vitória no Quadribol. Lerguei meu sorvete inacabado e saí correndo a fim de encontrá-la antes que se enfiasse num corredor escuro, tornando minha missão ainda mais difícil.

Por sorte, consegui encontrar a ruiva nas escadas antes mesmo de começarem a se mover. Apressei-me para alcançá-la. A coitadinha estava tão distraída que só percebeu minha presença quando, para descontrair, peguei sua cintura por trás. Ela estremeceu dos pés à cabeça.

– Mas que droga, Dominique! – praguejou.

– Calma ruiva, foi só um sustinho. – postei-me a seu lado subindo a escadaria até a torre de nossa casa – O que você tem?

– Nada, Minnie. – suspirou – Está tudo bem.

– Não minta para mim, Rose Weasley! Lembre-se de que posso usar meus poderes de veela para persuadir você.

– Você não possui poderes de veela, Domi. Victorie é a única da geração a possuí-los esqueceu-se? – resmungou.

– Só porque está chateada não precisa humilhar, Rosie.

–Não estou chateada com você, Domi. – declarou parecendo cansada.

– Pois então conte-me o que houve.

– Não quero encher sua cabeça com os meus problemas.

– Rose, aquilo que diz respeito às pessoas que amo, não armazeno na cabeça, e sim no coração.

Minha prima surpreendeu-me com um abraço de urso tão apertado que quase me derrubou no chão. Parecia até a vovó Molly quando chegamos n’ A Toca depois de um ano inteiro em Hogwarts. Diante dessa situação não me vi com outra alternativa a não ser retribuir.

– Se sente melhor? – perguntei ao fim da sessão de esmagamento.

Rose assentiu.

– Quer me contar o que houve agora?

Ela contou. Disse que Lorcan Scamander a chamara para sair, que o Malfoy ficou com raiva e que o mesmo a deixara para encontrar-se com uma sonserina vagabunda.

– Ele está fascinado por ela. – finalizou com um sorriso tristonho.

– Fascínio não é amor. – declarei assim que alcançamos o quadro da Mulher Gorda – Testrálios Visíveis – falei a senha, fazendo a porta se abrir.

– Mesmo assim, seus sentimentos pela Stanton são fortes, caso contrário não passaria tanto empo correndo atrás dela.

Joguei-me numa poltrona em frente à lareira e, por mais que o espaço fosse minúsculo, levei Rose comigo.

– Alguns objetivos perdem a graça depois de alcançados. Duvido que esta palhaçada vá mesmo durar muito tempo.

– Mas Domi, depois da Stanton ele irá atrás de outra, e depois mais outra. Não há como ter esperanças dessa forma.

– Então não tenha esperanças. Aja. – incentivei – Sei que tem medo de se declarar e ser rejeitada, ou pior, que isso acabe com a amizade de vocês. Nada disso porém deve te impedir de viver. Lorcan Sacamander a chamou para um passeio? Aceite! Um dia Scorpius Malfoy entenderá que a garota certa esteve sempre à sua disposição e que essa garota é você, no entanto irá perceber também que terá de lutar por você e só então, depois de muito esforço, receberá sua recompensa.

Rose parecia gostar da ideia.

– Foi assim com você e James? – inquiriu curiosa.

– Ah, não. Nós só demos alguns amassos e descobrimos ser feitos um para o outro.

– É um método bem mais prático.

– Sim, mas é o meu método, e ele não combina em nada com a sua personalidade. – esclareci – Você é uma princesa, Rose, seu próprio nome já diz isso. Por mais forte e determinada que tenha se tornado, ainda é delicada como uma rosa, e vez ou outra se fere com os próprios espinhos. – minha prima, que até então ouvia tudo atentamente e aparentemente entendia tudo, começou a me encarar com cara de paisagem. Bufei decepcionada. Para que tanta inteligência se ela ao menos a usava? – Os espinhos são seus sentimentos. – expliquei.

A ruiva fez que entendeu. Agradeci mentalmente por isso. Não gostava nem um pouco de ficar explicando minhas filosofias.

– Então isso é tipo como o jeito da Roxy?

– Claro que não, Roxanne é mais idiota que você.

– Não deveria falar assim dela. – apiedou-se da morena.

– Você a viu no trem? – ela negou – No jantar? – negou novamente.

– Fiquei numa cabine de primeiranistas até chegarmos em Hogwarts depois que Scorpius invadiu a minha. Só saí para trocar de roupa. – justificou.

– Pois é, estávamos na mesma cabine e ela me expulsou de lá porque estava escrevendo para o SS e precisava se concentrar. Chegou à escola e correu para o dormitório a fim de dar continuidade à melação. Além disso, Fred informou-me que Roxanne não sai saía do quarto para nada no fim das férias. Tia Angelina quase a levou ao St. Mungus. Ela está definitivamente maluca.

– É amor, Minnie.

– Isso não é amor, Rose. É doença! Eu sei o que é amor, ou você pensa que o que sinto por James é uma brincadeira? – encarei-a indignada – Eu o amo, Rosie, mais do que imaginei que conseguiria algum dia, e nem por isso dedico minha vida exclusivamente a ele, pois sei que é quase impossível viver em função de uma só pessoa. Por mais importante que James Potter seja na minha vida, seu que não preciso somente dele. James torna tudo melhor, como calda de morango no sorvete, no entanto eu consigo sobreviver sem a calda. Prezo minha família e meus amigos acima de tudo e sei que no dia em que não formos mais o casal-não-assumido briguento e confuso que somos, ainda terei vocês. – terminei e instaurou-se o silêncio.

– Isso foi tão lindo, Domi.

Olhei sua expressão emocionada e pensei.

– Que merda! – praguejei – Disse mesmo que o amo?

Rose riu.

– Sim, você se declarou com todas as palavras.

– Não vai contar a ninguém, vai? – Questionei temerosa.

– Claro que não, bobinha. – tranquilizou-me – Seu segredo está bem guardado comigo.

– Espero que não mesmo, não quero ser obrigada a matar você. – brinquei.

Nos encostamos na poltrona encarando a lareira.

– Não seja tão dura com a Roxanne. – pediu a ruiva – Ela está encantada com o Scott.

– Tentarei me segurar. – prometi – Mas se eu der de cara com aquelas cartas lá em cima não respondo por meus atos.

Rose riu novamente com gosto. Também estava feliz por conseguir fazê-la sentir-se melhor. Abracei-a de lado e beijei o topo de sua cabeça.

– Você pode convencê-los, Minnie. – começou a garota – A nossa família. Uma hora eles terão que aceitar você e James, você pode conversar com eles, fazê-los entender.

– Rosinha, não tenho poderes de veela, esqueceu-se?

Rose suspirou.

– Algo me diz que não precisa deles.

Scorpius Malfoy

Saí do Grande Salão sem rumo. Passei o jantar inteiro encarando Grace apenas para não ter que olhar para Rose. Sabia que ela estava magoada e se por acaso a visse assim, iria me render e sair correndo atrás dela a fim de pedir desculpas, mesmo que desta vez o erro não tenha sido meu, afinal ela é quem se engraçou com o idiota do Scamander. Eu só queria abrir seus olhos, protegê-la, mostrar-lhe que aquele maluco só queria usá-la, mas a teimosa me escutou? Claro que não! Ela me ignorou e aposto de não tardará a ser pega dando uns amassos naquele Dementador de Inocência. Tomara que quando isso acontecer os dois levem uma bela detenção e que sejam levados à sala da McGonagall. Voto até por sofrerem humilhação pública, talvez um pouco do riso alheio os faça criar vergonha na cara. É claro que havia uma voz irritante na minha cabeça dizendo “ela não é assim, Scorpius” e eu tentava acreditar nela, porém era complicado quando se tratava de Rose Weasley, especialmente se ela deixar se influenciar pelo Scamander. Sei bem o que uma garota apaixonada é capaz de fazer para satisfazer o garoto que tanto deseja, e Rose, apesar de ser mil vezes mais esperta que qualquer garota que já conheci, não era uma exceção à regra.

– Hyperion, o que faz nas masmorras? – perguntou uma voz atrás de mim. Era Grace.

Virei-me para encarar seus olhos verdes brilhando na escuridão parcial daquele corredor. Nem havia reparado que estava nas masmorras.

– Eu... Eu vim aqui para... – tentei bolar uma boa resposta. Falhei, obviamente.

– Não precisa responder, sei que queria um encontro, não parou de olhar para mim durante o jantar nem por um instante e depois se levantou ás pressas. Pelo que percebi, só estava aguardando a saída da Weasley. – disse insinuante.

Ela não fazia ideia do quanto estava errada.

– Você está absolutamente certa.

Grace sorriu e veio me beijar. A garota era insaciável, e eu adorava. Retribuí seus carinhos com fervor. Nada melhor que uns pegas para começar bem o ano.

Cheguei ao Salão Comunal tentando não fazer muito barulho. A Mulher Gorda já ralhara comigo o suficiente para receber bronca de qualquer monitor que seja. Pé ante pé cheguei á porta do dormitório do sexto ano. Estava normal até a lareira crepitar e decidi olhar em sua direção. Péssima escolha. Haviam dois corpos jogados um por cima do outro sobre uma poltrona. Pelo uniforme dava para perceber que eram duas garotas. Só esperava que estivessem vivas. Aproximei-me e senti um grande alívio ao constatar que se tratava apenas de Rose e Dominique dormindo juntas numa poltrona pequena demais para as duas. Suspirei pesadamente antes de começar a tocar de leve o rosto da primeira, que não demorou muito a despertar.

– Scorp? – murmurou confusa e com a voz embargada pelo sono – É você mesmo ou estou sonhando que somos amigos de novo?

Sorri com seu jeito doce.

– Não, sou eu mesmo. É melhor ir para a cama, não? – sussurrei.

– Não está mais com raiva de mim? – quis saber tocando meu braço com a mão.

– Conversamos sobre isso mais tarde. – garanti – Acorde a Dominique e vá para a cama. Eu vou me deitar, tudo bem?

Ela assentiu.

Ouvi-a chamando a prima delicadamente ao passo que eu voltava ao dormitório. Troquei de roupa e me enfiei debaixo dos cobertores mais quentinhos da face da Terra.

Juro, tentei me concentrar nos beijos de Grace Stanton antes de dormir, da mesma forma que qualquer outro garoto idiota da minha idade faria, contudo a única coisa em que pensava era como Rose Weasley ficava dócil enquanto dormia e também que sou incapaz de ficar bravo, chateado ou manter qualquer sentimento ruim por ela durante muito tempo.

Notas finais
Então gente, esse capítulo foi muito especial porque acabou pegando uma questão especial para mim, que é o caso da Roxanne. Francamente falando, não era para ela ser assim, até porque o perfil da Roxy que eu imaginei antes de começar a escrever era completamente diferente, porém, há coisas na vida da gente que nos fazem mudar os rumos das nossas histórias. Gostaria muito de saber se vocês apoiam a foma como a Roxy está agindo, é um assunto que gostaria muito de deixar em discussão. Obrigada queridos, até mais!