Weasley's Love
9 Briga
Notas iniciais
Roxanne Weasley
Dominique estava maluca e fazia com que Rose, Albus e todos os outros acreditassem em suas loucuras. Eu não estava os evitando, longe disso só queria dar a atenção necessária a meu namorado, o grande amor da minha vida. Meus primos e amigos não precisavam de mim e eu também não precisava deles. Dominique estava afetada, certamente pela razão de eu não estar mais aturando-a falar o dia todo sobre James Potter, aquele lerdo insensível que nunca chegaria aos pés de Scott, aliás esse era um fofo comigo, tudo bem que o comprimento de suas cartas não passava de uma página de caderno, no entanto é compreensível, os trouxas possuem formas bem mais práticas de comunicação, escrever não deve ser muito agradável a eles. Ademais, escrever é mesmo muito cansativo e por sorte disponho de uma pena de repetição rápida para copiar os conteúdos das aulas, o que me deixa bastante descansada para gastar minha mão apenas para escrever ao meu amor.
A loira Delacour que nega sua raça veela também vive queixando-se que não presto atenção às aulas, o que é uma grande mentira. Ninguém liga para o que Bins resmunga, e o que o professor Longbotton tem a dizer que será tão útil assim para a minha vida? Sei explicar Poções melhor do que o professor Elec Shepard e Defesa Contra as Artes das Trevas tornou-se dispensável depois da Segunda Grande Guerra. Deveria despedir a professora Bishop para evitar despesas. A única aula realmente proveitosa era a de Estudo dos Trouxas, pois ensinava-me a portar adequadamente para com Scott, além disso nada mais me interessava.
– Roxy, não vai almoçar? – perguntou Rose ao me encontrar no corredor das aulas da manhã.
– Não, preciso ir ao corujal. – limitei-me a dizer, ela não precisava saber o que eu iria fazer, não tinha nada que se meter na minha vida.
Saí apressada a fim de seguir meu caminho em paz, contudo a ruiva interrompeu-me novamente, segurando o meu braço.
– Roxanne, anda se alimentando adequadamente? – indagou com aquela cara falsa de preocupação típica daquela sonsa.
Até parece que se importava, sua única função na vida é correr atrás daquele branquelo a quem chama de melhor amigo. Vive somente disso, como a boa encalhada que é. Fiquei até sabendo que os dois haviam brigado no mês passado todavia ignorei. Se foi mesmo um fato, aposto minhas pulseiras de dragão que minha prima humilhou-se mais uma vez pedindo perdão ao Malfoy de joelhos.
– Acho que isso só diz respeito a mim. – respondi ácida. Era a mais pura verdade.
– Só quero ajudar, Roxy.
– Ajudará muito saindo do meu caminho.
Rose assentiu soltando meu braço. Parecia chateada, não que isso me afetasse. Ela mereceu, pelo menos assim aprenderá a não intervir na vida alheia. Saí correndo de lá, Scott não poderia esperar por tempo demais.
***
– Eu exijo que você saia daí agora e peça desculpas à Rose. – berrou Dominique ao invadir o dormitório.
Era fim de tarde, quase no horário do jantar e lá estava eu, concentrada e calma escrevendo ao meu namorado, futuro marido e pai dos meu filhos quando esta louca de pedra veio me atormentar mais uma vez, só para variar. Era mesmo um disparate.
– Estou ocupada, prima. – respondi sem ao menos dar ao trabalho de encará-la.
Há dias Dominique esgotava minha paciência com sua irritação exacerbada e respeito algum à minha privacidade. Continuei a escrever calmamente na esperança de que ela acionasse o desconfiômetro e saísse dali logo. Para a minha surpresa, a loira maluca não arredou o pé do quarto, ao invés disso andou em minha direção e, antes que eu pudesse detê-la, derrubou todos os itens de minha escrivaninha no chão. Mantive-me estática sentada na cadeira, chocada demais para fazer qualquer coisa além de observar os tinteiros manchando meus pergaminhos e páginas de cartas já escritas e as penas pontiagudas perfurando-os, tornando impossível meu trabalho de restauração dos pertences.
– Talvez assim olhe para mim quando estou falando com você. – rosnou entredentes.
– Você estragou tudo, vadia. – murmurei sentindo meus olhos marejarem, a cabeça baixa como antes.
– É bom que chore mesmo porque Rose quase chorou por você, se não fosse Scorpius para dar uma força ela teria desabado. Estão todos irritados com essa sua nova personalidade, Roxy, você não é assim.
– É claro que sou. – rebati encarando-a – O amor me revelou.
– O AMOR DETERIOROU VOCÊ. – ululou – Destruiu a verdadeira Roxy. Você está magra, cheia de olheiras e não fala com mais ninguém. Está deplorável, Roxanne e cega demais para notar isso.
Ah, mas eu não ia deixar isso assim.
– Você sabe como é complicado Dominique. Sofre pelos cantos pelo Potter e ele sequer nota, Scott é sensível pelo menos.
– Qual é Roxanne, vai partir para as provocações agora? Não vai rolar, fique a par disso, eu não vou cair nessa.
– Você nem liga para mim, Dominique. – acusei – Na sua lista de pessoas importantes estão apenas dois nomes: James Potter e Rose Weasley.
– Pare de insinuar absurdos. Vamos, acorde para a realidade. – a abusada começou a estalar os dedos na minha cara – A errada aqui é você, morena.
Quem aquela loira sem sal pensava que era para falar assim comigo? Até parece... eu errada? Nem a pau. Estava muito tranquila escrevendo para o meu amor quando essa mal amada esnobe resolveu me chatear. Ah, mas ela ia se ver comigo. Com o tom de voz mais calmo voltei a falar:
– Tudo bem, Dominique, já entendi.
– Entendeu? – tornou surpresa.
– Sim, perfeitamente. – puxei-a para sentar-se comigo na cama de Meredith Jones, a garota dos cachos perfeitos – Você e Rose estão com o mesmo problema e querem descontar em mim toda a fúria porque estou num relacionamento fixo.
– Vocês se viram poucas vezes e agora estão há mundos de distância. – interrompeu-me – Não consideraria isso como um relacionamento.
– Nosso amor supera qualquer barreira.
– É mesmo? – tornou irônica – E quando pretende contá-lo sobre suas origens?
– Isso não é problema seu. – irritei-me – Você está fugindo do assunto.
– E qual é mesmo o assunto, Roxanne?
– Você e a princesinha Weasley precisam de homens. – expressei os fatos verídicos – Todo mundo sabe que você é só uma das cachorras de James Potter, ele consegue qualquer uma aqui de Hogwarts num estalar de dedos e uma jogada de cabelo. Não pense que ele é especial.
– Você não ousaria. – disse claramente esforçando-se para se mantes calma.
– Ousaria sim, acabei de ousar, na verdade.
– Está tentando novamente me desestabilizar, Roxy. No entanto estou muito bem, mamãe ensinou-me a manter a compostura. – findou com um sorriso – Sabe, olhando você tão obsessiva e petulante diria que, se o seu SS não fosse o cara mais trouxa que já conheci em toda minha vida, ele lhe deu uma bela Amortentia.
Agora ela ultrapassou todos os limites, porém se ataques diretos não faziam efeito, havia um plano B.
– Se tem essa opinião formada sobre mim, suponho que diria o mesmo sobre Scorpius e Rose, não é? Até parece que ele não sabe sobre o amor platônico da ruiva. Rose é a bobinha, não ele. – debochei.
– Ela é sua amiga. – bradou indignada.
– Não deixa de ser idiota.
A loira ergueu-se num instante, borbulhando de ódio, levando uma mão à varinha. Impedi-a antes que pudesse alcançar o cós de sua calça, tomando a varinha para mim.
– Não faria isso se fosse você. – alertei – Gosto de coisas trouxas, contudo ainda sou uma bruxa.
– Pois então lhe darei algo trouxa que você vai amar. – ameaçou antes de agarrar meus cabelos com as mãos.
Dominique puxava meu cabelo com muita força, todavia ó conseguia sentir pena dela, eu tinha em mãos duas varinhas, estava a ponto de pronunciar um feitiço quando suas unhas, ou melhor, garras passaram para o meu rosto, arranhando-o por inteiro e parando em minha boca. Por impulso mordi seus dedos introduzidos ali, ela gritou de dor, porém ainda conseguiu chutar minha canela. Soltei as varinhas para levar as mãos ao local ferido, aproveitando de minha fragilidade momentânea a falsa veela deu-me uma joelhada na barriga, o que, confesso, doeu muito.
Com uma força que veio não sei de onde consegui derrubá-la, ficando por cima de sua barriga, fazendo-a gemer de dor. Segurei cada um de seus seios por cima da blusa lilás que usava e apertei cravando minhas unhas ali. Por sorte Dominique costumava usar apenas sutiãs do tipo meia-taça, o que me dava a garantia de estar tocando pelo menos uma parte de sua pele e machucando-a de verdade. Ela urrava de dor, me implorando para parar, eu apenas sorria com gosto observando seu desespero.
– Vamos querida, repita o que profanou contra meu namorado. – rugi apertando ainda mais.
– Por favor, Roxy, somos amigas. – murmurejou aos prantos – Está doendo.
Soltei uma de minhas mãos e ela pareceu aliviada, até que, com a mão livre, iniciei uma sessão de estapeamento naquela cara de sonsa. De forma alguma aquele teatro me comovera. Estava tão orgulhosa de mim mesma, seria capaz de fazer isso o dia todo. Ignorava por completo a ardência em meu rosto, certamente cortado pelas unhas de gárgula da minha prima. Lá estava ela, derrotada em seu devido lugar, abaixo de mim. Desci minha mão para o pescoço, apertando firme.
– Dominique! – ouvi o grito desesperado de alguém, seguida por uma forte pancada na cabeça, depois disso não recordo de mais nada.
***
Rose Weasley
– É tudo culpa minha. – murmurava andando de um lado para o outro pelo dormitório masculino.
– Claro que não, Rose. – Scorpius discordou – Como você poderia saber? Fui eu quem comentou com Dominique sobre o seu estado, se tem alguém culpado nessa história esse alguém sou eu.
– Nisso eu concordo. – manifestou Hugo despojado em sua cama enquanto devorava uma caixa de Feijõezinhos de Todos os Sabores – A culpa é toda do Malfoy.
– Hugo, não está ajudando. – replicou Lily a seu lado – A culpa não é de ninguém, as duas começaram isso. Pelo que sei Roxanne errou e Dominique quis fazê-la corrigir o erro, mas não deu certo. As duas precisavam acertar as contas há um tempinho já. Quando cheguei ao dormitório Roxanne estava estrangulando a Domi e parecia muito satisfeita com o resultado. – descreveu a cena um tanto apavorada – Não queria bater em sua cabeça com o taco da Thalia McMillan, mas a situação me forçou a isso, senão Dominique morreria.
– Agora as duas estão na ala hospitalar. – a peste ruiva que se diz meu irmão abriu a matraca mais uma vez – Parabéns Lily Luna.
– Não estão mais. – a voz de Albus soou ofegante à porta, parei para encará-lo, parecia triste.
– O que faz aqui? Não deveria estar na Corvinal sendo inteligente?
– Chega de brincadeiras, Hugo. – repreendi-o – Não vê que a coisa é séria? – ele fez cara feia e se aquietou – Por favor, Al, o que dizia?
– Transferiram Dominique para o St. Mungus e Roxanne foi para casa. As duas levaram suspensão de uma semana, Minerva está abismada.
– O que a Domi tem? – indagou Louis pela primeira vez, ainda encolhido em sua cama. Estava demasiado preocupado com a irmã.
– Nada demais, só precisa ficar em repouso e num lugar mais quieto para se recuperar. – esclareceu Al pesarosamente – Apesar do grande esforço da Madame Kidston, todos sabemos que a Ala Hospitalar é tudo, menos silenciosa. Aliá, foi ela quem mandou que eu viesse avisar pessoalmente, caso contrário não estaria numa casa que não é a minha. James até viria, mas preferiu acompanhar Dominique.
– Tudo bem Al, junte-se a nós. – confortei-o apontando um lugar ao meu lado na cama de Louis. Albus acomodou-se entre Scorpius e eu.
– Você está bem? – dirigiu-se a mim – Lorcan me contou sobre sua crise de desespero.
– Espera aí, Lorcan? – Scorpius interrompeu antes que eu pudesse responder – Lorcan Scamander estava com você?
Revirei os olhos diante de seu questionamento. Albus retirou-se para falar com Lily, certamente preocupado com seu estado depois das recentes ações.
– Rose, responda. – intimou o Malfoy raivoso.
– Scorpius, deixe para se estressar com minhas companhias mais tarde, por favor. – pedi – Estamos todos preocupados demais para ligar para suas picuinhas, portanto cale a boca se não tem algo útil para dizer. – declarei firme.
O loiro murchou na hora, olhei para Hugo que me lançava um sinal de positivo com os dedos enquanto sorria. Retribuí o gesto. Albus me diria algo, entretanto fora impedido por um estrondo vindo da porta. Fred entrou como um dragão soltando fogo pelas ventas.
– Ode está este cretino, Rose? – esbravejou impaciente – Vamos Rose, responda, onde ele mora? Quem é ele?
– Fred, eu... – tentei formular uma frase decente porém nada saía.
– Rose, diga logo, não precisamos perder tempo. – ordenou apertando meu braço.
– Calma aí cara, pega leve. – Scorpius interviu afastando meu primo com o auxílio de Albus.
– Você sabe, não é Rose? – perguntou mais calmo – Vou acabar descobrindo, então é melhor você colaborar.
– Não faço ideia do que você está falando. – não era o certo, mas meu objetivo era enrolá-lo.
– O garoto que virou a cabeça da Roxy. – externou nervoso – Você o conhece, vi as cartas dela lá em casa, sei que você os apresentou. Não estou dizendo que é culpa sua, só quero acabar com o que está fazendo mal à minha irmã.
– Fred, ele é trouxa, fazer qualquer coisa contra ele é contra a lei. Não irei permitir que se encrenque.
– Não estou nem aí, vou acabar com a vida daquele safado.
Hugo que até então observava tudo, entrou em minha frente, encarando Fred cara a cara.
– Fred, vamos conversar, tudo bem?
– Não irei ouvir nenhum pirralho. – vociferou – Minha conversa é com a sua irmã.
– Não, a sua conversa é comigo. – aumentou o tom, o que para mim era estranho. Nunca vira Hugo tão seguro de si, ainda mais enfrentando alguém maior e mais forte – Você vai me ouvir sim, nem que seja a força. – completou empurrando o primo porta afora. Mesmo no meio do corredor, quase chegando na sala comunal, pude ouvi-lo dizer: – Acredite, sei como é ter uma irmã louca de amores por um grande babaca.
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