Weasley's Love
10 Intrigas
Notas iniciais
Rose
– Rose, por que está me evitando? – perguntava o loiro atrás de mim pelos corredores de Hogwarts. Será que ele não entendia que eu estava atrasada para a aula de Feitiços?
– Não estou evitando você, Lorcan. – parei para encará-lo. Ele estava ofegante, o que causou um sentimento de pena em mim. Talvez estivesse mesmo o evitando – Okay, me desculpe, está bem? É que estou passando por um momento difícil na família, espero que entenda.
– Eu entendo, sério mesmo, entendo. – declarou desesperado, talvez por pensar que eu não acreditaria em suas palavras – É só que o passeio a Hogsmead já é amanhã e faz mais de uma semana desde a briga das suas primas. Imaginei que pudesse ter mudado de ideia a respeito de sua companhia.
– Oh, o passeio a Hogsmead, sim! Havia me esquecido totalmente. – explanei – Me desculpe por isso, Lorcan.
– Tudo bem, sei que a sua família é bem unida então se você não for, irei compreender perfeitamente suas razões.
– Eu aceito. – disse de imediato – Aceito ir a Hogsmead com você.
Que se exploda a tradição de ir com Scorpius, eu merecia um encontro.
– Sério? – indagou surpreso, com um sorriso enorme – De verdade?
– Sim, Lorcan, de verdade. – ri de sua dúvida.
– Certo, então encontro você na saída do Salão Principal amanhã às nove, pode ser?
– Combinado. Agora preciso ir para a aula.
– Claro. Desculpe-me por isso também.
– Não tem do que se desculpar. – garanti, saindo em direção à sala de aula.
Não era minha intenção evitar Lorcan, pelo contrário, ele mostrou-se um rapaz muito agradável. A grande verdade é que o tempo passou tão rápido que nem percebi que já era novembro, em pleno outono, muito menos que o passeio ao povoado era no dia seguinte.
A discussão entre Dominique e Roxanne havia desgastado não só a mim, mas a família como um todo, visto que, querendo ou não, cada um tomava partido de uma das garotas. Por isso James e Fred, antes amigos inseparáveis, agora não se cumprimentavam mais, sem contar Louis, que me culpava com o olhar toda vez que me via, mesmo que involuntariamente. Não podia julgá-lo, sabia que minha parcela de envolvimento nesse assunto era maior do que a de qualquer um ali, e por mais que quisessem convencer-me do contrário, tinha plena consciência de que eu mesma iniciara toda aquela confusão ao apresentar Scott Smith a Roxanne. Devido a essa razão, a essa responsabilidade que pesava sobre meus ombros, desviei-me do caminho que seguia. Seria a primeira vez que cabulava aulas, entretanto a causa era nobre: alguém precisava escrever a Scott, e não era Roxanne.
***
– Por onde andou a manhã inteira? – resmungava Scorpius irado – Tive que me virar sozinho na aula de Poções. Você sabe que sou péssimo em Poções.
Já era hora do almoço e fiquei espantada ao notar isso. Desde que sentei-me à mesa da Grifinória ao lado do meu melhor amigo ele não parou de reclamar por um instante sequer. Scorpius podia ser irritante quando queria. Passei a ignorá-lo e prestar atenção apenas ao som de minha mastigação, era mais agradável. Estava distraída quando senti um estalo em minha bochecha esquerda. Hugo acabara de depositar um beijo ali, e abancou-se ao meu lado em seguida, rindo como um bobo alegre.
– Oi. – saudei – Qual a razão de tanta alegria?
– Não é nada. – banalizou falsamente.
– Hugo, vamos lá, desembuche. – exigi.
– Ah, Rose, não é nada demais mesmo, só convidei uma garota para ir ao passeio comigo e ela aceitou. – resumiu empolgado.
– Grande coisa. – o loiro ali presente manifestou-se. Aquele idiota estava mesmo estragando um momento fraternal? – Quem é a doida?
– Alice Longbotton. – informou meu irmão com os olhos brilhando.
– Está mesmo se vangloriando por sair com Alice Longbotton? – provocou – Ela nem é grande coisa.
– O que quer dizem com isso? – inquiriu meu ruivo preferido no mundo.
– Que ela é tipo... – começou em busca de exemplos – É tipo a Rose. Não é feia, todavia está longe de ser como a Grace Stanton.
Espantei-me com seu comentário desdenhoso. Tudo bem que era o jeito dele, havia até me acostumado com a arrogância cem por cento Malfoy, mas aquilo passou dos limites.
– Ninguém está interessado em saber do nível de maravilhosidade da Stanton, Scorpius. Pelo menos eu não quero saber e garanto que o Hugo também não. – afirmei irritada, ao passo que meu irmão assentia, demonstrando seu apoio a mim – E se não percebeu, ele não está se vangloriando, está feliz, realizado. – terminei levantando-me da mesa, pronta para sair dali, no entanto recordei-me de algo além. Bati as mãos na mesa, encarando-o – Mais uma coisa: para a sua informação, fico completamente satisfeita em saber que a Alice é “tipo a Rose” porque me simpatizo pela Alice e gosto ainda mais da Rose, na verdade, eu amo a Rose. Portanto se não está satisfeito com ela, faça da Stanton sua nova melhor amiga, talvez ela dê mais importância a você do que a si mesma. Só não espere isso de mim, nunca me prestaria a um ridículo desses. Se tudo é a respeito de um jogo de agrados, eu escolho agradar a mim.
Encerrei finalmente saindo do Salão. Quando dei por mim já estava deitada sob uma árvore quase sem folha alguma no jardim. Fiquei ali por alguns minutos me acalmando, precisava dizer aquilo a Scorpius, precisava me impor, precisava mostrar que não era mais um joguete em suas mãos. Eu era uma pessoa, tinha sentimentos e eles deveria ser respeitados.
– Você vai chorar? – interpelou uma voz atrás de mim. Logo a imagem de Hugo formou-se em cima de mim.
– Pelo Scorpius? – tornei descrente – Acha mesmo que eu choraria pelo Scorpius?
– Não sei. – expôs enquanto também aconchegava-se naquele espaço, sentando-se com as costas apoiadas no tronco da árvore e colocando minha cabeça sobre suas pernas. Ele então passou os dedos pelos meus cabelos e repetiu o mesmo movimento diversas vezes. Aquela sensação era divina – Garotas são estranhas. Porém você é a Rosie, é diferente.
Sorri. Já cheguei a imaginar Hugo como mamãe fala do papai nessa idade: um homem feito com o emocional de uma colher de chá, contudo meu irmãozinho não era assim. era um garoto esperto, observador e perceptivo. Ao contrário de papai, Hugo não era lerdo.
– Você merecia alguém melhor. – declarou após um curto ínterim – Alguém mais sensível que lhe desse a atenção e o carinho que merece, não uma pessoa que trata você como um encosto.
– Eu sei. Queria de verdade gostar de outra pessoa, mas isso não é o tipo de coisa que se escolhe. – lamentei – Uma vez as meninas até me aconselharam a mudar. Cabelo, roupas, você sabe, para chamar a atenção dele.
– Você recusou, não é?
– Acho que você teria reparado se tivesse dito sim. Sempre pensei que Scorpius gostaria de mim do jeito que sou. – revelei tristemente – Se não fosse assim não valeria a pena. Ele certamente se apaixonaria por uma farsa, e eu não sou nada boa em manter mentiras. Sou a Rose, não quem ele quer que eu seja. – afirmei convicta – Além disso, ele nem me acha bonita, você ouviu.
– Ele não disse isso exatamente. – contradisse. Encarei-o de forma irônica – Tudo bem, ele disse.
– Pouco me interessa. Sei que não sou a Grace Stanton, mas isso não me impede de ser bonita do meu jeito, não é?
– Essa é a ideia. – concordou rindo – Aliás, soube que um certo Scamander lhe convidou para o passeio em Hogsmead e a senhorita aceitou prontamente, não é?
– Albus já contou a você? – questionei imaginando como essa notícia chegou aos seus ouvidos.
– Na verdade ele apenas disse que Lorcan iria chamá-la hoje. Depois vi o loiro saindo da aula de Runas todo alegre, então deduzi que o motivo de tanto alvoroço fosse você, levando em conta que ninguém sai feliz das aulas de Runas Antigas.
– Ei, adoro essa matéria. – protestei.
– Como já disse, você é a Rosie. É diferente.
Roxanne
Não aguentava mais minha mãe pegando no meu pé. Ela se recusava a disponibilizar-me penas, tinta e pergaminhos, além de recolher minha varinha. Deixava-me trancada nesse quarto o dia todo e me obrigava a comer todas as refeições. Sentia-me uma prisioneira. Eu não podia continuar assim, não sem poder escrever a ele. Fred, aquele fofoqueiro, pagaria caro por ter me delatado. Papai estava todo cuidadoso comigo, tratando-me como se gostasse mesmo de mim. Sabia que tudo era uma farsa. Só ele me amava, só se importava, só ele me amava. Só Scott, ninguém mais.
– Roxy. – chamou minha mãe do outro lado da porta – Seus tios vieram visitar você.
– Quais tios? – indaguei tediosamente.
– Harry, Rony e suas esposas.
– Não quero ver ninguém. – informei antes que ela começasse com o discurso de que eles só queriam o meu bem e blá, blá, blá.
– Roxy, abra a porta, por favor. – pediu em tom sereno.
Nem me dei ao trabalho de respondê-la, não abriria porcaria alguma, por mim que os irmãos do meu pai apodrecessem lá em baixo. Os pais de James e Rose me esperando. Grande merda.
A megera da Angelina, sem o mínimo respeito pela minha vontade, entrou no cômodo sem ser convidada e nem pedir licença.
– Roxanne, seus tios estão esperando pela sua presença na sala. – informou um pouco mais severa.
– Já disse que não quero ver ninguém. – encarei-a – É surda, por acaso?
– Roxanne Catherine Weasley, me obedeça.
– Não sou mais criança, Angelina, não pode mandar em mim.
Impaciente, aquela maluca agarrou minha orelhas e me arrastou junto dela para o corredor, trancando minha porta em seguida par que não voltasse para lá.
– Se não quer ser tratada como criança, não aja como uma. – disse – Agora desça aquelas escadas e seja gentil, como eu a criei para ser.
Relutante, obedeci. Ela não perderia por esperar. Era um show que ela queria? Era exatamente isso que teria.
– Roxanne – exclamou a velha ruiva vindo de encontro a mim, abraçando-me assim que terminei de descer o último degrau. Abraçou-me de forma asquerosa, sendo imitada pelos outros três. Obviamente não retribuí nenhum dos afetos. Um tanto desconcertada, Gina voltou a falar – Está melhor?
– Nunca estive ruim. – tornei rude. Aqueles cínicos não mereciam nem um terço da minha educação.
– Vamos nos sentar. – convidou minha mãe ao passo que lançava-me um olhar reprovador. Fiz cara de deboche – Vou buscar um chá, está bem? – avisou – Jotgr já deve estar chegando, hoje é dia de carregamento na loja.
Sentamo-nos nos sofás dali, todos eles de frente para mim. Assim que minha mãe desapareceu na cozinho, Hermione começou:
– É uma pena que esteja longe de Hogwarts, Roxanne. Espero que possa recuperar as matérias dadas nesse intervalo de tempo. O ano da formatura é um dos mais difíceis.
Continuei calada. Sabia que Rose havia herdado a chatice da mãe, contudo a fonte revelou-se muito mais irritante.
– Bem, eu não sei. Nunca voltei para terminá-lo. – o quatro-olhos comentou a fim de descontrair o ambiente, o que não rolou. Os quatro gargalhavam como retardados e eu só queria um saco para vomitar.
Quando meu pai chegou, seus irmãos e cunhados ainda riam idiotamente. Ele cumprimentou cada um e deu-me um beijo na testa antes de sentar-se ao meu lado. Angelina logo chegou com o chá, acompanhado de biscoitos, e acomodou-se do meu outro lado. Todos conversaram por um longo período, no qual eu só me manifestava quando era realmente necessário. Estava tudo uma chatice, monótono e parado, até que, ironicamente, Hermione começou a tornar aquele diálogo um pouco mais interessante.
– Roxanne, Rose comentou sobre seu namorado. – começou medindo as palavras. Ela sabia que estava entrando em terreno perigoso, a filhinha deve tê-la alertado sobre isso – Como vão as coisas com ele?
– Muito bem, tia. Diferente da sua filha, eu levo jeito para a coisa.
– Roxanne! – ralhou meu pai.
Calei-me, porém consegui o efeito desejado, e não era minha intenção irritar Hermione, meu plano era despertar o dragão adormecido de outra pessoa.
– Não, Jorge. – contra-atacou meu tio ruivo – Roxanne, pode explicar o que disse? – pediu calmo.
– Claro, tio. – fiz-me solícita – É só que a Rose não passa de uma vadiazinha sem um pingo de vergonha na cara. – derramei sem ter medo das consequências – Já ficou com mais da metade de Hogwarts, incluindo garotas, além de tirar a roupa para qualquer um que a peça para fazê-lo. E se querem saber, ela aprendeu tudo com a Deusa Veela das Vagabundas: Dominique. Essa aliás, está dormindo com James tia Gina. – revelei, causando um espanto enorme não só nela, mas em Harry também. Otários – Se eu fosse você marcaria um horário no St. Mungus para o seu filhos, nunca se sabe quantas nem quais doenças essas piranhas podem transmi...
Um tapa na cara. Foi isso que a minha mãe me deu, interrompendo meu discurso.
– Para o seu quarto, Roxanne. – ordenou borbulhando de ódio, enquanto Jorge desculpava-se com as visitas.
– Sim senhora. – sorri e subi às pressas. Não suportaria nem mais um segundo com aquela gente.
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