Weasley's Love
4 Capítulo Bônus - O primeiro Natal
Notas iniciais
– Nosso primeiro Natal em Hogwarts. Como se sente?
– Normal, Rose. Não é como se fosse algo extraordinário.
– Como não, Scorpius? Não sente que aqui a magia parece ser maior? Sabe, até os trouxas acreditam que as festividades natalinas transmitem uma certa magia. Para os bruxos esta magia é óbvia, mas em Hogwarts... em Hogwarts tudo fica mais intenso. – expliquei.
– Sei que no Dia das Bruxas nossos poderes aumentam, mas no Natal? O que o Natal tem demais? – retorquiu.
– Não vê o que acontece, não é mesmo? – inquiri tristonha.
Scorpius sempre conseguia notar as coisas mais difíceis, era capaz até mesmo de distinguir todos os ingredientes de uma poção já pronta, porém tudo o que não poderia ser visto, tocado ou ouvido para ele era mistério. Socorpius não conseguia simplesmente sentir, sempre buscava saber o motivo de tudo, uma explicação lógica. Talvez não compreendesse que nós mesmos, os bruxos, éramos seres inexplicáveis. A fórmula da magia não poderia ser desvendada e, caso fosse, perderia totalmente sua essência, a própria magia.
– Rosie, querida, não podemos simplesmente continuar a comer sem que você tente me convencer que o Natal é totalmente surreal e magnífico?
Era ceia de Natal em Hogwarts, foi isso o que marcou nosso terceiro ano na escola, nosso terceiro ano como amigos.
Uma semana antes do início do recesso de fim de ano, Scorpius anunciou que sua família viajaria para a Itália a fim de visitar alguns parentes distantes. Entre estes familiares, estava um primo de terceiro grau do loiro o qual ele odiava com grande intensidade. Não faço ideia da razão, só sei que foi o suficiente para fazê-lo escolher Hogwarts como destino festivo. Apesar de simpático e prestativo, Scorpius não tinha muitos amigos, e os poucos que possuía iriam para casa passar a data com a família. Por isso, eu, como sua melhor amiga, quase irmã, ofereci-me para acompanhá-lo, gesto que ele acatou de bom grado. Avisei em casa que ficaria para revisar algumas matérias em que tivera dificuldade. Mamãe não acreditou, por isso fui obrigada a dizer-lhe o verdadeiro motivo, coisa que ela aceitou com facilidade, considerando a minha atitude muito nobre. Coisa de mãe.
– Sabe o que eu acho impressionante? Como os elfos cozinham bem. – comentou o loiro enquanto devorava um pedaço de seu peru – É sério, isso sim é surreal. – Fui obrigada a rir de sua observação. Quem olhava Scorpius comer, poderia jurar que ele era um Weasley, é realmente impressionante como continua tão magro.
Ao fim da ceia, das sobremesas e das cantigas características representadas pelos alunos que ecoavam por todo Salão, Scorpius e eu decidimos passear pelo castelo. Era mais um dos nossos passatempos. Ás vezes xeretávamos por entre as portas das salas de aula vazias, flagrando vez ou outra alunos mais velhos em momentos bem constrangedores. Gargalhávamos sempre que isso acontecia. Havia também a possibilidade de descobrirmos passagens secretas, por isso prestávamos bem atenção nas paredes, armaduras e estátuas, dispostas por todo o recinto. O velho Filch não nos alcançava mais, talvez até ele tenha entrado no espírito da coisa e deixado de ser ranzinza apenas por um dia, para nossa felicidade.
Andando pelos corredores, reparamos que todos os corredores, portas e portais, sem exceção, estavam lindamente enfeitados com símbolos natalinos. Pinheiros, guirlandas, meias, visgos. Até mesmo os quadros entravam no clima, sem contar os fantasmas, que deslizavam pelo espaço desejando a todos boas festas. Era esse o clima que eu tentava fazer o meu amigo enxergar. A magia era a alegria, o fato das pessoas ficarem tão mais alegres e receptivas nessa época, em que o frio não era um empecilho para nada, pelo contrário. O frio exigia a proximidade das pessoas em volta das lareiras de seus salões comunais, exigia contato físico, abraços, chocolate quente, conversas calorosas. Quem se lembra de estar quase congelando quando o assunto flui de forma agradável
– É impressionante como Hogwarts se supera a cada ano. A decoração está incrível, tão aconchegante. – conferenciei maravilhada. O loiro soltou um leve sorriso.
– Tenho que concordar, a decoração é esplêndida, embora um tanto exagerada.
– Exagerada? – questionei espantada.
– Claro, parece que a diretora quer dar uma de cupido, já viu a quantidade de visgos espalhados por aí? Isto pode se tornar um problema.
– Deixe de bobeira, Scorp. Os visgos são um símbolo do Natal, todo casal que, por ventura, para sob ele leva tudo na brincadeira. É muito divertido, para falar a verdade.
Continuamos andando, agora em direção à torre da Grifinória. Apesar de querer ficar, o cansaço nos dominava e já era tarde da noite.
– Já vivenciou a experiência de parar com alguém logo abaixo de um visgo?
– Nunca, a não ser com Hugo. E ele é meu irmão, não é como se fossemos nos beijar, eca!
– Pois eu já. – confessou com desgosto – No ano passado, passamos o Natal com a família da mamãe e tem a Diana, a filha da tia Daphne. Enfim, estávamos andando pelo jardim e quando passamos pela porta tivemos que nos beijar na frente de um monte de gente. Foi constrangedor, e tudo por causa de um visgo na porta. – comecei a rir dele. E ele me acompanhou, até que, repentinamente, adquiriu uma postura séria. – Exatamente como agora. – E se virou para cima. Acompanhei seu olhar e reparei que, bem acima de nós, pouco antes do quadro da Mulher Gorda, havia um raminho de visgo.
– Ai caramba. – praguejei.
– Rose, tudo bem, sabe, é uma bobagem. Não somos obrigados a fazer isso, podemos sair andando de fininho, bem assim. – Ele saiu andando devagar nas pontas dos pés, enquanto eu fiquei ali parada, esperando algo que não sabia o que era. Em meu íntimo, realmente desejava que aquilo acontecesse. Que parássemos abaixo de um visgo, que tivéssemos que fazer aquilo que é tradição. – Rose, você está bem? – perguntou preocupado.
– Cla-claro. – respondi.
– Então venha. – Ainda não conseguia me mover. – Rose. – chamou novamente. – Oh, Merlim. Rose, você quer fazer isto?
– O que? – Sentia-me desnorteada.
– Você quer mesmo... – aproximou-se sorrateiramente e cochichou – ...que a gente de beije?
– Scorpius, não é isso, é que...
– Você ama o Natal, não é? – assenti – Você ama toda a magia do Natal, faz tudo o que é sugerido nesta época, olhe para você, está toda vestida de vermelho. Não quero estragar tudo isso que significa muito para você.
– O que quer dizer com isso?
– Que um beijo pode ser só duas bocas se tocando. Não precisa ter aquela agarração toda, Rose. Não vamos estragar as tradições do Natal só por isso.
Tendo dito, Scorpius se aproximou ainda mais de mim, que ainda me mantinha paralisada. Sem demora, ele tocou meus lábios com os seus. Macios, delicados, lábios perfeitos. Fechei meus olhos para apreciar a sensação. Três segundos, esse foi o tempo que durou este leve toque. Apenas três segundos foram necessários para que eu guardasse este momento para sempre.
– Feliz Natal, Rosie. – desejou ao se separar de mim. – Viu só, não doeu nada. – brincou.
– Feliz Natal, Scorpius. – também desejei rindo. – E foi ruim, sim. Você tem um bafo de onça. O que comeu no jantar, caca de trasgo? – fingi vomitar enquanto ele apenas ria.
O loiro abraçou-me de lado e fomos os dois para a nossa casa, a Grifinória. Abraçados, brincando e rindo, como os bons amigos que éramos. Grandes amigos.
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