Weasley's Love
11 Abóboras de Halloween
Notas iniciais
Dominique Weasley
Quando acordei após ter desmaiado, só estranhei o fato de não estar morta. Minha cabeça latejava e sentia uma leve tontura, o que causava vômito constante. Um nojo, eu sei.
Pensava estar na ala hospitalar de Hogwarts, no entanto, ao observar melhor, percebi que não. Era um quarto, e não era o meu. St. Mungus me veio à cabeça. Imaginei ter ficado maluca porque podia jurar que a minha prima, melhor amiga e companheira fiel, Roxanne Weasley havia me esmurrado. Logo alcancei um espelho no criado-mudo ao lado de minha cama e, ao olhar naquela direção, atentei-me ao fato de um rapaz de cabelos extremamente rebeldes, estar dormindo numa poltrona imensamente desconfortável. Sorri ao vê-lo ali. James era leal.
Gemi um pouco ao alcançar o objeto ansiado, que era de minha mãe. Adornado em prata, mas ainda singelo. Esforcei-me de verdade para não despertar meu primo, amigo, amante. Nem sei como defini-lo. Entretanto, o pavor expressado em minha fala curta, que era dominada apenas pela vogal “o” – que também representava a forma que meus lábios aderiram naquele momento – e o desespero provindo de meus lamurios, acabaram por acordar um James babão. É fato verídico, ele estava babando.
– Domi, não foi nada, nós vamos dar um jeito. – acalentou-me o mais depressa que conseguiu, sentando-se a meu lado na cama.
– Estou desfigurada. – guinchei, ainda fitando meu reflexo, incapaz de conceber que aquela era, de fato, eu – Foi real. O que a Roxy fez foi real.
– Eu sinto muito. – foi o que disse – Ela estava descontrolada. Não era a nossa Roxy.
– Não interessa se era a nossa ou outra qualquer. – rosnei, atirando para longe aquele objeto revelador de verdades que eu não estava preparada para aceitar. Os lábios cortados, os olhos inchados, hematomas por toda parte. Eu era linda. E agora faltavam tufos de cabelo em mim – Olhe para mim, James. – pedi, não que ele já não o estivesse fazendo – Me diga como alguém vai gostar de mim agora. Ela tirou o que eu tinha de mais perfeito. – as lágrimas escorriam e eu não me importava em secá-las, mas o Potter sim. Pegou um lenço dos que estavam em minha mesa de poções e iniciou o processo.
– Dominique. – repreendeu-me – Como ousa dizer que sua perfeição está naquilo que é por fora? – ergueu-se depressa. – Está parecendo uma abóbora de Halloween? Sim, está. Parece uma torta de amora de tão roxa? Pode ser. Porém, sabe o que tem de mais importante nas tortas de amora, abóboras de Halloween e você, além de serem extremamente deliciosas? – ele gesticulava loucamente.
Ri fraco antes de responder.
– Não James, não sei. O que é?
– As pessoas gostam, Domi. – revelou como se fosse óbvio. – E as abóboras de Halloween são assustadoras.
– Não está ajudando. – disse, mesmo que já tivesse parado de chorar apenas com suas bobeiras – Pensei que diria que, para você, eu estou linda de qualquer jeito.
– Não seria verdade. – retrucou – A lógica disso tudo é que eu comeria uma torta de amora mesmo que a massa estivesse estranha e nojenta, e o mesmo faria com você.
Terminou com um sorriso que ele achava ser encantador e eu pensava ser apenas patético. Ou fofo, na melhor das hipóteses.
– Venha aqui. – espalmei o local em que estava acomodado antes. Ele logo retornou – Se meus lábios não doessem tanto eu lhe daria um beijo. Também poderia lhe dar um abraço mas minhas costelas parecem ter sofrido bastante também, então, considere-se beijado e abraçado por favor.
Ele sorriu genuinamente, aquele sorriso que convence a tia Gina a fazer qualquer coisa desde que Sirius aprendeu a dá-lo.
– Eu não me importo com a sua aparência, Dominique. – sussurrou um pouco sério – Me importo com você.
Quase comecei a chorar novamente. Foi então que percebi que em todos os momentos em que passava com James, nunca ligava se a maquiagem estava borrada, ou se meu cabelo estava domado. Nos momentos Jayminique, como Rose costumava intitular, nunca me senti feia, todavia, também não me sentia bonita. A verdade é que, perto dele, não pesava sobre mim a obrigação de ser bonita. Quando James Potter estava em minha companhia, a única coisa que eu tinha de ser era eu.
Rose Weasley
Chegou o grande dia. Não são s N.I.E.Ms, Minerva não confessou sua paixão por um trouxa famoso, não está nevando no verão, papai não pintou os cabelos de loiro. Pensando bem, não é um dia tão grandioso. É só um encontro. Tudo bem, é meu primeiro encontro, mas isso não vem ao caso.
– Rose, nós precisamos usar o banheiro. – ouvi Brunella, uma das minhas colegas de quarto reclamar o mais educadamente que pôde.
Sei que estava demorando, e que estava me encarando no espelho há, pelo menos, vinte minutos sem saber o que fazer, no entanto ela podia esperar pelo menos um pouquinho. Eu precisava da Roxy para me arrumar, e da Domi para me passar confiança. Sentia medo de errar na maquiagem, na escolha de roupas, de parecer estranha. Não para ele, mas para mim. Me sinto segura quando estou bem vestida, bem apessoada. Precisava de toda essa autoconfiança naquele momento.
Lorcan me esperaria às nove da manhã, na porta do Salão Principal, no meio da fila daqueles que saem para o passeio. Então pegaríamos uma carruagem juntos e conversaríamos até chegar ao povoado. Iríamos ao Três Vassouras, à loja dos meus tios e à Dedosdemel. Depois, seguiríamos até à Casa dos Gritos para comer os doces que compramos. Nada realmente romântico. Então, em algum momento desse cheio de tarefas, iríamos nos beijar. Fim.
Infelizmente, Lorcan só sabe até a parte em que me espera na fila. Suspirei derrotada, saindo do banheiro às pressas, enrolada na toalha. Havia apenas um banheiro com três boxes para todas as meninas da Grifinória, o que era absurdamente injusto. São muitas garotas. Soube até que uma das McMillan havia acordado às cinco da manhã para se arrumar antes de todas. Ótima ideia. Provavelmente demorou no banho e acabou com a água quente. Seja lá o que Hogwarts faça para aquecer a água, que faça melhor.
Chegando ao meu quarto, dou de cara com Lily mexendo em minhas gavetas.
– Olá, Rose. – cumprimentou num murmúrio, sem se importar com minha presença ali – Soube que precisa de ajuda para se arrumar.
– Quem disse isso? – inquiri espantada.
– As 17 garotas que estavam pacientemente esperando na fila do banheiro. – virou-se para mim, finalmente – Você não precisa de ajuda, foi isso que vim dizer a você.
– Lily, está na cara que estou desesperada. – ri um pouco de minha própria desgraça, sentindo um pouco de frio com apenas aquela toalha enrolada ao corpo.
– E daí? Lorcan quis você mesmo lambuzada de doce. Vai continuar querendo de qualquer maneira. – voltou-se aos meus pertences – Acho que vou querer essa. – disse com uma jaqueta minha em mãos.
Ainda seminua, sentei-me em minha cama, pensativa.
– Você tem certeza? – perguntei desconfiada.
– Claro, revirei todas as suas roupas e essa foi a que melhor se...
– Não. – interrompi – Sobre Lorcan gostar de mim.
– Não disse que ele gosta de você, disse que sente atração. – revirou os olhos prepotente – Se ele gosta de verdade, terá a chance de provar isso hoje.
Assenti e ela já ia passando pela porta quando a chamei de novamente. Mesmo reclamando, ela voltou.
– E se eu não sentir o mesmo? – indaguei temerosa. Era estranho pedir conselhos a uma garota dois anos mais nova, porém Lily já fora a encontros. Eu não.
Sim, já beijei garotos, mas nunca nos conhecemos de fato, no máximo apresentações básicas como nome, idade, casa comunal, esse tipo de coisa.
– Seja sincera. Se estiver gostando, diga. Se não, também diga. Lorcan é um cara legal, vai tentar agradá-la. Retribua com a verdade. Ele merece. – mandou um beijo de longe – Boa sorte. – e saiu.
Lily tinha razão. Não precisava de uma roupa estonteante ou maquiagem notável para que aquele encontro se tornasse especial. Os instantes que passamos no trem foram especiais, as vezes em que ele me perseguia para saber minha resposta, embora embaraçosas, também foram especiais. Para que o passeio fosse incrível, só dependia de nós. E minha certeza disso veio quando, ao chegar ao Salão, os olhos do Scamander brilharam ao me ver, e seu sorriso se abriu espontaneamente, da mesma forma que aconteceu comigo. E vi que aquilo daria certo quando, ao entrar numa e ver que Scorpius estava acompanhado de Grace Stanton, não senti nada, além da absoluta certeza de que ele era um grande babaca e eu estava em melhor companhia.
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