Weasley's Love
6 A primeira carta ao primeiro amor
Notas iniciais
Roxanne Weasley
Querido Scott... Não, querido não. Prezado talvez seja melhor. Com certeza, prezado não, ficaria formal demais, afinal estou escrevendo para o meu namorado ou para o Ministro da Magia?
Oh, droga. Deveria ter pedido ajuda a Rose, ela é ótima com escrita. Droga, o que vou fazer agora? Roxanne Weasley, você é mesmo uma imprestável que nem para escrever a porcaria de uma carta serve.
Estava há mais de duas horas trancafiada em meu quarto tentando escrever uma carta descente para enviar a Scott. Sim, porque ele até me passou o número de seu celular, mas no mundo da magia de que servia isso? A magia interferia na tecnologia, o que era uma droga.
Eu sempre amei os trouxas, era impressionante a forma como viviam e se viravam sem usar magia. Eles construíam máquinas voadoras que mesmo pesando toneladas era capar de manter-se no ar carregando várias pessoas dentro delas. Inventavam um utensílio novo a cada dia, apenas para tornar suas vidas mais práticas. Que papai não me ouça, porém até as armas dos trouxas eram incríveis. Infelizmente eram usadas para coisas ruins, ainda assim eram fantásticas. Agora descobri mais uma coisa que a proposta de pacificação entre bruxos e trouxas, iniciada pelo ministro após a guerra, podia fazer para me ajudar. Carteiros. Que ideia maravilhosa! Pessoas entregando cartas no lugar de corujas. Era agradável para os dois mundos, afinal, ninguém mais se assustaria com corujas rondando suas ruas durante o dia e nenhum nascido trouxa se preocuparia em assustar seus pais no meio da noite com um animal bicando sua janela. O melhor de tudo é que era uma solução alternativa para minha relação com Scott. Sei que nos conhecemos a pouco tempo, contudo sei, do fundo do meu coração, que estou apaixonada. Já havia me conformado em tentar ser professora de Estudos dos Trouxas em Hogwarts, mesmo sabendo que talvez não fosse ali o meu lugar, mesmo sabendo que talvez minha vida fosse lá fora. Agora criei uma pontinha de esperança. Scott poderia mudar minha vida.
Tentei novamente iniciar a carta. A partir do momento em que imagens de um futuro feliz para nós dois brotou em minha mente, tudo ficou mais fácil, até mesmo as mentiras que teria que dizer fingindo ser trouxa.
“Olá Scott, como vai? Espero que não tenha se esquecido de mim, você disse que não iria.
Bem, sei que deveria ter te ligado mas estou sem celular. Meus pais me colocaram de castigo depois que derrubei algumas prateleiras da loja deles.”
Não era mentira, eu realmente estava de castigo pelo estrago que fiz na loja.
“Mesmo sabendo que não é a forma mais rápida de comunicação, pensei que as cartas poderiam nos aproximar um pouco. Não irei me prolongar nesta, sei que já sabemos o básico um do outro, só gostaria de saber como você é em casa, com sua família, como é sua escola.
Para que não se sinta constrangido em começar falando de si mesmo, eu começo. Não sei se te disse, mas tenho um irmão mais velho, Fred. Ele é totalmente diferente de mim, é a cara do meu pai. Ruivo, alto, cheio de sardas. Meu pai se chama Jorge, e você já deve supor que é irmão do pai da Rose. Não sei se ela lhe disso isso antes, mas são sete irmãos no total. Infelizmente um faleceu, justo o irmão gêmeo do meu pai. O nome dele era Fred, então suponho que já deve imaginar a origem do nome do meu irmão. Minha mãe é a Angelina, ela sim se parece comigo. Ou melhor, eu sou parecida com ela. Anexada à carta, estou enviando uma foto nossa a você.”
Tomei todo o cuidado do mundo ao escolher a foto. Acabei optando por uma que tiramos no ano passado, em frente ao Palácio de Buckingham. Estávamos fazendo um tour pela Londres trouxa e um retratista presente nos fotografou. A foto era revelada instantaneamente, portando, não se mexia. Mamãe havia feito uma cópia para cada membro da família, eu estava enviando a foto mais trouxa que tinha a Scott.
“Você conheceu minhas melhores amigas, Rose e Dominique. Claro, Rose já era sua amiga. Além delas eu tenho vários primos e primas. Se quiser, posso enviar uma foto deles na próxima carta. Todos estudamos juntos num colégio interno misto. Nossas aulas já estão quase iniciando-se novamente. Estou em meu último ano e espero poder vê-lo nas férias novamente.
Saiba que já sinto saudades suas, por favor, não demore a me responder.
Me desculpe pela falta de jeito, é que eu nem tenho certeza de que isso chegará a você, por isso a insegurança. Prometo ser mais caprichosa da próxima vez.
Saiba que já sinto saudades suas, por favor, não demore a me responder.
Com amor, Roxanne.”
Li e reli a carta várias vezes. Sei que deveria ter escrito mais, falado mais de mim mas não estava certa de que o carteiro acertaria sua casa, que a carta chegaria em suas mãos. A insegurança me consumia.
Apesar da desconfiança, coloquei a carta em um envelope azul, minha cor preferida. Assinei o endereço que Rose havia me dito para que ele retornasse com sua resposta endereçada ao tal lugar. Segundo a ruiva, assim que a carta chegasse lá, uma coruja a enviaria diretamente para mim.
Insegura ou não, chamei Astra, minha coruja cinza e amarrei o envelope em sua pata.
– Entregue isto ao carteiro bruxo mais próximo. – disse a ela enquanto acariciava suas penas – Você é uma coruja muito inteligente, sei que saberá o que fazer.
Rezando para que desse certo, abri a janela e soltei Astra, acompanhando-a até onde meus olhos puderam. A coruja sumiu no meio das nuvens e eu sabia que não sossegaria até estar com uma carta assinada por Scott Smith em mãos.
Fale com o autor