We know the name of the flower
4 O hospital
Notas iniciais
Naquela noite, eu e Anaru voltamos juntos para minha casa, onde ela passaria a noite. Confesso que gostaria de ficar sozinho, mas ela insistiu tanto que não tive como negar.
-Não quer um pouco mais de sukiyaki, amor? – Perguntou, apontando para a frigideira que estava sobre a mesa.
-Não, obrigado – Eu encarava a comida, pensativo. Aquela garota, aqueles olhos azuis o cabelo branco... Era minha Menma que havia voltado.Eu tinha certeza disso.
-Jintan, quase não tocou na comida. Desse jeito vai ficar fraco.
-Não estou com fome – Levantei-me da mesa e subi uma pequena escada até o meu quarto, deixando Anaru confusa no andar de baixo.
Deitei na minha cama de casal e comecei a repassar novamente, tudo que havia acontecido naquele dia. Eu sentia que talvez aquela garota fosse mesmo a Menma, e assim eu não poderia deixa-la só, nunca mais.
-Jintan? – A ruiva bateu na porta, entrando logo em seguida e se dirigindo até a minha cama – O que está acontecendo com você?
-Nada amor, estou bem.
-Não está não – Afirmou convicta – Está agindo estranho desde que viu aquela garota. O que houve?
-Nada, só estou um pouco assustado com os acontecimentos do dia.
-Também – Ela murmurou, se aconchegando em meus braços – Acho que devemos ir até o hospital amanhã, ver se está tudo bem com ela, né?
Eu abri um grande sorriso.
-Mas que maravilhosa ideia, Anaru. Poderiamos vê-la amanhã sem falta.
-Sim – Ela respondeu empolgada – Que tal todos nós cinco irmos até lá? Juntos? Iria ser uma bela surpresa.
-Iria sim, querida, iria sim... – Beijei a ruiva com muita empolgação. Não é que de vez em quando, Anaru se supera?
Quase não dormi de tão ansioso que eu estava por este encontro. Passei quase a noite toda admirando a lua cheia que brilhava no céu nessa noite agradável de outono. Eu sempre olhava para o céu e imaginava que Menma estaria lá, nos observando enquanto brincava entre as estrelas. Eu sei, parece uma coisa tão boba, inocente... Mas era isso que eu preferia acreditar, do que pensar que nunca mais a veria na vida. Preferiria imaginar que nós nos veríamos, que ela voltaria. Eu acreditei nisso. Acreditei por longos dezesseis anos. Mas ela não veio e eu perdi todas as minhas esperanças.
Precisei seguir a vida, sozinho. Acabei namorando com a Anaru, que estava sempre ao meu lado, me apoiando. Eu realmente gosto dela, mas nunca vou conseguir sentir pela ruiva, o que eu sentia pela minha Meiko. Minha pequenina Meiko...
“-Jintan?
-O que foi Menma?
-Bem... Eu quero que você me conceda um desejo.”
Agora, é a sua hora de me conceder um desejo, minha pequena Menma.
**
Na manhã seguinte, fui para o emprego em uma loja de chás no centro da cidade e encontrei com o meu pai, que caminhava com dificuldade, pelas ruas vazias.
-Filho?! – Ele me chamou. Sua voz estava tão diferente que às vezes eu não conseguia reconhecer.
-Pai – Lhe abracei.
-Quanto tempo filho... Como está a fofa da Anaru? Ela está bem?
-Está bem sim, obrigado por perguntar.
-E quando o senhor vai me dar netinhos fofos? Preciso de companhia filho, estou muito só.
-Eu sei disso pai, mas tudo em seu tempo, certo?
-Certo certo... Bom, acho que você tem que ir ao trabalho, né?
-É, eu preciso mesmo.
-Tudo bem – Nós nos abraçamos novamente – Espero que passe mais na minha casa, sabe que adoro sua companhia.
-Eu sei disso, pai. Até logo.
-Até.
Depois de dezesseis anos, eu e o meu pai construímos uma relação afetiva melhor. Eu não poderia culpa-lo por tudo de errado que houve em minha complicada infância, era errado. Mamãe e Menma precisaram me deixar. Eu não poderia lutar contra isso.
Quando cheguei no trabalho, precisei ajudar uma garçonete com os clientes. Eram muitos já naquela hora e ela estava sobrecarregada.
Os minutos passavam devagar e eu estava bem distraído, tanto que servi errado alguns chás. Afinal todos os meus pensamentos estavam na visita que nós faríamos mais à tarde, no hospital da cidade.
-Yadomi – O meu chefe esbravejou– Quantas vezes eu preciso dizer que você não pode servir os meus clientes com a mão esquerda? Somos amigos e não inimigos deles – Respondeu – Você está totalmente desligado hoje. Melhor tirar o resto do dia de folga. Depois você poderá repor.
-Obrigado senhor.
Eu sorri, correndo para pegar os meus sapatos. Estava livre e quase na hora para irmos ao hospital.
**
Todos já estavam a minha espera na porta do grande hospital geral da cidade. Estávamos ansiosos pela visita, principalmente Tsuruko e Yukiatso, que estavam comigo na hora em que ela parecia pronunciar algumas palavras.
-Vamos? – Yukiatso perguntou suando frio, com um buque de rosas brancas e azuis em mãos.
-Vamos – Respondemos em uníssono.
O hospital realmente era muito grande e nostálgico para mim. A última vez que pisei neste temido lugar, eu era apenas uma criancinha que não sabia, mas estava prestes a perder a mãe.
-Esse cheiro é tão estranho... É do que? –Anaru perguntou, olhando para todos os lados como se tentasse achar a fonte daquele aroma.
-É éter – Yadomi afirmou em um tom de superioridade – Serve para não deixar um cheiro ruim no lugar.
-Hum, entendi – Minha namorada fez um biquinho fofo.
Paramos na frente da recepção e deixei que Tsuruko perguntasse qual era o quarto da garota.
Quarto 308
Era o quarto da Menma.
Eu não conseguia mais disfarçar a minha alegria de estar a tão pouco de vê-la novamente.
E acredito que Yukiatso e Tsuruko também.
Pegamos o elevador até o terceiro andar. Era onde ficava todos os adolescentes internados. Em volta, havia pouca gente, grande parte médicos que andavam de um lado para o outro, sempre apressados e sérios.
Paramos na porta dela. O número em prata, parecia brilhar intensamente.
-Abra a porta, Jintan – Ouvi a voz de Poppo ordenando-me baixinho.
-Por que eu?
-Porque você é o líder, agora abra – Anaru respondeu, se aproximando.
Com cuidado, abri a porta vagarosamente para não fazer algum ruído desagradável. Aos poucos o quarto branco e pequeno foi se revelando diante de nós, até eu abrir toda a porta.
Ela estava lá, sentada sobre a cama, com as pernas cobertas pelo fino edredom que o hospital oferecia. Seus olhos azuis brilhavam como nunca e percebi os inúmeros curativos que ela tinha espalhados pelo rosto, cabeça e braços.
Achei que ela iria pular de felicidade e correr atrás da gente, com aquela voz infantil e doce. Achei que ela gritaria e anunciaria para o hospital inteiro que estávamos juntos novamente. Achei muitas coisas... Mas nenhuma dessas aconteceu.
A garota parecia um pouco confusa e surpresa com a nossa presença. Ela não sabia ao certo como reagir. E para piorar, ninguém de nós cinco disse uma palavra.
Então foi a minha hora de agir.
-Oi, você se lembra de mim? – Percebi quando Yukiatso virou os olhos – E.. Eu te socorri ontem – Gaguejei.
-Nós te socorremos ontem – Yukiatso corrigiu-me levemente enciumado.
Tsuruko vendo o jeito que o namorado estava se comportando e temendo por uma briga entre nós dois, decidiu se intrometer.
-Nós viemos para saber se você estava bem. Você nos deu um grande susto ontem.
A garota continuou calada, nos encarando.
-Então... Qual é o seu nome? – Anaru perguntou sorridente – O meu é Anjou Naruko, mas pode me chamar de Anaru.
A menina olhou para mim e começou a balbuciar algo. Achei que seria agora, era o momento em que ela diria “Eu sou a menma” e nós nos abraçaríamos todos juntos, feito a criança que éramos na época de sua morte.
-M..Meu nom..nome é M...
-Menma? – Eu a interrompi, dizendo a “palavra proibida”. Senti os olhares indiscretos de todos sobre mim.
-Não, Miya. Meu nome é Miya.
Todos nós ficamos boquiabertos. Como assim?
-Mas você disse o meu nome ontem, você me chamou – Eu falei em um tom um pouco mais alto.
-Não me lembro disso, não me lembro de você, melhor... Não me lembro de nenhum de vocês.
-Jintan, eu sou o Jintan – Esbravejei, sendo contido por Anaru.
Os olhos de Miya começaram a lacrimejar e pude ver algumas lágrimas escorrendo do seu belo rosto machucado. Eu estava fora de si.
Ela era a Menma, não havia dúvidas da minha parte.
Eu pude sentir isso quando olhei para aqueles olhos azuis.
Era ela.
Mas ao mesmo tempo, não era.
O que há de errado comigo?
Notas finais
Beijinhos.
obs: mudei o emprego do jintan pq sou do mal :D
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