Notas iniciais
Oiii gente, desculpe a demora e obrigada pelos reviews e indicações *--* amo vocês :)

O clima dentro do quarto de hospital estava no mínimo, desconfortável. Anaru e Poppo estavam confusos do porquê de eu chama-la de “Menma” – o nome proibido. Nós não contamos para eles o que havia acontecido no dia anterior, onde ela havia sussurrado meu nome.

Aparentemente mais confusa do que os dois, estava a Menma, ou melhor Miya. Ela não mais chorava, mas ainda estava aflita e me encarava com aqueles olhos azuis brilhantes. O cabelo branco estava solto e suas mãozinhas frágeis os enrolavam pelos dedos e soltavam, tentando se distrair com algo, envergonhada.

A porta do quarto se abriu e um casal entrou. Ambos surpresos. Pareciam ser simpáticos.

-Papai, mamãe – Miya os chamou. Sua voz estava rouca, quase falhando e seus olhares não saiam de cima de mim.

O pai dela se virou para mim.

-Quem são vocês? – Perguntou com a cara de sério. Estava pronto para me atacar se achasse que devia.

-So... F... – Um nó na minha garganta não deixou que eu continuasse. Menma. Rio. Tudo se repetindo na minha cabeça. Estou ficando louco.

-Fomos nós que a salvamos ontem – Yukiatso revelou, sorrindo orgulhoso. Foi ele que mais ajudou, graças suas sabedorias medicas – Viemos ver se estava tudo bem.

O homem olhou para a mulher, que acariciava os cabelos da jovem Miya e ambos se curvaram a nossa frente.

-Muito obrigado – Eles agradeceram em uníssono.

Todos nós cinco estávamos com as bochechas queimando de tão envergonhados.

-Não temos palavra para agradecer o que fizeram por minha filha ontem – O homem disse – Vocês trouxeram nossa pequena Miya de volta para nós.

-Muito obrigado – A mulher concluiu o marido – Mas acho que, deveríamos agradecer de outra forma.

-Outra forma?! – Anaru perguntou.

-Sim, que tal um jantar na nossa casa, querido? Seria uma ótima forma de agradecê-los.

Ele pareceu concordar levemente com a cabeça, ajeitando os óculos que usava.

-Não, não prec...

-Amanhã as quatro na minha casa – A mulher me cortou, tão feliz e radiante como se não recebesse visitas há meses – E não aceito um não como resposta.

-Não prec...

-Disse que não aceito um não – Ela repetiu em tom sério, mas com o sorriso amável no rosto – Vocês vão amar nosso curry. É uma receita tradicional da familia Koyama.

Curry. Era esse o prato preferido da Menma.

-Então acho que aceitamos – Poppo disse, encantado pela possibilidade de ganhar comida de graça. Recebeu um tapinha no braço por isso.

-Ótimo. Vou passar o endereço para vocês – A senhora Koyama arrancou um pedaço de papel de sua agenda, que estava dentro da bolsa bege que carregava e escreveu com um lápis fino, o endereço e numero da casa.

Para minha surpresa, a casa ficava não muito longe da minha. Alguns minutos de caminhada e chegávamos lá.

-Nós nos vemos amanha – A senhora disse, nos expulsando do quarto, gentilmente – Hora da minha pequena Miya descansar um pouco...

O casal se curvou de novo na nossa frente, antes de sairmos.

-Obrigado por salvarem nossa filha. Até amanhã – O senhor disse. Logo depois saímos do quarto, encostando delicadamente a porta.

Nós cinco seguimos para a base secreta. O caminho todo – percorrido a pé – foi silencioso. Todo mundo estava tentando entender o que se passava. Principalmente eu.

“Jintan... Você me encontrou”.

Tsuruko fez um chá de camomila para nós e o serviu nas nossas devidas xícaras coloridas. Sentamos em roda como antigamente, esperando o momento que alguém corajoso iria se manifestar sobre o ocorrido.

-B..Bem... – Poppo gaguejou e todos os olhares se voltaram a ele – O.. O que você quis dizer com “Menma”? – Perguntou olhando diretamente para mim.

-É... O que você quis dizer? – Anaru acompanhou o amigo, e ex-namorado.

Não sabia o que responder. Poderia dizer que foi um impulso? Ou que foi um erro fatal? Poderia revelar as palavras ditas pela garota ou poderia dizer que a similaridade absurda da Miya com a Menma me fez dizer aquilo?

Acabei calado. Virei os olhos para o outro lado da base, vendo a escrita na madeira.

“Super protetores da paz – são amigos para sempre”.

-Ela lembra a Menma mesmo – Tsuruko comentou, pegando um pacote de biscoitos de cima da mesa de madeira.

-Quer dizer... Sabemos que a Menma não vai voltar – Yukiatso revelou com um tom zangado, como se estivesse com raiva do assunto. Ele realmente não gosta de falar sobre ela, mesmo depois de dezesseis anos – Não adianta mais acreditar nisso, é perda de tempo.

-Yukatso – Tsuruko o repreendeu, lançando olhares fulminantes contra os dele – Você sabe que isso é mentira.

-Qual é? Até você? Você sabe muito bem que não tem como ela voltar do paraíso. Você sabe que não tem como ela voltar.

-Claro que têm! – Anaru defendeu a amiga – Ela disse que ia voltar, você estava lá, você viu.

-E se ela se transformou em uma flor? Ou em um cachorro? – Poppo comentou baixinho.

-Se for mesmo ela, então por que a demora? – Yukatso esbravejou. Não mais alto que todos os outros, que gritavam e esperneavam. Tudo por minha causa.

Tudo por causa da palavra proibida.

Menma.

-CHEGA! – Gritei, calando todos ali presentes. Deixei minha xícara sobre a mesa e corri para fora daquele lugar.

Não importa mais o que eles acham. Eu sei que aquela menina é a Menma. Eu sei que ela cumpriu a promessa de voltar depois de tanto tempo.

“Menma, nós te encontramos”.

De novo.

Notas finais
Espero que tenham gostado do cap, eu tô baixando os epi. de novo, pra esse meu computador :) Assim eu posso escrever com mais detalhes :)

Obrigado e desculpe pela demora, novamente :)
Beijos *--*