We could be heroes
4 Capítulo 03 - Conheça seu clã
Notas iniciais
— Nesse lugar só tem babacas? — suspirei.
Se bem que esse babaca era lindo. Meu Deus. Fui para a biblioteca e torci mentalmente para encontrar mais vezes o tal Christopher. Eu só não esperava que isso demorasse menos de 30 minutos para realmente acontecer e nem que eu seria acertada por uma bola de basquete bem na cabeça. Ah! Aquele babaca.
— Me desculpe, eu nem notei que o Travor tinha abaixado. Não foi a minha intenção te acertar — ele parou de se desculpar assim que viu a minha cara — ah, é você — franziu o cenho.
Não consegui distinguir o que ele estava pensando.
— Tudo bem — suspirei e ainda com a mão na cabeça, me levantei.
— Olha, sinto muito por hoje mais cedo e por isso — apontou para os meus "ferimentos" — eu costumo ser mais receptivo se quer saber.
— Foi uma recepção muito calorosa, obrigada — ironizei.
— Estou falando sério, senhorita — fez gesto para que eu dissesse o meu nome.
Eu pensei em mentir muitas vezes e depois fiquei em dúvida se falava meu sobrenome, já que o meu pai era o reitor. Que merda.
— Melita — revirei os olhos irritada — então, cavalheiro super receptivo, pode me dizer onde fica a aula de levitação?
— Não quer nem saber o meu nome? — arqueou a sobrancelha divertido.
— É Christopher, não?
— Como sabe? — parecia surpreso.
— Tenho uma lista negra das pessoas que me irritam — fiz uma cara séria e ele parecia chocado.
— Você o que? — perguntou inconformado — mas nem me conhece!
— Eu estava brincando — ri pelo nariz — ouvi seu amigo te chamar hoje cedo.
— É mesmo — passou a mão nos cabelos ainda sem jeito — enfim, ainda quer saber onde fica a sua primeira aula? — assenti — então venha.
E eu o segui. Não pude deixar de notar que muitas pessoas o cumprimentavam, e parecia tão simpático com todos. Andamos por cerca de 10 minutos até chegarmos à um ginásio enorme e lotado de gente. Fiquei boquiaberta.
— Incrível, não? — Christopher comentou com os olhos brilhando.
Eu estava admirada demais com o lugar para respondê-lo. Comecei a reparar em tudo e então olhei para a mochila do Christopher. Era azul e tinha muitos broches escrito "campeão", "primeiro lugar", "invicto". Pelo visto, ele era bom em alguma coisa, eu só não fazia ideia do que.
— Você tem alguma bolsa por esporte? — perguntei curiosamente.
— Não — deu um sorriso triste — o olheiro não foi muito com a minha cara.
— Eu consigo imaginar o porquê — pisquei fazendo-o rir.
— Duvida que sou legal?
— Você vai levar a sério tudo o que eu digo? — respondi com outra pergunta e ele riu mais uma vez. Era uma risada calma.
— Entregue — deu um leve empurrão em mim, me encaixando em uma fila — se precisar de alguma coisa, pode me procurar — balançou a cabeça pensativo — qual o seu nome mesmo?
— Melita? Ai meu Deus! É você mesmo! — Caroline me abraçou quase esmagando meus ossos — não acredito que veio parar aqui. Como isso aconteceu? Achei que tinha sido aceita em Harvard. Espera, você foi aceita lá sim. Vi sua carta de admissão e tudo. Ganhou a bolsa pelo curso de ciências, não foi?
Observei a loira à minha frente. Caroline estudou os últimos 4 anos comigo e era uma boa companhia, devo admitir. Sempre muito animada e adorava falar bastante. Eu é que não fazia ideia que ela também viria para Toronto. Se ela estava surpresa, eu então.
— Oi Caroline — sorri meio sem jeito — que bom ver um rosto conhecido — admiti suspirando — essa história toda é muito complicada.
— Melita hum? — ouvir aquela voz me fez lembrar de que ele ainda estava ali, me observando e ouvindo Caroline tagarelar pelos cotovelos — é um belo nome.
— Pena ter um significado que ninguém se lembra — Caroline se intrometeu na conversa. A fuzilei com o olhar.
— Vem do grego e significa doce como o mel. O que na minha mera opinião, combina muito com você — Christopher me deixou sem palavras. Corei e ele sorriu.
— Como sabe sobre isso? — a loira era curiosa também.
— Gosto da cultura grega — deu de ombros — a gente se vê depois honey — depositou um beijo na minha bochecha e desapareceu no meio daquela multidão.
— Ual — Caroline assobiou baixinho — que gato! Como consegue conhecer caras assim?
— Acho que é o meu nome — brinquei fazendo-a rir.
Enquanto esperávamos a fila andar, senti um frio percorrer a minha espinha. Por que uma aula de levitação? Isso não fazia sentido nenhum. Alguma coisa os meus pais biológicos estavam escondendo de mim.
— Vamos? — Acho que Caroline ficou falando comigo durante o tempo que ficamos esperando e eu não ouvi nenhuma só palavra, graças a Deus ela pareceu nem ter notado. Estava perdida demais nos meus pensamentos.
— Claro — sorri sem graça pela falta de atenção à ela.
Várias pessoas estavam sentadas no chão, então fizemos o mesmo.
Olhei pra frente e vi Hugo aparecer com um sorriso no rosto. Segurava um microfone na mão e todos olhavam atentos.
—Meu bom dia a todos — disse e foi respondido por todos, exceto por mim, que estava concentrada demais tentando entender a situação.
— Ninguém me falou que era o reitor que dava essa aula — comentei baixinho com Caroline — aliás, você sabe o por quê disso?
Ela sorriu com compaixão. Parecia prestes a rir da minha cara.
— Você não sabe nada sobre as lendas daqui? — me perguntou incrédula.
— Eu deveria?
— Mas é claro, bobinha! — riu pelo nariz — essa aula é feita para filtrar os Ginis. Eles são inimigos dos ancestrais daqui desde o início da colonização. Dizem que andam por aí disfarçados e continuam causando caos por onde passam. Para a nossa sorte, eles estão cada vez mais diminuindo.
— Você acredita nisso? — perguntei enquanto fechava as mãos em punho. Minhas palmas estavam suadas.
— Nessa tática sobre a levitação? Não. Tenho certeza que muitos deles ficam treinando a vida toda no ensino médio para não serem pegos.
— Não, nessa coisa sobre Ginis.
— Eu não acreditava — ela deu um sorriso triste — até ficar cara a cara com um.
— E como eles são? — minha curiosidade estava me matando.
— Maus — seu olhar me fez calar e virar novamente pra frente.
— Quero que todos fechem os olhos e imaginem que estão flutuando, tudo bem? Os seguranças estão á postos — Hugo se pronunciou e fechamos os olhos.
Pensei em tudo, menos em flutuar. Quando senti que estava saindo um pouco do chão, respirei fundo. Comecei a tremer, estava apavorada! Ouvi alguns cochichos e pensei que era sobre mim. Acho que se passaram uns 20 minutos até mandarem abrirmos os olhos.
— Estão todos dispensados! — ouvi o Hugo e quando vi seu sorriso no rosto, suspirei aliviada.
Levantei apressada e tentei chegar perto dele, nem percebi quando ele já estava do meu lado.
— Essa foi por pouco — disse baixinho. Ele riu.
— Você só saiu um pouquinho do chão, mas eu estava de olho nos seguranças — piscou pra mim.
— Obrigada Hugo — agradeci dando um beijo em seu rosto.
— Eu sou seu pai, sabia?
— Nem vem — me afastei um pouco dele com um sorriso travesso no rosto — se quer ser chamado de pai, vai ter que fazer melhor que isso. Sério.
— Acabei de salvar sua vida — sua incredulidade me fez dar um gargalhada.
Várias pessoas me encararam e eu tenho certeza que tinha corado nessa hora.
Ainda meio sem jeito, olhei em volta á procura de Caroline. Não a encontrei, mas na porta do ginásio vi Christopher e ele me encarava com curiosidade. Fiquei retribuindo sua encarada até uma garota incrivelmente linda cumprimentá-lo com um selinho, fazendo-o virar automaticamente pra ela. É claro que um gato daquele tinha uma namorada à sua altura.
— Christopher Thompson? — Hugo ainda estava do meu lado.
— É um gato — disse para provocá-lo.
— Fique longe dele — mudou sua expressão para sério — não vai querer conhecê-lo como eu conheço.
— Ele foi super simpático comigo — fiz biquinho — como pode ser tão ruim assim?
— Não é ruim, é só que — ele parecia analisar o que dizer — fique o mais longe possível dele.
Fiquei muda, tentando analisar se era bom ou ruim. Ele me deixou confusa.
— Vai querer uma carona pra casa? Eu vou te esperar no estacionamento ás 3 da tarde, tudo bem? — Hugo me tirou dos meus pensamentos.
— Seria ótimo, já que não sei pegar ônibus e nem tenho carro.
— Você quer um?
— O que? — dei risada — nem tenho idade pra ter carteira de habilitação.
— Nós vamos dar um jeito nisso — ele depositou um beijo na minha testa e me deixou sozinha.
Mais uma vez as pessoas ficaram me olhando, depois do gesto de carinho do Hugo. Acho que não era normal um reitor sair dando beijo na testa dos alunos, certo? Certo.
Peguei o meu horário na mochila e descobri que a minha próxima aula seria em pouco mais de 10 minutos e eu nem sabia onde ficava o bloco F, muito menos a sala 502. Saí do ginásio e fiquei olhando as placas de identificação, percebi os meus olhos se desviarem exatamente para o bloco F, como se eles filtrassem o que não me era interessante. Caminhei até o lugar e novamente, olhei direto para o corredor da sala na qual eu teria aula.
— Que bizarro — comentei sozinha e me sentei em uma carteira perto da janela.
— Vamos começar com introdução à ética no trabalho — o professor se pronunciou e assim iniciou as minhas aulas.
O dia passou rápido e eu não tive dificuldades para encontrar minhas salas. No horário de almoço, me sentei com a Caroline, que apareceu do nada e começou a me contar sobre as pessoas que tinha conhecido. Vi ela me olhar com pena ao descobrir que não tinha conversado com ninguém além do Christopher. Carol sabia que eu era péssima pra me enturmar.
— Bom, o seu único colega está vindo na nossa direção — ela disse num tom baixo — não olha agora — advertiu erguendo a sobrancelha.
— Olá garotas — Christopher disse com um sorriso no rosto — como estão no primeiro dia?
— Incrível! — Caroline bateu palminhas exalando felicidade.
— Melita? — ele perguntou me incentivando com o olhar.
— Legal — dei de ombros.
— Isso foi animador — ironizou, me fazendo sorrir — relaxa, você vai conhecer pessoas legais em breve — colocou a mão no meu ombro.
— Espero que esteja certo.
Logo depois ele nos deixou sozinhas e fui para minha última aula, que passou rápida igual as outras.
Assim que saí, fui direto para o estacionamento e o Hugo já me esperava com um sorriso no rosto.
— Sem encrencas no primeiro dia, hein? Que orgulho, filha — falou como se eu fosse uma criança no pré-escola.
— Cala a boca — nós dois rimos.
O caminho até em casa foi tranquilo e assim que chegamos, notei vários carros luxuosos estacionados. Mas o que era aquilo?
— Eu disse que o seu mestre viria hoje — Hugo respondeu minha pergunta e eu murmurei um "ah".
Entrei em casa e logo o John Vito apareceu com uma roupa pendurada no cabide. Eu nem perguntei, já fui logo vestir. Me olhei no espelho algumas vezes e aquele vermelho parecia combinar tanto comigo. Amei a roupa. O short era um legging com listras pretas nas laterais e a camiseta era branca e larga, embaixo estava com um top igualmente vermelho. Fiz um rabo de cavalo alto. Parecia que eu estava indo treinar na academia.
Desci as escadas com pressa e um homem de idade aparentemente mediana me esperava com um sorriso no rosto. De verdade? Ele não me parecia nada amigável e mais tarde eu descobri que estava completamente certa sobre a minha primeira impressão.
— Não estou aqui para ser amigável, Melita. Vim aqui para fazer com que você não estrague o nosso disfarce — tocou nos meus cabelos presos — o que eu acho muito difícil, porque pelo o que eu soube, hoje você flutuou.
— Quase flutuou — a namorada do Christopher estava lá, na minha frente e me defendendo. Usava uma roupa igual a minha, porém sua cor era verde.
— Sei — o homem virou de costas e nós começamos a segui-lo.
— Não se preocupe com o Klaus. Ele é muito temperamental — a garota murmurou. Mas os meus ouvidos captaram perfeitamente, como se ela estivesse falando alto.
— Eu ouvi isso Georgia — o tal Klaus olhou para trás e apontou para a loirinha.
— Desculpe pai, não foi com a intenção de te ofender — ela baixou os olhos e não falou mais comigo.
Caminhamos em silêncio até a entrada lateral da floresta. Eu nunca tinha visto aquilo antes. Havia um círculo grande e branco no chão. Tinha 10 pessoas conversando animadamente: 4 garotas e 6 garotos. Todos se viraram ao notar a minha presença.
— Conheça seu mestre – Hugo apareceu do meu lado – Klaus.
— Já nos conhecemos – murmurei e todos riram.
— Foi um desprazer – Klaus não queria ficar por baixo – espero que a senhorita melhore seus modos daqui pra frente.
— Não se preocupe, ela é uma ótima garota – Hugo sorriu e me deixou lá com aquele povo que eu nem conhecia!
— Tudo bem, vamos começar. Quem quer ajudar a Melita a se transformar? – Klaus disse avaliando os jovens à sua frente e parou o olhar numa ruiva um pouco mais alta que eu – Valerie? Que ótimo. Aproveita e mostra pra ela como se apanha na iniciação.
Ela parecia concentrada e em questão de segundos seus olhos pretos foram substituídos por um cinza igual ao céu nublado. Sua postura era de ataque e eu fiquei assustada. O que era aquilo?
— Isso se chama transformação, é quando você coloca os seus poderes para fora. Seus olhos mostram para o inimigo o que consegue controlar, o que é uma desvantagem, já que ele poderá imaginar todos os seus ataques — um cara de pele bronzeada me respondeu. Eu não estava acostumada com eles lendo os meus pensamentos.
— Sua vez – Georgia tocou no meu ombro – é só fechar os olhos e sentir o poder dentro de você. Vai ser como se isso te consumisse, mas acredite, não irá.
Assenti meio insegura e fechei os meus olhos. Esperei que algo me iluminasse para o que eu deveria fazer, mas nada aconteceu. Quando abri os olhos, eles assentiam em silêncio, parecia que conversavam entre si.
— Já deu pra notar que você realmente não fez isso antes. Quando o Hugo me disse que nunca tinha se transformado, eu fiquei surpreso. Alguém que veio de uma linhagem de sangue puro e não fazia ideia do que era ser um Gini — deu uma risada debochada — Um filme repetitivo passou na minha cabeça e eu pensei "espera, eu já vi isso antes" — ele andava em círculos — pra sua sorte, você não é a primeira a passar por isso — colocou a mão no meu cabelo — pro seu azar, essa pessoa que compartilha dessa mesma sensação não está entre nós.
Por um momento fiquei feliz. Eu não era a única que não sabia nada sobre Ginis e transformações. Entretanto, isso não me deixou menos perdida.
— Está tudo bem — Georgia sorriu — eu posso te dar uns treinos extras.
— Seria ótimo — agradeci apreensiva.
Meus pensamentos estavam em outro lugar. Quem seria a pessoa que tinha passado pela mesma situação que eu? Poderia me ajudar?
— Não pode te ajudar — uma garota com os cabelos negros respondeu com um sorriso triste — isso é impossível de acontecer.
— Por que? — eu precisava saber.
— Não é mais um de nós — responderam todos juntos.
As vozes em sincronia era assustador. Parecia que eu tinha entrado num daqueles filmes de terror onde uma pessoa era possuída por espíritos. Senti meus pelos arrepiarem. Os olhos deles estavam vermelhos, eu podia estar ficando louca, mas pareciam procurar por vingança.
Ficaram me encarando durante uns 5 minutos até que eu me pronunciei.
— O que significa eu ser uma sangue puro?
A tensão parecia ter diminuído e eu suspirei aliviada.
— Significa que você é muito poderosa – um moreno me respondeu com um sorriso no rosto – saiba que não é a única – seus olhos se transformaram em amarelo vivo e depois voltaram ao normal.
— Posso falar? — Valerie perguntou para o Klaus e vi ele assentir — Mesmo que ela não tenha conseguido se transformar, tem autocontrole horrível – comentou – que postura foi aquela? Acha que vão ter medo de você se continuar parecendo amigável?
— E por que eu deveria ser má? – todos riram de mim, inclusive o mestre.
— Porque é o que somos. Mas é claro que você não sabe nada sobre isso, não é? – uma ruiva quem falou. E ela parecia assustadora.
Fiquei observando eles treinando atentamente, eu ainda não lembrava o nome de quase nenhum, mas no fim das contas eles começaram a serem legais comigo e quando faziam um ataque diziam: "viu Melita? Você pode fazer isso ou aquilo". Me deram conselhos o tempo todo, mas no fim pensei: do que adiantava ficar aprendendo golpes se nem conseguia me transformar? É claro que alguém me respondeu.
— Você vai conseguir — olhei para ver quem tinha respondido. Era o Caio, o que ficava com os olhos amarelos quando se transformava. Um sangue puro igual a mim.
— Como tem tanta certeza? — questionei.
— Eu preciso de uma oponente à altura — piscou. E eu fiquei boquiaberta.
— Só eu e o você somos assim?
— No nosso clã? Sim — mordeu o lábio inferior — costumava ser mais, mas depois do que aconteceu, o número ficou bem reduzido.
— O que aconteceu?
— Você gosta de fazer perguntas, hein? — parecia se divertir com a situação — quando aprender a ler os pensamentos, vai ver que isso será desnecessário entre nós. Mas o que posso dizer por hora é que houve uma luta há uns 2 anos onde descobrimos ter traidores entre o nosso clã. E foi preciso a morte de alguns — o corpo dele contraiu — é por isso que a pessoa que é igual a você, não pode te ajudar.
— Está morto? — estava incrédula.
Eu não obtive respostas e nem foi preciso. O silêncio já dizia tudo, ele ou ela tinha sido morto sim. E foi ai que me toquei, Ginis eram mesmo maus. Não era bom ser um e talvez eu jamais me adaptaria ali.
Depois do meu primeiro contato com o meu clã, os dias passaram rápidos. Houve mais treinamentos e eu continuava sem conseguir me transformar mesmo com os treinos extras oferecidos gentilmente pela Georgia. Na faculdade, eu me mantive o mais distante possível do Christopher, já que Hugo me obrigara. Andava somente com a Caroline, nem com o pessoal do clã eu me misturava.
O meu aniversário de 18 anos estava perto, aconteceria a minha ascensão. E todos estavam apavorados, eu poderia matar todo mundo em questão de segundos porque não sabia como me controlar. Então, uma semana antes de eu ficar mais velha, teve uma reunião entre os Ginis.
— Precisamos da ajuda dele — Hugo disse por fim. Seus olhos transbordavam desespero.
— Não precisamos! — Klaus controlou a voz de todos para parecer mais autoritário, mas logo todos levantaram a mão concordando com o meu pai.
— Pai, por favor — Georgia suplicou.
Minutos mais tarde, Klaus cedeu aos pedidos de todos. Eu ainda estava meio perdida na situação, mas pelo jeito a pessoa que um dia passou pela mesma situação que a minha, a qual eu achava que estava morta, ainda estava viva, só que esta não era bem-vinda. É claro que ninguém me informava sobre nada e pelo visto seria uma surpresa para o próximo treino, se a pessoa aceitasse me ajudar.
Assim que chegamos para o treino da segunda-feira, Georgia apareceu com um sorriso de orelha a orelha e sua respiração estava ofegante. Quando conseguiu se recuperar, disse:
— Ele topou — todos respiraram aliviados.
— Quando ele vem? — Klaus ficou ereto, visivelmente desconfortado com a situação.
— Já deve estar pra chegar — Caio disse apontando para o céu que estava ficando escuro.
Meu coração começou a bater mais rápido. Pra que tanto mistério? Eu queria logo aprender a me controlar e evitar um genocídio.
Enquanto esperava por "ele" notei a tensão aumentar entre os meus amigos-irmãos. E assim que a minha salvação apareceu com um moletom preto e com a touca na cabeça, todos se transformaram e ficaram em posição de ataque. Vi ele tirar lentamente a touca e sorrir.
— Toda essa recepção calorosa pra dizer que sentiram saudades? — sua voz era calma e ele transmitia energias boas pra mim enquanto me encarava. Seus olhos ficaram vermelhos cor de sangue e então sua voz saiu assustadora — também senti saudades — um sorriso macabro estava estampado em seus lábios.
Eu não sabia o que ele estava fazendo, mas os meus amigos-irmãos se ajoelharam um a um, como um cumprimento ao rei.
— Assim está bem melhor, não acha Melita? — piscou pra mim e eu não pude evitar o sorriso que soltei.
— Sempre muito engraçado, não é Christopher? — Klaus disse irritado.
Todos deram risada e eu não consegui pensar em nada. O cara que evitei durante dias estava ali na minha frente. Christopher Thompson era a minha salvação.
Eu me senti completamente aliviada.
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