We can learn to love again
2 O encontro
Notas iniciais
—Um jantar? – questionou Laurel, assustada com o pedido de Oliver.
Já tinham se passado algumas semanas desde que eles haviam trabalhado juntos na captura dos bandidos traficantes. A cidade estava tranquila e Laurel se contentara apenas em ligar pra ele, e ele apenas lhe dizia que estava bem. Nesse dia era ele quem havia ligado, e tinha feito esse convite repentino, mas que soava bem para Laurel. Eles eram amigos afinal, e não havia mal nenhum em se distrair depois dos meses estranhos – e dolorosos – que se seguiam há algum tempo.
—Eu aceito. — disse ela -, às 8:00. — Oliver pareceu sorrir do outro lado da linha.
— Ok. Eu passo em sua casa. – E desligou.
Oliver pousou o telefone. Olhou em volta de sua casa. Estava mudada. Oliver resolvera que assim como as coisas não poderiam mais ser iguais, o que o rodeava também não deveria. Tinha se desfeito dos quadros da sala, — não em definitivo, mas estavam guardados cuidadosamente – e de outras coisas que lhe trouxessem alguma lembrança triste. Se lembrar de Felicity não era triste, obviamente, mas os objetos lhe traziam uma melancolia que com certeza não a agradaria, onde quer que ela estivesse.
Não sabia exatamente o porquê de ter chamado Laurel para jantar, só sabia que queria passar o tempo com alguém que lhe fosse agradável. Diggle era uma ótima companhia, inclusive haviam passado mais tempo juntos desde que Diggle voltara a visitá-lo, mas Oliver sabia que precisava mais que isso, precisava de alguém que soubesse o que significava estar sozinho, e Laurel parecia ser adequada pra isso.
Apressou-se pra se arrumar para o encontro às 8.
***
Laurel estava receosa. Não sabia se devia ter aceitado o convite de Oliver. A ideia lhe parecera boa no início, mas agora não tinha certeza. Assustou-se pensando se já tinha realmente perdoado Oliver por tudo que tinha acontecido com eles no passado, mas sabia que, no fundo, não era isso. Tinha a ver com o presente, e com a carência que ela sabia que Oliver estava sentindo. Não sabia com certeza o que ele queria ou o que devia esperar do encontro. Ou se sequer devia ir. Mas já havia aceitado, não podia voltar atrás. Escutou o telefone tocando. Era Lance.
— Oi, pai. – cumprimentou ela.
— Como está? – perguntou Lance.
—Bem. — respondeu Laurel. – E Donna?
—Na medida do possível. – disse ele. –Pensei que talvez pudéssemos sair, nós três, fazer alguma coisa juntos, talvez hoje.
Laurel sentiu-se estranha. Não sabia se devia contar ao pai sobre o encontro que teria com Oliver.
—Laurel?- Chamou o pai. — Responda.
—Eu já tenho um programa marcado, pai. – respondeu ela, receosa. – Tenho um jantar.
—Posso saber quem foi o extraordinário que conseguiu te tirar de dentro de casa? – perguntou o pai, quase rindo.
—O senhor não conhece, é um amigo novo. – respondeu ela sem graça. – Preciso ir. Até mais.
—Até mais, então. Cuide –se. – respondeu Lance.
Laurel pousou o telefone e sentiu-se culpada por ter mentido. Não era o que parecia. Era apenas um encontro de amigos. Nada mais. Porque contar ao pai que iria jantar com Oliver seria tão estranho? Não tinha certeza ao certo, mas algo parecia não queria fazer sentido naquilo que pensava sobre ela e Oliver.
Repreendeu-se por isso. Eram amigos, haviam passado por muitas coisas juntos, e precisavam se distrair. Apenas isso. Tentou pensar normalmente. Tudo que precisava era escolher uma roupa.
***
Oliver sentou-se no sofá com Thea. Ela havia voltado de viagem e tinha ido visitá-lo, e ele havia contado do encontro.
—Já estava na hora – disse Thea sorridente. – Agora é apenas ser uma boa pessoa com ela e não cometer os mesmos erros de novo.
— O que está tentando dizer? – Oliver parecia confuso.
— Aquilo que você entendeu. – respondeu a irmã – Laurel é uma mulher maravilhosa, Oliver, ela merece ser feliz, e você também. E nós dois sabemos que vocês conhecem um ao outro melhor do que ninguém. Você já me disse isso, e já deve ter dito a ela também.
Oliver compreendeu, e por um momento pareceu voltar ao passado. Lembrou-se de como Laurel era atenciosa com ele, e de como não a valorizara naquele tempo. Assustou-se com o chamado de Thea.
— Oliver? Está tudo bem? Você parece estar viajando, e eu espero que seja para onde eu estou pensando. – Uma das maiorias características de Thea era a perspicácia.
— Eu só não quero apressar nada. – respondeu Oliver. – Não quero magoar ninguém. Não mais.
—Magoar a si mesmo também não deve ser uma opção – disse Thea, beijando-o na testa. – Preciso ir. Ligue-me se precisar de alguma coisa. – E saiu, deixando Oliver sozinho.
Oliver olhou o relógio. Eram quase 8.
***
Bateu a porta de Laurel às 8 em ponto. Ela o atendeu enquanto colocava o último brinco na orelha. Estava deslumbrante, permitiu-se pensar Oliver. Usava um vestido que combinava com a cor da sua pele. E parecia sorridente ao falar. Foram de carro conversando sobre a cidade e outras coisas. Oliver pensou que certamente seria uma boa noite.
Chegaram ao restaurante pouco depois. Oliver puxou a cadeira para Laurel e sentou-se em seguida. Notou que Laurel estava vermelha e parecia assustada.
— O que há de errado? –perguntou Oliver, quando escutou a voz de Lance atrás de si.
—Esse é o seu novo amigo? Eu não sei que novidades vocês podem ainda ter. – disse o pai de Laurel, parecendo aborrecido. Trazia Donna consigo, e Oliver levantou-se para cumprimentá-la.
—Oi, detetive, oi, Donna, como vai? – perguntou à mãe de Felicity. Ela o abraçou sem jeito.
—Que bom que você está bem, Oliver, e está bem acompanhado, pelo que vejo. – disse ela soltando –o e sorrindo. – Oi, Laurel.
— Oi Donna, que bom que está aqui com o meu pai.
—Se tivéssemos combinado não teria dado tão certo, hein? – retrucou Lance. Laurel se sentiu desconfortável.
—Vocês querem sentar com a gente? – convidou Oliver. E Laurel sentiu-se pior. Não era como esperava que esse encontro acontecesse.
—Não, obrigado. — recusou Lance — Já tínhamos reserva. Nos vemos depois. – e saiu para outra mesa.
Oliver aguardou um pouco, olhou para Laurel, e percebeu que ela estava corada.
—Amigo novo? – disse ele sorrindo. – Não é como eu esperava ser chamado.
— Me desculpe. – respondeu ela. – Eu só não queria que ele pensasse qualquer coisa sobre...
—Estamos apenas jantando. – interrompeu Oliver. -O que poderia ser ruim sobre isso?
Laurel compreendeu, e concordou.
Conversaram durante horas. Oliver deixou-se levar pela graciosidade de Laurel e sentiu-se feliz como não se sentia há tempos. Não era como se estivesse conhecendo-a de novo, é claro, mas sim como se estivesse redescobrindo coisas sobre ela que houvera esquecido. Laurel também se sentia feliz na companhia dele. E deixou-se levar por isso também.
***
—Eles precisam seguir em frente, Quentin, é compreensível. – disse Donna à Lance, que observava Laurel e Oliver em sua mesa.
—Eu entendo isso, — retrucou o pai de Laurel. – só não entendo porque ela precisou mentir. Oliver não é um estranho para mim.
—Ela deve ter seus motivos. – tentou acalmar Donna.
—O que você pensa sobre isso? – perguntou Lance de repente.
Donna respirou fundo antes de falar.
— Eu não deveria achar nada, mas se é pra ser, que seja com alguém tão boa como Laurel. – respondeu a mãe de Felicity. Lance olhou sério pra ela.
—Eu acho que é um pouco cedo pra pensar sobre isso. – continuou ela. Eles estão apenas jantando, e estão felizes, veja. – E Lance olhou para Laurel sorrindo enquanto conversava como Oliver.
—É, você deve ter razão. – disse ele sério.
—Olhe. – ela segurou a mão dele. – Eu poderia ser a pessoa que iria me opor a isso, mas minha filha não gostaria, eu tenho certeza.
Lance pensou em Felicity. Era verdade, afinal.
—Eu só quero ter certeza que ela não vai se machucar de novo. – disse ele ainda sério.
—Se há um bem que Felicity nos deixou, foi ter mudado pelo menos essa parte do caráter do Oliver. — respondeu ela quase rindo.
—É, está certo. Nos preocupemos conosco agora. — E voltou a comer.
***
—Não acredito que você não lembrava que eu não como frutos do mar. – disse Laurel rindo.
— Realmente não devíamos ter pedido camarão.- respondeu Oliver rindo também.
Estavam nisso quando ouviram um barulho vindo do lado direito do restaurante. Eram tiros. Oliver precipitou-se para proteger Laurel, enquanto um dos bandidos já havia pego Donna pelo pescoço e colocado a arma em sua cabeça e se aproximado da mesa de Oliver. Lance estava desacordado perto da mesa onde sentara antes.
—Pai! – gritou Laurel. Oliver sentiu que precisava fazer algo, enquanto os outros ladrões mantinham outras pessoas reféns e saqueavam os caixas eletrônicos do restaurante. Oliver ouviu o gemido de Laurel. Um dos ladrões já estava fazendo-a refém também. Oliver olhou perplexo.
—Oliver... – disse sem forças Laurel.
Oliver olhou para Laurel e Donna, ambas à sua frente, a mercê dos bandidos.
Precisava salvá-las. Mas sem Lance para ajudar, só poderia cuidar de uma delas. O assalto continuava sem sinais de ajuda da polícia.
Oliver precisava escolher. O tempo corria enquanto Laurel e Donna estavam presas ante os bandidos, e nem ele nem elas dispunham de tempo agora.
Oliver sentiu-se perdido. Desejou que Diggle, ou mesmo Felicity pudessem ajudá-lo.
Num segundo momentâneo de luz, tomou sua decisão. Sabia quem salvar.
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