Nolan estava em sua casa quando ligou a TV, no canal do noticiário mundial. Ao ver a notícia dada, sentiu arrepiar cada parte de seu corpo.

Haviam alguns meses sem notícias. E agora uma tragédia como essa!
Pegou o casaco e saiu de casa rapidamente. Emily precisaria dele. Poderia ser forte, mas até mesmo ela, tinha uma fraqueza...

Londres — 24 horas antes.

Jim Moriarty era o arqui-inimigo de Sherlock Holmes, assim se auto-denominava.
Emboscar o mesmo e fazer o mundo acreditar em seu fracasso, seria o mínimo.
Mas agora, Sherlock estava entre a cruz e a espada. Seu nome e sua reputação versus cada um de seus amigos.
Por mais que ele estivesse preparado para o que viria, alguém fora acrescentado aquela lista: Uma pessoa de auto-estima ao mesmo.

— Eu sei que você vai pular, porquê senão o fizer, cada um dos seus amigos sofrerá as consequências. E quando digo cada um deles... — Moriarty mostrou o celular a ele. — Isso inclui sua adorável americana favorita: Amanda Clarke!

Holmes olhou estupefato para o celular e depois para Moriarty.

— Ela não faz parte disso! Deixe-a em paz! — Respondeu o inglês, zangado.

— Ah, aí que se engana Sherlock! — Moriarty sorriu. — Ela é importante pra ti então, sim faz! — Ele sorriu, confiante no que dizia. — E basta apenas uma palavra minha para Amanda Clarke ou Emily Thorne, como preferir, ser esmagada pelos Grayson como uma barata! — Fez uma careta. — Mas não se apresse! Eu posso esperar! — E tornou a sorrir, irônico.

Holmes respirou fundo. Aquilo não seria certo. Lestrade podia ter tudo sob controle, exceto ela.
Amanda já havia sofrido demais e era justo que concluísse sua jornada.
Caminhou então, até o parapeito do prédio e subiu. Era hora de sua decisão. Morrer como uma fraude para todos aqueles a quem amava, ou, deixar que Amanda fosse traída mais uma vez.
Aquela era uma decisão que ele já sabia exatamente como tomar.
Não havia como voltar atrás. Ordens foram dadas. Fosse como fosse. Ou morria, ou todos pagariam o preço.
Com o tiro que Moriarty deu em si mesmo, se matando, para causar mais impacto, é claro, Holmes pulou do telhado.

Hamptons — New York — 24 horas depois.

Emily mal acreditava no que via no jornal. Assim que Nolan rompeu a porta de entrada, olhou a garota no sofá, destruída. Completamente arrasada, de um modo que jamais viu.

— Emily, eu sinto muito! — Nolan disse se aproximando da mesma enquanto ela olhava a tv, numa espécie de transe.

— Ele... — Ela sussurrou. As palavras não tinham forças para deixarem a garganta.

— Eu sei! — O loiro foi até ela e sentou ao seu lado, tocando sua mão. — Ele não era uma fraude! Todos nós sabemos disso! — E beijou a testa dela. — Certo?

— Moriarty! — A voz finalmente saiu. Cheia de ódio e dor. — Armou para Sherlock! — Ela levantou do sofá num rompante. — Armou para ele cometer suicídio e se matou! — Ao ficar próxima a caixa do infinito, segurou com força e jogou a mesma longe. — AQUELE DESGRAÇADO! — Berrou ela, tentando encontrar a calma. — Destruiu a vida dele! — As lágrimas rolavam por seu rosto.

Quando Nolan iria responder, olhou chocado em direção a porta.

— Emily...

Ela se virou com a sensação de estar sendo observada ao ouvir aquela voz tão conhecida e não acreditou em quem estava ali.

— Holmes? — Perguntou baixinho ao mesmo, que se encontrava ao lado de Mycroft, alguém que ela apenas vira por fotos.

— Eu estou...

Ao caminhar até o mesmo na porta de entrada, lhe virou a mão no lado esquerdo do rosto, lhe interrompendo.

Nolan e Mycroft arregalaram os olhos.

— ...vivo! — Completou a frase Holmes, ao virar o rosto com o tapa.

Assim que ele virou o rosto, a vingativa lhe deu outro tapa, dessa vez do lado direito com ainda mais força que o anterior.

— Oh, Deus meu! — Mycroft disse, horrorizado.

Sherlock voltou a direção a Emily após o outro tapa.
Nolan ficou embasbacado.
Ela então, o olhou nos olhos.

— Você estava chorando?

Emily respondeu a Sherlock o abrançando.

— Eu pensei que estava morto!

O inglês apertou o abraço, deixando o rosto dela encostando em seu peito.

— Moriarty até tentou, mas não conseguiu!

Ela passou os braços a volta dele, apertados.

— De todos os lugares do mundo, meu irmão escolheu este! — Mycroft disse a Nolan. — Por favor, posso pedir a gentileza de ficar de olho nele por mim?

— Pra quem cuida de uma Emily Thorne, olhar um Sherlock Holmes é moleza! — Nolan brincou.

— Eu vou ajudar você! — Emily disse tocando o rosto dele. — Vamos provar sua inocência!

— Lembra quando disse que não poderia fugir dos meus demônios? — Ele segurou a mão da loira.

— Não vamos falar disso agora! Você deve estar cansado! — A loira sorriu suave.

— Vou confiar em ti, senhor Ross, porquê Sherlock é o que mais me importa! — Mycroft dizia ao loiro.

— Não para você! — O detetive sorriu de canto a vingativa.

Emily retribuiu o sorriso e apontou com a cabeça para Mycroft e Nolan.

— Vem! — Sherlock sussurrou e segurou a mão dela.

— Estamos fugindo? — Sussurrou ela de volta, correndo com o mesmo em direção das escadas, aos risos.

— Não se preocupe com isso porque... — Dizia Nolan.

— Sherlock?! — Mycroft chamou mais alto.

— Agora não, Mycroft! — Sherlock disse enquanto subia com Emily voltando a sorrir.

— Nolan, mostre o quarto de hóspedes ao senhor Holmes!- E sorriu de volta a Sherlock conforme subiam.

— Oh meu Deus! — Mycroft estava estático. — Agora eu entendi a preferência do lugar!

— E acredite em mim, eles vão demorar! — Nolan disse divertido.

— Quanto tempo? — Mycroft encostou a porta da a frente ao entrar com as malas.

— Horas! — Nolan pegou as malas. — Venha, vou lhe mostrar o quarto de hóspedes. — E foi em direção das escadas.

— Horas? — Mycroft estava ainda mais chocado enquanto subia ao lado de Nolan.

— Da última vez, o doutor Watson e eu bem esperamos umas cinco horas! — Nolan deu um sorriso cínico ao ouvir as risadas quando passaram pelo quarto de Emily.

— Cinco horas? — Ouvindo as risadas também, o mais velho ficou boquiaberto. — Oh Deus meu!

— E só nos resta te instalar e sair pra comer porquê, vai que piora né não?- Nolan provocou o homem e riu baixinho ao ver a cara de espanto do mesmo.

— E como isso poderia piorar? — Mycroft ousou perguntar quando se ouviu um barulho.

Nolan ergueu a vista ao mesmo.

— Eu gosto quando você usa vestidos! — Soou a voz de Holmes lá de dentro.

— Por que são mais fáceis de tirar senhor Holmes? — Emily provocou.

— Por favor, ainda estamos aqui! — Mycroft bateu o guarda-chuva na porta do quarto.

Sherlock abriu a mesma.

— Ainda não foram? — E em seguida fechou na cara do irmão.

Nolan caiu na gargalhada enquanto deixava as malas dele, no canto.

— É melhor a gente realmente ir. — Nolan saiu do quarto e se ouviu outro barulho.

— Por Deus Sherlock! — O outro inglês resmungou.

— VÃO EMBORA! — Soou a voz da vingativa e do detetive juntos.

— Jovens! — Mycroft resmungou de novo enquanto desciam as escadas.

Nolan ainda divertindo-se da situação, gargalhou novamente e acompanhou o inglês mais velho para levá-lo ao seu destino: Tomar um ótimo café da manhã e deixar o casal a sós.

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— Eu sempre me perguntei como seria a América! — Dizia Mycroft a Nolan Ross enquanto comia ovos mexidos com bacon. — Mas isso? — Apontou ao prato. — É quase um paraíso!

Nolan riu-se. O irmão mais velho de Holmes era engraçado e eloquente, para dizer o mínimo.

— Há muito mais disso da onde veio! — Respondeu suave. — Poderia me esclarecer por quê seu irmão está se escondendo?

– Acho que pelo drama, eu diria! — Mycroft bebeu o café e limpou o canto da boca com o guardanapo. — Sherlock sempre gostou de chamar atenção pra si!

– Vocês parecem se gostar bastante apesar das diferenças, não é mesmo? — Perguntou o loiro.

– Tivemos nossos percalços, mas como disse: meu irmão é muito importante pra mim, senhor Ross! Creio que me compreenda e compartilhe desse sentimento quanto a sua irmã! — O mais velho disse, calmo.

– Emily? Oh não! Não somos irmãos, mas é como se fosse! — Ele começou. — Sinto como se fosse a única pessoa capaz de colocar algum juízo e freios nela! — Confessou.

– Bem vindo ao meu mundo! — Mycroft sorriu ao mesmo.

Nolan lhe sorriu de volta e ergueu a caneca de café, brincando.

– Um brinde a isso!

Mycroft ergueu a mesma de volta e bateu na dele, devagar, dando uma pequena risada.

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— Casar? — Sherlock perguntou completamente confuso. Ela só poderia estar de brincadeira. — Com Daniel Grayson? — O tom era sério.

– Eu preciso! Faz parte do meu plano! — Emily disse, fitando seus olhos azuis. — Não me odeie!

– Minha querida... — Pausou lhe beijando a tempora. — ... Não seria capaz de lhe odiar, ainda mais pelos motivos que tem! Mas me corrija se eu estiver errado, okay? — Perguntou o moreno, baixo. — Ao que me recordo, seu primeiro noivado acabou em assassinato! Então, acha mesmo uma boa ideia brincar com o destino de novo?

— Como disse, tenho minhas razões e na hora certa, você vai saber! — Emily repousou o rosto no peito dele.

Sherlock lhe fez um carinho nos cabelos. A doçura com que ela agia quando o tinha perto o castivava. Ao mesmo tempo em que ela era forte e sagaz, era carinhosa e meiga. O muro que construiu em torno de si mesma, servia aos demais, mas quando se tratava dele, caía por terra.

— Sabe? Existem três palavras das quais queria compartilhar com você, Amanda!

– Estou com fome? — Perguntou ela, brincando.

– Na verdade, seria: Eu amo você! — Ele falou num tom tranquilo e carinhoso. — Mas "estou com fome", se aplicaria bem também a nós agora! — Brincou.

Emily ergueu o rosto e olhou nos olhos. Estava visivelmente surpresa.

– Poderia repetir isso, por favor?

— O que? Que estou com fome? — Provocou.

— Não! A outra frase! — Ela disse, com a voz trêmula.

— Oh sim! Amanda Clarke, eu amo vo...

Antes de completar a frase, Emily apoiou a mão destra no rosto do mesmo e o beijou urgente porém, suave. Sherlock retribuiu ao beijo com urgência e leveza, deixando a canhota nas costas dela.

— Eu também te amo! — Respondeu ela, em meio ao beijo, deixando a testa na dele ao passo que respirava um pouco ofegante.

— Eu já sabia! — Ele tornou a brincar com um meio sorriso.

Emily lhe acertou um tapa no ombro e riu. Fingindo estar chocado, Sherlock passou a mão contra o ombro.

— Atrevida você! Sabe com quem está lidando, mocinha?

— Sherlock Holmes, é claro! Mas algo me diz, que ele gosta das atrevidas! Estou certa?

Sherlock fez um olhar enigmático e ficou com um ar pensativo.

— Talvez!

— Talvez? — Perguntou a vingativa, curiosa.

— Na realidade, tenho certeza que sim! — Ele lhe sorriu.

— Ah, você tem? — Perguntou ela risonha.

— Tenho sim!

Sorrindo ao mesmo, voltou a apoiar a destra em seu rosto e deixou assim mais uma vez, a testa na sua, voltando a beija-lo em seguida.

— E agora... — Sherlock disse mais baixo. — Vou cozinhar pra você!

— Que privilégio! — Ela exclamou, abrindo um sorriso.

— Não sou de mostrar meus dotes culinários para as pessoas! Se sinta mesmo privilegiada! — Piscou e levantou da cama após por a calça.

— Nada convencido você, né? — Emily rapidamente vestiu o robe e se levantou também.

— Nem um pouquinho! — Ele lhe roubou um selinho. — Panquecas?

— Panquecas! — Ela passou os braços a volta da cintura do mesmo e tornou a sorrir, docemente.

Por algumas horas, estava livre e poderia então, ser apenas Amanda Clarke outra vez.