Para Emily Thorne, o mais difícil do que uma vingança, era confiar nas pessoas. Com Holmes, ela sentia como se isso fosse mesmo possível.

As últimas horas haviam sido únicas. Talvez, as melhores que já passou. Ao acordar, sentiu a cama vazia. Abriu os olhos devagar e Sherlock estava ali parado na porta do quarto.

Sabia onde isso iria dar, mas o medo em perguntar era ainda maior. As malas ao lado do mesmo, já diziam por si só.

— Você está indo embora! — A voz foi falha.

— Mycroft. Ele precisa de mim em uma missão! — Holmes respondeu tão baixo que quase não se ouviu.

— Você está morto Holmes! — Emily exclamou, percebendo o tom que usou então, suspirou. — Me desculpe!

— Eu não posso explicar agora, mas quero que me prometa que não fará nada impensável! Certo? — Perguntou. — Pode fazer isso por mim?

— Você veio apenas pra se despedir de mim! — O tom de voz era mais baixo e vazio.

— Não, minha querida! — Sherlock foi até a mesma e lhe beijou a testa, alisando seu rosto, devagar. — Minha intenção era ficar. Mas se eu o fizer, vou desfocar você e Mycroft!

— Por que tem que ser assim? — Perguntou ela, considerando que pela primeira vez, poderia ser feliz com alguém verdadeiramente.

— Porque ainda não é o momento certo! — Ele lhe deu um selinho.

— Isso é um adeus? — Perguntou a loira.

— Não, meu bem! — Holmes sorriu fraco. — É apenas um até logo! — E tirou um do bolso, um envelope. — Vamos nos ver de novo! E quando isso acontecer, Amanda, apenas nesse dia, você irá abrir esse envelope! Okay?

Ela o segurou em mãos e concordou com a cabeça.

Nunca esperava ter de se despedir tão cedo assim, mas ele estava certo. Ela não poderia perde o foco. Não agora.

Assim que lhe deu outro selinho, mais demorado que o anterior, o viu pegar a mala e sair pela porta do quarto.

O acompanhou até a sala onde, Mycroft o aguardava. Ela deu um sorriso suave e olhou ambos. Nolan ficou ao seu lado e quando eles saíram, o sorriso se foi.

— Emily você...

— Agora não Nolan! — Respondeu ela e seguiu em direção as escadas pra subir.

Nolan deu um longo suspiro. O que ela sentia ali a fazia ser mais humana e ele sabia o quanto ela tinha medo disso.

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— Irmão meu? — Mycroft perguntou baixo ao entrarem no táxi.

— Sim, Mycroft? — Ele o olhou.

— Eu sinto muito! — Respondeu, sincero. — Ela parece ser uma boa mulher!

— Ela é! — Holmes olhou pela janela. — Mas isso não foi um adeus! — E tornou olhar o mais velho. — Eu tenho fé!

Mycroft deu um sorriso leve a ele e ao partirem no taxi, percebeu que finalmente alguém havia sido capaz de tocar seu irmão menor, de uma maneira que nem ao menos ele conseguiu.

Apenas alguém com ideais tão parecidos e personalidade idêntica, para causar esse efeito.

Nunca fora de acreditar em destino, mas talvez, existisse mesmo essa coisa toda de almas gêmeas. E se fosse o caso: Emily Thorne definitivamente era a de seu irmão.

Dois anos depois — Londres, Inglaterra.

Para John Watson, aceitar que o amigo forjou sua morte e fugiu por dois anos, era demais.

Mary, sua noiva por sua vez, se esforçava pra que ambos fizessem as pazes. E aos poucos, as coisas foram se ajeitando. Antes logicamente, Sherlock teve seus autos e baixos. Mas o que o fez ir ao chão de vez, foi a notícia do casamento de Emily e Daniel. Oito de agosto. A data que não saía de sua mente.

Os dias foram se passando e graças aos céus, tinha John e Mary porque sentia que não iria aguentar muito tempo.

Emily por sua vez, passou os longos dois anos sem notícias de Holmes. Apenas olhava todas as noites para o tal envelope, se perguntando se algum dia ela o veria outra vez.

Dormir ao lado de Daniel dia após dia, era quase uma tortura, porém um mal necessário.

Sherlock se questionava em como ela poderia aparentar estar tão feliz nas fotos do ensaio de casamento? Mais do que isso: como ela poderia estar grávida de Daniel?

Será que havia finalmente esquecido da promessa que fizeram? Watson e Mycroft tentavam ajudar da maneira que podiam, mas não era o suficiente. Quem sabe o tempo ajudasse. Afinal, se dizia que ele era a cura para todos os males. E agora, com a pequena Rosie, filha de John e Mary, tudo parecia estar mais alegre.

Sentado com a pequena em seu colo, Holmes mostrava o chocalho e ela lhe sorria. Não havia nada mais doce e sincero que o riso de uma criança. Aquilo o fazia se sentir mil vezes melhor. E pensar em Emily, lhe doía menos.

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O dia parecia feliz, mas triste. O pôr-do-sol tocava o oceano, porém para Emily, era como se nada mais tivesse importância.

Quando esta se virou, viu a silhueta de alguém a sua espreita. Com a taça de champanhe em mão, ela sentiu seu mundo desabar.

— Eu sinto muito! — Disse com sinceridade.

Mas, para quem estava ali, palavras sinceras não existiam. Dois tiros romperam o convés e acertaram Emily, que entrou em choque e tentou manter o equilíbrio, caindo do barco em que estava, contra o mar gelado e escuro.

Ela tinha certeza: Aquele não seria mesmo um dia feliz.

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" A socialite Emily Thorne foi baleada, hoje em sua cerimônia de casamento em Hamptons. " — Dizia a notícia no canal de jornalismo.

Watson sentiu o queixo cair e olhou para a esposa. Sherlock! Como ele ficaria ao saber disso?

A confirmação veio assim que olharam pra trás. Com a pequena Rosie nos braços, seu olhar, era de assombro.

— Sherlock? — Watson perguntou, baixinho.

Mary rapidamente foi até o padrinho de sua filha e a pegou nos braços.

Ele olhava para o noticiário. Daniel estava lá. Seu olhar era distante e frio. Holme sabia que havia algo errado.

— Ele fez isso com ela! — Disse por fim.

— O quê? — Watson olhou incrédulo. — Sherlock!

Mary colocou Rosie no carrinho e voltou sua atenção a eles.

— Ele parece bastante conformado pra mim! — E saiu em direção ao quarto.

— Sherlock? — John o seguiu imediatamente. — O que vai fazer?

O inglês se voltou ao melhor amigo ao ouvir sua pergunta.

— Justiça! É isso que eu irei fazer! E não me impeça John, porquê não sabe do que sou capaz! — Respondeu ele ao tirar uma das malas do armário.

Ao tocar a campainha, Mary foi até a porta de entrada. Ao abrir a mesma, ficou estática.

— Você? — Perguntou a loira que então, gritou: — SHERLOCK!

Ao ouvir o grito da esposa, John saiu correndo até a entrada da casa e ao ver a figura na porta, também ficou em estado de choque. Aquela seria uma noite surpreendente na rua Baker Street.