Hamptons — New York — 24 horas antes.

O dia de casamento de Daniel Grayson e Emily Thorne seria épico. Tudo havia sido milimetricamente preparado pela vingativa. Cada mínimo detalhe.

Nada passaria despercebido pelos olhos dela e certamente tinha conseguiria obter êxito no que ansiava.

Mas estar vestida de noiva ali e olhar-se no espelho, a fez estranhamente lembrar de Holmes.

O que ele estaria pensando dela? Mas precisava ser assim! Era tudo ou nada. E se vingar dos Grayson no momento era sua maior preocupação.

Daniel parecia feliz. Ou aparentava estar. Emily sabia de seu caso com Sarah, sua ex-namorada recém vinda parecendo que do inferno, para atrapalhar seus planos. Porém, nada nem ninguém, ficaria em seu caminho.

E a prova estava ali: uma gravidez falsa para um casamento de mentira. Ela nem sequer se chamava Emily Thorne pelo amor de Deus.

Olhou para o envelope. Teve vontade de abrir, mas não o faria. Tinha que ter fé que cumpriria sua promessa e veria Holmes outra vez!

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A cerimônia foi cheia de pompa, haja visto, como toda a festa de um Grayson era. Emily se sentia no fundo de uma sala, onde ninguém a via. Sua vontade? Gritar o mais alto que podia. Sentia nojo de pensar em ser uma Grayson. Mas mais uma vez: Aquilo era necessário.

Daniel estava infeliz. Ela estava infeliz! Aquilo era um casamento a la Graysons de qualquer maneira. Um suportaria o outro!

Estava no convés do navio. Victoria logo a alcançou.

— Deixe eu lhe servir uma bebida de verdade, porque suponho que esteja tão grávida quanto eu estou! — Disse a matriarca irônica.

— Ah Victoria! — Ela se virou. — Eu só joguei com as cartas que tinha, assim como você há anos atrás, fez com o Conrad! — Emily provocou e sorriu. — Daniel precisava de um... empurrãozinho!

— Você é uma vagabunda! — Victoria disse com desprezo.

— Aprendi com a melhor! — Ela sorriu largo.

— Dois anos! — Ouviu-se a voz de Daniel às costas de ambas. — Dois anos e você estava armando pra mim! Evitando minhas perguntas. Se divertindo e rindo às minhas custas.

— Daniel? — Perguntou Emily surpresa.

— Por quê me disse que seria pai? — Perguntou ele, apontando a arma diante dela.

— Daniel querido vo... — Victoria disse.

— Eu sinto muito! — Respondeu Emily com pesar.

Dois tiros. E logo ambos atingiram Emily. Olhando assusta para Daniel e Victoria, esta perdeu o equilíbrio e caiu, oceano a dentro.

Daniel olhou horrorizado. Victoria também estava em choque, mas a frieza dela era impecável.

— Esta tudo bem meu querido! — Respondeu ela, pegando a arma da mão dele e então, a arremessou no oceano.

— Eu atirei nela! — Daniel sussurrou estático ao olhar a mãe. — Atirei na minha esposa!

— Por favor, Daniel! Ela merecia! — Victoria disse baixo e segurou as mãos do filho. — Presta atenção em mim, porquê eu tenho a absolvição perfeita pra você: foi Lydia Davis!

— Mas mãe eu sei que...

— Lydia Davis! Você me entendeu Daniel? — Perguntou ela, ainda mais séria. — Não importa o que aconteça, a culpa será dela!

Londres — Inglaterra — 24 horas depois.

Sherlock ainda estava em choque. Aquela notícia tinha devastado suas esperanças em ver Emily Thorne outra vez. E se ela estivesse morta?

Precisava saber. Investigar ao fundo. Descobrir todas as razões e motivos dos presentes. Watson atrapalhou seus pensamentos.

— Agora não John! — Pediu ele gentil quando ouviu-se o grito de Mary, lá embaixo.

John correu primeiro. Sua mulher parecia estar em perigo. Ao chegar na porta, arregalou os olhos.

— Meu Deus! Isso não é possível! — Disse ele ao ver a pessoa parada na porta.

Quando Holmes chegou minutos depois, seu olhar parou em direção a porta. Estava perplexo. Não podia ser. Poderia?

— Sentiu minha falta? — Disse a pessoa da porta, esboçando um sorriso. Era Emily Thorne.

— Emily? — Perguntou ele ainda chocado. — Eu... eu achei que você...

— Como me disseram há dois anos atrás: Não acredite em tudo que vê! — E correu até ele, o abraçando apertado.

Holmes ainda estava surpreso, mas isso não o impedia de estar feliz. A segurando pela cintura, a ergueu, apertando ao abraço.

John e Mary se entre-olharam, sorrindo um ao outro com a cena que viam.

— Mas... como? — A voz dele era confusa.

Emily levou a destra ao rosto de Sherlock, lhe afagando.

— Eu tive uma pequena ajuda!

Flashback — Hamptons — 24 horas antes.

Daniel olhava para a noiva ainda mais pasmo do que quando soube da tentativa de suicídio de Sarah, horas antes.

— Essa é a razão! — Explicou a mesma, desligando o notebook.

— Dois anos? — Perguntou ele ainda chocado. — Dois anos e você esteve brincando comigo esse tempo todo?

— Não! — Ela foi sincera. — Pelo menos, não até você apoiar seu pai!

Daniel negou com a cabeça. Levantou da cama e foi ao fundo do quarto.

— Vamos ser honestos aqui Daniel? Você não me ama mais e nem eu a você! Sarah voltou pra sua vida e eu... — Se calou.

— Tinha um caso com o detetive inglês babaca! — Respondeu o mesmo. — Eu fiz a lição de casa!

Emily olhou envergonhada. Embora amasse Holmes, não foi nada legal o que fez a Daniel.

— Eu sinto muito!

— O que quer de mim Emily? Amanda! Seja lá quem for! — Perguntou ressentido.

— Justiça! — Respondeu ela. — Apenas justiça!

— E o que ganho com isso? — Perguntou ele de novo.

— Sua liberdade! — Respondeu. — Nunca mais vai precisar me ver de novo.

Londres — 221b Baker Street.

Sherlock estava pasmo. Assim como Mary e John. Emily contar a verdade a um Grayson?

— Acredite em mim! Foi a coisa certa a se fazer! — Ela parecia adivinhar seus pensamentos.

— Então, o casamento todo foi um plano? — John perguntou por eles.

— Cada parte dele! Incluindo a gravidez de mentira! — Emily explicou um pouco sem graça.

— Até mesmo os tiros que tomou? — Holmes perguntou, a olhando nos olhos.

— Colete a prova de balas! — Ela sorriu suave.

— Eu ainda não acredito que...

— Daniel nunca foi uma má pessoa! Ele só precisava do caminho certo! Todos nós precisávamos!

— E parece que funcionou! — Disse John, surpreso.

Emily se voltou então, a Mary.

— Você é...?

— Mary Watson! — John apresentou. — Minha esposa!

Emily sorriu largo.

— Uau! — Ela abraçou o médico e depois a moça. — Estou muito feliz por vocês! — Respondeu ao soltar o abraço.

— Mas você disse que foi tudo plnejado? — Holmes ainda tentava se convencer.

— Daniel tinha que convencer Victoria que ela estava ganhando! E claro que se ele atirasse em mim...

— ...Ela se desesperaria a ponto de encobrir tudo! — Holme olhou direto a Emily.

— E o que acontece agora? — Mary Watson perguntou.

— Victoria Grayson irá presa pelo assassinato de Emily Thorne!

— Simples assim? — Perguntou ela a vingativa.

— Simples assim! — Ela confirmou a Mary.

John abriu a boca pra falar alguma coisa, mas as notícias na tv chamaram a atenção.

" Após mais de vinte e quatro horas de buscas ao corpo da socialite Emily Thorne, agora Grayson, a polícia e a guarda costeira parecem ter como suspeita, Victoria Grayson. Segundo amigos da família, ambas discutiram mais cedo na recepção da festa de casamento e resquícios de pólvora foram encontrados nas mãos da matriarca da família. "

— Touche! — Emily sorriu ainda mais vingativa. — Acabou!

— Parece que... você conseguiu! — Sherlock falou pausadamente ao olhar Emily. — Cumpriu sua promessa!

— Por falar em promessa... — Ela tirou um envelope de dentro da jaqueta. — Ainda devo abrir?

Holmes a olhou surpreso.

— Você quer abrir?

— Ora essa! Por favor, homem! — Esbravejou ela. — Eu esperei dois anos por esse momento! — E o olhou. — Claro que quero... — Conforme abria o envelope, tateando a mão dentro, sentiu algo. Um pequeno objeto. Ela se voltou surpresa, com a palma esticada ao moreno. Na mesma, havia um anel de compromisso.

— Meu pai deu a minha mãe e ela a mim para que, quando eu achasse a pessoa certa, desse a ela.

John e Mary se olharam surpreso e a senhora Hudson que chegava com o chá, ficou estática ao ver Sherlock ajoelhar diante da loira após dizer essas palavras, pegando o anel de sua mão.

— Sherlock! — Exclamou a senhora Hudson, surpresa.

Emily estava tão pasma quanto os demais ali. Seus olhos se encheram de água, imediatamente.

— Você está...

— Eu disse a você que te veria de novo e que abrisse isso diante de mim, porque nesse dia sabia que, estaríamos livres um para o outro!

Emily levou a mão ao rosto, emocionada.

— Oh meu Deus...

— E eu sabia também que nesse dia, seria completamente minha, sem reservas, sem vinganças, sem nada mais, para que, eu lhe fizesse essa pergunta. — Começou ele, segurando a mão dela. — Amanda Clarke, você quer se casar comigo?

Todos olharam na direção deles. Uma resposta seria dada. E os minutos pareciam eternos.

— Depende! — Respondeu ela com uma pergunta. — Vai haver um lugar para Amanda Ross, na Baker Street, 221b?

— Não! — Holmes respondeu sério.

— Não? — Perguntaram Emily, Mary, John e a senhora Hudson juntos.

— Não! — E ele completou imediatamente. — Mas para Amanda Holmes, terá! — E sorriu largo, dando uma piscadinha.

— Ah, seu grande idiota! — Emily o puxou pela gola da camisa e o beijou.

Sherlock passou os braços a volta dela ao passo que retribuía ao beijo, carinhosamente.

John e Mary riram, seguidos da senhora Hudson que, parecia estar radiante.

Ao que tudo indicava, 221b Baker Street jamais seria a mesma outra vez.

O amor venceu!

Fim.

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