We Remain
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Claro que haveria muito que se arrumar, especialmente no que dizia respeito ao quarto das crianças. O quarto de Megan estava todo montado na casa da Fabinho, enquanto o de Davi era, na verdade, metade do quarto de Giane. Mas levando em conta que nas primeiras semanas os bebês dormiriam com seus pais, eles teriam algum tempo para organizar isso.
_ Uau, vocês capricharam. – elogiou Giane, observando o quarto de bonecas – Gastou os tubos, hein fraldinha?
_ Qual é maloqueira, para todas as circunstâncias, a Megan era minha filha. E filho meu, vai ter tudo do bom e do melhor. – garantiu Fabinho, ninando Davi – Espero que você e o almofadinha tenham caprichado no que compraram pro nosso moleque, ou eu jogo tudo fora e compro novo.
_ Você já vai fazer isso de todo jeito. – ela revirou os olhos, enquanto o publicitário ria – Nós podemos deixar aquelas coisas na casa do meu pai, já que ele e sua mãe com certeza vão sequestrar o Davi muitas vezes.
_ É bom que sequestrem, assim eu tenho tempo para me aproveitar muito da mãe dele. – Fabinho segurou o filho com um braço, envolvendo a cintura da namorada com o outro – Se a Cida e o Elano não quiserem levar essas coisas, podemos já deixar montado para quando vier a nossa.
_ Que nossa o que, tá maluco Fabinho? – Giane arregalou os olhos – Acabei de aguentar a dor mais desgraçada da minha vida para botar esse moleque pra fora, não to pretendendo passar por isso de novo não, pelo menos não tão cedo.
_ Mas é um cavalo grosso mesmo, impressionante. – bufou o rapaz – Tá vendo filho? O traste que cê vai chamar de mãe?
_ Larga a mão de ser mala, pelo amor de Deus. – pediu Giane, acariciando o filho, que mais parecia um pacotinho de tão enrolado que estava na manta – Ele só dorme.
_ Ainda bem né? Já pensou se fosse que nem meu irmão, que só chorava e chorava? – Fabinho arregalou os olhos – A essa altura, nós já estávamos sem tímpanos.
_ O exagero em pessoa. – ela tomou o pacotinho dos braços dele, começando a caminhar pela casa – A casa também é linda, mesmo que eu ache que ela está um pouco vazia.
_ Eu só comprei o básico, básico mesmo. – explicou Fabinho – Eu queria que você me ajudasse a decorar, e quando tudo aconteceu... Bom, eu não tinha a menor vontade ou cabeça para lidar com isso.
_ Admito que fico feliz com isso. – Giane sorriu para ele – Até porque, não queria vir para uma casa decorada pela empreguete.
_ Hum, tá com ciúmes, é marrentinha? – ele se aproximou sorrindo, segurando o rosto dela com as duas mãos – Saiba que se a Cida tivesse decorado a casa, eu jogava tudo fora, só para você poder fazer do seu jeitinho.
_ Por mais irritante que seja, adoro você e sua mania de achar que dinheiro nasce em árvore. – ela revirou os olhos, mas sorria de lado.
_ Na verdade, você gosta de tudo em mim.
_ É minha culpa se eu amo um fraldinha egocêntrico e mimado? – Fabinho sorriu ao ouvir aquilo.
_ Fala de novo. – pediu ele – Por favor.
_ Te amo, idiota. Te amo, te amo, te amo. – ela pontuava cada declaração com um selinho.
_ Bom saber, porque eu te amo também. – ele a abraçou com cuidado, lhe dando um beijo mais longo.
Ficaram um longo tempo em silêncio, apenas ouvindo a respiração suave do filho, que ressonava tranquilo nos braços da mãe. A casa ficava afastada de tudo, em um silêncio reconfortante. E qualquer barulho, era escutado de quilômetros de distância.
_ Isso é um carro? – Fabinho assentiu – Nossa família?
_ Em teoria. O Elano ficou de vir pegar algumas coisas da Megan, roupas e coisas assim. – explicou o publicitário, enquanto os dois começavam a descer as escadas, indo recepcionar o advogado – Posso confessar uma coisa? Eu estava morrendo de medo de não me dar com o Davi.
_ Como assim? – Giane riu da afirmação – Por que você e o Plínio não se deram quando se conheceram?
_ Porque, por nove meses, ele achou que o Elano fosse o pai dele. – a moça acariciou a mão dele ao ouvir isso – Foi o Elano que ficou do seu lado a gravidez toda e tal.
_ Você lembra quando ele mexeu, lá na loja? – ela parou no pé da escada, segurando o rapaz ao seu lado. Ele assentiu, dando um sorrisinho – Ele demorou quase três semanas para mexer para o Elano.
_ Jura? – ele sorriu, enquanto ela confirmava.
_ Ele nunca achou que o Elano era o pai dele, eu sempre disse para ele que você era o pai dele.
_ E o que você ia fazer quando ele fosse maior e entendesse as coisas? – perguntou Fabinho, acariciando a cabeça do filho, que começava a acordar.
_ Eu nunca pensei em como seria depois que ele nascesse. Já te falei no hospital: no fundo, eu tinha esperança que a gente fosse se acertar antes mesmo de ele nascer. – a corintiana sorriu para o são-paulino.
_ Por poucos minutos você errou. – Fabinho beijou a testa da morena – Agora vem... Vamos receber o tio do Davi.
~*~
No pequeno apartamento que Elano habitava, Cida acabava de colocar Megan para dormir. A pequena tinha os olhos piscando lentamente, enquanto ouvia a mãe sussurrar uma das cantigas que havia aprendido com sua madrinha.
_ Foi meu amor, quem me disse assim, que a flor do campo é o alecrim. – cantou com a voz melodiosa, enquanto Elano a observava da cozinha. Como havia sentido falta daquela voz doce.
_ Acho que ela gosta da sua voz tanto quanto eu. – ele comentou, enquanto Cida erguia os olhos para ele, sorrindo.
_ Eu sou da opinião que ela gosta mais da sua. – garantiu a cantora, levantando e indo com a filha até o marido – Ela sempre dorme mais rápido quando está com você.
_ O Fabinho me disse que tava com medo de o Davi não gostar dele por minha causa. Tenho que admitir que eu tava com medo de a Megan não se dar comigo, já que... – ele deu de ombros, beijando a filha – Mas fico feliz que a mocinha aqui goste de mim.
_ Vocês são dois inseguros, sabia disso? – riu a empreguete – Quanto mais eu convivia com o seu irmão, mais igual eu via que vocês dois são.
_ Somos gêmeos, esqueceu? É parte do pacote. – o homem piscou, enquanto Cida bufava.
_ Você ficou irônico.
_ E você ficou esquentada. – ele riu – Essa convivência não nos fez bem.
_ É por isso que eu ia te propor uma coisa... – ele assentiu – O nosso apartamento no Rio tá só alugado. Se você não quiser voltar para aquele lugar, eu entendo. Mas... Eu quero voltar para o Rio. – Cida suspirou – Minha carreira tá em stand by pela Megan, e vai ficar assim mais alguns meses, a Penha já conversou com a Rosário e as Empreguetes voltam para o estúdio só quando a nossa filha estiver com uns seis meses, que nem foi quando a Catarina nasceu.
_ Você já parece bem decidida. – Elano observou, entortando a boca.
_ Só se você aceitar. – ela colocou Megan na cama, indo até o rapaz – Eu já te perdi duas vezes, Elano. Uma pela minha carreira, outra pela sua. E eu não quero e não vou te perder de novo, ainda mais agora que nós temos algo tão precioso quanto a Megan nos unindo. Se você me falar que quer ficar aqui, pelos seus pais biológicos, o Fabinho, a Giane... Eu tento arranjar um esquema com as meninas. E se não der certo... Vou adorar ficar em casa para cuidar da nossa menina.
_ Acho que o Fabinho, a Giane e o Davi vão adorar tirar uns dias no Rio, sabe? E a Megan gosta de água... Acho que é bom nosso peixinho ficar perto do mar, e nós dois também. – garantiu Elano, acariciando o rosto da esposa – Eu não quero que você abra mão da sua carreira, nem que eu abra mão da minha. Nós vamos achar um ponto de equilíbrio e vamos ser felizes, do jeito que sonhávamos quando nos casamos.
A morena sorriu, jogando os braços ao redor do pescoço do advogado e lhe dando um beijo longo e apaixonado. Ficaram assim por um tempo, até um gritinho trazê-los para a realidade.
_ Acho que alguém está com ciúmes. – riu Elano, indo apanhar a filha – Acho que é a terceira vez que ela usa essa roupinha.
_ Todas as que eu comprei e ganhei, estão lá na casa do Fabinho. – explicou Cida – Só estava esperando decidirmos o que faríamos, para decidir o que fazer em relação ao quarto dela.
_ Eu quero aquele berço. – garantiu o advogado, fazendo a esposa sorrir – E acho que é idiota levar o berço e deixar o resto das coisas. Empacotamos tudo e levamos para o Rio.
_ Mas e até lá? Isso pode levar algumas semanas.
_ Vamos lá no Fabinho e pegamos todas as roupinhas dela, além das suas que ainda estão lá. Teremos que apertar um pouquinho, mas é só por um tempo. – Elano pegou o celular, mandando uma mensagem para o irmão – Além do mais... Esse lugar me lembra quando a gente se conheceu, longe do luxo, ficando na casa da penha, com tudo meio apertado.
_ Gosto do jeito que você pensa, sr. Fragoso. – Cida sorriu para ele.
_ E eu do jeito que a senhora pensa, Maria Aparecida dos Santos Fragoso.
_ Quanto tempo vai levar para o divórcio ser revogado?
_ Talvez um mês, mas não tem problema... Nós somos casados, e não é um pedaço de papel que vai mudar isso. – Elano se dirigiu à ela – Fabinho disse que podemos ir buscar as coisas... Vamos?
No carro, Cida foi no banco traseiro com Megan, enquanto Elano dirigia com um sorriso de orelha a orelha, observando as duas mulheres de sua vida no banco traseiro. A bebê usava um conjuntinho da Hello Kitty e dormia pesadamente, enquanto alguns sucessos das Empreguetes tocavam pelo carro.
_ Quando a Penha volta com a Rosário? – perguntou Elano.
_ Ela vem no final de semana, já que a Rosário não quer deixar o Inácio sozinho. Então a Catarina, o Inácio, o Patrick e seu cunhado lesado vem junto. – o advogado riu do apelido para o cunhado – Adoro o Sandro, mas velhos hábitos...
Elano entrou com o carro na propriedade dos Campana, observando Giane e Fabinho saindo de casa com o bebê nos braços. O carioca estacionou o carro, descendo e indo apanhara filha, enquanto Cida saia pelo lado contrário.
_ Cida, não esperava você por aqui. – saudou o publicitário, descendo ao encontro deles – E como está minha sobrinha? Ainda sem nenhum problema, espero.
_ É como o médico disse, cara... A Megan nasceu forte e saudável, e vai ser assim para sempre. – o advogado beijou a cabeça da filha – Viemos pegar as roupas da Megan, e as da Cida que ainda estão aqui.
_ Claro, claro... Eu já empacotei as da Cida, mas nem toquei nas coisas da Megan. – Fabinho respondeu, estranhando algo – Hã... O gato comeu a língua de vocês duas?
Aquela era a primeira vez que Giane e Cida se encontravam desde que os bebês haviam nascido. Cida e Fabinho já haviam conversado, assim como Elano e Giane, e os dois irmãos idem, mas as duas cunhadas e “rivais” não haviam trocado uma palavra.
_ Que tal vocês duas ficarem de olho nos bebês, enquanto eu e o Fabinho pegamos as coisas da Megan? – propôs Elano, sentindo o clima pesado entre as duas.
_ Eu apoio. – garantiu Fabinho, enquanto o irmão puxava a esposa para dentro de casa – Vem pivete, a grama não vai crescer mais rápido se você ficar encarando ela.
Os gêmeos puxaram as mulheres para dentro, sentando-as no sofá. Os dois pegaram os bebês e deitaram no cercadinho que havia na sala, deixando-os bem próximos e em sono tranquilo. Observaram que Giane e Cida permaneciam em silêncio e subiram, sem soltar nenhuma palavra.
O silêncio na sala permaneceu por um tempo, até que Davi se remexeu, atraindo a atenção das duas.
_ Ele está bem? – perguntou Cida, enquanto a corintiana ia até o cercadinho.
_ Ele só dorme o tempo todo, mas tem o sono mais inquieto que o do Fabinho. – suspirou Giane, fazendo Cida rir.
_ Eu sei. Ele me fazia dormir junto com ele, para ver se eu tomava os remédios na hora certa, e vira e mexe me dava um chute. – contou a empreguete, vendo a cunhada morder o lábio inferior – Ai, desculpa. Eu não devia ter dito isso.
_ Tudo bem, o Fabinho já tinha me contado. Ele também me contou que... Hã, que vocês transaram. – Cida assentiu, enquanto Giane tornava a se sentar – Eu e o Elano, nós nunca...
_ Eu sei, ele me contou. – Cida suspirou – Eu sei que ele deve ter tido vontade, especialmente quando soube que eu estava grávida do Fabinho. Mas ele é ético demais, nunca dormiria com você enquanto estivesse esperando o filho de outro.
_ Ele me disse algo parecido uma vez. – a fotógrafa riu – O Fabinho é meio idiota, mas eu sei que ele teria a mesma atitude.
_ O Fabinho é meio turrão, mas tem jeito de príncipe, bem lá no fundo. – Giane riu – Vai dizer que não?
_ Ah, ele tem. Melosinho, melosinho... Fazer o que, eu gosto. – ela olhou ao redor – Essa casa está toda impregnada com o melosismo dele.
_ Uma vez eu perguntei se ele queria fazer um churrasco, trazer alguns amigos para jogarem bola no campinho de futebol... Ele se recusou. Disse que a única pessoa com quem ele jogaria naquele campo, seria você. – Giane sorriu para a afirmação. Cida parecia reunir coragem – Giane, eu tenho que te pedir desculpas. Por tudo que eu disse para você, por ter... Ah, por ter metido o Fabinho nessa mentira toda da paternidade da Megan.
_ Você só fez isso porque eu meti o Elano no rolo da paternidade do Davi. – Giane garantiu, completamente desarmada – Vocês dois apareceram no meio de um momento complicado na nossa relação, e nós num momento complicado da de você. O Elano ficou fragilizado quando você perdeu o bebê, e quis compensar comigo, porque eu estava meio perdida com a briga minha e do Fabinho. E o Fabinho quis estar com você, porque ele achava que tinha me perdido para o Elano.
_ O Fabinho se sentiu muito responsável por mim depois da perda do bebê. O aborto aconteceu quase nos braços dele, ele sentiu muito isso. – suspirou Cida, secando os olhos – Ele foi um excelente “pré-pai”, tenho certeza que vai ser um pai ótimo.
_ Digo o mesmo do Elano. – as duas sorriram uma para outra – Bom, nós vamos ter que conviver como cunhadas, querendo ou não. E pelo que conheço dos dois ali em cima, Megan e Davi vão viver grudados. Acho que nós podemos ser amigas.
_ Eu iria gostar disso. – garantiu Cida, estendendo a mão para Giane. Elas apertaram as mãos, sorrindo – Acho melhor irmos ajudar os dois, ou tenho medo de quantas roupas de bebê terei que passar quando chegar em casa.
_ Como eles são iguais no quesito arrumação... Todas. – as duas riram, pegando os bebês do cercado e subindo as escadas. Chegando ao quarto de Megan, encontraram os irmãos discutindo – O que foi agora?
_ Esse almofadinha tá falando que eles vão para o Rio e vão levar minha sobrinha para longe de mim. – Fabinho se exasperou.
_ Fabinho, o Rio é dois palitos daqui, cara, relaxa. – Giane bufou para o namorado – E também, se eles ficarem aqui, daqui duas semanas vocês não se olham mais nada. 15 minutos juntos e já estão discutindo.
_ Mas...
_ Sem mais, fraldinha. – avisou Giane, colocando o filho no berço – Nós vamos terminar de guardar as roupas da Megan, para eles poderem ir para a casa deles, e nós podermos ir atrás das coisas do Davi. Estamos entendidos?
_ Sim, general. – resmungou o publicitário, voltando as atenções para as roupas de bebê. Cida e Elano riram da ceninha, antes de ela colocar a filha junto do primo e se dirigir à cômoda, onde os quatro passaram um bom tempo guardando as roupinhas e rindo juntos.
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