We Remain
23 Capitulo 23
Notas iniciais
Dois meses voaram após o nascimento de Megan e Davi, levando em conta tudo que os pais tinham para fazer. Enquanto Elano organizava tudo para a volta ao Rio, Fabinho cumpria sua palavra de acelerar o casamento com Giane, e as duas novas mamães gastava, cada segundo cuidando dos filhos.
O casal marrentinho optou por realizar uma cerimônia de cunho legal, no campinho de futebol da casa de campo, no dia que Davi completasse dois meses. Por esse motivo, Elano e Cida adiaram sua volta em alguns dias, para não precisar ficar indo e voltando com Megan, que afinal ainda era muito pequena. Irene e Margot organizaram um almoço e Malu e Maurício decoraram o local de maneira simples, respeitando o estilo e desejo dos noivos. Fabinho usou uma calça social e camisa branca, com as mangas dobradas, já que estava sendo um verão extremamente quente. Giane usou um vestido curto e larguinho, na cor bege. Ela queria usar preto, que segundo ela emagreceria do que ela ainda não havia perdido após o nascimento do filho, mas o noivo vetou totalmente.
_ Você está até mais magra do que quando engravidou, larga a mão de ser menininha fresca, que tu é pivete maloqueira. – realmente um doce, como diria Giane.
As testemunhas escolhidas foram Elano e Cida, por Fabinho, e Malu e Maurício, por Giane. Megan e Davi dormiram o tempo todo, velados e paparicados por Margot e Irene, a última extremamente chateada com a partida do filho recém-encontrado para o Rio.
_ Agora podem trocar as alianças, se assim desejarem. – pediu o oficial de justiça, após os documentos terem sido assinados. Giane virou para o marido.
_ Você lembrou das alianças? – ela cerrou os olhos, vendo-o sorrir amarelo – Fábio...
_ Davi, protege o papai da maluca da sua mãe. – o publicitário correu até onde a mãe estava, colocando as mãos como se fosse pegar o filho dela. Porém, apenas puxou algo do bolso do macacãozinho que o bebê usava, virando para Giane e mostrando as duas alianças – Achou.
_ Mas é muito imbecil, não é possível. – todos riram, enquanto o rapaz voltava para junto da esposa, colocando a aliança no dedo dela, e deixando que ela fizesse o mesmo com ele – Te amo, fraldinha.
_ Te amo, minha maloqueira. – e se beijaram, recebendo os aplausos do seleto grupo de convidados.
Não houve uma festa, propriamente falando. O almoço foi servido, as pessoas conversaram, alguns dançaram ao som do de um DJ. Os bebês pouco participaram da festa, passando a maior parte do tempo no quarto de Davi, hora do dormindo, hora sendo paparicados pelas mulheres presentes na celebração.
No final da tarde, chegou a hora da despedida, afinal o caminho até o Rio era longo e o casal Fragoso não queria voar com Megan por hora. Um caminhão já havia levado tudo que era do quarto da pequena, e Penha havia ficado responsável de ajeitar tudo, para que quando a família chegasse de madrugada, pudesse ir direto para sua própria casa.
_ Irene, você sabe que pode ir nos visitar sempre que quiser. E até que a Cida volte para as turnês, tentaremos vir sempre que possível. – Elano abraçava a mãe biológica, que ainda tentava persuadi-lo a ficar em São Paulo – Nossa vida é lá, tanto a minha quanto a da Cida. Mas nos veremos sempre que pudermos, eu prometo.
_ Façam uma boa viagem, está bem? E nos avisem assim que chegarem, não importa o horário. – pediu Margot, abraçando o rapaz.
_ Pode deixar Margot. E obrigado por tudo, tudo que você fez por mim ao longo de todos esses meses. – garantiu Elano, beijando seu rosto.
Megan estava presa na cadeirinha do carro, enquanto Fabinho e Giane se despediam dela com beijos e paparicos de tios corujas. Cida fazia o mesmo com Davi, e Elano se aproximou dela, pegando o menino no colo.
_ Vou sentir saudades, viu carinha? Não sou seu pai, nem de mentirinha, mas vou ser seu tio favorito e sempre que quiser, pode ir passar uns dias com a gente. Eu vou levar você e a Megan na praia, e vocês dois vão se divertir me zoando por eu não saber fazer castelos de areia. – o advogado falou para o garotinho, que o encarava os olhos idênticos ao dele e de Fabinho – Se cuida e fica de olho nos seus pais, para eles não brigarem muito. Beleza?
_ Ele só tem dois meses, Elano, ele não está entendendo nada do que você diz. – riu Cida, beijando o rosto do marido. Dentro do carro, Fabinho também tinha um diálogo com Megan, enquanto Giane ria sem parar.
_ E você não deve deixar nenhum menino chegar perto de você, porque, seu pai que não me escute, você é destinada para o Davi, está me ouvindo? Não importa que vocês são primos, vocês serão namorados e me darão netos bem bonitos.
_ Fabinho, eles são dois bebês, nem entendem o que acontece. E você já vem falar de netos? – perguntou a corintiana, dando um peteleco no marido.
_ É bom irmos falando as coisas para os bebês desde pequenos, assim já fica gravado no subconsciente. – ele explicou, fazendo a moça rir – Tchau tampinha, logo o titio e a titia vão te ver e pegar umas ondas.
_ Tchau princesinha. – Giane beijou a cabecinha da criança, saindo do carro com o marido. Elano estava com Davi, que ele passou para os braços da cunhada, logo o abraçando – Ah cara, eu to triste que você tá indo embora.
_ Vou sentir sua falta. – garantiu o advogado – Se precisar de alguém para conversar quando brigar com o Fabinho, me liga. Mas tenta só duas vezes por dia, está bem?
_ Idiota. – ela riu, o abraçando mais apertado – Seja feliz, Elano.
_ Você também, Giane. Que você e o Fabinho sejam tão felizes quanto eram quando eu conheci vocês, e até mais, porque agora, esse carinha está aqui. – o rapaz acariciou o rosto do sobrinho, enquanto a florista sorria para ele.
_Comporte-se lá no Rio, ouviu empreguete? Sem aprontar com o almofadinha, e se você engravidar de novo, tome todos os cuidados. – Cida riu com o que o cunhado dizia para ela.
_ Engravidar de novo? Tá maluca, é Fabinho?
_ Cida, nunca vi alguém para engravidar mais fácil que você. – garantiu o publicitário, rindo – Mas eu to falando sério... Faz o Elano feliz, e seja feliz. Vocês dois e a Megan merecem isso, depois de tudo que aconteceu.
_ Vocês três também. – a empreguete sorriu – Enche essa casa com as memórias maravilhosas que ela merece, não apenas com as marcas da nossa dor.
_ Ah, qual é... Nós fomos felizes em alguns momentos. – ele brincou – Como por exemplo... Hum... Quando você fez panquecas.
_ Estou falando memórias felizes de verdade, de uma família de verdade, que se ama. E é claro, dos cunhados e sobrinha favoritos, que virão encher o saco de vocês, constantemente.
_ Você conviveu demais comigo, sabia Cida? Tá meio irônica e convencida, acho melhor você entrar nesse carro e correr para o Rio, vamos logo. – ele começou a empurrar a moça na direção do veículo, enquanto Giane e Elano riam do que ouviam.
_ Posso me despedir da minha cunhada, fazendo o favor? – pediu Giane, enquanto Fabinho erguia as mãos em rendição, dando espaço para as duas se despedirem e conversarem algo sobre os bebês, como sempre quando estavam juntas. Enquanto isso, ele foi se despedir do irmão.
_ Para de fazer merda, pelo amor de Deus. Não aguento mais arrumar suas cagadas. – pediu o publicitário, enquanto Elano ria – Seja feliz, irmão.
_ Você também, irmão. – os dois se abraçaram com força, se soltando em silêncio. Elano deu a volta no carro, entrando no lado do motorista, enquanto Cida assumia o banco do passageiro.
Fabinho abraçou Giane, os dois observando o carro sumir pela estrada de terra, Cida acenando por um tempo, até que a terra começou a se erguer e ela fechou o vidro. O rapaz observou que quase todos já haviam ido embora, faltando apenas seus pais, que terminavam de organizar a bagunça.
_ O que você acha de colocarmos nosso filho para dormir, e finalmente termos nossa noite de núpcias? – perguntou ao pé do ouvido de Giane, que se arrepiou.
_ Nada me faria mais feliz. – garantiu ela, sorrindo para ele. Se despediram dos pais, que prometeram terminar tudo e ir embora. Tomaram banho juntos, com Davi no colo do pai, animado por estar na água. Porém, foi só colocar a roupinha e Giane amamentá-lo, que o menino pegou no sono. Fabinho o ajeitou no quarto novo, preparado por eles dois com tanto carinho quanto o de Megan havia sido, com tema de savana africana. Havia diversos bichos de pelúcia pelo quarto, mas no berço, Giane havia colocado uma bola de pelúcia igual a dela.
_ Desconfio que, depois da bagunça de hoje, ele vai dormir umas cinco horas direto, até que o estomago de avestruz que herdou da mãe entre em ação, e ele acorde berrando de fome. – avisou Fabinho, entrando no quarto e não encontrando Giane – Tranqueira, cadê você? Não me diga que mudou de ideia e fugir pela janela?
_ Continue falando assim, que posso cogitar a ideia. – ela apareceu na porta do banheiro, usando uma lingerie que surtiu efeito instantâneo no rapaz – Seu pervertido.
_ Sabe quanto tempo faz desde a última vez que nós fizemos amor? – suspirou ele, se aproximando dela – Eu sei: Dez meses, quatorze dias e umas dezenove horas.
_ Jura pra mim que você está contando? – ela riu, o abraçando apertado.
_ Eu sei a última noite que passei com você, basta fazer as contas. – ele acariciou o corpo dela – Caralho, moleque, como eu senti falta de você.
_ Fraldinha, menos papo e mais ação, porque o Davi puxou o seu sono inquieto, e isso quer dizer que ele pode acordar daqui dez minutos. – ela puxou os cabelos dele.
_ Seu desejo sempre será uma ordem. – o publicitário a içou pela cintura, prensando-a na parede mais próxima – E afinal, temos várias paredes para batizar hoje.
_ Ainda bem que eu comprei Dorflex. – ele gargalhou, antes de capturar os lábios dela e dar início a uma noite maravilhosa. No Rio, após mais de seis horas de viagem, Elano e Cida finalmente chegaram ao seu apartamento novo. Haviam resolvido não voltar ao antigo, considerando tudo que havia acontecido ali, tanto bom, quanto mal. Estavam começando uma vida nova com Megan, e isso incluía deixar o passado para trás.
_ Pronto, princesa, agora sim estamos em casa. – comemorou Elano, entrando com a filha no bebê conforto – Agora você vai ter um quarto seu, do jeitinho que sua mãe sonhou.
_ Se você quiser, ela pode continuar no nosso quarto. – brincou Cida, mas ele negou.
_ Pretendo retomar o que nós gostamos de fazer, em breve. E não quero minha filha vendo ou ouvindo nada sobre isso, ela é só um bebê inocente. – ele fez bico, enquanto Cida ria.
_ Vamos dar banho e colocá-la na cama. E desculpa, amor, mas eu to ansiosa para cair na cama também.
_ Então somos dois, garanto. – o advogado sorriu – Dá banho e amamenta ela. Eu já subo e coloco ela para dormir, só vou avisar que nós chegamos.
Ele enviou mensagens para Margot, Irene e Fabinho, além de avisar Penha e Rosário que já estavam no Rio e agradecer a irmã por ter arrumado o apartamento para eles.Quando subiu, Cida já estava amamentando Megan, as duas de banho tomado. Aproveitou esse tempo para tomar um banho rápido, logo assumindo a função de colocar a filha para dormir. Quando afinal chegou ao quarto, admirou o bom gosto da irmã para o local, que ficou bem a cara dele e de Cida. A esposa estava na cama, o esperando com um sorriso. Ele deitou ao lado dela, a envolvendo com os braços, os dois fechando os olhos e sorrindo, para cair na inconsciência juntos. Do mesmo jeito que seria em uma casa em São Paulo, seria naquele apartamento no Rio. Um casal que iria se desentender, se perdoar, se amar e criar uma família maravilhosa, com aqueles dois maravilhosos frutos de amores inesquecíveis, e que um dia, talvez, teriam sua história de amor. Quem sabe?
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