We Remain

16 Capítulo 16


Notas iniciais
Eu estou TÃO animada com Megan e Davi, não consigo nem explicar pra vocês como me sinto. Enfim, eu curti muito escrever esse capítulo. E morri de suspiros também. Espero que gostem. Estou animada de novo com essa história.

Fabinho despertou devagar, o corpo relaxado, estirado na cama de bruços. Até que se lembrou do que aconteceu. Parou de espreguiçar com medo de acordá-la, mas então percebeu que não havia ninguém na cama. Sentou-se, procurou pelo quarto e só encontrou suas roupas caídas no chão. O que ele tinha feito? Por que eles tinham feito isso?

_ MERDA, FABINHO! — ele gritou e deu um soco no colchão – MERDA!

O pior de tudo é que ele estava consciente, pior ainda, estava sóbrio. Ele se levantou da cama, pegou as roupas e as vestiu, foi até o banheiro na esperança de ouvir o barulho da água batendo no chão, mas nada.

_ Cida? – ele chamou e o eco lhe respondeu.

Ele desceu as escadas, andou cada canto da casa e nada dela. Nada. Nem um bilhete. Então, ele se lembrou que ontem ela estava de saída. Correu até a varanda e as malas não estavam lá.

_ Ai, que droga! – praguejou.

Fabinho foi atrás do celular e discou o número dela, só caixa postal. Essa hora ela estava embarcando para o Rio, com certeza.

_ Estraguei tudo. Terminei de pisar na merda... – ele se jogou no sofá. Ligou de novo e esperou a caixa postal atender.

_ Deixe seu recado... – a voz eletrônica entoou.

_ Cida, Cida... Eu nem sei como... A gente precisa conversar... Me liga, por favor? Eu fiz uma... Me desculpa. Não era pra ter rolado. Enfim, me liga. – ele desligou e se deitou no sofá.

Elano foi até a casa de Giane com a mochila nas costas. Mal tinha saído de lá e já estava de volta.

Ele havia passado a noite consolando-a, até que ela dormiu aninhada em seu peito. Ao contrário dela, ele não pregou os olhos, lembrando-se das palavras do seu irmão. Ele leu aqueles papéis várias vezes, observou a assinatura de Cida e a sua. Ele nunca tinha imaginado esse final.

_ Como num pavilhão de espelhos, eu te vejo multiplicada em mil....

Elano acordou preguiçoso com a voz de Cida vindo de longe. Sua voz era a mais perfeita sintonia, o mais belo e afinado coral de anjos para seus ouvidos. Sua voz se mesclava com o som do mar vindo da janela da maior suíte do Copacabana Palace.

Ele se espreguiçou. Sua noite de núpcias tinha sido simplesmente perfeita e ele queria que fosse assim todos os dias dali para frente. Se levantou, procurando sua roupa, mas desistiu depois de ver a bagunça no chão, o vestido de noiva, o véu, a lingerie, o terno, tudo misturado. Ele pegou o lençol e cobriu sua cintura, rindo sozinho.

_ Eu vim aqui pra ver você... Solta, vestida de lua na nuvem... – Cida estava no banheiro imenso da suíte, vestida com a camisa do terno dele, enchendo a banheira com vários sais e pétalas de rosas que eles tinham ganhado de cortesia. – Dança como se dançasse pra ninguém...

Elano se aproximou dela em silêncio e a puxou pra si, suas costas encostando-se a seu peito. Ela deu um grito e ele riu.

_ Ou só pra mim... – ele sussurrou no ouvido dela e lhe deu um beijo no pescoço – Ainda bem.

_ Elano, que susto! – ela passou as mãos nos braços dele que lhe prendiam.

_ Eu quero acordar assim todos os dias... – ele continuou traçando uma trilha de beijos no pescoço dela até a orelha – Acordar com a sua voz doce, com o seu perfume em mim... Promete pra mim que vai ser assim?

Cida se virou para encará-lo, lhe dando um sorriso. Seu cabelo estava todo marcado e bagunçado por conta do penteado desfeito, seu rímel todo borrado. E mesmo assim, ela era a mais linda paisagem para ele.

_ Nem todos os dias serão perfeitos, Elano. Mas quando tudo estiver ruim, eu vou me lembrar de hoje, e como eu me sinto hoje. E vou tentar voltar no tempo só pra me lembrar do quanto eu te amo... – Elano sorriu pra ela. Os dois se beijaram longamente.

_ Elano... Eu preciso de um banho... – ela sorriu no meio do beijo – A gente vai se atrasar para o check-in no aeroporto.

_ Mas, eu também preciso de um banho... – ele sorriu maroto e ela mordeu o lábio, o provocand. – Não sei o que a gente pode fazer...

_ Mas, eu sei... – ela riu, quando ele a pegou no colo e entraram na banheira.

Elano estava de volta ao quarto de Giane. A observou por um tempo e voltou para a cozinha, encontrando seu Silvério.

_ Bom dia, rapaz. – ele assentiu.

_ Bom dia, seu Silvério.

_ Ela está melhor?

_ Sim, mais calma. Eu sinto muito. No fundo, eu sei que a culpa é minha, eu causei todo esse sofrimento. Não foi minha intenção.

_ Ah, rapaz, você também sofre. Não se culpe. O destino sempre coloca as coisas no lugar, tudo vai ficar calmo outra vez, você vai ver... – Elano assentiu e Silvério percebeu a mochila em suas costas – Onde você vai?

_ Eu vou pro Rio, Silvério. Não quero acordar a Giane. Agora que toda a papelada do divórcio saiu, eu preciso ir até o apartamento e tirar o resto das minhas coisas de lá...

_ Sinto muito, Elano. Sei o quanto você amou essa menina. – Elano assentiu.

_ Eu vou tentar voltar ainda hoje, se tudo der certo na ponte aérea. Ou senão, amanhã cedo. Assim que eu chegar lá, eu entro em contato. Tomara que ela acorde melhor. Obrigado pela confiança, Silvério. – os dois deram um aperto de mão.

_ Vá com Deus e volte logo. – Elano sorriu e saiu da casa. O táxi que tinha pedido mais cedo já lhe esperava.

_ Aeroporto de Congonhas, por favor. – ele anunciou quando entrou no veículo.

Fabinho estava deitado no sofá depois do banho que tomara, o celular no peito esperando algum sinal de vida de Cida. Até que a campainha tocou.

Ele levantou em um salto e correu para o portão, e lá estava sua mãe Margot pagando o táxi.

_ Mãe? – ele abriu o portão, a deixando entrar e lhe dar um abraço.

_ Meu filho... – ela fez um carinho nos seus cabelos – Você saiu tão agoniado da Casa Verde ontem, não consegui vir até aqui antes. Como você está? – ela disse o encarando e segurando o rosto dele com as mãos.

_ Ah, mãe. – ele suspirou – Eu tô na merda. Desculpa o palavreado, mas é assim que me sinto. – seus olhos encheram d’água – Eu já cometi muitos erros, mas eu perdi o meu único acerto. Eu amo muito aquela pivete, mãe. Muito.

_ Eu sei disso, meu filho. Eu sei... – ela sorriu – Vocês precisam conversar, ficar nessas brigas não vai dar certo, Fabinho. Vocês não vão se acertar nunca!

_ Mãe, agora ela tá lá com aquele almofadinha. – ele se exaltou – Deixa pra lá.

_ Ai Fabinho, vocês são muito cabeça dura. Vem, vou fazer um café bem gostoso pra você. – ela o levou pra dentro da casa novamente.

Cida tinha acabado de chegar no Rio, e ao ligar o celular ouviu a mensagem de Fabinho e contou as chamadas perdidas.

Ela segurava pra não chorar perto do motorista do táxi, apenas lhe deu um papel com o endereço do apartamento e ligou para Penha, avisando que tinha chegado que ia passar no apartamento terminar de empacotar suas coisas e iria para o novo apartamento que tinha alugado em Copacabana. A amiga ofereceu companhia, mas Cida preferia ficar sozinha.

Como se não bastasse tudo que estava passando, tinha que ter acontecido aquela noite. Ela se deixou levar, e quando viu já estava tudo consumado. No fundo, ela imaginava Elano em seus braços. Por mais que adorasse Fabinho, sua companhia e sua amizade, o verdadeiro amor da vida dela era aquele advogado ingrato. E tudo se perdeu pela burrice dela, por essas coisas que ela fazia.

Ao chegar ao apartamento, foi atrás das malas que tinha enfiado no closet e começou a preenchê-las, as lágrimas caindo no rosto a cada roupa guardada. Ela encontrou uma caixa grande e sentou no chão do quarto. A abriu e estava lá o seu vestido de casamento. Ela se agarrou a ele e chorou mais, ninguém ia vê-la mesmo, podia chorar tudo que quisesse.

Elano estava cansado quando aterrissou no Rio no meio da tarde, sentia falta daquele calor quase insuportável da sua cidade maravilhosa. Pegou o táxi e rumou para a Barra da Tijuca. Comeu algo em uma lanchonete próxima ao apartamento, tomando coragem para o que viria a seguir.

Ao chegar próximo a porta, ouviu um barulho vindo de dentro. Será que alguém tinha invadido? Passou a chave com cuidado na fechadura, tentando fazer o menor barulho possível. Andou pelo pequeno corredor que levava a sala.

A TV estava ligada, ele conseguia ouvir a própria voz nela. Parou e ficou vendo o vídeo de seu casamento rolando na tela.

_ Elano! Elano... – ouviu a voz com sotaque forte de sua irmã o chamando, ele conversava com Inácio e ria.

_ Que foi, irmãzinha? – ela apareceu de frente pra câmera e apontou pra tela.

_ Deixa uma mensagem pra Cida. – ela saiu de frente da câmera e a mesma focalizou nele.

_ Uma mensagem pra Cida? – ele disse, já um pouco alto pela bebida. Ele riu. – Desculpa, é que eu sou um pouco tímido, cara...

_ Fala aí! – Inácio falou do outro lado.

_ Tá... É... Cida... – O Elano que assistia o vídeo sentiu a garganta fechar na hora, um nó enorme tomando conta – Eu te amo, você sabe disso, não sabe? E quanta coisa a gente passou, não foi? Desde daquele dia que você me agarrou do nada... Eu me apaixonei por você quase que instantaneamente. – ele riu. A Cida que assistia fungou, agarrada a uma almofada – Agora, eu quero passar todos os dias da minha vida com você. O resto da minha vida com você. Quero ter um monte de filhos... – Cida começou a chorar mais alto e Elano sentiu algumas lágrimas escaparem dos seus olhos – Quero viajar o mundo com você. E quando a gente ficar bem velhinhos, eu vou continuar te amando da mesma forma, até mais do que hoje, tenho certeza disso. Eu te amo muito. – ele terminou com um sorriso, e Cida ainda chorava quando mudou para a mensagem dela.

_ Eu... O Elano? – ela riu — O Elano é o homem da minha vida, meu melhor amigo. Eu quero ele do meu lado pra sempre. Elano, eu fui meio cega pra enxergar o quanto eu te amava, né? – ela riu sem graça – Mas, agora, eu sei o quanto eu te amo e transborda, transborda de dentro de mim. Eu sei que meu amor por você é pra sempre. Nada do que eu fizer é bom o suficiente para agradecer em ter um amigo, um namorado, agora um marido tão maravilhoso como você... É isso. – ela deu de ombros. – É pra sempre.

O vídeo acabou com uma frase editada: “E foram felizes para sempre.” Elano secava as lágrimas que tentavam cair do seu rosto e Cida escondia o seu atrás da almofada.

_ Pra sempre. – ela falava, repetidamente, sua voz abafada pela almofada.

Elano foi até o sofá e sentou ao seu lado, os dois tremiam por causa do choro, mas ele respirou fundo até dizer:

_ Pra sempre.

Cida se assustou, apertou a almofada contra o peito e o encarou.

_ Eu não queria te assustar, me desculpa... – ele limpou o rosto de novo – Desculpa, Cida.

_ Elano, o que você tá fazendo aqui? – ela disse com a voz embargada.

_ Eu vim... Buscar minhas coisas. – ele se levantou do sofá. Tirou a mochila das costas e a deixou no sofá – Eu já vou embora... – ele ficou de costas pra ela.

Cida se levantou e pegou na mão dele, Elano se virou pra ela.

_ Não... Essa é nossa casa. — ela falou baixo – Fica. Fica o tempo que quiser.

Elano sentia o seu coração martelar no peito só pelo simples toque dela. Ele sabia que tinha soltar, mas apertou a mão dela. Algumas lágrimas escorreram do rosto de Cida ao sentir o aperto. Ele tinha a necessidade de senti-la mais perto e a puxou até sentir seu corpo encostado no dela.

Cida o olhava nos olhos, ele tinha sentido tanta falta de ver seus olhos tão de perto. Seus dedos se entrelaçaram com os dela e os dois ficaram observando as mãos juntas, pendendo ali no ar. Ele moveu as mãos de encontro com o seu peito, virando a palma da mão de Cida para o seu coração que disparava. Ele não precisava dizer nada, ela sabia o que aquilo significava. Ela encostou seus lábios nos dele e ele suspirou, intensificando o beijo.

Eles iriam estar juntos, nem que seja só por mais um dia, nem que fosse uma despedida. Seus corpos seriam um só.

Notas finais
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