We Remain

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Capítulo betado pela Wal Pompeo. Obrigada por me ajudar com essa fic louca e apoiar minhas maluquices. É por sua causa que essa fic tem um final com sentido.

Elano e Giane aguardavam o resultado do exame sentados lado a lado em uma sala de espera. Um vento gelado entrava pela porta aberta do local e ele retirou o terno que usava para cobrir as costas dela. Ele só não sabia se ela tremia de frio ou de expectativa.

Ela encarava o chão branco, perdida em pensamentos. Nunca tinha planejado ou desejado ter um filho e aquilo a assustava. Ela nunca teve um exemplo de mãe, de amor de mãe, mal o conhecia. Despertou dos pensamentos ao sentir a mão de Elano apertando a sua. Ela apertou de volta e o olhou. Nada disseram.

_ Giane de Sousa? – os dois levantaram em um pulo.

Elano a acompanhou até a sala do médico, pegou o terno de volta e ficou de pé a frente da mesa do senhor de meia idade, enquanto Giane se sentou.

_ Giane de Sousa, certo? – ela assentiu. Ele abriu o exame e o leu no que, pelas contas de Elano, pareceram horas. – Bom, Giane, suas suspeitas estavam corretas. Você está mesmo grávida. – os dois arfaram e o médico continuou – Pela data da sua última menstruação, você está na sétima semana de gestação. Parabéns, vocês vão ser pais!

Giane ficou paralisada na cadeira. Elano ficou sem piscar pro alguns segundos, mas logo voltou a Terra, e foi até ela, segurando em seus ombros.

_ Giane... – o médico estranhava a falta de reação dos dois. – Vai dar tudo certo, confia em mim. – os olhos dela marejaram, e instintivamente ela colocou as suas mãos sobre o ventre e olhou aquela região. Elano sorriu – Eu te prometo, vai dar tudo certo.

Giane se levantou e o abraçou, um choro emocionado saia de seus olhos, e Elano a abraçava apertado. Deu um sorriso cúmplice ao médico que assentiu com um leve sorriso na face.

Logo pensou: Esses jovens casais de hoje.

Fabinho terminou o banho e se lembrou de que boa parte das suas roupas estavam sujas. Ele tinha que visitar a mãe e já estava atrasado.

_ Ô, Cida... – ele andava descalço pela casa de chão de madeira, apenas com a toalha na cintura – Ô, Cida! Tem alguma roupa minha no varal?

_ Fabinho, que eu saiba minha época de empregada já passou! Mas deve ter alguma no sofá, que eu passei ontem, para passar o tempo. – ela estava sentada no sofá, separando as suas roupas.

Ele desceu as escadas e ficou observando o que ela fazia.

_ O que você tá fazendo? – ela se virou e se surpreendeu com aquela visão.

_ Fabinho! Pelo amor de Deus, coloca uma roupa! – ela exclamou, virando de costas pra ele de novo.

_ É isso que eu tô tentando fazer. E não tem nada aqui que você não tenha visto, afinal, somos idênticos... Ou não... – ele riu, ela não. Ele foi até o monte de roupas passadas e pegou uma calça, uma cueca e uma camiseta – Você já tá arrumando suas coisas?

Ela suspirou e apontou para a mesa de centro, que continha um envelope branco grande.

_ Chegaram os papéis do divórcio. – ele pegou o envelope e o abriu, analisando os papéis.

_ Eu sinto muito, Cida. – ela deu de ombros, mas ele sabia que ela estava prestes a chorar. Ele observava a assinatura dela – Você não precisa ir embora por causa disso.

Ela limpou a garganta, mas mesmo assim, sua voz saiu engasgada.

_ Sim, eu já terminei tudo por aqui, preciso voltar pra minha vida. Eu vou arrumar minhas coisas... Mas, espero você voltar pra me despedir, tá?

Fabinho guardou os papéis no envelope e os retornou para a mesa. Voltou para o quarto e vestiu as roupas, pegou as chaves e os documentos. Desceu de novo, e ela ainda estava sentada no sofá com o rosto e os olhos vermelhos, o cabelo preso. Ela pegou o envelope e entregou pra ele.

_ Você pode deixar no escritório? Eu não quero ter que passar por essa situação com o meu advogado.

Ele assentiu, pegando o envelope e lhe dando um beijo no rosto.

_ Cuidado pra não esquecer nada por aí. – ele foi até a porta e saiu. Cida já estava com as roupas no braço, levando para o andar de cima, quando a porta foi aberta de novo. – Cida?

_ Oi?

_ Eu vou sentir falta da sua companhia. – e saiu novamente.

Elano e Giane deixaram o local de braços dados, depois que ela tinha tomado alguns copos d’água.

_ E agora? – ele questionou enquanto eles caminhavam pela rua.

_ Eu não... Elano, eu não vou contar pra ele. – ele suspirou.

_ Giane, ele deve saber. Ele precisa saber.

_ Mas não vai! Ele não vai saber!

_ Acho que você sabe que uma gravidez não é possível de se esconder, você sabe né?

_ Claro que eu sei. – ela revirou os olhos, e ele riu – Mas eu não quero que ele saiba. Sinto muito, Elano, mas ele tá morando com aquelazinha lá. Pensar que um dia, eu tive pena dela, eu juro que eu tive dó. Ela só tem a cara de sonsa! Desculpa, mas é a verdade...

_ Eu não vou opinar sobre isso, Giane. Prefiro assim. O que você vai fazer então? Essa criança não vai ter um pai?

_ Eu fui criada praticamente só pelo meu pai, e não vi problemas nisso...

_ É, mas você tem o nome da sua mãe na certidão de nascimento. Ah, Giane, você se faz de durona, mas sei que não vai fazer isso...

_ Você sabe que... Todo mundo no bairro pensa que estamos juntos? – eles caminhavam e já estavam chegando na casa dela, e ainda atraiam os olhares dos fofoqueiros de plantão da Casa Verde.

_ O que você quer dizer com isso? – ela não o olhou e também não o respondeu – Você só pode estar maluca. Eu? Assumindo seu filho? Eu adoro você, até bem mais que isso, mas eu...

O carro de Fabinho encostou no meio fio na frente da casa de Margot. Giane e Elano estavam agora na frente do portão da casa dela, e observaram o rapaz descer do carro. Ele os encarou por um longo momento, Giane sentiu todo o seu corpo reagir, o coração disparar, o suor frio, aqueles sentimentos loucos que ele lhe trazia.

_ Agora o casalzinho 20 tá andando por aí já assumido? De braços dados e tudo? – Fabinho disse alto, vindo à direção deles.

Elano permaneceu com a mesma calma, ele não queria ter que brigar com o seu irmão de novo. Eles viviam em guerra e isso o deixava magoado. Giane segurou na mão dele e ele sentiu a pele gelada dela.

_ Pois é, Fabinho. Onde está a sua donzela indefesa? – ela o provocou. Elano se sentia em meio da Faixa de Gaza. Fabinho travou o maxilar e encarou Elano.

_ Você não perde tempo, não é? A Cida mal terminou de assinar os papéis do maldito divórcio e você já ta aí... – ele jogou o envelope branco no peito de Elano. – Tá aí, seu babaca. Você tá livre agora. Livre pra ficar com ela.

Elano segurou o envelope antes que ele caísse no chão, um nó se formou em sua garganta.

_ Por que você não volta pra sua empregadinha, hein Fabinho? Porque você fala do Elano, mas também não perdeu tempo! Ela mal acabou de ter aquele aborto e você já foi morar com ela!! Você é um ridículo mesmo!! – Giane gritou. Elano apertou a mão dela, querendo que ela se acalmasse.

_ Por que você não vai brincar de casinha com esse almofadinha também? Já que está tão preocupada em cuidar da minha vida!?

_ Mas oportunidade pra isso é que não vai faltar! Não mesmo!

_ O que você quer dizer com isso?

Os dois falavam tão alto que chamaram a atenção da vizinhança. Seu Silvério e Margot saíram da casa de Giane e tentaram acalmar os nervos dos dois.

_Hein, Giane? Vai casar com ele? É por isso que esse divórcio veio tão rápido!? – Fabinho sentia os olhos úmidos, a raiva transbordando no peito.

Elano segurava o envelope com força, quase o amassando. Giane tremia.

_ Calma, Giane... – Elano pediu e Fabinho o encarou de novo.

_ Filho, se acalma, por favor... – Margot segurou no braço do filho, que não se moveu, e Silvério segurou no ombro da filha.

_ Vai casar com ele, Giane!? Vai?

_ EU VOU TER UM FILHO! – ela gritou.

_ Meu Deus do Céu... – Elano falou baixo, segurando Giane pela cintura, que parecia que ia cair a qualquer momento.

Fabinho deu um passo pra trás, como se tivesse tomado cinco tiros. Ficou olhando para Giane, os olhos dela jorravam lágrimas. Margot segurou mais forte no braço do filho.

_ Fabinho... – ele ficou ali parado, olhou para a barriga dela e depois para o seu rosto. E depois para Elano ao seu lado.

_ Fala pra ele, Elano... – ela disse, soluçando no meio do choro. – Fala pra ele que você é o pai do meu filho. Que vamos ter um filho juntos.

Elano não disse nada, encarava o irmão com medo que ele fizesse algo. Silvério se aproximou de Fabinho temendo a mesma coisa.

_ COMO VOCÊ PODE, GIANE? Eu te amei tanto! Te amei mais que a minha vida! A MINHA VIDA, GIANE!

_ SOME DAQUI, FABINHO! – ela gritou. – VAI FICAR COM ELA! ELA TÁ LIVRE PRA VOCÊ TAMBÉM, SAI DAQUI!

_ Meu filho, se acalma... Vai se acalmar... Por favor. – Margot apertava o braço do filho, ele estava transtornado.

Fabinho olhou para a mãe e se virou de costas, entrando no carro novamente, e saiu cantando os pneus do veículo. Logo, em seguida, Giane desmaiou nos braços de Elano.

Fabinho não sabia como chegou até o portão de casa sem ter batido em nada ou causado algum acidente. Ele arrumou forças e abriu o portão, entrando com o carro e o fechando em seguida. Ficou ali, parado no meio do quintal, observando o campinho de futebol ao longe, e secou as lágrimas que escorriam no rosto. Ele sentia uma raiva imensa, uma mágoa profunda que lhe travava a garganta.

Depois de alguns minutos refletindo lá fora, ele ouviu a porta se abrindo.

_ Fabinho? – ela o observava da varanda. – O que houve? Você tá bem?

Ela tinha levado as malas para a varanda. Ele a olhou ali e as malas ao seu lado.

_ O que você tem? Você tá chorando? Que foi? – ela o olhava confusa.

Sem pensar, Fabinho correu até a varanda e pulou dois degraus da pequena escada que levava até ela. Se aproximou de Cida, e ela deu dois passos pra trás, surpresa. Ele se aproximou de novo, segurou o rosto dela com as mãos, e ela viu as lágrimas nos olhos dele.

Ela mal teve tempo de perguntar novamente o que tinha acontecido e ele a beijou, voraz, intensamente. Ela sentiu uma emoção muito forte crescer dentro do peito, o gosto das lágrimas dele na boca, logo se misturando com o gosto das dela. Ela se deixou levar por aquilo, pelo turbilhão de sentimentos, a dor que sentia no peito, a mágoa que há tanto tempo ficou ali. Os braços dele a envolveram em um abraço forte, até que ela não sentiu mais os seus pés no chão. Sem tirar os lábios dos dela, ele a levou até o sofá, quando se separaram para respirar.

Ela o olhou nos olhos e ele não parecia nenhum pouco arrependido. E então eles se entregaram ao momento sem se lembrarem das consequências do amanhã.

Notas finais
Agradeço a todos que ainda acompanham a história, espero que cheguem até o final. Sem muito drama e muita raiva de mim. Eu amo todos os personagens e amo o jeito que fiz tudo se entrelaçar. Até o próximo capítulo.