We Remain
12 Capítulo 12
Fabinho ficou ali com os braços ao redor de Cida até que ela se acalmou e resolveu tomar um banho. Ele saiu do banheiro para lhe dar privacidade e sua mãe já estava na cozinha, explicou o que aconteceu e pediu para a mãe lhe dar uma roupa para a empreguete.
Fabinho voltou para o quarto, se trocou e tentava se livrar do gosto amargo da bebida na boca, ele sentia o estomago ruim, mas ele sabia que não era pela bebida. Ele sentia o nó na garganta e não queria chorar por Giane de novo, nunca na vida tinha chorado por uma mulher, como chorava por ela, toda vez que ela quebrava seu coração.
Cida ainda se sentia quando entrou no quarto do rapaz, tinha esquecido a bolsa com o remédio para enjoos lá, e ao entrar o encontrou deitado na cama olhando para o teto. Ele usava uma camisa e um short muito largos para ela, afinal eram de Margot. A sua outra roupa estava cheia de vômito. Ela foi até a cama de Elano que tinha deitado durante a noite e pegou a bolsa, Penha iria busca-la ainda hoje, mais tarde, então resolveu esperar sentada no sofá. Nada do que tinha planejado tinha dado certo.
_ Ei. – Fabinho a chamou quando a viu saindo do quarto. – Tá melhor?
_ Sim, obrigada. – ela estava envergonhada pelo drama que tinha feito.
_ Que bom. Você já vai?
_ Eu vou esperar a Penha, não quero dirigir assim... Quer dizer, eu ainda não estou cem por cento.
_ Tá certa. E você vai pra onde?
_ Eu não quero atrapalhar, provavelmente vou ficar lá no carro.
_ Ah, claro, empreguete. – ele riu levemente. – Ficar parada em um carro chique daqueles o dia todo, ainda mais grávida.
_ Mas...
_ Quer dar uma volta comigo? Eu não quero trabalhar mesmo hoje. – ele se sentou na cama e deu de ombros. – Se você prometer que não vai vomitar nada em mim.
Ela ficou mais vermelha ainda, e sorriu sem graça.
_ Já disse que eu não quero atrapalhar.
_ Ah, larga disso, eu preciso passar em um lugar, e você precisa de companhia... – ele se levantou da cama e pegou a chave e os documentos do carro dele sob o criado mudo. – Então, vamos. – ele saiu, deixando a mulher confusa no quarto. – Vamos, eu to falando sério! – ele gritou da sala.
E Cida foi obrigada a acompanha-lo, ela devia uma pra ele.
“Elano, me desculpa. Vou ter que resolver umas coisas no Rio pela manhã, chego aí no final da tarde. Se cuida, irmão. Penha.”
Elano leu a mensagem e se levantou do sofá.
_ Ela ainda vai demorar pra chegar. Bom, eu não vou ficar aqui te incomodando, a última coisa que você quer ver hoje é o meu rosto né. – Giane deu de ombros. – Sinto muito, Giane. Eu não queria causar tudo isso, eu não pensei que ia causar tantos problemas ao procurar o Fábio, eu fugi de um problema e encontrei mais um monte. Eu não queria te confundir... Eu acabo me enganando porque eu confundi a mim mesmo... Eu só quero vocês felizes, a minha infelicidade não tem nada a ver com você, nem com o meu irmão, nem com ninguém daqui...
Giane se levantou do sofá e ficou olhando o rosto machucado de Elano, ela também tinha tido uma participação nisso.
_ Eu também fiz isso, eu não sou tão inocente assim. Fui eu que te beijei, não foi? Fui eu que fui atrás de você... Eu tava maluca, eu pirei quando vi aquela mulher em cima do Fabinho, e por mais que pareça que foi uma vingança, não foi. Eu fiquei confusa, sim. Você sempre é tão gentil comigo, tão cavalheiro, amigo, mas eu amo o Fabinho. E eu sei que você ama a Cida, eu quase vi seu coração saindo do peito quando viu aquela perua na sua frente. – eles riram. – Eu só espero que tudo se acerte, Elano, porque eu não sei se vou conseguir seguir sem aquele fraldinha.
_ Eu também pensava que eu não ia conseguir seguir sem a Cida, olha onde estou hoje... Eu não me arrependo a nenhum segundo por ter pensado em você, no seu sorriso, no seu jeito de moleque, você tem algo encantador, e não é por que você se parece com ela. Você tem alguma coisa diferente. Eu amo a Cida sim, e eu vou amar pra sempre, mas cada vez que eu a vejo, eu sinto uma dor no peito, meu coração dispara, mas dói. A mágoa que ela me deixou foi muito grande. E você me fez sorrir de novo, eu me diverti com você. E eu tentei, juro, eu tava indo embora, não por mim, eu não queria voltar pra enfrentar o meu divórcio, e sim, para parar de atrapalhar a sua vida. E nem acabar mais com a minha. Eu... quando eu soube que eu tinha um irmão, eu imaginava como seria ter ele ali, sabe? Ter um irmão, de verdade. Mas então, tudo ficou meio torto quando eu te conheci. Eu amo aquele babaca que acabou com o meu nariz ontem, por mais que ele não goste da mesma forma... porque eu fui burro o bastante pra me aproximar de você. – ele suspirou, a muito tempo ele queria dizer isso, mas as palavras ficavam meio perdidas.
_ Elano, eu só queria gostar de você da mesma forma... Mas, você sabe. – ela passou a mão no rosto dele, nas marcas roxas dos olhos, e depois no nariz, ele gemeu de dor. – Desculpa, eu não sou muito delicada... – ela riu de leve, e Elano segurou na mão dela em seu rosto e beijou seus dedos.
_ Eu sei, você o ama. Eu já ouvi muito isso... – ele sorriu torto. – Eu nunca quis ver o seu rosto inchado de chorar, nunca quis te ver assim... Espero que você seja feliz, Giane. Espero que vocês se acertem.
Cida observava o bairro da Casa Verde pela janela do carro de Fabinho, e depois de pegar um pouco de trânsito e aquele silêncio constrangedor, ele parou em frente a uma imobiliária. Ela permaneceu no carro no ar condicionado, o estomago meio esquisito, ela pegou uma sacolinha plástica que Margot tinha lhe dado com coisas leves para comer e tentou beliscar alguma coisa. E quando Fabinho encontrou no carro de novo, ela mordiscava um biscoito de água e sal.
_ Você não vai dizer pra onde está me levando?
_ Pelo jeito, a famosinha tá curiosa.
_ Se for um sequestro, pode tentar negociar. Eu não tenho tanto dinheiro assim, mas você vai ficar famoso também por isso.
_ Ah, claro. – ele riu. – Você não tem dinheiro!? Quem não tem dinheiro aqui, sou eu, empreguete. Aliás, eu andei gastando uma boa parte dele...
_ Com o quê? Bebida alcoólica?
_ HÁ-HÁ-HÁ, ainda é humorista. Mas não vamos falar sobre quem está na pior aqui, não é mesmo!? – ela revirou os olhos.
Fabinho pegou uma rodovia e o silêncio só era quebrado quando Cida tentava comer algo, e abria a janela.
_ Se você for vomitar no meu estofado, você me avisa. Oh filhote, se aquieta aí. – ele disse ainda olhando para a estrada.
_ Você tá falando com quem?
_ Com isso que você tá carregando aí.
_ Isso!? Meu filho? Você chama meu filho de “isso”?
_ Ou “coisa” se você preferir.
_ Você é mesmo um debochado.
Ele riu, o silêncio voltou até que Fabinho estacionou na frente do que parecia uma fazenda, ele desceu do carro, abriu um grande portão e entrou com o carro em uma pequena estrada do terreno grande. Cida olhava pela janela enquanto ele descia pra fechar de novo, ela desceu do carro usando os chinelos que Margot tinha lhe emprestado. Ela estava com uma roupa comum, de chinelos, do meio de um lugar que não conhecia, com um cara que mal conhecia também, e ainda por cima, passando mal, grávida.
_ Tem certeza que você não tá me sequestrando?
_ Ah, empreguete, eu tenho bem mais o que fazer, você não acha? – ele riu, sem humor algum. – Vem, vou ver se está tudo certo.
Ele saiu andando pela pequena estrada, e Cida o foi acompanhando devagar, o calor estava sufocante pra ela. A estrada dava para uma casa grande, mas modesta, o quintal era de um gramado verde, mas mal cuidado, era como se fosse uma fazenda, mas pequena. E no meio do gramado, havia um pequeno campo de futebol.
_ Vou ter que contratar um jardineiro. – com a chave, Fabinho abriu a porta da frente.
A casa estava empoeirada, sem nenhum móvel, e as cortinas fechadas. Ele caminhou até a maior das janelas e a abriu, deixando o sol invadir o local. Cida entrou logo atrás, a poeira que subia a fez espirrar.
_ Essa casa é sua? – ela perguntou.
_ É sim, é minha. – ele olhava ao redor – Eu acabei de comprar. Fazia um tempo que eu estava negociando ela. Eu quero morar aqui...
_ Ah, mas não é muito grande?
_ Bom, eu espero voltar com a Giane, e ter uma família grande pra ocupar todo esse espaço. Você achou muito exagerado?
Ela olhou ao redor, e só de ouvir em falar em família Cida sentiu os olhos encherem d’água, e colocou a mão automaticamente na barriga.
_ Eu achei linda. – ela sorriu pra ele.
_ Já ouvi falar de grávidas serem emocionais, mas olha...
_ Desculpa, espero que me entenda. Eu só queria encontrar a minha família de novo, e ele era a minha.
_ Eu entendo. – ele ficou sério. Ela parecia ainda mal, estava pálida. – Só não entendo porque você veio pra cá assim tão mal.
_ Eu já estava passando mal à alguns dias, mas eu precisava vir de qualquer forma. Acho que as emoções de ontem foram demais.
_ Sabe acho que aquele almofadinha não te merece. Eu te via na TV com aquelas roupas, te achava a maior perua, mas você parece ser legal. E é estranho você parecer tanto com a Giane.
_Eu sei. – ela sorriu. – Eu também achei muito esquisito.
_ Bom, se você quiser, pode ficar na varanda, eu vou dar uma volta pra ver se está tudo certo.
Cida se encaminhou para a varanda enquanto Fabinho subia para o segundo andar da casa. Ela se sentia mal, suava frio, não devia ter saído de onde estava. Ela observava a grama, e imaginava se um dia teria uma casa daquela com Elano, com seus filhos correndo pra lá e pra cá. Ela só queria que tudo ficasse tudo bem.
Uma pontada forte na barriga a fez arquejar, ela colocou a mão no local, desesperada.
_ Não... não... FABINHO! – ela gritou. A dor aumentou, e ela começou a chorar. – Meu filho, não, por favor. FABINHO!
Ela sentia seu corpo tremendo, a pressão abaixou e tudo começou a escurecer.
Fabinho estava distraído na parte de cima da casa, olhando os quartos, e estava no fim do corredor quando ouviu o eco da voz de Cida. Ele desceu as escadas em um pulo e encontrou a empreguete caída no chão e o shorts da sua mãe que ela vestia estava manchado com sangue.
_ Não! NÃO! – ele segurou ela na colo. – Cida! Cida! Acorda! – ele correu para o carro sem nem trancar a porta da frente.
Fabinho abriu a porta do carro, e falando todos os palavrões que conhecia deixou a mulher no banco da frente, correu para abrir o portão e saiu com o carro. Depois de trancar o portão, ele acelerou para o hospital mais próximo. Pegou o celular e ligou para a mãe explicando o que tinha acontecido e pra onde estava levando Cida.
_ Aguenta firme, grão de arroz. – ele olhava de relance para a barriga de Cida. – Você não pode deixar a sua mãe, cara. – ele sentia uma parcela de culpa repousar em seus ombros, afinal, ele que tinha a levado.
Ele chegou no hospital e encontrou o carro de Elano parado lá, ele vinha na sua direção com Giane ao seu lado. Fabinho deu a volta no carro, e abriu a porta pegando Cida no colo.
Elano observava tudo aflito, até que viu as pernas das ex-mulher cheias de sangue.
_ O que tá acontecendo? O QUE VOCÊ FEZ?
_ Elano, cala essa tua boca se você não quer ficar com o resto da sua cara quebrada.
Ele carregou Cida pra dentro do hospital deixando Elano e Giane pra trás, os dois o seguiram, mas o perderam de vista.
_ Calma, Elano. Se acalma, cara. – Giane pegou no braço dele.
_ Giane... o que tá acontecendo com ela? Será que ela vai perder o bebê? – ele passou as mãos no cabelo, desesperado.
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