We Remain
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Fabinho andava de um lado para o outro no corredor, ele não pode acompanhar Cida, ele sabia que não estava nada bem. Elano estava encostado em uma parede do mesmo corredor, e Giane estava de pé observando os dois, sem dizer uma palavra. O silêncio reinava até que todos ouviram um grito de Cida, seguido do choro, Fabinho parou de andar, e Elano sentou no chão chorando.
Giane entendia o que tudo aquilo significava, mas não sabia quem consolar primeiro, Fabinho ficou com o olhar fixo na porta que os separava dos quartos da emergência, até que o médico abriu a porta. E veio na direção dele.
_ Você é o marido dela?
_ Que? Eu? – Fabinho estava desnorteado, como se tivesse levado um tapa na cara. – Não, eu... não. Mas, ele é... – ele apontou para Elano sentado no chão.
_ Pois, então... A senhora Maria Aparecida ela teve um sangramento muito intenso, não conseguimos conter a hemorragia... Eu sinto muito, o bebê não resistiu.
_ A culpa é minha. – Elano disse em meio aos soluços.
_ Claro que a culpa é sua! De quem mais seria? – Fabinho se exasperou.
_ Vocês não vão brigar aqui, né? – Giane chamou a atenção dos dois.
_ Eu quero falar com ela, posso? – Fabinho questionou o médico.
_ Pode... Mas, ele...
_ Onde ela tá? – Fabinho atravessou a porta sem a ter a resposta do médico, olhando pelas portas que passava, até que a encontrou.
Seu leito estava próximo à porta e os demais estavam separados por cortinas, ela chorava e uma enfermeira lhe oferecia um copo d’água.
_ Cida? – ele se aproximou da maca.
_ Ah, Fabinho... – ela choramingou e voltou a soluçar. Fabinho a abraçou meio sem jeito e deixou que ela ficasse ali o tempo que precisasse. – Eu perdi meu filho, Fabinho... – ela dizia entre o choro.
_ Eu... Não sei nem o que te dizer. Eu sinto muito, Cida. Eu queria ter sido mais rápido... Não devia ter te levado pra lá, você devia ter ficado em casa... Eu fui muito burro. Me desculpa...
A enfermeira ficou constrangida com a situação e deixou o copo d’água em um apoio perto da cama, deixando os dois sozinhos.
Cida se afastou do abraço dele e olhou para seu rosto, Fabinho parecia mesmo chateado e culpado pelo que acontecera.
_ A culpa não é de ninguém, não era pra ser...
Fabinho deu um beijo no rosto dela e passou as mãos em seu rosto para secar suas lágrimas.
_ Eu vim aqui de xereta, porque eu sei que tem um babaca que quer falar com você bem mais que eu...
_ Fabinho...? Eu não to pronta ainda...
Cida mal o conhecia, mas se sentia segura ali com ele. Ela tinha medo de encarar as consequências de uma conversa com Elano em um momento tão delicado. Ela tinha acabado de perder aquilo que ainda a unia a ele. E Fabinho não queria deixa-la naquele estado, ele se sentou na maca e se encostou-se ao travesseiro dela, ela colocou o seu rosto em seu peito e começou a chorar de novo, um choro doloroso. Fabinho não era bom com palavras, nunca fora, ele passou os braços ao redor dela, e quem passasse por ali podia jurar que o filho que se foi era dele.
Giane comprou uma garrafa d’água e voltou ao corredor, Elano não tinha saído do lugar, ela se sentou do lado dele. As mãos dele tampavam seu rosto e abafava o choro, ela segurou em seu braço e ele olhou pra ela.
_ A culpa é minha, Giane...
_ Elano, por favor, não se culpe... Essas coisas, infelizmente, acontecem, cara. Respira fundo. Vamos... – ela segurou em sua mão. – Respira fundo, você precisa ser forte agora.
Elano olhou nos olhos de Giane e respirou fundo algumas vezes, segurando forte em sua mão.
_ Eu já perdi as contas de quantas vezes chorei na sua frente... – ele pegou a garrafa de água e tomou um pouco.
_ Muitas. Mas, eu não ligo pra isso. – ela sorriu torto. – Você precisa ser forte agora, ela vai precisar de você.
_ Ela não parece precisar de mim, parece?
Giane entendeu o que ele quis dizer e deu de ombros, o assunto ainda a machucava. Doía saber que Fabinho estava lá com Cida, em vez de estar com ela, mas ela não podia forçar ninguém a ficar do seu lado, por mais que ela o amasse. E seu coração andava tão confuso que ela não sabia de mais nada.
_ Claro que ela precisa, e você vai precisar dela. Elano, você não acreditou que aquele filho era seu... Você pensou que era do Conrado.
_ Mas dói do mesmo jeito, Giane, dói do mesmo jeito. Se fosse meu ou não. Quando eu ouvi o grito dela, parecia que tinha perdido uma perna. E se ele era meu? Pior ainda, eu não acreditei nela... Uma coisa idiota, sabe? Tão besta.
_ Eu sinto muito, Elano. De verdade.
Elano pegou em sua mão de novo, e deu um beijo em sua testa.
_ Obrigado por ser minha força quando eu preciso, Giane.
Cida parecia bem mais calma agora, Fabinho ainda a abraçava quando esticou o braço e pegou o copo d’água no apoio.
_ Toma a água. – ela se sentou na maca, o rosto inchado pelo choro e segurou o copo com as mãos tremulas, tomando um gole.
_ Ele ainda tá dentro de mim, sabia? – ela colocou a mão no ventre e Fabinho enxergava a dor nos olhos dela. — Eles vão tirar... E... – Fabinho segurou a mão dela.
_ Ei, não... Eu... – ele não encontrava as palavras, Cida podia jurar que via lágrimas em seus olhos. – Eu não queria que isso acontecesse com você... Já tá sendo ruim o suficiente.
_ Mas, Fabinho, eu sei que...
_ Você e o Elano precisam conversar, tentem não brigar agora... Fica bem, tá? — ele apertou a mão dela e se levantou da cama.
_ Você volta?
_ Você quer que eu volte?
_ Claro.
_ Então, eu volto.
Fabinho saiu do quarto e ultrapassou a porta do corredor, Elano parecia mais recomposto agora, Giane segurava uma garrafa de água, ele passou pelos dois.
_ Segundo quarto à esquerda. – disse.
Elano foi caminhando até o quarto e Giane atrás de Fabinho pelo hospital. Fabinho saiu e entrou no carro, ele sentia uma agonia no meio do peito, uma coisa ruim, ele sabia que não era culpa de ninguém, mas não queria que tivesse acontecido com ela nos seus braços.
_ Fabinho! Fabinho! Abre o carro! – Giane batia no vidro do passageiro.
Ele destrancou o carro, e olhou para as suas roupas, ainda manchadas com o sangue de Cida. Giane se sentou no carro e ficou olhando para ele, as mãos dele tremiam enquanto ele tentava limpar a camiseta e a calça.
_ Fabinho... – ela segurou no braço dele, e ele afastou o toque dela. Ela sentiu os olhos encherem d’água, porque sabia que ele estava sentindo dor por isso. – Fabinho, por favor... Para com isso... Você vai acabar rasgando sua roupa.
Ele encostou a cabeça no encosto do banco e começou a chorar, um choro doloroso, Giane podia sentir a dor dele dentro dela. Ela avançou para o lado dele e o abraçou do melhor jeito que pode.
_ A culpa não é sua, não é sua... Não precisa ficar assim...
_ Giane... Me solta, me deixa em paz...
Giane se afastou dele, ela também chorava.
_ Por que você não vai consolar ele? Ele precisa bem mais do que eu! Ele não é seu novo namorado? Porque você não tá lá?
_ Eu te amo, Fabinho... Não fala assim... Você me magoa.
_ Não, não, Giane, quem me magoou foi você! E eu fui cego o bastante pra deixar isso acontecer. Agora olha a merda que aconteceu! Olha o que você e ele fizeram! A culpa pode não ser minha, mas quem deixou ela mal ontem com certeza, não fui eu! Você queria um príncipe encantado? Achou! Agora me deixa, SAI DO MEU CARRO! – ele gritou a assustando.
_ VAI PRO INFERNO, FABINHO!
_ Eu tenho certeza que lá é o meu lugar. Agora, sai. – os dois choravam nervosos, Giane abriu o carro e saiu. Fabinho ligou o carro e foi para casa, precisava tomar um banho e um calmante o mais rápido possível.
Elano entrou no local onde Cida estava, ela olhava para o telhado, ele se aproximou dela.
_ Cida... A gente pode conversar?
Ela o olhou, mas não respondeu e não esboçou qualquer emoção.
_ Eu sinto muito... Eu sinto tanto... – os olhos dele marejaram.
_ Você sente mesmo, Elano?
_ Claro que eu sinto, mesmo que fosse meu...
_ Elano! Até quando você não vai acreditar em mim? Esse filho era seu! SEU! – ela se alterou, ela chorava de novo. – Você acha que eu seria capaz de vir até aqui atrás de você se esse filho não fosse seu? Você não me conhece? Eu não mudei tanto assim, você me olha como se eu fosse uma estranha e não como se eu tivesse passado anos do seu lado! Do seu lado, Elano! A gente queria tanto um filho, você se lembra? Ou já esqueceu também? Eu queria tanto ter tido esse filho, já o amava tanto... – ele se aproximou dela e a abraçou, os dois chorando.
_ Me desculpa... – ele sussurrou, ela não o abraçou de volta. – Eu não queria....
_ Com licença, me desculpa a interromper... – o médico entrou acompanhado por duas enfermeiras.
Elano se afastou de Cida e secou o rosto.
_ Maria Aparecida, nós vamos te levar pra fazer a curetagem uterina.
Ela concordou, respirando fundo para se acalmar novamente.
_ Você quer que eu vá? Que eu fique aqui, te esperando voltar?
_ Não, Elano, eu vou enfrentar isso sozinha. Você já está livre de mim, nada mais te prende aqui.
O médico com o auxilio das enfermeiras ajudaram a levar a maca de Cida. Elano ficou parado esperando a ficha cair, reuniu as poucas forças que tinha e foi buscar o ar que lhe faltava no lado de fora do hospital. Giane estava sentada lá. Eles sentiam aquela sensação de vazio, um buraco que ficaria depois daquele dia.
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