We Remain
11 Capítulo 11
_ O quê? – Elano questionou e ficou esperando alguma ficha cair.
Na verdade, ele não sabia por que ficou tão surpreso, mas em apenas alguns segundos ele imaginou em sua mente Cida grávida, ele do seu lado, e um bebê em seus braços. Mas logo, a imagem se dispersou quando lembrou que aquele filho podia ser de Conrado e não seu. Ele sentiu a raiva voltar de novo, seu nariz doía mais do que tudo. Ele se sentiu sem foco e caminhou até a janela da casa, procurando por ar.
O silêncio tinha tomado conta da casa, Giane ficou observando a situação, Cida começou a chorar no sofá, talvez pela falta de uma reação alegre de Elano, e Fabinho se sentou do lado dela. Olhando os dois sentados, ela percebeu como aquilo a machucava, e como ela machucou Fabinho, mas se lembrou de que ele tinha a traído com aquela loira, e se sentiu mal. E depois se sentiu pior quando se lembrou do beijo que deu em Elano, ela queria sumir dali, queria mesmo.
_ Elano, por favor, eu... – ela começou com aquela voz de menina, e Giane observou Elano se virar pra ela, os olhos cheios de água.
_ Por que você tá me dizendo isso?
_ Porque eu... Porque é seu, Elano! Pelo amor de Deus....
_ Por que é meu!? Você tem certeza? – ele deu uma risada nervosa. – Porque eu tenho certeza que é do Conrado.
_ Como você pode...? – Cida foi interrompida por Margot que trazia um copo de água pra ela. Ela recusou com a cabeça, mas Fabinho tomou, ainda tentando acalmar os nervos.
Na verdade, Fabinho queria quebrar mais ainda a cara do irmão, como ele podia tratar assim a ex- mulher? Mesmo com todos os problemas, se ela dizia que era dele, era porque era. Ou não? Mas ele não devia trata-la assim. A água desceu com o gosto amargo, o efeito da bebida sumindo aos poucos, e o mal estar chegando.
_ Como eu posso!? Como você pode!? – Elano disse olhando pra ela. – Olha pra mim, meu irmão acabou de me bater, vocês dois... – ele apontou para ela e pro Fabinho. – Não me deram uma chance, vocês só tiraram suas próprias conclusões da minha amizade com a Giane, e depois de tudo, você ainda me vem dizer que tá grávida de mim. De mim? Será mesmo? Ou é daquele canalha que eu peguei na nossa cama? Você quer que eu acredite em você depois de tudo!? Eu ia resolver as coisas... E você só complicou mais ainda!
Elano mal conseguia olhar para a cara dela, a raiva crescente no peito, ele queria acreditar que o filho era dele, mas tudo na sua cabeça te mostrava que não era. Ele não queria causar mais problemas, saiu da casa, sentia a cabeça doer, mas não tinha certeza se era por conta da pancada de Fabinho ou se era da notícia que recebera, e saiu andando pela rua.
_ Ele não acredita em mim... – Cida começou a chorar e tampou o rosto com as mãos.
_ Também, pudera, né! – Giane acabou soltando e levou um olhar severo de seu pai.
_ Claro que você vai defender ele né, Giane. – Fabinho disse.
_ Não to defendendo ninguém, Fabinho. Ela sabe o que ela fez de errado...
_ Ele é um babaca! – Fabinho disse olhando pra Cida. – Não fica assim não, vou te ajudar.
_ Você, o quê!? – Giane se alterou. – Pra mim, chega dessa baboseira! – ela levantou e saiu, Silvério a seguiu.
E por mim, restaram Fabinho, Cida, e Margot na casa.
_ Fabinho, quando você estiver sóbrio a gente precisa conversar. – a mãe começou.
_ Nem vem, mãe! Esse OTÁRIO mereceu! E merecia muito mais! Ele tirou a Giane de mim! E olha o que fez com essa aqui!
Cida se levantou do sofá, ainda meio tonta, limpou as lágrimas do rosto.
_ Eu vou embora. Me desculpa por ter causado mais problemas ainda para vocês... – as lágrimas caiam do rosto dela com mais facilidade do que nunca, efeitos da gravidez. – Eu não queria, eu queria conversar com ele, esse bebê é dele. Eu tenho certeza. Ele não.... – ela chegava a soluçar, até que Margot a abraçou.
_. Você e o Elano precisam Você não pode ir embora nesse estado, querida. Pode passar a noite aqui e amanhã você volta pra sua casa resolver essa situação o mais rápido possível.
_ Você pode ficar com a minha cama, eu fico aqui.
Fabinho foi se deixando deitar no sofá, o corpo de acalmando da adrenalina que sentia, meio dormente, o estomago ruim, tudo meio que começou a rodar. Margot levou Cida até o quarto de Fabinho e ela observou as duas camas.
_ Bom, querida. Essa aqui é a cama do Fabinho, e a outra a do Elano. – Margot indicou as duas.
Ela assentiu com a cabeça, ainda se sentia mal.
_ Você tá bem?
_ Eu não sei por que eu tenho ficado tão mal essas semanas, não sei se é normal ficar tão mal assim na gravidez.
_ Acho que é sim. Bom, descansa um pouco. Se precisar de alguma coisa, o meu quarto é o do lado. – ela saiu, deixando Cida sozinha, ela se deitou na cama que era de Elano.
O cheiro dele ainda estava no travesseiro, ela não ia conseguir dormir, por isso abraçou o travesseiro e ficou assim, chorando, se lembrando dos momentos com ele. E como um dia, tinha sido feliz, ela não queria que tudo isso tivesse acontecido, não acreditava que tinha feito isso com ele. Ela não apagou a luz do quarto, mal conseguia se levantar com os soluços do choro.
Na sala, Fabinho se remexia no sofá, não conseguia pregar os olhos, pensava em Giane, e ele não ia admitir pra ninguém que chorar era a única solução, ele escondeu o rosto no sofá para abafar o barulho do choro pesado que tinha no peito. Ele amava demais aquela maloqueira, mais que a própria vida, não podia acreditar que ontem estavam bem e hoje ele estava sem ela do lado. Não se arrependia de ter batido no irmão, não depois de tudo que viu, mas e se ele foi impulsivo assim como Giane tinha sido com ele mais cedo?
A chegada da manhã demorou a chegar, Giane não tinha dormido, ficou o tempo todo acordada, lembrando-se de tudo e chorou por um longo tempo, até que cansou e foi pegar algo pra comer na cozinha. Tinha ficado preocupada com Fabinho e com Elano que saiu sem dar explicações de onde ia, e despertou dos pensamentos quando a campainha tocou e lá estava Elano, com a camisa com sangue seco, um pouco de sangue no rosto inchado pelas pancadas e provavelmente pelo choro.
_ Oi... – ele disse. – Eu sei que eu não posso te pedir nada, mas eu liguei pra Penha, ela vai vir me buscar, mas ela vai ficar muito maluca se me ver nesse estado, só posso me limpar?
Giane sabia que todo aquele sangue era culpa dela e ela sentiu os olhos marejarem de novo.
_ Desculpa, Elano, a culpa foi minha. Eu não devia ter ido atrás de você... – ela falou baixo, e ele quis abraça-la, mas não sujo daquele jeito.
_ Não foi culpa sua, tá? Eu... Sinto muito por tudo que aconteceu ontem, eu só não sei o que fazer... Acredite que seu beijo foi a única coisa boa que eu tive em dias. – ele disse simplesmente.
Giane não respondeu, o deixou entrar, ele trocou de camiseta, ainda carregava a mochila que tinha arrumado para levar pro Rio. Limpou o sangue do rosto e observou o estrago, o nariz torto, o roxo ao redor dele e dos olhos. Giane lhe trouxe um kit de pronto socorro, ele cobriu o corte no nariz com um esparadrapo, quando finalmente estava pronto, se sentou no sofá. Se lembrou de Cida, e lembrou que viu o carro dela ainda na rua, e que provavelmente tinha passado a noite na casa de Margot.
_ Eu ia ser o cara mais feliz do mundo se eu tivesse um filho com ela... – ele disse, meio perdido nos pensamentos. – Mas, ela... Eu nem sei se é meu, entende? Eu queria acreditar nela, mas toda hora eu me lembro de que não posso confiar nela. – ela se sentou do lado dele no sofá.
_ E eu perdi o Fabinho. A gente tá na merda. – ele assentiu.
Fabinho tinha conseguido dormir, talvez pelo efeito da bebedeira, sua cabeça doía muito, e no quando se sentou ouviu um barulho vindo do banheiro. Então, se lembrou de ontem, e aquele barulho de vomito vindo do banheiro provavelmente era da famosa empreguete. Ele caminhou até o banheiro, os sapatos altos dela estavam jogados no meio do corredor, a porta estava encostada e ele abriu, ela estava com a cara na privada, jogando o que não tinha estomago. Ele se sentiu mal por ela, e se aproximou, segurou os cabelos longos, ela se assustou, mas mal conseguiu falar alguma coisa, voltando para o que tinha que fazer.
Depois de alguns minutos intermináveis, o estomago de Cida pareceu se acalmar, ela se sentou no chão, e Fabinho se sentou do lado dela. Ela colocou as mãos na barriga, ainda sentia doer um pouco. A maquiagem dela estava toda borrada e o rosto dela inchado.
_ Acho que nem ele me quer... – ela sussurrou, e Fabinho sentiu o peito afundar, ela não podia falar isso.
_ Não fala assim... – ele a abraçou de lado, a fazendo encostar o cabeça do seu ombro.
Ele mal a conhecia, mas queria ajuda-la. Não pensou que ela podia se sentir tão fraca assim. Todos nós tínhamos o direito de errar, ele sabia muito bem disso. Mas sabia que logo ela ia embora, e ia continuar do mesmo jeito por causa daquele almofadinha babaca!
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