We Remain
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Por mais que, no fundo, Elano tenha amado o beijo de Giane, ele se distanciou antes que ficasse mais intenso. Observou os olhos assustados dela, ainda cheio de lágrimas.
_ Giane, você não pode fazer isso...
_ Eu não quis... – ela parecia ligeiramente perdida. – Me desculpa, Elano. – e as lágrimas de seus olhos desabaram mais uma vez.
Elano a abraçou novamente, ele se sentia mal por vê-la chorar, mas pior se sentia quando percebeu a confusão que fez na cabeça dos dois. Ele nunca imaginou que Giane um dia o beijaria nem que deixaria seu irmão, ela não deveria ter feito nenhum dos dois. Não agora que ele tinha decidido voltar para o Rio de Janeiro de vez. Giane era uma mulher diferente de todas que já tinha conhecido, gostaria sim de tê-la pra si, mas não poderia ser tão egoísta, as lágrimas que ela derrubava não eram por ele, e sim, pelo seu irmão. E ela só o beijou, porque ele era idêntico a ele, por mais que isso fosse dolorido, ele compreendia.
Cida não acreditava que tinha confundido Elano com o irmão dele, o tal de Fabinho, eles eram parecidos, mas ao mesmo tempo tão diferentes. Fabinho ainda olhava pra ela com um sorriso bêbado e tentava manter o equilíbrio, mas ela sabia que ele poderia te levar ao seu Elano.
_ Você sabe me dizer onde o Elano está?
_ Tô nem aí pra esse palhaço! – ele parecia muito bêbado.
_ Você bebeu demais, não acha?
_ Quem é você pra falar alguma coisa pra mim? Minha mãe?
_ Aff, que grosso! – ela voltou para o carro, entrando na porta do motorista.
Fabinho foi atrás dela, e apoiou os braços na janela do carro a observando.
_ Você parece tanto com ela. – ele disse em um tom mais sóbrio e menos brincalhão.
_ Ela, quem? Olha, eu preciso encontrar o Elano, se você não sabe me dizer onde ele está, eu não...
_ Eu sei onde ele tá.
_ Sabe? – ela o olhou, desconfiada.
_ Sei, na minha casa, pode me levar pra casa? – ele fez um biquinho, e ela revirou os olhos.
_ Que eu saiba sua casa é nessa rua. Só tenho que encontrar o número.
_ Não! Não...! Não... A gente mudou de casa. – ele mal sabia o que estava falando, tinha bebido demais.
_ Mudou!?
_ Sim. – ele balançou a cabeça.
_ Então entra aí, e me leva até ele.
Fabinho caminhou a passos lentos até a porta do passageiro do carro chique de Cida, ela fechou os vidros, e ele se acomodou no banco, o sono batendo forte.
_ Aquela maloqueira... – disse baixo, enquanto Cida saía com o carro.
_ Quem?
Assim que Cida virou o olhar para o banco ao seu lado encontrou um Fabinho dormindo, apagado pela bebida, e ela se amaldiçoou mentalmente por ter acreditado dele. Encostou o carro perto do meio fio da rua novamente, e começou a procurar o endereço anotado no celular, enquanto Fabinho começou a roncar baixo.
Elano resolveu levar Giane pra casa antes que ficasse muito tarde, os dois voltaram de ônibus, ela já estava mais calma, mas Elano ainda estava com o coração meio alterado, não tirou o braço de perto dela, com medo que ela chorasse de novo. Mas ela andava distraída em pensamentos, ele pegou em sua mão para te dar força enquanto caminhavam em sua rua. Ele percebeu que ela olhou para a casa de Fabinho que tinha apenas as luzes do quarto de Margot acesas.
Eles passaram pelo carro de Cida, mas Elano estava tão focado em Giane que mal se tocou que aquele carro enorme e caro era de sua ex-mulher, e ela também não ia notar. Eles pararam na frente da casa de Giane.
_ Giane, eu... – ele tentou pensar em algo pra dizer pra ela durante todo o caminho, mas não conseguiu. – Sinto muito.
_ Tá, Elano. Desculpa ter atrapalhado a sua viagem, mas eu precisava de um ombro amigo, sabe? E me desculpa pelo... beijo. – ela ficou sem graça, e ele também.
_ Tá tudo bem. Só quero que você fique bem agora.
_ Eu vou tentar.
_ Você precisa conversar com o Fabinho. – ele a abraçou, e deu um beijo em seus cabelos. – Fica bem.
_ Elano!?
Por um segundo o coração de Elano parou, literalmente parou ao ouvir a voz dela. Ele olhou para onde a voz vinha, e lá estava ela, parada no meio da rua, os cabelos longos sendo movidos pelo vento da noite, a maquiagem impecável, as roupas da moda, as unhas bem feitas, e os olhos meio marejados.
_ Cida? – ele soltou Giane, mas não foi de encontro com ela.
Cida não acreditava no que os próprios olhos vinham, Elano tinha passado por seu carro de mãos dadas com uma menina, e quando chegou mais próximo viu o quanto ela se parecia com ela. Pensou que Elano tinha te superado rápido demais e sentiu aquele peso no peito toda vez que sentia quando se lembrava do que tinha feito, e aquele peso se chamava culpa. A culpa tinha se transformado em mágoa e assim, o peso ficava cada vez pior de carregar.
Ela sentiu os olhos marejarem porque nem sabia mais porque estava ali, aquela visão tinha acabado com ela, ela ia sair correndo e voltar pra merda que estava, era melhor.
_ Foi por isso que você tava demorando tanto pra soltar? Por isso que ficou me ignorando? Sério, Elano!? — ela disse a última frase com um tom mais alto na voz, que ecoou pela rua.
_ Peraí, Cida. Quem fez aquela merda foi você. Não eu. Eu tinha todo direito de não querer voltar. De não querer falar com você!
_ Claro, tava aí nos braços dessazinha.
_ Essazinha não, olha o respeito comigo, sua empreguetezinha! – Giane falou mais alto que ela, até que Margot e Silvério saíram das respectivas casas.
Cida conseguia sentir olhos te observando, mas não ligava, Elano saiu da calçada e se aproximou dela, com a espivetada atrás dele. E um casal se aproximou dos três.
_ Que é isso, filha? – o senhor perguntou para aquelazinha.
_ A empreguete que veio atrás do Elano, pai, veio já querendo causar aqui!
_ Calma, Giane... – Elano disse se aproximando de Cida. – Você veio aqui pra causar uma bagunça maior do que já tá?
_ Você tá com ela? – Cida sentia as lágrimas de raiva nos olhos.
_ O que você tá fazendo aqui!?
_ EU VIM ATRÁS DE VOCÊ! PRA QUE EU ESTARIA AQUI!? Mas eu já entendi tudo, né!
Fabinho acordou com uns gritos vindos da rua, e abriu os olhos devagar, a cabeça doendo levemente, parece que o pequeno cochilo o tinha deixado mais sóbrio. Olhou ao redor, perdido por estar dentro de um carro que não conhecia, mas então, se lembrou do quase atropelamento e da tal empreguete que tinha vindo atrás de Elano. Ele olhou pela janela do carro, e encontrou o foco da confusão. Cida estava falando com Elano e Giane. Giane? Ele saltou do carro e foi em direção deles, ainda meio tonto pelo efeito do álcool.
_ Giane? O que tá acontecendo aqui?
_ POR ISSO QUE VOCÊ NÃO QUIS SABER DE MIM, VOCÊ JÁ TINHA ALGUÉM AQUI PRA ME ESQUECER, NÃO É!?
_ Como é que é!? – Fabinho se intrometeu, entrando na frente de Cida, e ficando entre ela e Elano e Giane.
_ Calma, filho! – Margot se aproximou de Fabinho, encostando sua mão no ombro no filho.
_ Não é nada disso que você tá pensando, Fábio! – Elano disse.
_ AH É? E você acha que eu sou cego? O que você tá fazendo com a Giane aqui fora essa hora? – ele falou meio enrolado.
_ Calma, Fabinho! – Giane se meteu. – Não é nada disso!
_ GIANE! Você terminou comigo pensando que eu tava traindo você, você nem me ouviu!!! E agora eu sei por que! Você só quis um motivo pra ficar com esse BABACA e me colocar de escanteio! COMO VOCÊ PODE FAZER ISSO COMIGO!?
_ FABINHO, EU NÃO, SE ACALMA!
_ Me acalmar?
_ Parem! Parem vocês! – Cida gritou atrás de Fabinho, que não a ouviu.
_ Eu sabia que você... – Fabinho apontou o dedo no peito de Elano. – Veio aqui pra infernizar minha vida! EU SABIA! – ele o empurrou, quando percebeu, mesmo com os reflexos alterados tinha conseguido acertar um soco no nariz dele.
_ FABINHO! – todos gritaram, menos Cida.
_ VOCÊ TÁ MALUCO, FABINHO!? VOCÊ TÁ BEBADO! – Giane o empurrava para longe de Elano com a ajuda do pai.
Ele foi se afastando lentamente, ainda se sentia alterado. Cida estava assustada, o rosto ainda molhado pelas lágrimas derrubadas, ela olhava sem piscar, quando Elano ergueu o rosto com o sangue que escorria do nariz, ela sentiu as pernas falharem.
_ Cida! – Elano gritou, chamando a atenção de todos pra ela. Ela estava pálida.
Fabinho ainda sentia a respiração pesada, e como era o mais próximo de Cida quando ela resolveu desmaiar, ele a pegou antes que batesse no chão.
_ Meu Deus! – Giane se aproximou dela, nem um pouco incomodada com a semelhança delas. – Tá vendo o que vocês dois fizeram!?
Fabinho não respondeu, ele estava com medo de carregá-la no colo e cair, devido tudo que tinha bebido naquela noite. Ele ficou ali suportando o peso dela, até que Elano se aproximou e a pegou no colo, levando pra dentro da casa de Margot. Alguns vizinhos tinham saído para observar a confusão que tinha acontecido, e seu Silvério estava tentando acalma-lo.
Ele mal ouvia as palavras de Silvério, só conseguia imaginar Giane com Elano, e aquilo o fervia por dentro, queria ir atrás dele e terminar o que tinha começado; quebrar cada pedaço da cara dele. Ele foi pra dentro de casa com Silvério atrás de si, Cida estava deitada no sofá ainda desmaiada, Elano estava limpando o sangue do nariz com uma toalha oferecida por Margot e Giane estava sentada no outro sofá e o encarava com muita raiva.
_ VOCÊ É UM BABACA, FABINHO! OLHA O QUE VOCÊ FEZ!
_ BABACA É VOCÊ, QUE ME TROCOU POR ESSE ALMOFADINHA AÍ! DEPOIS O CULPADO SOU EU, A CULPA É SEMPRE MINHA!
_ PAREM VOCÊS DOIS! CHEGA! – Margot gritou, Fabinho e Giane calaram a boca.
Observaram a mãe de Fabinho se aproximar de Cida com um pano molhado de álcool e encosta-lo no nariz dela, ela abriu os olhos e demorou para que entrasse em foco.
_ Cida? – Elano se aproximou do sofá, do campo de visão dela.
Ele ainda tinha um pouco de sangue saindo do nariz inchado e roxo, e a camiseta molhada de sangue, ela se sentiu enjoada, se sentou no sofá, já querendo embora.
_ Eu estava voltando pra casa, Cida. Você não devia ter vindo pra cá. – ele disse, e ela deu uma risada sem a menor graça.
_ Sei, sei que você tava indo pra casa. Vi bem como você tava voltando pra casa, Elano! Você podia pelo menos ter me dado uma explicação! – ela falou alterada de novo. – Eu vim até aqui porque tinha coisas importantes pra te dizer, mas depois do que eu vi, do que adianta?
_ Você que fez tudo errado, Cida! Não queira jogar a culpa em mim! Você acabou comigo! O que você veio me dizer? Que tá muito feliz com o seu Conrado?
Cida sentiu o coração quebrar em milhões de partes de ver Elano a tratando assim, apesar de tudo, ela o amava. Ela sabia que a culpa era dela, ela sentiu uma ou duas lágrimas escorrerem dos olhos, antes de limpar a garganta embargada e dizer:
_ Eu vim te dizer que eu to grávida, Elano.
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