We Love You, Olivia!
23 ღ CAPÍTULO 22
Notas iniciais
"Apenas um toque do seu amor é o suficiente para tomar o controle do meu corpo inteiro."
—Little Mix
A manhã na escola é chata sem Brownie. Com tudo o que aconteceu, é óbvio que ele não viria à aula hoje. Ele está arrasado e tem motivos de sobra para isso. Espero que meu amigo consiga encontrar uma luz de felicidade no fim do túnel, o que é difícil. Sei que tenho que pegar a matéria para ele e faço uma nota mental disso. Sem Henry, fico quase sozinha, já que Rosie tem treino com as outras líderes de torcida. Apesar de minha amiga insistir para que eu vá com ela, sinto que não sou bem-vinda no lugar. Não por Rosie, mas por outras líderes. Sei que hoje será um longo dia, já consigo prever.
O sinal bate e eu sigo direto para a minha aula de literatura, com o sr. Phillips. Tomo meu lugar de sempre, evitando olhar para trás. Não quero ver Jaden, mas sei que ele está na sala. Não quero ter que encará-lo. Sei que é ele que está me mandando as mensagens anônimas e não tenho um bom pressentimento quanto à isso. Não vai acabar bem e só me resta esperar para que o caos comece.
Interrompo meus pensamentos quando vejo que o sr. Phillips está se aproximando da sala. Antes que ele entre, vejo Bash passar pela porta de fininho. Está atrasado. Como sempre. Bash olha para os lados. A maioria das carteiras estão ocupadas e ele toma um lugar ao meu lado. Sinto meu coração se agitar. Isso sempre acontece quando estou perto de Bash e eu sem bem porque. Sempre que o vejo só consigo lembrar do que aconteceu e acabo me perdendo em lembranças que me fazem suspirar. Evito encará-lo para não perder a concentração, mas sei que ele está me olhando de relance. Seus cabelos ainda estão úmidos e conforme ele se mexe, sinto cheiro de shampoo. Endireito minha postura na cadeira, encarando o nada.
— Oi. — Ouço-o dizer com a voz rouca.
— Oi. — Respondo ainda sem encará-lo.
O sr. Phillips entra na sala, dando bom dia à todos. Ele manda que todos abram os livros e é isso que eu faço.
O professor começar a explicar sobre o período do Romantismo e eu tenho que fazer um esforço para prestar à atenção com Bash do meu lado. Isso tudo é bem mais difícil, já que não consigo deixar de reparar em todos os seus movimentos e em sua respiração quente tão próxima de mim. Bash coça a ponta do nariz de leve duas vezes. Logo depois, ele se recosta na cadeira, batendo a caneta no caderno. Ele balança a perna e puxa as mangas da camisa até o antebraço. Ele tem a mania de fazer isso, já pude notar. Bash suspira e posso imaginá-lo sorrindo. Céus! Ele sabe que eu estou o observando. Sinto meu rosto esquentar e tenho a ligeira sensação de que estou vermelha como um pimentão.
— Algum problema, Liv? — Sussurra, provocativo.
— Pare de fazer isso. — Respondo sem olhar para o lado. Vejo de relance que ele está sorrindo.
— O que estou fazendo? — Finge desentendimento.
— Me encarando — Eu quase grito sussurrando. Se é que isso seja logicamente possível.
— Bem, se você sabe que eu estava te encarando é porque você estava me encarando também. — Diz, divertido. Mordo o lábio inferior, sem resposta. Ele fica em silêncio, com um sorriso vitorioso nos lábios.
Volto a prestar atenção no sr. Phillips. Ele acaba de terminar de ler um poema e passa para a próxima página. Alguns minutos se passam e vejo um pequeno pedaço de papel deslizar pela minha mesa. É um bilhetinho de Bash. Respiro fundo e apenas leio o que está escrito no papel.
“Hey”
Contenho um sorriso, sem olhar para o lado. Meu lado racional grita comigo. Passar bilhetinhos na aula é imperdoável. Preciso prestar a atenção na matéria.
“Não posso responder. Estamos na aula.”
Passo o papel para o lado discretamente. Escuto-o soltando uma risadinha pelo nariz. Bash escreve alguma coisa e repassa o papel. Suspiro.
“Mas você já respondeu uma vez”
Reviro os olhos antes de escrever de novo.
“Sebastian!!!!”
Ele escreve algo e passa o bilhete.
“Olivia!! :( “
A carinha triste que ele desenhou no bilhete me faz balançar a cabeça e olhar para o lado. Bash força uma expressão de cachorro abandonado, usando os indicadores para curvar os lábios para baixo, numa expressão cômica e fofa. Reviro os olhos, escrevendo algo no papel.
"Preste atenção na aula"
Passo o papel para o lado. Ele não demora a voltar.
"Preciso de ajuda na matéria. Estou perdido."
Leio o papel. O sorriso sínico de Bash me dá certeza de que ele está mentindo. Além disso, que eu saiba, ele nunca teve problema em literatura.
"Não precisa não!"
Deslizo o pedaço de papel. Ele volta mais uma vez.
"O que eu preciso fazer pra chamar sua atenção? Faço qualquer coisa."
Contive um sorriso. É quase irônico pensar que alguém como Bash está me mandando um bilhete assim. De pensar que quando a roda do amor voltar a sua posição de antes, é provável que ele nunca mais olhe na minha cara.
—Sr. Foster? Srta. Carter? — A voz do sr. Phillips chama a nossa atenção. — Eu vi um bilhete? Algo que queiram compartilhar com a turma? — Minhas bochechas pinicam e minhas entranhas se reviram, esperando por uma bronca vergonhosa. Sinto os olhares de todos sobre nós, o que é constrangedor demais.
—Desculpe, sr. Phillips. — Bash responde rápido. — Estava perdido na aula e pedi que a Liv me passasse o número da página do livro. — Mente. O sr. Phillips solta um murmúrio pelo nariz, mas parece acreditar.
— Tudo bem. — O professor diz mais calmo. — Mas preste mais atenção na aula, sr. Foster e não atrapalhe seus colegas. — Bash assente. — Bem, voltando à aula, preciso que tragam os relatórios do trabalho semestral dois dias antes. — Respiro aliviada e Bash parece fazer o mesmo. — Preciso ler antes da apresentação. — Continua.
Nós dois trocamos um olhar rápido e ele dá um sorrisinho. O sr. Phillips termina a aula passando uma lição de casa. Sou uma das primeiras a sair da sala e Bash vem logo atrás de mim. Quando viro o corredor, escuto sua voz.
—Liv!
Eu paro e o encaro.
— Você está brava? — Ele me analisa, procurando por algum sinal de irritação.
— Não. — Cruzo os braços. — Mas por pouco não nos encrencamos.
— Eu sei. — Responde baixinho. — Foi mal.
— Tudo bem. — Suspiro.
— Eu ouvi o que aconteceu com a mãe do — Henry. — Muda de assunto. — Por favor, transmita meus pêsames a ele.
—Farei isso. — Dou um sorriso fraco.
— Eu preciso ir agora. — Diz baixo. — Podemos nos ver depois? — Eu hesito por um instante. Aproveitar o momento. Lembro a mim mesma. Mesmo sabendo que não vai durar muito. Mesmo sabendo que, provavelmente, eu vá me sentir culpada depois.
— Tudo bem. — Respondo por fim.
Ele esboça um sorriso e se aproxima, inclinando a cabeça para me dar um beijo na bochecha. Sinto minha pele ficar quente onde ele beijou. Bash me lança mais um sorriso antes de se afastar. Solto um longo suspiro e sigo em direção a saída. Viro um corredor até que alguém coloca as mãos nos meus olhos, me surpreendendo. Eu quase grito por causa do susto. As mãos saem dos meus olhos e o seu dono aparece na minha frente. Noah está rindo.
—Noah? — Pergunto sem graça. Eu havia me esquecido de nosso último encontro. Sinto vontade de sair correndo. E não é por medo.
—Finalmente te encontrei. — Ele está animado. — Vim te buscar para o nosso encontro surpresa.
—Agora?
Ele assente e segura minha mão, me puxando para a saída.
—Mas Noah…
— Você vai adorar! — Me interrompe. Tenho que acabar com isso de uma vez por todas.
ஐﻬﻬஐ
Um cinema para carros. Noah nos trouxe à um cinema para carros, num estacionamento antigo da cidade. O lugar não está muito cheio, não deve ter mais de dez carros. O filme que está sendo exibido é Footloose, mas eu mal presto a atenção. Noah está sentado no banco do motorista, em seu carro, olhando para a grande tela. Ele também não parece muito concentrado. Estou sentada no banco carona, quase roendo as unhas. Nós dois parecemos desconfortáveis com a situação. Não conversamos muito desde que saímos da escola. Como sempre, nunca temos o que dizer. Respiro fundo, tomando coragem para falar.
—Noah? — Falo, cautelosa. — Preciso falar com você. — Ele me encara. Parece tenso.
—Pode ser depois do filme?
Eu hesito.
—É importante. — Insisto. Ele balança a cabeça, mas não me encara. Conto alguns segundos. Não posso mais. Eu me levanto rapidamente. Abro a porta do carro, saindo logo em seguida. Noah vem atrás de mim, batendo a porta. Sigo em frente, sem olhar para trás. — Eu sinto muito. Não posso continuar com isso. Desculpa.
—Liv, por favor. — Pede. Eu o encaro. — O que eu fiz de errado? — Pergunta um pouco exaltado. — Estamos saindo há semanas mas parece que você está sendo forçada a isso! — Acrescenta. — Eu não entendo! — Noah passa uma mão pelos cabelos brilhosos. — Se você não quer sair comigo, por que aceita? — Ele dá um passo largo na minha direção. — Não sabe como eu me sinto terrível quando sinto que alguém está perto de mim como se estivesse sendo obrigado!
— Noah, eu…
Ele me pega de surpresa, me puxando pela cintura. Noah cola seus lábios nos meus antes que eu tenha tempo de pensar. O beijo é apressado e apesar de retribuir, não sinto nada. Não há conexão. Absolutamente nada. Isso me surpreende. Há alguns meses atrás, um beijo do Noah era tudo que eu mais desejava. Mesmo sabendo que nunca aconteceria. E agora, estou o beijando, mas não é nada além disso. Nada além de duas bocas se tocando. O beijo não demora e ele me solta, franzindo o cenho. Noah se afasta um pouco, passando uma mão pelo rosto. Parece confuso e desnorteado.
—Desculpa. — Pede, completamente perdido. — Eu desejei muito esse beijo em todas essas semanas, mas…
—Mas?
Ele hesita, temeroso em continuar.
— Não devia dizer isso — Suspira. — Mas não senti nada. E eu não entendo. Eu queria isso porque você não sai da minha mente. — Dou um sorriso fraco.
Então, conto tudo para Noah. Explico novamente sobre a roda do amor e da ideia de Rosie sobre os encontros. Noah me observa atentamente, em silêncio. Mostro a ele o colar e conto como ele funciona. Conto também que aceitei sair com ele apenas para tentar fazer tudo voltar ao normal. Quando termino, ele fica em silêncio, digerindo tanta informação. Estamos sentados no capô de seu carro e eu balanço as pernas, esperando por sua reação.
—Então, esse colar é realmente mágico? — Pergunta baixinho. Assinto.
—Quando o ponteiro voltar à posição normal, você não vai mais estar apaixonado por mim. — Respondo. — Sinto muito por ter omitido isso tudo. — Ele esboça um sorriso fraco.
— Tudo bem.
—Desculpe. Eu só queria ajudar. Não queria causar toda essa confusão. — Suspiro. — Você gosta da Rosie e logo vai se lembrar disso.
Noah suspira.
—Nós podemos ser amigos pelo menos? — Pede. Sorrio.
—Claro.
Ele sorri.
—Obrigado por me contar a verdade, Liv. — Ele estende uma mão pra mim. — Amigos? — Pergunta sem jeito.
—Amigos. — Sorrio, apertando sua mão. Nesse momento, sinto como se parte de um grande peso fosse tirado de minhas costas. E fico feliz por isso.
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