We Love You, Olivia!
21 ღ CAPÍTULO 20
Notas iniciais
“E o tempo todo eu acreditei que te encontraria
O tempo trouxe seu coração para mim”
— Christina Perri
Bash parece estar entrando em uma crise nervosa. Ele está assim desde que recebeu a ligação da escola de seu irmão e apesar de já termos chegado ao hospital, sua agonia ainda não passou. Ele não para de andar de um lado para o outro, completamente sem rumo. Isso me deixa um pouco tensa também. A recepcionista nos mandou esperar. Nós não sabemos ao certo o que aconteceu com o pequeno Charlie e nenhum médico veio falar conosco ainda. Já não tenho mais unhas para roer quando um médico vem em nossa direção, com uma expressão indecifrável.
—São parentes de Charlie Foster? — Pergunta sério.
—Sim. — Bash responde afoito. — Ele é meu irmão. — O médico assente.
—Venham comigo então. — Pede.
Nós nos entreolhamos rapidamente e o seguimos pelos corredores movimentados do hospital até um quarto. O médico abre a porta e entra primeiro. Nós entramos logo atrás. Bash solta um suspiro aliviado quando vê o irmão sentado na cama, agarrado com um boneco peludo e roxo. Ele praticamente corre até Charlie, segurando seu rosto à procura de um ferimento.
— Você se machucou? O que aconteceu? — Charlie resmunga enquanto seu irmão mais velho o revira dos pés à cabeça, tentando encontrar algum problema. Percebo que há um curativo na testa do menino.
— Ele caiu de um brinquedo e bateu a cabeça. — O médico explica. Bash o encara. — Não é nada grave, já realizei alguns exames. Mas como ele é pequeno, precisa ficar de observação. — Acrescenta. — Ele já tem alta, mas precisa observar se ele tiver alguma tontura ou algo do tipo. — Bash assente. — Vou preparar os papéis da alta dele. — Avisa antes de deixar o quarto. — O que deu em você? — Bash pergunta quase bravo.
—Desculpa, Bash. — Murmura baixinho. Bash bufa, como forma de descarregar a tensão acumulada. — Cadê a mamãe? — Pergunta por fim.
— Ela está presa no trabalho. Não pode vir. — Explica calmamente. Charlie esfrega os olhos com as mãos.
—Quero ir pra casa. — Choraminga.
— Eu sei. Nós já vamos. Precisamos esperar o médico.
Charlie repara a minha presença e acena com uma mão.
—Oi, amiga do meu irmão.
Sorrio de volta e me aproximo um pouco.
—Olá, Charlie.
Ele dá um sorrisinho infantil que me faz lembrar automaticamente de Bash. Charlie se revira na cama, impaciente, e Bash solta um suspiro fraco.
— Cadê o papai? — Choraminga, parecendo enjoado.
—Nós já falamos sobre isso, Charlie. — Responde sério. Charlie faz uma careta, começando a chorar.
— Eu quero o papai! — Resmunga baixinho, enquanto esfrega os olhos cheios de lágrimas. Encaro Bash, confusa, mas ele apenas balança a cabeça e caminha até a janela, dando às costas para o irmão.
— Ele não vem. — Responde pacientemente, mas ainda sem encarar o irmão. Charlie chora ainda mais. Meus olhos passam de um para o outro, procurando por respostas. Ver alguém chorando na minha frente é agoniante e eu nunca sei como reagir. Normalmente, me sinto frustrada por isso.
—Hey. — Chamo a atenção de Charlie, sentando na beirada da cama. — Bash me disse vai fazer milkshake. — Tento, mesmo sabendo que isso não deve funcionar. Bash me encara, atônito.
—O Bash nunca faz milkshake. — Charlie chora baixinho.
—Mas ele vai fazer. — Insisto.
— Eu vou? — Bash arqueia uma sobrancelha, me encarando.
—Vai? — Charlie soluça, encarando Bash.
—Ah, vai! — Forço um sorriso, encarando Bash. Ele cruza os braços, quase contrariado. Charlie soluça mais uma vez, abraçando seu brinquedo. Seu choro parece estar cessando.
— Você também vai? — Charlie me encara, esfregando o nariz vermelho. Abro a boca, sem saber o que dizer.
—Ah, ela também vai! — Bash responde no meu lugar rapidamente.
Eu o encaro com o cenho franzido e ele me lança um sorriso vingativo como resposta. Charlie dá um sorriso fraco. Cruzo meus braços. Devia ter deixado a minha boca fechada. O problema é que eu não consigo dizer não para as pessoas. Principalmente crianças que acabaram de ter uma crise de choro.
O médico não demora a voltar com a alta de Charlie e ele sai da cama rapidamente. Parecia mesmo inquieto por ter de ficar parado tanto tempo. O doutor faz algumas recomendações que Bash escuta atentamente. Sinto Charlie segurando minha mão e balançando. Quando o encaro, ele dá um sorrisinho. Sorrio de volta. Nós deixamos o hospital e vamos direto para a casa de Bash. Fico nervosa só de pensar. Eu não deveria ter vindo. Eu deveria me afastar de Bash, não me aproximar dele ainda mais. Ah, céus! Qual é o problema comigo?
A casa de Bash é grande e confortável. A decoração é moderna e em cores mais escuras. Há um grande sofá vermelho no centro da sala e pinturas cobrem as paredes. O lugar está vazio e Bash deixa as chaves na bancada da cozinha, que é ligada com a sala como um cômodo só. Mozart, o cachorro de Bash, corre e pula em cima dele, abanando o rabo. Bash acaricia sua cabeça e Charlie corre direto para o banco alto, na bancada da cozinha, onde um brinquedo de montar está o esperando.
— Eu quero milkshake de chocolate. — Exige, concentrado no brinquedo. Bash dá um longo suspiro.
—Já entendi, mandão. — Bash responde bem-humorado. — E a senhorita vem comigo. — Ele me puxa pelo braço, até chegarmos à pia da cozinha. Eu protesto, mas ele me ignora. — Foi você que inventou! — Dá de ombros.
Faço uma careta. Bash abre a torneira da pia e nós lavamos as mãos. Enquanto ensaboo entre os meus dedos, ele junta um bocado de água na mão e joga em meu rosto. Eu o espraguejo, fazendo-o soltar uma risada com vontade.
—Você é completamente insuportável! — Sussurro.
—Aham. — Debocha. — Você já disse isso. — Ele tem um sorriso divertido nos lábios.
Junto um pouco de água quando enxaguo as mãos e jogo em Bash. Ele resmunga, mas solta uma risada, enquanto fecha a torneira. Observo Charlie, completamente distraído com seu brinquedo, enquanto Mozart está deitado aos seus pés.
—Eer… — Digo sem jeito, enquanto seco minhas mãos. — Porque seu irmão estava chorando? — Pergunto. Bash dá um longo suspiro. Sua expressão fica séria em um instante.
—Nossos pais se divorciaram há alguns meses. — Responde baixinho, sem me encarar. — Charlie ainda tem dificuldade de entender. — Acrescenta. — Principalmente agora que nosso pai foi morar em outro estado.
—Ah. — Respondo por fim. — Sinto muito, Bash. — Ele dá um sorriso fraco.
— Está tudo bem. — Dá de ombros. — Agora vamos fazer logo esse milkshake!
Bash vai até a geladeira e pega morangos, sorvete e leite, enquanto eu ajeito um liquidificador em cima da bancada. Ligo o aparelho na tomada e destampo.
—Agora é só jogar tudo aí dentro. — Diz por fim. Franzo o cenho.
—Não! Você precisa cortar os morangos primeiro.
Ele arqueia uma sobrancelha, contrariado.
— Acho que eu sei como preparar um milkshake. — Responde, convencido.
— Acho que não sabe não! — Rebato. Bash revira os olhos, impaciente.
—Certo. — Diz, vencido. — Vou cortar os morangos. — Sorrio. — Você pode colocar o sorvete e o leite no liquidificador, por favor? — Assinto.
Coloco um pouco do sorvete de baunilha e o leite dentro do liquidificador, enquanto Bash corta os morangos. Por fim, ele coloca todo o morango picado. Fecho a tampa.
—Onde liga essa coisa? — Pergunta, tentando encontrar o botão. Não há nenhum aparente. Encontro um pequeno botão ao lado direito.
—Deve ser esse. — Concluo.
—Tem certeza?
— Eu sei usar um liquidificador!
Bash estreita os olhos, nem um pouco pouco convencido. Solto um resmungo e aperto o botão. Nada acontece.
—Que estranho! — Franzo o cenho, apertando o botão diversas vezes.
—Tem alguma coisa errada com essa coisa!
Bash arranca a tampa e nós dois aproximamos nossos rostos do copo. Escutamos um barulho como o de uma moto-serra e tudo que está dentro do liquidificador voa em cima da gente. É como um banho gelado e melado. Esfrego meu rosto, que está coberto de sorvete, leite e morango picado. Bash também está na mesma situação que eu, assim como a bancada que virou uma bagunça. Charlie leva uma mão à boca, contendo uma risadinha e Mozart late. Estão se divertindo às nossas custas. Bash me encara com a sobrancelha arqueada e eu forço um sorriso.
—Sabe usar um liquidificador, né? — Pergunta sarcástico. Seu rosto está coberto de sorvete e ele tenta limpar um pouco com uma mão, mas só piora a situação. Charlie solta uma risada risada infantil.
— Foi você que tirou a tampa! — Me defendo, mas acabo rindo
—Que vergonha! — Charlie exclama como um mini adulto. — Não sabem nem fazer um milkshake. — Cruza os braços. Bash e eu nos entreolhamos. Ele parece estar tendo uma ideia.
—Eu vou por um lado, você vai por outro.
Assinto, contendo um sorriso. Nós dois contamos até três e corremos na direção de Charlie, um por cada lado. Ele não tem tempo de correr e Bash o agarra no colo, beijando sua bochecha e sujando seu rosto. Charlie solta um gritinho e faz força, tentando se soltar.
—Sabe, Charlie está precisando de um castigo. — Diz Bash rindo, enquanto segura o irmão no colo pela barriga. Charlie se balança, soltando uma risadinha. — Que tal umas torturantes cócegas? — Sugere. Franzo a testa.
— Acho uma boa ideia. — Sorrio. Charlie se mexe ainda mais. Me aproximo dele, fazendo cócegas e ele solta uma gargalhada. Mozart solta um latido e pula tentando lamber meu rosto. Por fim, ele acaba me derrubando.
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Depois que terminamos de limpar a bagunça que fizemos (inclusive em nós mesmos), preparamos um milkshake, que, felizmente dá certo desta vez. Charlie toma o milkshake e apaga no sofá. Parece exausto. Eu também estou. Confiro a hora e percebo que já passam das sete. Eu nem vi a hora passar. Me sento num banco, balançando meus pés.
Bash termina de enxugar o último copo e se estica. Apoio meu cotovelo na bancada, apenas o observando. Ele tira uma mecha de cabelo do rosto e puxa as mangas compridas da camisa até o antebraço.
— Acho que acabamos. — Suspira. Balanço a cabeça positivamente. Ficamos em silêncio por alguns segundos. — Obrigado pelo que fez por meu irmão. Significa muito pra mim. — Dou um sorriso tímido.
—Não há de quê. — Ele me encara por um longo segundo e me faz lembrar que eu devo ir. — Eu tenho que ir agora. — Me levanto.
—Liv? — Ele se aproxima de mim. — O que eu ia dizer na escola hoje é que… — Hesita. — Achei que as coisas seriam diferentes agora. Você sabe que eu gosto de você. — Recuo um passo.
—Não posso fazer isso, Bash. — Respondo tensa. Ele franze o cenho.
— Você não gosta de mim? — Pergunta baixo. Seus olhos estão cheios de esperança. Gosto. É o que quero responder, mas não faço. Isso me parte por dentro.
— Eu realmente preciso ir. — Repito, dando mais um passo para trás.
—Liv? — Sua voz é calma. Ele respira fundo. — Se você não gosta de mim, me diga. Por favor. — Pede. — Não há nada pior do que gostar de alguém que não gosta de você, mas vive dando falsas esperanças. — Seus olhos parecem cheios de dor. Respiro fundo, sentindo meu coração se agitar. Não posso deixar isso acontecer. Por mais que doa em mim.
— Bash. — Respondo cautelosamente. — Você não gosta de mim como pensa. É culpa do colar. Ele está fazendo isso. — Bash solta uma risada sem humor.
—Liv. — Ele responde pacientemente. — Um colar não faz ninguém se apaixonar.
—Não, Bash. Esse colar é diferente. Ele…
Bash segura meu rosto com as duas mãos, interrompendo minha fala, e me beija. Seus lábios pressionam os meus de forma intensa e inesperada. Não é como o nosso primeiro beijo, é mais afobado e parece que meu corpo está em chamas. Eu retribuo em seu ritmo, sentindo meu coração se agitar ainda mais. Bash interrompe o beijo antes do que eu gostaria. Nossas testas estão grudadas e ele ainda segura o meu rosto.
—Se você não quer isso. — Sussurra, ofegante. — Me diga.
Não respondo. Todo o meu lado racional deve ter me abandonado no momento em que Bash grudou sua boca na minha. Meu silêncio é demorado. Bash sorri, encarando isso como um sim. Ele não está errado, no entanto. Que se dane a roda do amor! Quando isso acabar, Bash não vai gostar mais de mim. Então, vou aproveitar o momento. Mesmo sabendo que ele será curto e que eu vou sofrer depois.
Bash enlaça minha cintura e eu passo meus braços em volta de seu pescoço. Ele sorri mais uma vez antes de grudar nossos lábios novamente, desta vez, num beijo mais lento. Os movimentos são intensos e nossas línguas se tocam o tempo inteiro. Bash me puxa para mais perto e eu me levanto na ponta dos pés para ficar da sua altura. O momento parece durar uma eternidade. Quando nosso beijo termina, ele toca meus lábios com os seus delicadamente. Sorrimos. Ele me puxa para um abraço e eu deito a cabeça em seu ombro, enquanto ele acaricia meus cabelos.
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Eu consigo chegar em casa antes de meus pais. Meu coração está agitado de felicidade e tristeza pelo que virá pela frente. Eu me jogo no sofá, deixando a bolsa de lado. Fecho os olhos, lembrando dos beijos e me pego sorrindo como uma idiota. Eu deveria imaginar. Nunca jogue pedras nos telhados alheios se o seu é de vidro. É o que sempre dizem. Eu sempre ri da cara dos tolos apaixonados de histórias de romance e aqui estou eu. Apaixonada como uma bobona.
Meus pensamentos são interrompidos pela campainha. Estou em um êxtase tão grande que nem resmungo. Quando abro a porta, dou de cara com Brownie. Seus olhos estão vermelhos e inchados como os de alguém que passou o dia chorando.
—Brownie? — Franzo o cenho. Seus olhos se enchem de lágrimas. — O que aconteceu? — Pergunto preocupada. Ele me abraça, enterrando o rosto em meu ombro. Retribuo o abraço, mesmo sem entender. — Henry?
—Ela se foi. — Responde entre lágrimas. — Minha mãe… — Soluça. — Ela morreu!
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