We Love You, Olivia!
19 ღ CAPÍTULO 18
Notas iniciais
"Quando a boca não consegue dizer o que o coração sente, o melhor é deixar a boca sentir o que o coração diz."
—William Shakespeare
Um simples beijo de língua pode fazer você trocar aproximadamente oitenta milhões de bactérias de uma vez só. Eu li numa matéria científica. Pensar nisso pode fazer qualquer um desistir de beijar na mesma hora. Mas, não é exatamente por isso que eu nunca beijei. A verdade é que eu nunca encontrei a pessoa que inspirasse confiança o suficiente para isso. Uma pessoa que eu estivesse apaixonada. No entanto, talvez isso tenha acabado agora.
A pergunta de Bash me fez entrar em choque. Ou quase isso. Estou o encarando, mas parece que meu espírito não está mais ali. Ele pediu para me beijar? Sinto meu coração acelerar a mil por hora. Estou quase entrando em pânico quando me forço a voltar a realidade. Bash está me olhando fixamente, esperando uma resposta. Eu me levanto rapidamente e quase fico tonta por causa do movimento brusco. Ele também se levanta, ainda me encarando.
— Você não precisa dizer sim se não quiser. — Ele sorri, dando um passo na minha direção.
Sinto minha respiração falhar. Eu não sei o que dizer. Porque eu preciso confessar- eu quero esse beijo. Mas, não tenho coragem de responder. Porque sou covarde demais para isso.
— Aquele dia, na sala de artes, não consigo tirar da cabeça. — Solta uma risada baixa.
Bash se aproxima ainda mais. Estamos tão próximos que posso sentir sua respiração quente. Não consigo desviar o olhar de seu rosto. Seus olhos estão fixos em mim com uma intensidade que não sou capaz de medir. Seus lábios semiabertos estão próximos dos meus. Sou capaz de ver as pequenas sardas espalhadas em seu nariz e sinto o seu perfume. Não consigo desviar o olhar. Não consigo me afastar. Por mais estranho que pareça para mim e por mais que parte do meu cérebro esteja gritando para eu correr, eu quero ficar.
— Não consigo tirar você da minha cabeça. — Sussurra. — Preciso dizer que estou completamente apaixonado por você e isso está me deixando louco. — Meu coração martela tão forte contra o meu peito que sou capaz de ouvir o eco em minha caixa torácica. — Eu posso estar errado, mas eu acho que você quer isso tanto quanto eu. — Ele dá um meio sorriso. — Por favor, não fuja dessa vez. — Sinto minhas pernas bambearem quando seus lábios roçam a minha bochecha. Meu corpo parece estar em brasa. Sim. Eu também quero isso. Porque também estou apaixonada por ele, por mais que não tenha coragem de dizer em voz alta. Viro meu rosto para o lado e nossos narizes se tocam. Respiro fundo, tomando coragem.
—Sim.
O que eu estou fazendo? Eu devo ter perdido o juízo. Mas, se isso aconteceu, eu não quero recuperá-lo. Não por enquanto.
Bash sorri e segura meu rosto delicadamente, aproximando seus lábios dos meus. Fecho meus olhos e o sinto beijar minha bochecha despreocupadamente. Sinto um arrepio por todo o meu corpo. Ele repete o gesto, beijando o canto da minha boca. Sinto mais borboletas ainda em meu estômago e finalmente, Bash pressiona seus lábios contra os meus, fazendo movimentos suaves. A sensação é diferente de tudo que já senti. É estranho, à princípio, mas logo me acostumo com o gesto, retribuindo, e apoio minhas mãos em seu peito.
Ele me beija de forma lenta e, ao mesmo tempo, intensa. Como se o tempo tivesse parado só para nós. Como se uma corrente elétrica passasse por nós, nos unindo e nos impedindo de nos separar. Como se tivéssemos nascido para isso. Eu só consigo pensar que eu não quero que esse momento acabe. Bash inclina um pouco a cabeça e segura minha cintura levemente, me puxando contra o seu corpo, até estarmos grudados. Os segundos passam e Bash corta o beijo suavemente, mas não se afasta. Sinto ele esboçar um sorriso leve contra os meus lábios e os toca mais uma vez. E outra vez.
Quando abro meus olhos, sinto meu rosto esquentar. Só então percebo o quanto estou sem fôlego. Bash está me olhando, arfando um pouco, e sorri. Um sorriso que me faz perder mais ainda o fôlego. Nós ficamos em silêncio, sem saber o que dizer. Pela primeira vez desde que o conheci, Bash parece não ter palavras. Nem mesmo um comentário sarcástico. Ao mesmo tempo, nós dois nos sentamos na grama novamente e deitamos do mesmo jeito que estávamos antes. Dou um longo suspiro, enquanto ele finalmente me encara.
—Sabe, você tem sorte. — Diz casualmente. — Os primeiros beijos não costumam ser bons, mas o seu… — Ele hesita. Sinto minhas bochechas corarem.
—O meu? — Tomo coragem para perguntar. Ele sorri.
— Foi ótimo. — Arfa. — Para que nunca tinha beijado, você está me saindo uma bela de uma beijoqueira.
Contenho um sorriso, mordendo o lábio inferior. Nós dois encaramos o céu, observando as estrelas e a Lua.
—Como foi o seu? — Pergunto por fim. Bash solta uma risada.
—Meu primeiro beijo foi péssimo. — Conta. — A garota tinha um perfume forte que me deu alergia. — Ele pausa. — Espirrei bem na hora. — Solto uma gargalhada, tentando imaginar. Bash solta uma risada fraca. Ficamos em silêncio de novo, até que ele me encara. — Naquele dia, na festa da Jess, você disse que eu era bonito pra cacete… — Meu rosto queima de vergonha. Não acredito que ele se lembra disso. — Você realmente acha isso? — Arqueia uma sobrancelha.
Evito encará-lo, quando tento responder. Mordo o lábio inferior, nervosa, e vejo de relance que Bash tem uma expressão divertida no rosto.
—Isso realmente importa para você?
Ele sorri, malicioso.
—Queria ouvir de você. Sabe, faz bem para o ego, ouvir umas palavras bonitas da garota que você acabou de beijar. — Responde espirituoso. — Do tipo, nossa Bash, você é bonito pra cacete. — Ele me imita. — Ou, você beija super bem. Tem o melhor beijo do país. — Completa, despretensioso.
Reviro os olhos.
—Não tenho como saber se o seu beijo é o melhor do país. Você foi o único garoto que eu já beijei.
—Nossa! — Ele coloca uma mão no peito, fingindo estar ofendido. — Você sabe acabar com um momento romântico como ninguém. É a versão Liv, estripadora de momentos românticos.
Faço uma careta. Bash estreita os lábios, me encarando. Ele me olha tanto que me sinto desconfortável.
—Por que está me encarando desse jeito? — Pergunto desconsertada. Ele esboça um sorriso.
—Eu estava pensando… — Ele vira seu corpo na minha direção. — O segundo beijo sempre é melhor que o primeiro… — Sorrio. — Se você quiser, estou bem aqui, se quiser repetir a dose. — Ele toca meu rosto com o polegar, sem tirar os olhos dos meus lábios. Seus olhos finalmente encontram os meus. Não recuo quando ele se aproxima e me beija de novo. Bash está certo. O segundo beijo é melhor do que o primeiro.
ஐﻬﻬஐ
Eu devo estar presa num filme de comédia romântica, onde finalmente sou a protagonista que encontrou a felicidade. Ou estou sonhando. Mas, se estiver sonhando, devo estar dormindo há muito tempo ou tomei uma medicação muito forte. Será possível que eu usei alguma droga forte sem perceber e isso está me fazendo ter alucinações? Eu realmente espero que não, porque não quero que esse efeito passe nunca. Quando entro em meu quarto e fecho a porta, ainda tenho a sensação de estar flutuando. Não consigo acreditar no que aconteceu. Não consigo acreditar que beijei Bash, e, mais importante, não consigo acreditar que admiti para mim mesma que estou apaixonada por ele. Apaixonada de verdade. Completamente diferente de tudo platônico que já senti. Eu me recosto na porta e acabo escorregando, caindo com as nádegas no chão. Estou tão feliz que nem resmungo, apenas solto uma risada. Seria capaz de sair dançando, mesmo sem saber dançar. Eu solto um suspiro e toco meu peito, sentindo o pingente do colar. A roda do amor.
Meus olhos se arregalam no instante que eu a encaro.
— Não, não, não! — Resmungo.
Seis pontos. O ponteiro da roda do amor girou seis pontos de uma vez só. Como isso é possível? Então, sinto-me como se alguém tivesse me jogado um balde de água fria na cabeça. Ou pior, como se o telhado da minha casa tivesse despencado sobre mim. Tudo me vem à minha cabeça. A declaração de Bash. O beijo. Não foi de verdade para ele. Só aconteceu porque ele está enfeitiçado com o colar mágico. Não foi real. Ou pelo menos, não para ele. Isso significa que quando tudo voltar ao normal, quando o ponteiro der a volta, o encanto acabará. Bash não gostará mais de mim. Parece que meu coração se parte e a felicidade se evapora no mesmo instante. Como eu pude me esquecer disso? Eu deveria saber que ele nunca gostaria de mim se não fosse pelo maldito colar.
Deito-me no chão frio, encarando o teto, sem saber o que fazer. Não posso fazer isso. Nunca vai ser real. Respiro fundo algumas vezes, ignorando o bolo em minha garganta, e encaro meu celular. Vejo que tem uma mensagem de Henry.
“Você já chegou?”
É a pergunta que ele enviou. Suspiro.
“Sim. Pode vir aqui um instante?”
Envio a resposta. Um minuto depois, uma nova mensagem chega.
“Já tô indo.”
Conto os segundos mentalmente. Oitenta segundos. Escuto quando a campainha toca e sei que meu pai atendeu. Continuo deitada no chão frio. Alguém bate duas vezes na porta de meu quarto. Pelas batidas, eu sei que é Brownie.
— Pode entrar! — Eu nem me mexo. Henry abre a porta vagarosamente e entra. Ele franze o cenho quando me vê e se joga no chão, do meu lado. Ele deita, esticando a coluna.
— Vou começar a cobrar consulta. — Comenta bem-humorado. Dou um sorriso fraco. — O que aconteceu desta vez, Olivia? — Murmura.
— Você estava certo. — Admito, sem encará-lo. — Estou apaixonada pelo Bash. — Percebo então que esta é a primeira vez que digo isso em voz alta. E só tenho coragem de dizer isso para meu melhor amigo. Henry esboça um sorriso.
— Isso não é novidade. Eu sempre estou certo.
Dou um longo suspiro.
— Há algo mais? — Sibila.
— Eu o beijei. — Respondo baixinho. Brownie sorri e me encara.
— E isso não é bom? Por que está com essa cara de velório? O que foi? Ele beija mal?
Eu me sento, cruzando as pernas. Ele repete o gesto. Um vinco de preocupação se forma em sua testa. Tiro o colar do meu pescoço e entrego para ele. Brownie suspira, parecendo entender.
— Não foi de verdade para ele. — Digo baixo. Sinto minha garganta apertar. — Bash só gosta de mim por causa disso. — Encolho meus ombros.
— E daí? Só aproveita!
Balanço a cabeça.
— Quando o ponteiro voltar a posição que deveria estar, tudo vai voltar ao normal. Ele não vai mais gostar de mim. Vai ser constrangedor e terrível!
Henry faz uma careta, como se quisesse dizer “eu sinto muito”.
— O que vai fazer, então? Agora ele sabe que você gosta dele. Não vai poder negar.
— Não sei. — Dou de ombros. — Mas não posso fazer isso com ele. Seria errado me aproveitar da situação sabendo que o Bash não tem escolha. Sabendo que ele está enfeitiçado. — Encaro as minhas mãos. — Também não posso continuar saindo com o Noah, não gostando dele. Me sinto culpada. O Noah não tem culpa e não merece isso. — Completo. Henry assente, sério.
— Sinto muito, Liv. — Suspira. — Queria poder ajudar mas não posso fazer nada. Só oferecer um ombro amigo. — Sorri. Sorrio de volta. Se antes eu não sabia o que era estar apaixonada de verdade, agora eu sei. E, é bem doloroso.
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