We Love You, Olivia!
20 ღ CAPÍTULO 19
Notas iniciais
“A lua ficou tão triste
com aquela história de amor
que até hoje a lua insiste:
— Amanheça, por favor!”
— Paulo Leminski
Eu acordo decidida esta manhã. Decidida a falar toda a verdade para o Noah e acabar de vez com esses encontros. Por mais que o ponteiro tenha girado, não posso mais fazer isso. Principalmente agora que eu sei que não dele que eu gosto de verdade. Ah, Bash. Não consigo tirar o beijo da minha cabeça. Toda vez que lembro que não é real, entretanto, sinto meu coração doer. Por que as coisas tem que ser desse jeito? Por que eu não sou uma pessoa interessante o suficiente para que alguém goste de mim sem precisar de um colar mágico? Tudo seria mais fácil se eu simplesmente não fosse eu. Se eu fosse uma garota como a Rosie, por exemplo, nada disso estaria acontecendo. Todos amam a Rosie. Ninguém gosta de pessoas sem sal como eu. Balanço a cabeça, espantando os pensamentos. Preciso me conformar. Não há nada que eu possa fazer quanto à isso.
Respiro fundo, controlando a minha ansiedade. Meu estômago revira só de pensar que vou ter que enfrentar Noah e contar tudo para ele. Falar com pessoas é algo que me assusta de vez em quando. Mas, eu preciso ter coragem. Não posso continuar dando esperanças a ele. Não posso continuar fugindo como sempre faço. Estou tão perdida em meus pensamentos que mal percebo quando minha mãe me chama. Ela está sentada de frente para mim. Eu a encaro e percebo que ela tem o cenho franzido. Estou à mesa da cozinha e deveria estar tomando café da manhã. No entanto, estou tão ansiosa que não consigo comer nada.
— Está tudo bem, querida? — Minha mãe pergunta, preocupada. — Está ansiosa com alguma coisa? — Penso por um instante. Será que eu devo contar a minha mãe? Ela já tem tantos problemas no trabalho para se preocupar com isso. Ela continua me encarando, esperando por uma resposta, quando seu celular toca. — Ah, um instante! — Pede. Minha mãe atende a ligação imediatamente. — Alô!— Beberico um pouco de suco. - As plantas já estão prontas, estão no escritório. — Continua. — O que? Elas estão lá. Você procurou direito?— Parece nervosa. — Certo. Eu vou para aí.— Ela desliga o celular. — Desculpa, querida. São problemas no trabalho. — Me pede. — Mas, por que está nervosa? — Esse não parece um bom momento para falar sobre isso, então, decido não dizer nada.
— Não é nada demais. — Dou de ombros. — São só as provas da escola. — Ela franze a testa.
— Não precisa se preocupar com isso. — Responde sorrindo. — Sei que vai tirar ótimas notas. — Ela se levanta, apressada. — Eu tenho que ir agora. — Minha mãe deposita um beijo no alto da minha cabeça. — Boa aula. — Dou um sorriso fraco como resposta. Ela pega sua bolsa e sai apressada.
Me forço a beber todo o suco antes de sair, apesar de não estar com fome. Eu não me atraso para a escola e chego um pouco antes. A minha primeira aula é de biologia e eu me forço a prestar a atenção em toda a matéria. A professora fala de genética, mas eu mal consigo pensar direito. Quando a hora do almoço chega, sigo em passos apressados pelos corredores. Preciso encontrar Noah e não posso encontrar Bash.
Estou prestes a entrar no refeitório quando sinto alguém tocando as minhas costas. Me viro e dou de cara com Noah. Como se ele tivesse adivinhado que eu preciso falar com ele. Respiro fundo, tentando criar coragem para falar.
—Estava te procurando. — Sorri.
— Eu também...
— Estava? — Seu sorriso se alarga, fazendo a minha situação piorar. Ele certamente entendeu errado. — Quero te convidar para sair mais uma vez! — Diz animado.
—Noah, eu…
— Não diga nada. — Me Interrompe, sorrindo. — Vai ser surpresa. Tenho certeza que você vai adorar. — Acrescenta. Balanço a cabeça. O sorriso de Noah é tão sincero que a minha coragem anterior se evapora como água na panela fervendo. — Falarei o dia e a hora depois. Preciso ter certeza. — Ele dá um beijo em minha bochecha e vai embora antes que eu possa responder.
Dou um suspiro fraco. Não acredito que deixei a oportunidade passar mais uma vez. "Esse será o último encontro. Contarei tudo para ele neste dia.", repito para mim mesma. De qualquer forma, terei mais tempo para me preparar psicologicamente para isso. É só mais um encontro de qualquer forma. O que poderia dar mais errado?
Entro no refeitório, que já está cheio, e procuro a mesa de Rosie e Brownie. Em meio à tantos alunos, não consigo encontrá-los de primeira. Ando entre as mesas, tentando não esbarrar em ninguém. Em um instante, sinto meu celular vibrando. Quando o pego, vejo que é uma mensagem anônima. Meu coração se agita na mesma hora.
"Nerd que rouba namorado da amiga merece perdão? Vamos descobrir em breve."
Eu quase deixo o aparelho cair no chão. É uma ameaça. Eu não recebia uma desde o dia no ginásio da escola. Meu estômago revira de pânico e eu olho para os lados. Não muito longe, em uma mesa à direita, junto com o time de hóquei, avisto Jaden. Ele está me encarando com um olhar desafiador que me faz ter mais certeza ainda de que foi ele que me mandou a ameaça. Por um momento, tenho vontade de sair correndo e vomitar. No entanto, vejo Rosie acenando para mim e apenas sigo para a sua mesa, tentando manter a calma. Não é nada. Não vai acontecer nada.
ஐﻬﻬஐ
A minha última aula termina e eu pego as minhas coisas. Toda a minha (pouca) paz escolar se foi no momento em que recebi a mensagem de Jaden. Eu deveria contar para alguém. Mas, a verdade, é que eu tenho medo. O que adiantaria? Eu conheço bem essa história. Eu não conseguiria provar a culpa de Jaden e isso só aumentaria a raiva dele por mim. Raiva essa que eu não consigo entender. O melhor que consigo pensar é tentar esquecer isso. Talvez ele esqueça isso também e me deixe em paz. É tudo que eu mais espero e desejo.
Deixo a sala de aula carregando meus livros nas mãos. Estou completamente distraída quando esbarro em alguém. Não me surpreendo quando vejo quem é. Estou sempre esbarrando e caindo com Bash. Parece que ele está sempre cruzando o meu caminho. Ele dá um sorriso para mim que me faz perder o fôlego. Está tão bonito hoje. Tenho que lembrar a mim mesma de que não posso me deixar levar por minhas fraquezas, ou melhor, paixão.
—Cuidado onde anda. — Diz, mas não há irritação em sua voz. — Quer ajuda? — Oferece.
— Não precisa. — Quase gaguejo, nervosa. Bash sorri. Aquele sorriso debochado e irresistível de sempre.
—Será que podemos conversar? — Pede.
—Err…
— Está tentando fugir de mim? — Sorri. — Achei que já tivéssemos passado desta fase. — Arqueia uma sobrancelha. — Pelo menos agora, depois do que aconteceu.
— Eu preciso ir… — Minha fala é interrompida pelo toque de celular de Bash.
—Desculpa. — Pede. — Só um minuto.
Ele entende a ligação no mesmo instante. Eu observo suas reações enquanto ele fala. Suas sobrancelhas se unem e seu sorriso se fecha, contraindo o maxilar. Parece uma notícia ruim. Ele faz alguns sons com a boca e morde o lábio inferior. A ligação não demora e Bash desliga, parecendo um tanto desnorteado de repente.
—Aconteceu alguma coisa? — Não deixo de perguntar. Bash me encara.
—Era da escola do meu irmão. — Responde tenso. — Parece que ele sofreu um acidente. — Completa.
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