We Love You, Olivia!
17 ღ CAPÍTULO 16
Notas iniciais
"Apenas viva bem. Apenas viva."
—Jojo Moyes
O ponteiro girou. É a primeira coisa que constato quando chego em casa do parque. O ponteiro da roda do amor girou mais um ponto e eu não havia percebido isso antes. Para falar a verdade, eu até mesmo esqueci do pobre do Noah e de que ele está num hospital. Consequentemente, esqueci de levar o celular para ele. Faço uma nota mental de fazer isso amanhã na escola. Eu me jogo em minha cama, agarrando meu urso de pelúcia e solto um suspiro. Minha tarde no parque com o Bash não foi tão desagradável. Na verdade, foi bem agradável. Ótima o suficiente para me fazer esquecer de todo o resto. Nós passamos o resto da tarde no parque, apenas observando os outros. Trocamos farpas algumas vezes, mas não foi ruim. Eu não deveria deixar isso acontecer. Não deveria me apaixonar por Bash. No entanto, já é tarde demais. Não consegui tirar ele da minha cabeça mesmo saindo com o Noah.
As horas seguintes passam como um meteoro. Eu tomo um banho e desço para jantar com os meus pais. Quando eles perguntam sobre o meu dia, respondo que foi ótimo, mas não entro em detalhes. Pelo menos não os desastrosos. No fim do dia, quando deito a cabeça no travesseiro, não consigo dormir. Eu me viro para todos os lados da cama, mas não consigo relaxar. É impressionante como a vida de alguém pode virar de cabeça para baixo do dia para a noite. Num dia, era apenas eu, vivendo tranquilamente. No outro, dois garotos estavam se declarando para mim como dois loucos. Tudo isso por causa de um único colar. Eu o encaro. Mais alguns encontros e tudo vai voltar ao normal. É o que eu mais desejo. Fecho os olhos e finalmente apago.
Um barulho de algo batendo na minha janela me faz acordar. Eu me levanto imediatamente e caminho até a sacada do meu quarto, sentindo o vento gelado soprando. Lá em baixo está Noah. Ele está vestido como um… Lorde da era medieval? Franzo o cenho. As mangas da sua camisa são vermelhas e bufantes. Suas calças não parecem combinar muito. Noah está vestindo roupas muito esquisitas. Eu mal consigo reconhecê-lo.
—Oh, minha doce Olivia. Permita-me ter com a senhorita?
Arqueio uma sobrancelha. Algo está muito estranho. Por que ele está falando desse jeito? Por que está vestido desse jeito? Olho para mim mesma e percebo que também estou usando uma camisola que não pertence à mim. Arregalo meus olhos. Quando abro minha boca para perguntar o que se passa, alguém me interrompe.
—Afaste-se dela! — Bash surge das sombras e para de frente para Noah. Ele também está vestindo roupas esquisitas, como as de Noah. Bash saca uma espada da roupa e a empunha. Noah repete o gesto, empunhando a própria espada.
—Vamos duelar! — Rosna entre dentes. — Até a morte!
— Até a morte! — Grita.
Acordo com um grito. Olho para os lados e vejo que estou em meu quarto. A luz do dia preenche todo o ambiente, o que significa que já amanheceu. Dou um suspiro aliviado. Foi só um sonho. Eu tenho que resolver essa situação de uma vez por todas. Antes que eu enlouqueça.
Eu me levanto e me arrumo rapidamente. Não há muito o que fazer realmente, além de me vestir. Tomo meu café da manhã e sigo direto para a escola. A minha primeira aula é de física, uma de minhas matérias favoritas. Gosto de física porque ela explica muito do mundo e seus mistérios. É muito mais do que uma maçã caindo da árvore em direção ao centro da Terra, mas também o porquê disso acontecer. A vida seria mais simples se a física pudesse explicar tudo, principalmente as paixões platônicas indesejáveis. E, como nos livrarmos delas também. Quando entro na sala, sento-me numa carteira ao lado de Brownie. Ele parece distraído com o seu dever de casa, que, se eu o conheço bem, é certo que ele não fez em casa.
— Bom dia. — Chamo sua atenção. Ele sorri e finalmente me encara.
— Bom dia. — Responde. Henry dá um sorrisinho malicioso. Reviro os olhos. É óbvio que ele quer ouvir sobre o meu picnic com o Noah.
— Tudo bem. Pergunte. — Digo monótona. Brownie sorri.
— Como foi o seu encontro com o Noah?
— Péssimo. — Resmungo. — Ele foi picado por uma abelha e foi parar no hospital. — Conto. Henry arregala os olhos, incrédulo. — Por sorte, ele está bem.
— Quais são as chances de você sair para um picnic e ser picado por uma abelha? — Pergunta rindo. — Sério, uma em um milhão. E isso aconteceu justo no seu encontro.
— É! Eu sei. — Murmuro
— Acho que o universo não quer que você saia com o Noah. — Ele volta sua atenção para o caderno, ainda me ouvindo.
— Ou talvez, o meu azar seja tão grande que é contagioso.
— Qual a diferença entres as fontes de luz fluorescentes e fosforescentes? — Franze o cenho.
— As fluorescentes emitem luz durante a ação de um agente excitador e as fosforescente emitem luz mesmo após o fim da ação do excitador. — Dou de ombros. — Bem, pelo menos o ponteiro da roda do amor girou. Isso significa que a teoria de Rosie estava certa. Um encontro vale um ponto da roda.
— Uma fonte secundária de luz que se apresenta na cor azul possui tal cor porque... — Arqueia uma sobrancelha.
— Porque as fontes secundárias refletem a luz incidente. Se o objeto é percebido na cor azul, é porque ele possui a capacidade de refletir a luz dessa cor. — Respondo por fim, franzindo o cenho.
— Isso significa que você vai continuar insistindo nessa história de sair com o Noah para fazer a tal roda girar? — Me encara.
— Se isso funciona, sim. — Dou de ombros. Henry balança a cabeça em reprovação.
— Certo, agora sobre a teoria da relatividade… — Franzo o cenho. Só então percebo que Brownie está anotando as respostas de física que eu falei.
— Não acredito que estou fazendo o seu dever de casa, Henry! — Cruzo os braços. Ele dá um sorrisinho. — Por que não pesquisou isso em casa?
— Porque tenho um gênio como amiga. — Sorri. — É bem mais rápido.
— Mas seu eu estou respondendo as questões, o que você vai fazer? — Questiono.
— Eu estou escrevendo as respostas com as minhas próprias mãos. — Responde como se fosse óbvio. — É praticamente um trabalho em dupla. — Faço uma careta.
— Quero só ver esse trabalho em dupla na hora da prova.
— Eu vou estudar para prova. Eu juro. — Ele coloca uma mão no peito como forma de juramento. — Mas, foi só isso do encontro? — Pergunta desconfiado. — Tenho a impressão que aconteceu algo mais.
Dou de ombros, fingindo indiferença.
— Liv?
— Uma coincidência aconteceu. Encontrei Bash no parque logo depois. — Admito, desviando o olhar.
— E você gostou?
Fico em silêncio.
— Talvez. — Dou de ombros.
Henry fica em silêncio, mas logo sorri.
— Sabe o que eu acho?
— O que? — Eu o encaro.
— Acho que você deveria dar uma chance ao Bash.
— Acho que você enlouqueceu. — Respondo. — Não existe nada entre o Bash e eu.
— Mas ele gosta de você. E você gosta dele, não adianta negar. — Cantarola. — Só pense. — Diz sério. Nesse instante, a professora entra na sala e nossa conversa se encerra.
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O sinal toca, anunciando a hora do almoço. Como tenho que entregar o celular para Noah, sigo para o campo da escola onde sei que ele deve estar treinando com os outros jogadores. Sei que um jogo importante para a escola está se aproximando, então, tenho certeza absoluta que Noah não vai parar para comer. A maioria dos jogadores são assim em épocas de campeonato. Quando chego no campo, vejo que eu estava certa — Noah está realmente treinado com os outros garotos. Caminho entre as cadeiras das arquibancadas, tentando pensar num jeito de chamar a atenção dele. Não quero ter que passar por todos os outros jogadores. Isso seria constrangedor demais para mim.
Desço as arquibancadas com cuidado para não cair. Quando já estou perto o suficiente do campo, faço um sinal discreto com as mãos, sinalizando para Noah. Ele não demora a me ver e faz um sinal para que eu espere só um minutinho. Observo-o parar e caminhar até o treinador, falando alguma coisa.
— O que está fazendo aqui, nerd? Esse lugar não é pra gente como você. — Eu me assusto com Jaden. Ele está parado, de braços cruzados, me encarando com desdém. Por um momento, eu me esqueci que Jaden também faz parte do time de hóquei. Respiro fundo. Com certeza, o idiota não esqueceu minha resposta atravessada. Ele não vai me deixar em paz. Ele vai fazer de tudo para me atormentar. — Já sei! Veio ver o namoradinho? — Não respondo, ignorando-o completamente. — O gato comeu a sua língua? — Pergunta quase irritado.
— Liv, desculpa a demora. Estava falando com o técnico. — Noah aparece ao meu lado, esbaforido. Ele repara a presença de Jaden e sua expressão fica um pouco mais séria. — Jaden, por que não vai treinar? — Pergunta baixo. Sua sugestão soa mais como uma ordem. — Temos um jogo importante se aproximando. — Jaden entorta os lábios, contrariado.
— Claro, capitão. — Responde debochadamente antes de voltar para o campo, nos deixando sozinhos. Enquanto se afasta, Jaden me lança um olhar ameaçador que me faz sentir uma ponta de medo. Medo que tira a minha paz, por mais bobo que possa parecer. Sei do que pessoas como Jaden são capazes de fazer. E, não é nada bom.
— Eu trouxe seu celular. — Eu entrego o aparelho para ele, que sorri. Suas bochechas estão coradas por causa do esforço físico e sua respiração está um pouco mais ofegante.
— Obrigado, Liv.
Dou de ombros.
— Por que não fica para assistir o treino? — Pergunta por fim, sorrindo. Olho ao redor. Algumas líderes de torcida estão se aproximando do campo também. Não parece uma boa ideia ficar ali, num lugar rodeado de pessoas que me odeiam, ou que pelo menos, acham que eu sou um rato.
— Não. Preciso ir. — Respondo rápido.
— Tudo bem. — Ele me dá um beijo em uma bochecha. — A gente se vê! — Assinto. Aceno discretamente para ele antes de deixar o campo. Caminho em passos regulares até o corredor, quando sinto meu celular vibrando. É uma mensagem de um número restrito.
“O que é seu está guardado, nerd.” Não precisa ser um Sherlock Holmes para saber de quem é aquela mensagem. É óbvio que é de Jaden. A ameaça é clara. Sinto meu estômago revirar de ansiedade. Uma ansiedade bem ruim. Inspiro e expiro, controlando a minha respiração. Ele vai fazer algo contra mim. Eu sei que vai. Mil ideias passam pela minha mente do que pode acontecer e nenhuma delas é boa.
— Bú! — Dou um pulo quando escuto uma voz atrás de mim. Respiro aliviada quando vejo que é Rosie. Ela está sorrindo. — Henry já me contou que a minha teoria está certa!
— Sim. — Balanço a cabeça. Ela franze o cenho, preocupada.
— Você está bem?
— Sim. — Respondo rapidamente.
— Você está pálida.
— Deve ser falta de açúcar. — Minto. Ela franze a testa.
— Sei como é. Acontece, às vezes, com uma ou outra animadora de torcida quando treinamos demais. — Tagarela. — Sei do que você precisa! Chocolate! — Diz animada, passando um braço pelo meu ombro. — Vamos? — Assinto. Mas, minha mente está entrando em pânico.
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