We Love You, Olivia!
18 ღ CAPÍTULO 17
Notas iniciais
“Let me be your last first kiss”
— One Direction
O tempo voa. É incontrolável e misterioso. Ele passa sem que ninguém possa segurá-lo. Até hoje, por mais tecnológico que o mundo esteja, o tempo é a única das poucas coisas que os humanos ainda não conseguiram controlar. Várias tentativas de máquinas do tempo já foram feitas e tudo foi em vão. O tempo passa para todo mundo, inclusive para mim.
Um mês se passa e eu mal consigo perceber. Não foram muitas coisas que aconteceram nesse meio tempo, entretanto. Tirando o meu total de mais dez encontros com o Noah, que, aparentemente, levaram o ponteiro da roda do amor avançar mais dez pontos. Isso faz com que só restem apenas dezoito pontos para avançar. Está quase lá. Segundo Rosie, mais alguns encontros e tudo voltará ao normal. Pelo bem de todos, eu espero que sim.
Meus encontros com o Noah foram desastrosos e podem ser resumidos ao silêncio constrangedor ou ao relatório completo dos jogos de hóquei dele. Mas, eu não o culpo. Não temos basicamente nada em comum e quanto mais saímos, mais eu percebo isso. Noah é uma boa pessoa, só não é o que eu pensava. Isso não é exatamente ruim, só normal. Eu já deveria esperar por isso. Noah sempre foi minha paixão platônica e tudo que é platônico acaba de uma hora para a outra. É científico. Isso faz com que meu melhor amigo, Henry, esteja certo. Talvez eu sempre estive apaixonada pelo Noah que eu achava que ele era. O encanto acabou quando o conheci mais (não que eu ainda não fique nervosa perto dele). Mas, Rosie insiste que eu continue com os encontros. Mesmo que, de vez em quando, me sinta culpada por estar fazendo isso. Me sinto iludindo alguém sobre algo que nunca vai acontecer, mesmo sabendo que Noah só gosta de mim por causa do colar.
Apesar de trinta dias terem se passado, eu continuo apaixonada (mesmo ainda tendo muita dificuldade em admitir) por Bash. Não que isso vá mudar alguma coisa em minha vida. Mas, às vezes, me pego suspirando, e fico furiosa comigo mesma. Isso realmente não deveria estar acontecendo de novo. Já fui apaixonada por ele uma vez. E, não foi nada bom.
O sinal bate interrompida os meus pensamentos. A minha última aula acabou de chegar ao fim. Eu me levanto e passo na mesa da professora de francês. Ela me devolve o meu teste e eu esboço um sorriso quando vejo que tirei a nota máxima.
—Parabéns, srta. Carter. — Ela me cumprimenta.
—Obrigada. — Dou um sorriso tímido.
Sigo em direção à saída, distraída com meu teste. Sinto alguém esbarrando propositalmente em mim e quando levanto a cabeça vejo que foi Karlie. Ela está acompanhada de Dove, também líder de torcida. Karlie pode ser considerada tão cruel quanto o Jaden. Ela olha para mim de cima a baixo, com desdém, e faz uma careta.
—Olha por onde anda, nerd! — Diz áspera antes de sair da sala. Respiro fundo, ignorando a implicância, e saio logo depois.
Eu poderia ir para casa se não tivesse que finalizar o meu trabalho de literatura com Bash. Nós já deveríamos ter terminado isso, mas não depende só de mim. Essa é uma das razões por eu odiar trabalhos em grupo. Sigo direto para a biblioteca, onde encontro a minha dupla. Bash está completa distraído, em seu celular. Eu me aproximo e ele levanta o olhar, me encarando. Bash dá um longo suspiro.
— Já sei. O trabalho de literatura. — Diz entediado. Puxo uma cadeira e me sento de frente para ele.
—Que bom que você se lembra. — Respondo quase seca. — Já devia estar pronto. — Ele revira os olhos.
—Então, vamos terminar, chatinha. — Responde no mesmo tom. Faço uma careta.
Bash tira um notebook da mochila e o abre. Ele digita alguma coisa antes de me encarar.
— Acho que você vai poder ver melhor se sentar do meu lado. — Diz casualmente. Não. Preciso manter uma distância segura de Bash.
— Estou bem aqui. — Dou de ombros e evito encará-lo.
— Você quem sabe. — Sua voz é monótona.
Começamos a montar as partes de nosso trabalho, editando a pesquisa e resumindo as partes mais importantes. O ponteiro do relógio parece voar e quando terminamos, estou exausta. Estico minha coluna na cadeira. Parece que eu fui pisoteada por um elefante. Bash recolhe suas as coisas e eu faço o mesmo com as minhas.
—Finalmente acabamos. — Suspiro aliviada. Não conseguiria ficar em paz enquanto o trabalho não estivesse pronto.
—Ainda temos tempo antes da apresentação. — Ele se levanta. — Não sei porque tanta pressa.
—Gosto de preparar as coisas com antecedência.
—É! Eu percebi. — Responde por fim. — Eu já disse que você precisa relaxar? — Pergunta retoricamente. Eu me levanto.
— Eu estou bem relaxada. — Cruzo os braços. Ele cruza os braços, cético. Bash me encara tanto que fico embaraçada. Ele arqueia uma sobrancelha, esboçando um sorriso.
—Vem comigo! — Ele agarra a minha mão.
—O que?
— Só venha! — Bash me puxa, apressado.
ஐﻬﻬஐ
Eu só reconheço onde estou quando chegamos. Encaro o lugar, frio, com luzes coloridas piscando e música tocando. Estamos numa pista de patinação no gelo. Pessoas de todos os tipos e idades estão na pista, rodopiando e caindo no chão. Encaro Bash com uma sobrancelha arqueada. Ele está com um sorriso no rosto.
—O que é isso? — Pergunto por fim
—É uma pista de patinação, nunca viu? — Pergunta sarcástico.
— Eu quis dizer por que me trouxe aqui?
Bash esboça um sorriso.
—Acho que você precisa saber o que é diversão.
Antes que eu tenha tempo de protestar, Bash me puxa pelo braço e me leva para a pista de gelo. Poucos segundos depois, estou com patins em meus pés e ele também. Relutante, eu tento fugir, mas Bash entra na minha frente.
—Ah, vamos. — Insiste. — É patinação no gelo.
— Não gosto de esportes radicais. — Resmungo. — Não acredito que deixei você me convencer a vir até aqui! — Bash revira os olhos.
—Por que não?
—Porque eu não quero me machucar! — Respondo impaciente. Bash sorri.
— Eu te ajudo. — Ele me puxa para o meio da pista e eu deslizo no gelo. Outras pessoas também estão patinando. — Você não confia em mim?
—Não!
—Nossa! — Ele ri. — Você realmente sabe como acabar com a autoconfiança de qualquer um! — Debato meus braços, tentando me equilibrar. Quando estou prestes a cair, Bash me segura pela cintura. Sinto meu coração acelerar um pouco por causa do contato. Ele me ajuda a ficar reta e eu o encaro. Seus olhos também estão fixos em mim e suas mãos ainda estão em minha cintura. — Vamos? — Pergunta.
—Promete que não vai deixar eu me machucar? — Pergunto receosa. Ele sorri.
—Pode confiar em mim!
Nós dois deslizamos pela pista e eu me desequelibro diversas vezes. Bash solta uma gargalhada por causa disso e eu o fuzilo com o olhar. Continuamos patinando pelo gelo. Na realidade, Bash está patinando, enquanto eu mais pareço um pato se debatendo na água. Quando tropeço, Bash me segura, mas não contém outra risada. No final, acabo rindo também. Ele me puxa pela pista e eu tropeço novamente.
Quando dou por mim, uma hora já se passou. Saímos da pista ainda rindo e Bash me puxa pela mão novamente. Ele me faz correr por dentro do parque da cidade. O sol já está se pondo. Bash para de correr mas minhas pernas não são rápidas o suficiente para acompanhar o movimento e eu me choco contra ele, derrubando-o no chão. Com o impacto, caio logo em seguida.
—Ai! — Bash resmunga entre risos.
Sinto minhas costelas doerem. Por sorte, a grama fofa amorteceu a nossa queda. Por um momento, me pego rindo também. Rindo tanto que minha barriga dói. Nós dois ficamos em silêncio observamos o céu, que já está escurecendo. Ficamos assim, deitados de barriga para cima, um do lado do outro, por alguns minutos até que Bash fala, ainda olhando para o céu.
—Sabe, dizem que o Sol e a Lua sempre foram apaixonados, mas que eles nunca podiam se encontrar porque sempre que um aparecia o outro sumia. — Suspira. — Mas, uma vez em cem anos, as posições dos astros mudam e eles podem ficar juntos. Somente uma vez. — Franzo o cenho.
—Na verdade, isso se chama eclipse solar.
Ele vira o rosto, me encarando.
— Você sabe acabar com qualquer história de romance. — Fala, chocado. — Shakespeare morreria de desgosto se conversasse apenas uma hora com você. — Reviro os olhos.
— Não sabia que era tão romântico, Bash.
Ele contém um sorriso, encarando o céu de novo.
—Não sou. Mas não é errado acreditar no amor.
—Amor sempre traz problemas. — Murmuro. Ele me encara, quase ofendido.
—Nunca ouviu falar em "viveram felizes para sempre"? Devia ler umas histórias por aí.
—Histórias de amor que os irmãos Grimm inventaram não fazem sentido algum.
—Claro que fazem! — Rebate. — Sei lá, tipo a Branca de Neve. Ela teve um final feliz.
—O príncipe beijou uma defunta! — Respondo por fim. — Isso se chama necrofilia. — Bash solta um suspiro fraco.
— Tudo bem. Nunca tinha pensado por esse lado. — Admite. — Mas e a tal pequena sereia?
— Ela abriu mão de ser sereia por causa de um cara! — Disparo.
—Não. — Rebate. — Ela abriu mão de ser sereia por amor! — Solto um grunhido baixo.
—Desde quando virou defensor das princesas?
—Desde que você começou a tentar acabar com a infância de centenas de crianças. — Responde espirituoso. — Inclusive a minha. — Contenho um sorriso.
—Só estava sendo racional.
— Não existe racionalidade quando se está apaixonado. — Ele me encara. — Liv, você já se apaixonou de verdade? — Sinto minhas bochechas queimarem e meu estômago revirar. Sim. Estou olhando bem para a minha paixão agora mesmo. É o que minha mente grita. Mas, apenas desvio o olhar, mordendo o lábio inferior. Sinto que seu olhar ainda está sobre mim. — Liv, você já ao menos beijou alguém?
Abro a boca, quase gaguejando. Esse é o tipo de pergunta que eu mais tento evitar.
—Não é da sua conta, Bash! — Respondo nervosa. Vejo de relance que ele está sorrindo.
— Você nunca beijou. — Conclui. Eu finalmente o encaro.
—Por que diz isso?
—Porque se tivesse, você teria apenas diria que sim.
Engulo seco. Bash sorri ainda mais.
—É meio incomum conhecer gente da nossa idade que nunca beijou. — Comenta.
—É mais comum do que você pensa. — Rebato. Ele franze o cenho. — Não é porque alguém diz que já beijou que tenha realmente beijado. Você não estava lá pra saber. — Ele fica em silêncio.
—Faz sentido.
Mais silêncio. Bash me encara de novo.
—Liv. — Seus olhos estão fixos em mim. — Eu posso te beijar?
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