We Gonna Be Forever Young
3 Vas Happening?
Notas iniciais
Ao abrir meus olhos novamente vi um teto branco com luzes amarelas e senti agulhas em minhas veias. Argh, agulhas, tenho um certo pavor de agulhas.
- Ela acordou! Vai chamar uma enfermeira, Harry. – Ouvi a voz da Gi.
- Ei, Gi! – Esbocei um sorriso. – O que aconteceu?
Tentei me sentar sozinha, mas doía tudo meu corpo. Então a enfermeira chegou e inclinou a cama. Estavam todos ali, Gi, Gabi, Safi, Harry, Niall, Ed, Lou, Els, Liam e Dani. Zayn não estava, muito menos Perrie, ela devia me odiar e teve ter falado pra ele não vir. Os olhei.
- Menina, o que você fez ontem? – Disse Dani.
- Eu não sei direito. Só me lembro de sair do hotel, comprar um maço, isqueiro e vodka e sair pro infinito e além.
- Tinha indícios de drogas no seu sangue... – Disse Safiriti.
- Tem isso também. – Mordi o lábio inferior me arrependendo de ter dito isso.
- PORRA, CECÍLIA! VOCÊ TINHA PARADO DE VEZ... – Começou gritar Gabriela se levantando.
- Gabi, fica quieta! A gente tá no hospital. – Disse Niall a puxando de volta para cadeira.
- Eu sei, eu sei! Me desculpem, eu tava fora de mim ontem. Mas foi overdose?
- Sim. – Respondeu Giovanna. – Não assusta a gente de novo, por favor?
- Vou tentar. – Esbocei um sorriso. – Mas como vocês souberam que eu tava aqui?
- Acharam meu numero em um papel na sua bolsa, então me ligaram, dai eu bati no quarto das meninas e avisei. Dai um foi avisando o outro e aqui estamos nós. – Disse Safiriti.
- Eu tava lá, feliz dormindo quando o celular do Louis tocou. Eu levantei correndo e coloquei uma roupa qualquer. Fiquei preocupada com você!
- Você tá linda, Eleanor!
- Ela é linda. – Me corrigiu Louis que ganhou um beijo da namorada.
O silencio então ficou ali no quarto por um tempo.
- To com fome.
- Cadê a novidade, Ceci?
- Vai pegar um lanchinho pra mim vai, Gi!
- Ok, ok! Vamos comigo, Harry? – Ele se levantou junto a ela, pegou sua mão e os dois saíram.
- Ah, você vai ter que passar a noite aqui. – Disse Gabi.
- Jura?
- Sim. 24 horas. Como você deu entrada as quatro eles vão te segurar até as seis.
- Jura? – Repeti voltando meu olhar para Gabriela. Sim, passaria as próximas horas do meu dia em uma casa de hospital. – Que horas são?
- Duas da tarde. – Disse Ed checando no celular.
E novamente o silêncio prevaleceu. Bom, só até a Gi e o Harry voltarem com o meu lanche. Bom, não era um lanche, a enfermeira que os acompanhava trazia uma bandeja com um prato de caldo de galinha. Ao menos eu gosto disso. Quanto terminei de comer reparei que todos estavam conversando. Mas o cansaço já estava me vencendo, minhas pálpebras começaram a pesar um pouco, depois outro pouco, até fechar-se totalmente e eu entrar num sono sem sonhos nem pesadelos, apenas tudo preto.
Acordei horas depois com alguém acariciando meu cabelo e chamando meu nome. Giovanna. Era a ultima que restava.
- Estamos indo dormir. Desculpa não poder ficar.
- Tudo bem, descansa bastante, ok?
- Eles estão na porta. Quer falar com alguém?
- Você sabe muito bem com quem eu queria conversar. – Dei um sorriso triste.
Ela passou a mão mais uma vez em meu cabelo, me deu um beijo na testa e se juntou aos outros. “Sozinha novamente”, pensei. Mas esse pensamento não permaneceu nem por um minuto antes de eu dormir de novo. Eu estava exausta, essa é a palavra certa. A viagem, o parque, a festa, minha saída, a ressaca. Tudo parecia apenas um sonho que logo eu teria que acordar. Mas bem, não era, eu realmente estava no hospital por pura irresponsabilidade minha, e não era a primeira vez.
Um ano atrás, na mesma época, só não me lembro a data, eu estava na pista de skate com meus amigos, bom, naquela época era amigos, hoje não me importo mais. Mas então, estávamos na pista de skate havia umas doze horas, estávamos bebendo e fumando (tanto cigarro, como maconha) desde o começo, então não me lembro de muitos detalhes. Mas sei que eu estava tendo um longo papo com Jah. Meu corpo me mandava sinais pra parar, mas eu continuava e então ele não suportou e eu apaguei.
Dessa vez, tenho um sono conturbado. Pessoas entram e saem da minha vista embora eu não consiga alcançá-las. Há garrafas vazias, maços e seda queimada pra todos os lados. Eu tento escapar desse lugar, mas não existem portas ou janelas visíveis. Eu começo a ter uma reação claustrofóbica o que está fazendo meus batimentos aumentarem. Sinto um aperto em minha mão, mas quando olho não há nada, mas esses dedos me escapam. Começo a abrir os olhos, o que está acontecendo?
Vejo várias pessoas de branco debruçadas sobre mim, não reconheço quem é medico ou enfermeiro. Eles injetam cada vez mais agulhas em meus braços ou é só impressão? Eles sossegam apenas quando meus batimentos voltam ao normal.
- Você podia ter morrido, senhorita Rocha. – uma enfermeira me disse. “Rocha”, fico refletindo, “não seria melhor o Sodré, que é o ultimo nome?” – Aconteceu algo? – Ela continua e olha pra uma pessoa sentada em uma das cadeiras. Eu não havia reparado que havia alguém ali comigo.
Posso ver em um relógio ao lado da minha cama que já passaram da meia-noite. Quantas horas eu dormi? Não tive o trabalho de ver as horas quando meus amigos se foram. Mas essa não é bem a resposta que eu espero, a pergunta que me consome é: o que Zayn Jawaad Malik faz no meu quarto no hospital?
- Tive apenas um pesadelo. – Respondo a ela sem tirar os olhos dele.
- Quer algum remédio para dormir?
- Se puder me trazer um meia-hora...
- Tubo bem, uma da manhã alguém vem entregar.
Agradeci e ela se foi. O clima no quarto era tenso. Eu queria poder odiá-lo, mas é impossível resistir àqueles olhos, aquele nariz, aquela boca. É impossível resistir a ele todo.
- O que está fazendo aqui? – Tentei manter firmeza na voz. Error!
- Vim te ver.
- O dia todo, meus amigos estiveram aqui. Você teve muito tempo pra aparecer, mas vem na calada da noite. Que é? A Perrie te disse para não vir me ver e você veio escondido? Me diz o porquê, simplesmente uma razão. Tem que haver uma razão.
- Eu terminei com a Perrie. – Ele disse em um quase sussurro.
- Que? – Eu o encarei com mais compaixão dessa vez.
- A gente já estava pra terminar. – Quando ele levanta o olhar pra mim seus olhos estão levemente inchados, como quando alguém chora. – Mas quando o Liam me ligou falando que você estava aqui, na hora que eles estavam indo embora, eu tava na casa dela pra gente conversar sobre como estava nossa relação, se íamos continuar ou não. Já estava muito difícil. Mas ela disse que não era pra eu vir, e blá blá blá. Então achei melhor terminar com ela. Ela não podia me impedir de te ver.
Então quer dizer que Zarrie não existe mais? E acabou por minha causa? Meu Deus, eu não podia estar mais feliz, mas não podia deixar transparecer. Então o encarei novamente.
- Mas por quê? Por que você quis vir?
- Eu me senti culpado. Sei que parte disso é minha culpa. Fui eu quem te dei o cigarro antes.
Ah, ótimo. Não é por mim, é por ele. Mas ele está errado, não é uma parte culpa dele, é tudo, um inteiro.
- Você está errado. Você não tem culpa alguma. Foi tudo irresponsabilidade minha. – Menti, foi preciso. – Se você está aqui só por causa disso, por achar que tem parte no que aconteceu, pode ficar sossegado. – Eu estava segurando as lágrimas e tentando manter a voz calma e estável.
Ele se levantou, foi até o lado da cama e segurou minha mão. Estávamos naquele contraste da minha pele branca e gelada em contato com a dele morena e quente.
- Eu não vou a lugar nenhum. – Puxou uma cadeira e se sentou ao meu lado, mantendo nossas mãos unidas.
Eu olhei para nossas mãos, naquele contraste visível, e sentia o outro contraste, aquela sensação tão boa do calor de sua mão sobre a minha.
- Não me, quero dizer “nos”, assuste novamente. Sei que as meninas se preocuparam também. – Aqueles olhos que me davam uma sensação de conforto quando eu mais precisava, mesmo com toda distância, mesmo antes de ele saber que eu existia. Bom, aqueles olhos estavam fixos nos meus, me fazendo entrar dentro deles e lá era tão bom, tão confortável e eu nunca mais queria sair de lá.
Ele deu um sorriso discreto, como se fosse sem intenção.
- Está com fome?
- Um pouco...
- Vou acha uma enfermeira e pedir pra ela trazer comida pra você. – Se levantou e se foi, deixando aquela sensação fria em minha mão.
Eu fiquei ali sentada sozinha de novo, mas Zayn não demorou. Em uns cinco minutos ele já estava de volta, seguido da enfermeira com uma bandeja nas mãos. Nas mãos da enfermeira, quero dizer.
- Já trouxe o remédio pra dormir. – Sorri. – Vou deixá-los a sós. Tenham uma boa noite.
- Obrigada. – Disse pegando a bandeja e ela saiu. – Hum, lanche natural! – Adoro lanches naturais, problem? Então comecei a comer meu lanchinho sentindo aqueles olhos fixos em mim. – Quer?
- Não, obrigada.
Ficamos em silêncio enquanto eu comia. E olha que eu sou muito lenta pra comer.
- Pronto. – Disse após longos minutos.
- Ah, que isso? Pode demorar mais. – Disse ele seguido de uma risada.
- Chato! – Eu ri, claro. Não tinha como não ceder a ele. – Acho que já vou dormir.
- Relaxa, eu vou estar aqui quando você acordar. – Sorri, peguei o comprimido, coloquei um pouco de água na boca, o comprimido e depois mais água. Como uma pessoa pode ser complicada até pra tomar um simples remédio?
Deixei minha mão direita cair ao meu lado, ele a segurou com sua mão direita enquanto mexia no meu cabelo com a esquerda me cantando uma canção de ninar desconhecida. O remédio fez efeito rápido e eu logo dormi.
A próxima vez que acordei o Sol estava nascendo bem na frente do meu quarto. Cinco e quarenta e sete, dizia o relógio.
- Zayn. – Mexi em seus cabelos, estávamos ainda na mesma posição, mas ele estava com a cabeça repousando em meu colo. – Zayn? – Tirei sua mão dos meus cabelos, fazendo-o abrir aquelas vassouras que chamam de cílios que ele tem.
- Bom dia. – Ele disse meio rouco por causa do sono. – Dormiu bem?
- Sim. Mas você não parece muito confortável assim. – Ele sentou direito, ajeitou o corpo, soltou a mão para se espreguiçar somente.
- Eu to bem, mas preciso de mais umas horas de sono. – Ele bocejou. – Eu to morto. – Sorriu.
Eu me sentei na cama, ficando um pouco mais alta que ele. Ele se levantou, colocou a cadeira de volta em seu lugar e se sentou à minha frente, pousou sua mão direita em meu rosto, me fazendo virar pressionando sua mão em meu rosto. Então ele se aproximou, e nada mais podia atrapalhar.
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