We Are Young
1 Prólogo
Notas iniciais
Essa estória se passa vários anos após o meu último relato...
Há cerca de 12 anos, eu e Connor nos casamos, 3 anos após eu terminar a faculdade. Logo depois, Julie e Malcolm, Chace e Evellyn, Isabella e Leo e Alawara e Heitor também o fizeram, respectivamente. Continuávamos a nos ver sempre que possível, o que significava quase todos os dias, já que tínhamos passado a morar todos no mesmo bairro, o Upper East Side.
Leo e Heitor gostavam de vir à nossa casa jogar boliche, na nossa pista particular, e, claro, eu, Isabella e Alawara os acompanhávamos, enquanto um cozinheiro nos servia refrigerante de máquina e pizzas de vários sabores.
Bom, deixarei para falar sobre isso depois.
Em um certo natal, quando tinha 9 anos, completos havia apenas alguns dias, Katherine veio correndo até mim, segurando o que eu reconheci como sendo o meu colar de contas e o de Connor.
- Mamãe, mamãe! Olha o que eu achei! — exclamou, com os olhinhos azuis brilhando. Ela pulou no sofá e se sentou ao meu lado. — O que é isso? — eu sorri, lembrando da história de cada uma daquelas contas.
- É, meu amor, eu acho que tenho algumas histórias para lhe contar. — falei, enquanto acariciava seus macios cachinhos castanhos, que logo se tornariam apenas ondas bem desenhadas, cobrindo parte das costas.
- Que histórias?
- Está vendo esses desenhos nas contas? — ela assentiu. — Cada um representa um marco na minha vida e na do seu pai. Uma aventura que enfrentamos e vencemos para estar aqui e lhe contar a história.
- Como assim? Que tipo de aventuras?
- Quando éramos adolescentes, nós passávamos as férias de verão em um acampamento. Mas não era um acampamento qualquer. Ele se chamava Acampamento Meio-Sangue.
- Meio... Sangue? O que isso quer dizer, mamãe? — Eu podia ver uma dose de curiosidade cada vez maior em seus olhos, sempre que ela fazia uma nova pergunta. Ela realmente tinha herdado essa característica de mim, que, por minha vez, tinha herdado-a de minha mãe.
- Lembra-se das histórias sobre deuses gregos que eu te contava? Sobre eles descerem à terra e terem filhos com mortais? — questionei, alternando o olhar entre seus olhos e os colares.
- Heróis como Hércules e Perseu? — perguntou.
- Mais ou menos como eles, filha. Nós não tivemos méritos como os deles, mas lutamos com terríveis monstros. Você não tem ideia de quantas vezes eu achei que perderia seu pai...
- Mas não perdeu...
- Não mesmo. — falei, sorrindo.
- Mas... então... vocês são filhos de deuses?
- Sim, nós temos sangue divino.
- Quais deuses?
- Eu sou filha de Atena e seu pai... — comecei, mas fui interrompida.
- Eu sou filho de Hermes. — Connor entrou na sala, com aquele sorriso torto que, mesmo depois de tanto tempo, eu ainda amava. — Me apaixonei pela sabichona da sua mãe desde a primeira vez que a vi... — ele me abraçou, com o olhar perdido no vazio, perdido em lembranças. Depois ele me soltou e pegou Katherine no colo. — Já estava mais do que na hora de a nossa princesinha saber da sua origem.
- Então... eu serei uma heroína? — Kate perguntou, com os olhos brilhando.
- Claro que sim, meu amor. — Connor falou, olhando para a filha. — Na verdade... Vou te contar um segredo: Você já é uma heroína. Você nasceu de uma história que muitos achavam que não teria futuro. E não é só você...
- O que... Tia Isa, tio Malcolm, tio Chace...?
- Exatamente, meu amor. Nós os conhecemos nesse Acampamento.
- Eu... Vou poder ir pra esse Acampamento algum dia? — Katherine tinha um sorriso enorme em sua face.
- Claro que sim, mas daqui uns anos. — Connor falou, rindo, mas olhando para mim, pedindo opinião com o olhar sobre o que ia dizer. Apenas concordei. — Você ainda é muito pequena para aprender a manusear facas. — Ele piscou.
Connor sentou-a no sofá novamente e ela ficou brincando com os colares. O de Connor tinha duas contas a mais do que o meu, dos dois anos em que eu não pude ir, dos dois anos em que tudo tinha acontecido... Aquele tempo em que pareceu que nosso relacionamento acabaria.
Permaneci em meus devaneios por cerca de dois minutos, até ouvir a campainha tocar. Já imaginava quem seria. Abri a porta e Leo e Isabella entraram, tirando os casacos úmidos pelos pequenos flocos de neve que caíam ali fora, e pendurando-os na arara que ficava ao lado da porta. Jake nos cumprimentou e correu para o quarto de Adrian, meu filho mais velho. Megan me abraçou e foi em direção à Katherine, olhando os colares com curiosidade.
- Oi, Lui! Oi, Connie! — Isabella exclamou, em tom zombeteiro.
- Connie não, por favor... — suplicou Connor, e depois riu.
- É, Stoll, você ficou marcado pelo resto da vida com essa...
Ele revirou os olhos.
- Droga.
- E... Espere! Aquilo é o seu colar de contas? — Isabella perguntou. Eu concordei com um gesto de cabeça. — Eu não sei onde está o meu...
- Na sua caixa de joias, junto com seus braceletes de super-heróis. — Leo falou, e então saiu, indo com Connor até o cassino, aproveitar o tempo até que nós os mandássemos fazer o jantar, já que as empregadas estavam de folga. Eu e Isabella fomos até a cozinha tomar um cappuccino, enquanto as crianças brincavam.
Em pouco tempo, a campainha soou novamente, e Julie e Malcolm passaram pela porta, com as duas meninas, Marie e Ashley. Marie era a mais nova dentre as crianças, com 8 anos. Ashley tinha a idade de Adrian, 10. Depois Alawara e Heitor chegaram, com as gêmeas, de 9 anos. Chace e Evellyn iriam se atrasar, pois Chace tinha um show marcado para aquele dia.
Quando o jantar ficou pronto, nos reunimos na área de festas e jantamos. Jake e Adrian finalmente saíram do quarto e se juntaram a nós.
- Pai, nós vamos jogar boliche. — Adrian avisou, dando a última garfada em sua comida.
- Só não mate ninguém, filho. — Connor falou, rindo. — Depois nós vamos para lá também.
Eles saíram e Katherine me chamou.
- Mamãe, conta uma história? — eu sorri, já sabendo qual seria a história que contaria.
- Claro, meu amor. — falei. — Essa história se chama... — Olhei para os outros, em busca de uma sugestão.
- Too Much To Ask. — sugeriu Connor. Acatei a ideia. Aquele nome realmente se referia ao que passamos. Primeiro, seria pedir demais para que nós voltássemos a ter uma história feliz. Algumas semanas mais tarde, seria pedir demais que eu me separasse dele.
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