Notas iniciais
Espero que gostem :3

Alguns anos depois...

POV Katherine

– Adrian, quer fazer o favor de abaixar o volume? Ter um mau gosto musical é problema seu, mas francamente! Você não precisa obrigar a casa inteira a escutar! — gritei para que ele pudesse me ouvir de dentro do quarto. E a parte do mau gosto musical era tão verdade que mamãe, tia Isa e tio Chace se desesperavam o tempo todo.

– Dá um tempo, Katherine. Os incomodados que se retirem! Por que você não vai ouvir o seu tão precioso McFly trancada no seu quarto? Ou melhor ainda: Na casa da Megan ou da Amber? — gritou ele de volta. Ai, mãe, o que eu fiz para merecer um irmão desses?

– Eu até iria, mas no momento você está incomodando o papai e a mamãe também!

Peguei a chave do meu quarto, que era igual à do quarto de Adrian, e adentrei, indo até o computador e desconectando as caixas de som, fazendo com que a voz irritante da Jennifer Lopez se calasse.

– Sua peste! — gritou, tentando se levantar, mas tropeçando nos fios que estavam jogados no chão. Corri o mais rápido que consegui, pegando a minha chave e a dele, para depois trancar o quarto pelo lado de fora. — Katherine Kirsten Stoll, abra essa porta agora! — apenas soltei uma sonora risada, mesmo com seus gritos ecoando pelo corredor. Por ser dois anos mais velho, Adrian achava que podia mandar em mim. Mas só achava mesmo. Ainda gargalhando e ouvindo os berros do meu irmão, desci as escadas.

– O que aconteceu lá em cima, Kathy? — papai tentou assumir uma expressão severa, mas isso nunca funcionava comigo. Sorri e seus dentes muito brancos ficaram à mostra.

– Nada não, daddy. — falei, de forma fofa. — É só o seu filho fazendo draminha de novo. — peguei minha bolsa favorita: azul, de couro, com diversos bolsos, motivo pelo qual Ruby costumava dizer que parecia a bolsa de um agente do FBI. Pendurei a bolsa em meu ombro e me virei em direção à porta da frente. — Vou na casa da Megan, volto para o jantar. — coloquei as chaves do quarto, que ainda estavam em minhas mãos, dentro da bolsa e saí. Percebi que Adrian ainda gritava, mas apenas ri. Quem mandou me desafiar? Andei as duas quadras que separavam minha casa da de Megan e fui recebida pela tia Isa. Um cheiro de queimado invadia a casa. Ok, tia Isa tinha resolvido fazer uma nova tentativa de cookies, e como em todas as outras 217 vezes, tinha dado errado.

– Kay, amor! — exclamou, assim que me viu, vindo me abraçar — Como estão seus ouvidos? Digo... eu consigo escutar a droga da playlist do seu irmão daqui!

Apenas ri. Já tinha me vingado dele o suficiente para aquele dia. Amanhã eu podia pensar em outra coisa.

– É, meus ouvidos doem com toda aquela poluição sonora... mas acho que mamãe está sofrendo mais do que eu. — comentei, entrando na casa.

– Concordo. — tia Isa riu. — A hiperacusia dela não ajuda em nada...

– Katherine! — ouvi a voz de Megan — você vai subir ou não?

– Estou indo! — exclamei, subindo até o quarto de Megan.

***

– Você fez o quê? — a voz de Megan ecoou pelo quarto, juntamente com uma risada.

– Isso mesmo que você ouviu. — falei, tirando as chaves de dentro da bolsa.

– Não acredito que você trancou seu irmão dentro do quarto! — tia Isa exclamou, invadindo o quarto com um prato de cookies, provavelmente comprados, em mãos. Tia Isa parecia que nunca tinha deixado a adolescência para trás. — Realmente, Kathy, você é bem filha dos seus pais mesmo.

Encarei-a, confusa. Se ela estivesse falando de papai, somente, eu até acreditaria, mas não conseguia imaginar mamãe fazendo algo desse gênero.

– Ah, você ainda nem tinha sido projetada nessa época. — falou, distorcendo a voz para que parecesse com a de uma pessoa mais velha. Eu e Megan rimos. — Enfim, nenhum de nós era santo, só para constar. Querem cookies?

Mais risadas, mas estendi a mão e peguei um no prato, com gotas de chocolate.

POV Marie

Ah, sábado à tarde! Uma folga do colégio, finalmente! Não me entenda mal, eu gosto de ir para a escola, não sou nenhuma ignorante. Mas realmente, o excesso de trabalhos e provas me irrita. E a lerdeza de alguns também.

Passei o dia do melhor jeito possível: Jogada na cama, com um pijama cinza largão e uma xícara de café com leite no criado-mudo ao meu lado, enquanto escrevia no meu notebook. Meu cabelo estava parecendo uma juba de leão e meu rosto tinha olheiras, mas eu não ligava. O máximo que eu tinha saído do quarto tinha sido para almoçar alguma coisa sozinha, já que acordei depois que todos já tinham almoçado.

– Mai, visita pra você. — Ashley falou, do lado de fora de quarto.

– Quem? — perguntei, revirando os olhos por ter que sair dali e pentear o cabelo.

– Adivinha. — disse. Isso me fez revirar os olhos novamente. Detestava quando ela fazia isso.

– Fala logo. — murmurei.

– É o Jake. — arregalei os olhos. Minhas mãos esfriaram mais do que o normal. Sabe quando você passa álcool gel nas mãos e coloca na frente de um ar condicionado por uns cinco minutos? Era mais ou menos assim que as minhas estavam.

– O que ele está fazendo aqui? — indaguei.

– Não tenho ideia. Por que você não pergunta pra ele? — Ashley deu um sorriso de canto de boca, que eu pude ver apenas pelo fato de ela ter aberto uma fresta da porta.

– Porque eu não quero. — respondi e bati a porta.

– Tá bom, vou avisá-lo que você não quer ir até lá. — ela gritou do lado do outro lado da porta.

Revirei os olhos. Sabia que ela o mandaria até o meu quarto.

Ignorei o pensamento, sentei-me na cama e continuei escrevendo.

Então ele abriu a porta e com um sorriso brilhante, gritou:

– QUE FOLGA! A BELA ADORMECIDA NÃO QUER LEVANTAR?

– Sai pra lá. Nunca ouviu em respeitar a privacidade dos outros? — perguntei, empurrando-o pra fora e trancando a porta.

– Tá bom, eu posso esperar aqui. — ele disse, me provocando. Eu sabia que ele não me deixaria em paz se eu não saísse. E isso significava ficar uma semana aturando ele fazer alguma babaquice durante a aula.

Na verdade, eu queria sair, mas aquela sensação de "suas mãos estão numa temperatura de 100 graus negativos" não estava me deixando confortável.

– Não vai sair? — ele perguntou, fazendo com que eu sorrisse de maneira involuntária.

– Vou, mas deixa eu me trocar. — respondi.

Fui até o banheiro e penteei meu cabelo. Não teria jeito, então o prendi em uma trança. Escovei os dentes e andei até o armário, pegando uma calça jeans, uma regata azul escura e all stars pretos. Coloquei o mais rápido que consegui e saí, antes que ele resolvesse que qualquer demora poderia ser desculpa para infernizar minha vida pelo resto do dia.

– Aonde vamos, Valdez? — perguntei, revirando os olhos.

– Aonde você quer ir? — ele riu.

– Espera, você vem na minha casa com a intenção de me levar a algum lugar, mas não sabe onde? — soquei, de leve, seu braço.

– Ué, você sempre reclama quando eu te levo para algum lugar que eu escolhi, quem sabe com você escolhendo, você me incomode menos. — sua risada ecoou pelo corredor.

– EU incomodo? — contestei.

– Você só não me supera. — ele riu mais ainda, e eu tive que acompanhá-lo.

– Eu NÃO incomodo, ok? — retruquei, tentando parar de rir.

– Claro, você é um anjo. — ele disse, com sarcasmo.

– ENFIM, fale logo, onde você estava pensando em ir? — fugi do assunto.

– Já disse que estou esperando uma resposta sua.

– Argh, que seja. Podemos ir no parquinho? — perguntei, fazendo uma careta engraçada.

– Parquinho? Por que?

– Ué, não dizem que lugar de criança é lá? Só queria te levar pro seu habitat natural. — ele ia me bater de leve, mas eu desci as escadas correndo antes que ele me alcançasse.

– MARIE! VOLTA AQUI! — ele gritou, tentando me alcançar.

– NÃO! — ri alto.

– E depois quer dizer que não incomoda. — ele parou, cruzando os braços.

– Já disse que eu não incomodo.

– Tá, e eu não sou gato. — ele disse, convencido.

– E não é mesmo. — ri da expressão dele quando falei isso. Mas, na verdade ele era, sim, muito bonito. Eu apenas não queria dizer aquilo em voz alta.

Eu não diria aquilo em voz alta nem que me obrigassem. Eu não queria dar na telha o que eu sentia. O que eu sentia quando ele pegava minha caneta favorita e saía correndo com ela pela sala de aula, tropeçando em algumas mochilas que ficavam pelo caminho. O que eu sentia quando ele ficava fazendo piadinhas imbecis pra cima de mim ou jogando cantadas no estilo de "Gata, se você fosse um hambúrguer, seu nome seria X-princesa". O que eu sentia quando ele me encarava com aqueles olhos castanhos profundos, ou quando dava aquele sorriso torto que só ele tinha. E enquanto eu pudesse, eu não ia deixar que ninguém chegasse perto de saber de tudo isso.

E, até um tempo atrás, nem eu mesma queria aceitar o que eu sentia por ele. Era complicado demais.

Ele sempre foi implicante, mas sempre esteve ao meu lado

Lealdade era uma das coisas que eu mais admirava nele.

Quando eu estava triste, ele sempre era o primeiro a perceber, o primeiro a me confortar, o primeiro a fazer piadinhas toscas para ver se eu ria e esquecia de derramar minhas lágrimas. Quando eu estava com raiva de algo, ele fazia de tudo para que eu não batesse em ninguém, ou, como ele costumava dizer, que eu não atirasse canetas da mesma forma que um guerreiro da TV atira facas, por mais que ele mesmo se arriscasse nessa tentativa. Quando eu estava feliz... bom, ele me irritava, mas acabava me deixando melhor ainda. Não sabia como teria sido minha infância e adolescência sem ele ao meu lado, mas com certeza teria sido bem pior.

Acho que sem ele, a vida seria bem mais maçante e monótona.

– MAI! — percebi que ele tinha se aproximado apenas para gritar no meu ouvido, tirando-me de meus devaneios.

– Meu ouvido, Valdez! — exclamei.

– O que foi? — perguntou, cinicamente.

– Não precisava ter gritado tão alto!

– Awn, desculpa, bebê... — murmurou, baixinho, me abraçando de lado.

– Vamos logo, que quanto mais cedo eu me livrar de você, melhor será para a minha saúde mental.

– Você não vive sem mim, dear. — comentou, rindo, mas me soltou.

– Você se chama oxigênio agora? — brinquei.

– Claro, meu nome é Jake Oxigênio Valdez. Não sabia? — riu

– Idiota. — comentei.

– Chata.

– Sou mesmo, senhor Oxigênio Valdez. — revirei os olhos teatralmente.

– Que bom que sabe.

– Vamos logo, crianção.

Saímos para a direção contrária à do parque.

– Ué, você não disse que me deixaria escolher? — Perguntei rindo.

– Não posso, se eu deixasse, nós acabaríamos por ter um encontro na biblioteca.

Revirei os olhos. Nunca admitiria que ele soubesse que tinha razão.

Começamos a andar pela cidade, sem chegar a lugar algum. Quando ficamos a 1h30min disso, sentei no chão.

– Chega Valdez, chega.

– O que foi? — Ele franziu as sobrancelhas.

– O que raios você pensa estar fazendo? Estamos andando a horas e nada.

O garoto deu de ombros.

– Estou procurando o lugar perfeito, ué.

– Qualquer lugar com você é perfeito – murmurei, o mais baixo que consegui.

– Oi? — Um sorriso maroto surgiu em seus lábios.

– Eu disse que ia ser difícil você achar um lugar perfeito — sorri.

– Ah, vamos ver, então — E ele saiu correndo me puxando junto.

POV Adrian

Katherine ia me pagar. Ah, se ia... Que ideia de jerico tinha sido aquela de me trancar dentro do meu próprio quarto? Bom, pelo menos não tinha sido no dela... Não queria ter que aguentar as centenas de pôsteres nas paredes... Se bem que ela não seria burra a ponto de me trancar no quarto dela. Por mais que o notebook dela tivesse senha... Bom, era fácil hackear o sistema e entrar, ou seja, ver as coisas dela. E ela não ia gostar NADA disso.

Por isso só liguei o computador de novo e entrei no Facebook, mandando mensagem para papai, pedindo que ele abrisse a porta.

– Adrian, faça-me o favor, não me diga que você ainda não aprendeu a abrir uma porta com um grampo de cabelo... — falou, assim que abriu a porta.

– Você realmente acha que eu tenho grampos de cabelo no meu quarto? Tenho cara de Katherine, pai?

– Olha... — ele deu um sorriso zombeteiro, que eu ignorei completamente. — Brincadeiras à parte... Você tem muito o que aprender.

– Muito o que aprender? — questionei. — Você não deveria ter me ensinado antes, então?

– Poderia, mas não quis. — ele riu. — Só não fale para a sua mãe que estou te ensinando isso.

– Falando em mamãe... Onde ela está?

– Foi atender uma emergência no hospital, ela já volta... Agora vamos lá. Primeiro... Onde você deixa os seus clips de papel?

***

Senti Megan abafar um riso.

– E então, o que fez hoje? — ela me perguntou. Aproximei ainda mais o telefone do rosto, se isso fosse possível.

– Bom, depois que sua amiguinha me trancou no quarto, papai me ensinou a abrir fechaduras com um clipe de papel.

Dessa vez a garota não segurou a risada.

– Adrian Kirsten Stoll, em plenos 17 anos e não sabe destravar uma simples fechadura? Estou desapontada.

Notas finais
O que acharam?