Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês o/ Espero que gostem.

POV Adrian

– Sua pegadinha foi útil. Papai me ensinou a abrir fechaduras com ramonas. — falei, assim que Katherine despontou pela porta de entrada.

– Ah, pelo amor dos deuses, Adrian. Eu não acreditava realmente que, em plenos 17 anos, você ainda não soubesse abrir a droga de uma fechadura com um grampo de cabelo...

– E você sabe, por acaso? — questionei.

– Certamente. Quer me trancar no seu quarto para provar? — ela sorriu, maliciosamente. Eu lembrei de todas as coisas constrangedoras que tinha salvo no meu computador, notebook e tablet, e nos quais ela mexeria sem pestanejar, caso eu desse alguma brecha.

– Não, muito obrigado, eu acredito em você.

– Foi o que eu pensei.

Entrei no meu quarto e tranquei a porta, me jogando em cima da cama em seguida. Eu me considerava um garoto organizado, com uma prateleira de livros, alguns cd's empilhados e um material de estudo logo ao lado.

Olhei embaixo da cama, nem uma poeira sequer. Sorri satisfeito, organização e limpeza eram duas coisas que eu prezava muito.

Claro que a limpeza do quarto não era responsabilidade minha, mas, sim, das empregadas da casa, mas isso não vem ao caso. O meu quarto continuava mais organizado do que o da Katherine.

Meu celular começou a tocar em algum lugar sobre a escrivaninha, corri para atendê-lo. Era Jake Valdez.

– Pensei que tinha saído com a loirinha, Jake. — falei, rindo.

– E saí... Mas levei um soco na cara quando fui fazer uma piadinha, e ela saiu bufando...

– Dude, o que você falou pra ela?

– Nada demais — ele riu — Só perguntei onde estava o papel.

– Que papel? — Perguntei confuso, mas entendi logo em seguida — Ah não, não me diga que você a chamou de bombonzinho — dei um tapa em minha testa — VOCÊ É UMA ANTA, VALDEZ.

– Duas coisas — ele riu — Primeira: Qual é, essa era boa.

Não, não era.

– E qual a segunda?

– A segunda é que meu pai me contou que já ouviu muito isso na vida. Acho que é de família.

– Fala sério, Valdez! — exclamei, tentando parecer sério. — Esse não é o tipo de coisa que se diz pra uma mulher, especialmente quando você realmente quer pegá-la.

– Falou o cara que está tentando pegar a minha irmã há anos, e não consegue sair da friendzone... Pelo menos eu tento alguma coisa.

Me joguei na cama. Aquilo tinha doido mais que o soco que Jake levara a minutos atrás.

– Não é bem assim — murmurei — Nós somos bons amigos, só isso.

– É, só isso mesmo, se você continuar assim — Jake riu. — Enquanto isso, você finge gostar de alguma líder de torcida qualquer e deixa a Lou na friendzone. Cara, sua vida tá uma confusão, heim?

– Eu não deixo a Louise na friendzone. — afirmei.

– Ah, é... Você a deixa na brotherzone, o que é pior...

– Cala a boca, Valdez.

– Bom, vou tentar resolver as coisas com a May. Você devia fazer o mesmo. Er... Com a Megan, é claro.

POV Megan

– NÃO ACREDITO — gritei rindo no telefone.

Estava conversando com Marie sobre o encontro completamente desastroso com meu irmão mais cedo. Bom, eu tinha que fazer alguma coisa, digamos que eu e Jake éramos praticamente, gêmeos?

– Mas no fundo, sei que você achou engraçado — Eu esperava que sim.

– Ah, ele é bem engraçado — ela riu, boa.

– E...?

– E não é uma cantada ruim que vai estragar isso, você tem razão Meg, vou ligar para ele.

Sorri, ponto pra mim.

– Faça o que quiser — ri.

Meu irmão podia ser idiota e irritante, mas eu sabia que ele gostava de Marie. Ele gostava dela havia anos, apenas não admitia. E ela gostava dele, eu podia perceber facilmente. Eu servia de cupido entre os dois, de certa forma. Até porque seria agradável ter uma cunhada como Marie, que, além de tudo, era minha amiga de infância.

– Er... Meg, e quanto a você e o Adrian? Quero dizer... — ouvi a voz dela depois de um instante.

– O Adrian é só meu amigo, Mai... Meu melhor amigo, nada além disso.

– Bom, você quem sabe... Vou falar com seu irmão, conversamos depois.

POV Jake.

Estava indo para casa quando meu telefone tocou: "Mary" sorri, foi mais fácil do que eu pensava.

– Hm... Jake? — chamou.

– Sim, Bombonzinho? — se é para fazer, vamos fazer direito.

Ela riu do outro lado da linha.

– Eu... hm... andei falando com a Megan e...

Ah, claro que tinha dedo da Megan nisso, eu estava devendo uma.

– E?

– E está na hora de você me pagar outro sorvete.

Sorri, satisfeito.

– Claro, darling. Vou te pagar 40 bolas de sorvete. — falei, rindo.

– Por acaso você quer me ver gorda, Valdez? — mesmo ela estando do outro lado da linha, senti que ela sorriu.

– Posso te pagar em parcelas, se quiser. Duas bolas por dia durante vinte dias...

– Feito. Começando hoje? — ouvi sua doce risada, e sorri, involuntariamente. Porra, Valdez, seja hétero, por favor.

POV Ruby

Minha irmã cantava desafinadamente pela casa. Ninguém nunca lembrou de avisá-la que ela não sabia cantar... enquanto eu tentava ler um livro em alemão que a escola tinha pedido. Por que eu estava na classe de alemão? Boa pergunta, acho que a classe de francês e a de espanhol já estavam cheias...

– Será possível que você não consegue calar a boca? — gritei, interrompendo a cantoria de Amber.

– Para de ser careta, Ruby. Já estamos quase de férias... Se quer silêncio, vai pro seu quarto, não fica na sala.

– Como se não desse para te escutar do meu quarto... Dá para te escutar do terceiro andar!

– Exagerada. Você consegue ser quase pior que o Adrian no quesito nerd.

– Eu vou ligar pra mamãe. — avisei.

– Ligue... ela não vai poder fazer nada.

Bufei e virei as costas, saindo da sala.

– Vou tentar tocar piano, quem sabe na sala de música eu consiga me concentrar.

– Vai lá. Eu vou assistir Camp Rock... — ela só podia estar me provocando, mas acabei cedendo.

– O livro e o piano podem esperar um pouco.

Amber ligou a televisão e a voz da Demi Lovato preencheu o lugar. Mas digamos que nossa felicidade não durou nada. Minutos depois a televisão e a lâmpada desligaram: a energia elétrica havia acabado. Eu deveria lembrar, li isso em um artigo mais cedo algo sobre manutenção, para deixar nossa fiação ainda melhor ou coisa do tipo.

Fui até a janela e abri a cortina, a luz do sol invadiu a sala.

– É, é isso — Amber saiu batendo a porta da cozinha e indo em direção à rua. Acho que essa é a hora de estudar alemão.

POV Amber

Resolvi então dar uma volta no Central Park, afinal, eu não tinha nada melhor para fazer mesmo, e ele ficava pertinho de casa. O lugar que eu mais gostava ficava perto de um dos lagos, um em especial que sempre chamou a minha atenção. Havia uma mulher sentada em sua beirada, mas não dei muita atenção, afinal, não havia nada de diferente em uma mulher com a pele azul. Espera... Pele azul? Olhei novamente, mas a pele da mulher estava tão pálida quanto a minha, era oficial, eu estava ficando maluca.

Me aproximei um pouco mais dela e comecei a contornar o lago, ele era imenso e muito fundo, tanto que mesmo com a água cristalina não dava para ver seu fundo, eu estava ansiosa, algo me dizia que eu deveria falar com aquela mulher, e logo. Comecei a correr para chegar mais rápido, quando escorreguei e cai dentro do lago. Prendi a respiração imediatamente. Ok, ok, sem problemas. Todos sábados de manhã, Megan, Jake e eu íamos até a praia praticar surf, e sem querer me gabar, ao contrário de Ruby eu nadava extremamente bem... Eu só não contava que meu pé fosse se prender em o que quer que fosse.

Eu já estava lá embaixo a quase um minuto tentando soltar meu pé, meu pulmão já estava doendo de tanto segurar oxigênio e percebi que era o fim da linha. Já podia ver no jornal: "Amber Fiore Solutti morta aos 16 anos, se afogando igual a um pato" genial. Não dava mais para mim, morrer igual a um pato era o que me restava. Soltei o oxigênio e inalei a água.

Mas não me afoguei.

POV Adrian

– Droga, Adrian, você é burro ou o quê? Larga esse telefone. A Megan não vai te dar ouvidos nem em um bilhão de anos. Ela vai preferir qualquer outro garoto, você não é nada além de um amigo-estepe dela. — sussurrei comigo mesmo, andando em círculos pelo quarto.

– Adrian? Precisa de ajuda pra algo? — ouvi uma voz, e percebi que uma mulher de olhos claros e cabelos castanhos presos no alto da cabeça entrou no quarto. Mesmo aos quarenta e poucos anos, mamãe ainda resplandecia, e parecia não envelhecer nunca. Sua pele ainda era lisa como a de uma mulher de vinte anos, e seu corpo continuava belo. Juro que já chegaram a perguntar se ela era minha irmã mais velha.

– Ah, mãe... Er...

– Megan de novo? — questionou, sentando-se ao meu lado na cama, e fazendo-me olhar para ela. Eu nem cheguei a assentir, mas, pelo meu olhar, ela captou tudo. — Olha, filho... Você deve saber que eu realmente torço para que você consiga ficar com ela, certo? — assenti novamente. — Mas, se ela ainda não decidiu nada, uma ligação sua pedindo algo a mais do que amizade não vai mudar nada. Quero dizer... Só piorará as coisas. Para os dois. Vocês podem não perceber, mas eu presto muita atenção nos olhares entre vocês. Sei que a Louise gosta muito de você, mas que você não quer nada a mais com ela do que a Megan quer contigo. Sei que o Jake é apaixonado pela Marie há anos, na verdade, desde que vocês dois pararam de se trancar em outras salas e começaram a socializar mais com os outros. Sei que a Katherine se finge de durona, mas que ainda espera encontrar alguém que preencha o coração dela. Eu poderia falar de todos, mas acho que você já entendeu.

– Você quer que eu dê uma chance para a Lou? — questionei, e ela revirou os olhos.

– Não, meu amor. Eu quero que você faça o que achar melhor para você. Eu quero que siga o seu coração, e cometa os mesmos acertos que tive com seu pai. E, bom, evite cometer os mesmos erros. Por mais que eu ache que esses erros que nos tornaram mais maduros em nosso relacionamento.

– Mãe...

– Tudo bem, eu sei que você já é um rapaz, e que acha meio careta o que eu estou dizendo. Mas tente encontrar a verdade por trás dessas palavras, e usá-las do modo que for melhor para você. — ela suspirou. — Boa sorte. — e então sorriu, saindo do quarto.

POV Amber

– Ainda bem que encontrei a gêmea certa. — ouvi uma voz, e então tomei coragem para abrir os olhos. O lugar era simplesmente... Magnífico. Como é que algo como aquilo podia ficar no fundo de um lago?

Acabei por fixar o olhar em uma mulher azul que sorria para mim. Espera... azul?

– Quem... Quem é você? — perguntei, dando alguns passos para trás. E tropeçando em uma pedra. E caindo no chão. Parabéns, Amber, você é genial.

– Sou sua avó. — ela riu. Você já me viu antes, mas acho que não se lembra.

– Eu... Minha avó? Mas você... É azul. E tem... Uma cauda de sereia?!

– Ah, desculpe, talvez assim seja melhor para você... — um espiral de luz, adivinhe só, azul, a envolveu, e ela saiu de lá como uma bela mulher de pele rosada e perfeita, olhos azuis e cabelo ruivo, que vestia uma espécie de toga azul.

– Como você pode ser minha avó?

– Sou mãe da sua mãe, Amber Fiore Solutti.

– O quê? Mas...

– Meu nome é Abnara. Só queria te dar um oi. Faria o mesmo com a sua irmã, mas... Digamos que ela herdou o lado do seu pai...

– Abnara? — eu não conseguia reconhecer esse nome. Talvez Ruby já tivesse visto em algum livro de história, mas eu não era tão nerd.

– Sou a Elemental das Águas, minha querida.

– Uma Elemental seria...?

– Uma das deusas mais poderosas existentes. Er... Sem querer me gabar, claro.

– E... O que você quis dizer com o lado do papai? Lado mortal?

Uma risada sonora preencheu todo o local.

– Seu pai, mortal? — ela recuperou a seriedade.

– Hã, não sei...

– Você não lembra da história que a Luisa contou alguns anos atrás, sobre um Acampamento...?

– Tia Luisa ama inventar histórias.

– Pois essa não foi nem de longe inventada.

– Tá, então quem seria o papai?

– Seu pai é o filho de Ronnoc, o Elemental do Fogo. O único semideus a quem Ronnoc concebeu.

– Esse Ronnoc... Parece ser bem próximo a você.

– Ah, ele é meu marido. — ela falou, enquanto mexia distraidamente em uma alga.

– Fogo e Água...?

– Qual é o problema? Sua mãe e seu pai também são Fogo e Água.

Belisquei meu próprio braço. Droga, eu continuava ali.

– Tá bom, mas o que você quer comigo?

– Só queria falar essas coisinhas, que minha amada filha nunca lhe contou. Pare de ser cética, Amber.

– Pode me levar de volta ao mundo real? — supliquei.

– Nós estamos no mundo real. Mas em outro ponto de vista.

– Mudarei minha frase: Faça o favor de me levar de volta ao Upper East Side?

– Tudo bem. Até qualquer dia, Amber. — falou, e eu senti uma onda de energia me envolver. Quando percebi, estava de volta ao meu quarto.

Notas finais
O que acharam? Deixem comentários.