We Are Young
6 Capítulo 5
Notas iniciais
POV Katherine
Eu realmente achava que encontraríamos com outros seres desprezíveis pelo caminho. Mas talvez eles tivessem resolvido que era melhor não se meter com a minha família depois do episódio da festa. Ou eles simplesmente tinham sido dizimados. De qualquer forma, a viagem foi tranquila. Exceto pelo fato de que Henri foi no meu carro, enquanto Adara foi com Adrian no carro dele.
– O volante está solto? — Henri zombou, olhando para as minhas mãos.
– Não mais do que sua cabeça vai ficar se você não calar a boca.
– Uuuh, nervosinha... — murmurou, enquanto mexia no colar dele. Eu já tinha visto algo parecido com aquilo em algum lugar...
– Por acaso tem estacionamento nesse tal Acampamento? — questionei.
O único som que pude ouvir foi POV, do McFly, tocando ao fundo.
– Henri, estou falando com você! — exclamei. Nada... — Henri! — dei um soco em seu braço esquerdo.
– Você me mandou ficar quieto. Decida-se, mulher!
– Eu te mandei ficar quieto quando você estava fazendo suas brincadeirinhas. Agora eu te fiz uma pergunta e quero que responda!
– Qual foi sua pergunta mesmo?
Bufei. Aquela ia ser a viagem mais longa da minha vida...
POV Louise
Estava sentada no banco de trás do carro do meu pai, com os meus fones de ouvido tocando alguma música depressiva qualquer.
– Lou, querida? — papai chamou, e eu tirei o fone de um ouvido.
– O que foi?
– Qual é o problema com você hoje? É o Adrian de novo?
Abaixei a cabeça, suspirando.
– Por que o amor ferra tanto com a nossa vida? — questionei em resposta.
– Eros pode ser desordeiro... mas tudo tende a melhorar, algum dia. Vou lhe contar um segredo: faça-o pensar que te perdeu. Não se importe tanto com os foras que ele te dá, ou ao menos finja não se importar. E agora vou te pedir uma coisa: viva tudo o que tiver para viver durante essas férias. Viva como se essas fossem as últimas férias da sua existência. O Acampamento tem poderes, e você pode conhecer alguém que te faça realmente feliz.
Mamãe, que estava ocupada prestando atenção na estrada, virou-se para mim.
– Seu pai tem toda a razão. As amizades que você fizer nessas férias você manterá pelo resto da sua vida. E você vai descobrir como é mais fácil conseguir o que quer... Não se preocupe à toa. E, acima de tudo, nós amamos você.
Olhei para o lado e percebi que Harry estava dormindo — e quase babando — recostado no vidro. Não entendia como ele conseguia dormir em uma situação como aquela.
– E, ah, escolha o seu chalé com sabedoria. — mamãe falou, e eu voltei aos meus devaneios durante o resto da viagem.
POV Megan
Jake caíra no sono, depois de uma longa discussão sobre onde estariam as garotas mais gatas do acampamento, que segundo papai estariam nos chalés de Afrodite e Apolo, um dos nossos avôs (o qual a propósito, havia colocado fogo no vestido da garota mais insuportável do mundo horas antes), mas isso não vem ao caso ainda, e como eu não tinha o que fazer enquanto dirigia, resolvi simplesmente ligar o rádio. Digamos apenas que ele não ligou.
– Merda! — gritei.
Acho que preciso dizer que Jake não acordou. Aquele tinha puxado o sono do papai.
Encostei o carro e comecei a mexer em uns fios, conectar uns cabos, girar uns botões, e pronto. O som de Taylor Swift já havia preenchido o local. Voltei para a estrada cantarolando.
"But she wears short skirts, I wear t-shirts. She's cheer captain, and I'm on the bleachers. Dreaming about the day..."
– Hm... Vejo que herdou o dom de ambos, mocinha.
Dei um pulo quase tirando o carro da estrada, aquela voz não era a de Jake. Olhei para o banco traseiro, onde um homem de meia idade estava jogado analisando uma das minhas engenhocas (acho que não comentei sobre este meu hobbie).
– Mas quem raios...?
– Achei que tinha o direito de conhecer minha neta... — ele falou, mexendo nos fios de alguma coisa — e você me evocou quando consertou o rádio...
– Neta? Ótimo... e eu achando que meu dia não podia ficar mais estranho...
– Ah, vai dizer que não sabe quem eu sou?
– Na verdade, não sei mesmo...
– Vou te dar uma pista: sou o deus das forjas.
– O nerd do grupo não está aqui... desculpe. — ele revirou os olhos cor de bronze.
– Sou Hefesto. Pai do seu pai.
– Ahm...
– Aliás, o que é isso aqui? — ele apontou para uma esfera de plástico com botões de metal.
– Botão azul.
Ele apertou o botão e uma portinhola se abriu, mostrando um cupcake.
– Sério isso? — ele me olhou, descrente.
– Nunca se sabe quando vai precisar. — dei de ombros.
Ele revirou os olhos mais uma vez.
– Idêntica a mãe.
Dei de ombros.
– É o que dizem. Agora o botão vermelho.
Ele apertou o botão ao lado, de onde saiu um copo com cappuccino. Ele riu.
– A combinação perfeita?
POV Louise
Harry tinha acabado de acordar e papai avisou que estávamos quase chegando ao nosso destino.
– Lou, você... — ai, lá vinha... — AQUILO É UMA VACA VOADORA?
Papai freou bruscamente e sacou um arco-e-flecha de não sei onde.
– Calma, crianças. — ele atirou uma flecha, acertando a barriga do monstro. Pelo que eu conseguia lembrar, o nome daquilo era Minotauro. Ele sacou uma flecha com uma fita vermelha próxima à ponta. Atirou e a flecha explodiu, fazendo o monstro cair em uma chuva de areia sobre o carro. — Droga, vou ter que levar o carro no lava-car de novo!
– Tem como ficar pi...
– Nem termine — papai começou — Acredite, sempre há como piorar.
– Papai... — Harry chamou — O que seria, supostamente, aquelas galinhas que tinham lá na festa? Algo mau?
– Mau? — Papai disse — Não, muito MUITO mau.
– Ah — disse — Então eu acho que fodeu.
– Dá para correr? — perguntei.
– Se segura — papai acelerou o máximo que conseguiu, e os monstros começaram a nos perseguir. — Harry — ele disse. — O que acha de fogos de artificio? — Harry sorriu.
– É hora do show.
– Fogos de artifício? — questionei, com medo do que eles estavam pensando em fazer.
Harry abriu uma caixa que, sinceramente, eu não sabia como tinha ido parar lá e tirou lá de dentro alguns fogos de artifício. Abriu o teto solar e se equilibrou com metade do corpo para fora do carro, atirando nos monstros, enquanto papai acelerava cada vez mais.
POV Megan
Ótimo. Aquelas tias feias não paravam de nos perseguir? Eu acelerava o quanto podia, mas elas eram muitas e conseguiam se prender no carro...
E, mesmo com toda essa bagunça, meu irmão ainda conseguia dormir. Maravilhoso.
– Hefesto? — chamei. — Uma ajudinha, por favor? — ele calmamente parou de produzir cupcakes e cappuccino e olhou para trás.
– Ah, arai? Vocês deram azar, heim? — ele pegou um cupcake e colocou na boca, e então abriu o vidro e atirou alguma coisa para trás. — Seria bom se você conseguisse ir mais rápido... — ele comentou.
POV Adrian
Estava trocando mensagens com Megan enquanto ela dirigia no carro da frente: comando de voz é tudo hoje em dia. E então ela parou de me responder e minutos depois seu carro acelerou a uma velocidade inatingível a um carro comum, não que eu pudesse esperar menos de algo que fosse dela, com certeza era algo que ela mesma providenciara.
Tentei acompanhá-la, o que era praticamente impossível, mas me esforcei ao máximo: Não a perderia de vista, jamais.
E uns minutos depois, como em um passe de mágica seu carro desapareceu. Freei o carro com o coração batendo forte no peito, em seguida acelerando mais do que nunca.
Eu não sabia para onde estava indo e nem o que poderia acontecer comigo. Mas acelerei mesmo assim, ouvindo os gritos da garota ao meu lado. Por um segundo, senti um baque, mas, quando tudo voltou ao normal, estava em um local que parecia um acampamento, coisa que eu não podia afirmar, pelo fato de estar escuro.
– Seja bem-vindo ao nosso mundo... — a garota loira, Adara, sussurrou, abrindo a porta do carro. — Venha, vamos encontrar os outros para depois falar com Quíron.
Dei de ombros e desliguei o carro, sem sequer me preocupar em tirar as malas. Percebi que minha irmã também estava ali, gritando com Henri.
– SERÁ POSSÍVEL QUE VOCÊ NÃO VAI ME DEIXAR EM PAZ O VERÃO INTEIRO??? — essa era Katherine... O garoto deve ter feito algo realmente grave para deixá-la nesse estado.
– Katherine, meu amorzinho... Se acalma... — papai falou, saindo do carro. — O Malcolm ainda não chegou?
– Não se preocupe, ele já está vindo. — mamãe comentou, abraçando-o. — Ele teve alguns... Imprevistos no caminho.
– Quais? Esqueceu as calças? — os adultos riram, mas eu não consegui entender a referência.
Resolvi então procurar a Maggie, ela não havia chegado muito depois de mim, deveria estar por perto.
Um garoto de cabelos e olhos azuis chegou do meu lado.
– Procurando por alguém?
– Uma garota — dei de ombros.
Ele sorriu.
– Aposto quinze dracmas que é aquela ali — Apontou uma garota que estava virada de costas.
Eu não sabia o que era um dracma, mas eu estava devendo quinze para aquele garoto.
POV Marie
Se existisse um top 10 de viagens mais estranhas, aquela estaria em primeiro lugar. Sério. Fomos perseguidos por galinhas feias que não gostavam de banho, vacas voadoras, cobras gigantes que não sabiam o poder de um shampoo, e, principalmente...
– EU ESQUECI MINHAS CALÇAS!!!!!!! — Ashley gritou, no banco de trás, enquanto papai estacionava o carro.
Não consegui controlar o riso. Esquecer o pijama tudo bem. Esquecer um perfume ok... Mas agora esquecer as calças...
Minha mãe olhou sugestivamente para papai e os dois caíram no riso. Mal sabia eu o motivo para isso...
– Isso não tem graça!!! – Ashley exclamou, enquanto atacava o iPod no chão. Explosiva... Se tinha uma coisa rara de acontecer era Ashley ter ataques de raiva. Minha irmã era a delicadeza em pessoa, sempre resolvia seus problemas com diplomacia. Era a pessoa mais calma e controlada que eu conhecia...
– Malcolm... – mamãe murmurou, logo após o baque do iPod. – Será que tem alguma loja de calças aberta a essa hora? – quando percebeu que a situação da filha mais velha era grave, seu riso desapareceu e sua expressão tornou-se séria.
– Talvez... – ele pegou o celular e digitou um número, que eu reconheci como sendo o da tia Lui. – Maninha, por favor, me diga que ainda existe aquela lojinha de todas as coisas existentes no Acampamento...
“O que aconteceu, Malcolm?”, ouvi a voz dela, que parecia preocupada.
– É uma longa história... – não, não era. – Mas digamos que eu preciso comprar calças...
Uma sonora risada se tornou audível.
“Onde você perdeu as calças dessa vez, Malcolm?”, ela perguntou, ainda rindo.
– Não fui eu! A Ash esqueceu as calças!
– PAI! – Ashley gritou. Seu rosto estava extremamente vermelho. Ela poderia ser confundida com um frasco de ketchup.
“Ai, deuses... O que vocês têm contra calças?”
– Acredite, eu me faço essa pergunta desde os 17 anos... – ele comentou. – Mas responda a minha pergunta, por favor.
“Tem uma lojinha de calças na avenida, próxima ao McDonald’s. É fácil achar. Nós já estamos chegando. Esperaremos vocês.”, e então desligou a ligação e papai mudou a direção.
POV Ruby
Lugar estranho... Mas, depois de tantos seres estranhos nos perseguindo, eu não esperaria nada muito normal. Um conjunto de chalés se encontravam ao redor de uma fogueira, e eu fiquei procurando algum lugar no qual eu poderia sentar para ler...
E também lembrei do homem em meu quarto no dia anterior...
*Flashback on*
– Conte-me a história, então. – falei. Eu estava nervosa. Mesmo com as afirmações dele, AINDA HAVIA UM ESTRANHO NO MEU QUARTO! Mas eu tentava não transparecer nada.
– Bom, Ruby... Eu sou um deus.
– Tá, e eu sou a Arlequina. – murmurei, revirando os olhos.
– Arlequina? Que legal... Mas você tem mais cara de Mulher-Gato. – ele comentou, com uma risada. – Posso continuar?
– Claro, ó grande deus...
– Ruby, eu estou falando sério. Toda a mitologia é real. Todos os deuses são reais. E seus pais deveriam ter contado isso para você. – havia seriedade em sua voz. O bastante para me deixar assustada.
– E você é um desses deuses? – perguntei, com um tom zombeteiro, como se não estivesse acreditando em uma palavra sequer. Porém eu estava.
– Quer que eu prove? – uma chama surgiu de seus dedos.
– Isso... É ilusionismo. Só pode ser ilusionismo.
– Ruby Fiore Solutti, o seu ceticismo é inacreditável...
Ele apontou para a minha cama e, quando olhei para o local, havia surgido um notebook e um celular.
– Um presentinho para você. Pode usá-los sem medo. – ditas essas palavras, ele desapareceu.
*Flashback off*
Quando fui arrumar as malas, pensei na cena e acabei colocando os objetos que ele me dera dentro de uma mochila para trazer ao tal Acampamento. Eu não tinha ligado nenhum dos dois, e até achei estranho que não tinha carregador... Mas não comentei nada com ninguém. Nem com Amber, com mamãe ou papai. E Amber também parecia estar guardando seus segredos.
– Ruby, planeta Terra chamando. – Amber falou, puxando uma mecha do meu cabelo. Ela sabia o quanto eu detestava que fizesse isso...
– O que foi, irmãzinha? – questionei, sem estar realmente interessada.
– Papai está chamando. Eles querem nos mostrar um lugar. – então segui-a em direção à floresta. Me assustei quando ela parou. E mais ainda quando descobri o motivo.
Dois grandes chalés contrastantes se encontravam à minha frente. Um parecia feito das ondas do mar. Eu podia ouvir o som das ondas, sentir o cheiro da maresia, e me perguntava como aquilo seria possível. A porta de entrada parecia feita com pérolas azuis... Não, não pérolas. Uma única pérola com um formato plano e retangular que cobria todo o espaço de 2m por 1m. O outro era ainda mais excepcional. Parecia feito de fogo. Eu via a luz brilhante e ouvia o crepitar, como se fosse uma fogueira gigante. A porta de entrada parecia ser feita com um único rubi nos mesmos moldes da pérola do outro.
Atrás desses dois chalés eu podia ver uma lagoa, cujas águas pareciam cristalinas. Algumas corujas piavam por entre as árvores, e percebi um estranho pássaro voar sobre minha cabeça e pousar no ombro do meu pai.
Olhei bem e percebi que aquele pássaro... Só podia ser uma fênix.
– Olá, garoto. – papai acariciou a fênix, que olhava diretamente para mim. – Essas são suas novas amigas.
– Estar aqui me traz uma nostalgia... – mamãe comentou. Subitamente, ela assoviou, e então um cavalo apareceu. Parecia um cavalo alado, mas suas asas não possuíam penas... Mas, sim, eram feitas de água, mais ou menos como as paredes do chalé. — Safira, conheça Ruby e Amber. – Safira? Mamãe gostava mesmo de nomes relacionados a pedras preciosas... A égua parou ao lado de Amber, que a acariciou. A fênix, cujo nome eu ainda não descobrira, saiu do ombro de papai e pousou no meu.
– Acho que eles já escolheram as novas donas... – papai comentou.
– E acho que descobrimos os poderes de cada uma... — completou mamãe.
E, durante alguns segundos, eu fiquei sem entender.
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