Notas iniciais
Acho que dessa vez nem demoramos taaanto assim, né?

POV Amber

Duas luzes brilharam à minha frente. Delas, surgiram um homem e uma mulher. A mulher eu pude reconhecer: era a mesma do lago do Central Park. Ela, aparentemente, voltara à forma azul. Quero dizer... A pele dela estava tão branca que resplandecia, como uma pérola. Seus cabelos eram de um azul vivo, que parecia realmente formar ondas e se mover como o mar. O homem, de certa forma, parecia com papai. Talvez um pouco mais novo, não saberia dizer. Seu cabelo era loiro, mas parecia mudar para laranja e vermelho de acordo com o modo que ele se movia. Seus olhos, diferentemente dos de papai, eram vermelhos, mas seu sorriso era brilhante da mesma forma.

Olhei para o lado e reparei na expressão estupefata de Ruby. Eu provavelmente estava da mesma forma.

A mulher abraçou mamãe e o homem abraçou papai. Isso estava se tornando cada vez mais estranho. Depois a mulher se virou para mim e me abraçou.

– Olá, Amber. – ela sorriu para mim. Vi que o homem deu uma piscadela para Ruby.

– Meninas, quero que conheçam os seus avós. – mamãe falou, se aproximando de nós. – Mamãe, Ronnoc, acho que vocês já conhecem Ruby e Amber.

– Zelamos por suas vidas durante anos. Claro que conhecemos. – a mulher, Abnara, sorriu.

– E temos algo para vocês. – o homem, que aparentemente se chamava Ronnoc, falou. Em sua mão direita surgiu um colar de ouro com uma pedra vermelha, um rubi. A pedra tinha o formato de uma gota e a corrente era delicada e brilhante. Ele se aproximou de Ruby e colocou em seu pescoço.

Olhei novamente para a mulher e ela segurava um colar com uma pedra amarela clara, meio transparente. A corrente era fina, de prata. Ela repetiu o gesto de Ronnoc, porém em mim.

– A pedra muda de acordo com os perigos próximos ou de acordo com o seu humor. – ela sussurrou. – Agora temos que ir. Adeus.

E então os dois desapareceram.

POV Adrian

Toquei o ombro da pequena a minha frente, quer dizer, eu que era um pouco alto pra minha idade. A garota se virou em um pulo.

– Que susto, Adrian! — Mas ela não parecia realmente assustada, pelo brilho em seu olhar ela estava maravilhada.

– Desculpe, Meggie — sorri e ela sorriu de volta — É que em meio a tanta gente, é muito bom ver um rosto conhecido.

– Pois eu não vejo a hora de conhecer todo mundo! — A animação estava realmente estampada em sua cara.

Soltei uma gargalhada mas Megan já não prestava mais atenção em mim, ela estava concentrada demais no garoto que vi a pouco vindo em nossa direção.

– Vejo que acertei sobre a sua garota. — Ele se dirigiu a mim, rindo.

– Ei, eu não sou a garota dele. — Ela soou nervosa.

– Se você diz... — ele sorriu novamente — Prazer, sou Matthew. — ele estendeu a mão.

– O prazer é todo meu, Matthew. — ela apertou sua mão — Meu nome é Megan, Megan Pinheiro Valdez.

E eu não gostei absolutamente nada do seu tom de voz.

POV Ruby

Um colar. Não sabia se ficava feliz ou não. Bom... O colar era até bonito, mais do que o de Amber, mas... Qual seria a utilidade daquilo?

Como se estivesse lendo meus pensamentos, mamãe virou para mim e sorriu.

– Um presente de um deus sempre terá uma utilidade extraordinária, mesmo que você demore para descobrir.

– E por acaso vocês têm algum “presente de um deus”? – questionei.

Mamãe sorriu e apontou para um anel em seu anelar direito. Era feito de ouro branco e possuía uma água marinha no centro. O anel era delicado e eu nunca repararia que não era relacionado a algo mortal. Reparei que papai também usava um anel, de ouro com um rubi, também no anelar direito.

– É, acho que isso é um sim... Agora em que chalé nós ficamos? Eu estou com sono. – murmurei, com um bocejo.

– Acho que está meio óbvio, não? – papai comentou. A fênix, cujo nome eu ainda não descobrira, voou para o chalé de fogo. – Siga Cameron. – Entendi mal ou o nome da fênix era Cameron? Que seja...

Entrei no chalé de fogo e descobri que o que tinha de estranho por fora nada mais era do que um chalé aconchegante por dentro. Tinha mais cômodos do que parecia. Uma sala com sofás brancos e um tapete macio preto no chão, além de uma televisão enorme na parede e, aparentemente, milhares de jogos de videogame e CDs de todos os estilos musicais possíveis, com uma lareira em uma parede perpendicular à televisão. Era como se todas as cores do mundo estivessem espalhadas naquela sala. Abri uma porta, atrás da qual se encontrava um quarto com uma cama king size, um armário razoavelmente grande de madeira escura, uma escrivaninha, um rádio e uma prateleira cheia de CDs. Em uma parede, duas portas. Eu não conseguia entender aquela arquitetura, mas estava maravilhada. Abri uma porta e encontrei o banheiro. Na outra, uma varanda com uma rede vermelha. É, eu tinha encontrado o meu cantinho para ler...

Voltei para o quarto e comecei a observar os pôsteres que cobriam as paredes do quarto. Alguns eram antigos, pareciam ter a idade do papai ou até mais. Outros já eram completamente recentes, como se alguém renovasse a decoração o tempo todo. Fiquei pensando se papai vinha aqui, ou ao menos viera pelo menos alguma vez depois do meu nascimento. Talvez ele viesse para cá quando precisava de um descanso e dizia que tinha passado o fim de semana no sítio... Ou até mesmo quando ele e mamãe diziam que precisavam viajar e nos deixavam na casa da tia Isa ou da tia Luisa. A ideia de imaginar meu pai pisando no mesmo lugar em que eu estava tornava aquilo muito mais especial.

Olhei para cima e vi que o lustre era feito de rubis e possuía pedras em formato de coração penduradas sem uma ordem específica. A menos que esse lustre tivesse sido colocado ali por minha causa...

– GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAY... – gritei, rindo sozinha com o meu pensamento. – Extremamente gay.

– Foi ideia minha, docinho. – Ronnoc surgiu ao meu lado. Em seu rosto, eu podia perceber um sorriso torto, que me lembrava muito os sorrisos de papai.

– Você quer me matar de susto? Já é o que, a terceira vez que você surge sem aviso prévio? – questionei, revirando os olhos. – Já ouviu falar em uma coisa bem legal chamada privacidade?

– Já ouviu falar em ser um pouco menos geniosa? É uma coisa bem legal também, você deveria tentar. – ele riu.

– Ouvi dizer que é coisa de família. – sorri e ele gargalhou.

– Ouvi dizer o mesmo.

Assim que ele disse isso, eu sorri e abri minha mala, tirando de lá um porta-retratos com uma foto minha com a minha família, sorrindo, e outro com os meus amigos e os meus “tios”. Aquele lugar era definitivamente a minha casa agora.

– Precisa de alguma coisa? – Ronnoc questionou, depois de um tempo em silêncio.

– Fora privacidade? – ri.

– Ah, além disso. Mas não se preocupe, aqui é o chalé em que você terá mais privacidade, talvez com exceção do que a sua irmã está. – ele sussurrou, como se contasse um segredo.

– Uma biblioteca particular seria demais? – questionei.

– Bom, por que não? Só não temos uma porque digamos que seu pai não era muito fã de livros, e eu também não. – ele estalou os dedos e uma escada surgiu na sala. – Mas não ache que eu vou fazer só uma biblioteca, isso seria meio chato. Veja depois. – ele piscou e desapareceu.

Não hesitei em subir a nova escada.

POV Amber

– Caramba! – exclamei, assim que entrei no chalé. Eu realmente não sabia o que podia esperar daquela casinha estranha, mas... Eu tinha um chalé só pra mim! E, por mais estranho que possa parecer, o chalé era enorme!

Entrei e me deparei com uma sala de estar com um sofá de canto de veludo azul-marinho, uma estante cheia de livros e com uma televisão ao centro. Bem no centro havia uma mesinha de vidro com puffs azuis e brancos. Em um outro canto, uma pequena cachoeira, provavelmente mágica. Alguns quadros de ondinas e nereidas enfeitavam a parede atrás do sofá e um abajur de luz azulada se localizava em um canto.

Acredite, eu estava realmente feliz de que azul sempre fora minha cor favorita, ou eu provavelmente acabaria surtando ali dentro.

Abri uma porta branca de madeira e topei com um quarto enorme. As paredes eram azuis – agora conte-me uma novidade – e a de trás da cama king size possuía um tom mais escuro, na qual estava gravado um símbolo que eu já tinha visto em algum lugar, em branco. Na parede paralela havia uma escrivaninha com um notebook e um rádio. Em um canto, havia um puff branco redondo. Na parede próxima a essa puff, havia uma porta de vidro, que revelava uma varanda que dava direto para uma espécie de piscina natural de águas cristalinas, circundada por uma grama esmeralda muito bem aparada e árvores de todos os tipos. Na varanda, havia uma mesinha com cadeiras de vime estofadas e o deque não deixava a desejar. Se olhasse para o horizonte, dava para ver perfeitamente o mar, mesmo no escuro daquela hora da noite, já que aquele local era muito bem iluminado, e eu não saberia dizer se por luzes naturais ou artificiais.

Parei de sonhar um pouco na varanda e voltei para dentro, pois queria terminar de ver o resto da casa.

Uma outra porta do quarto dava para um banheiro com uma maravilhosa banheira de hidromassagem, sauna e, pasme, em um canto, com degraus de madeira e muito bem ornamentado, por sinal, estava um ofurô. Mesmo vivendo no Upper East Side, eu nunca tinha visto algo como aquilo. Havia uma aquileia em uma parte da madeira, juntamente com algumas caixas de incensos. Aparentemente, alguns eram de lavanda, inclusive o que queimava no momento, mas encontrei também alguns de mirra, sândalo e camomila misturados às outras caixas. O chão do banheiro também era de madeira, com alguns tapetes felpudos cobrindo-o em alguns pontos. Um banco de madeira cobria a parte inferior de duas paredes, juntando-se à madeira que viria por completar o suporte da pia, a qual era formada por um mármore branco cintilante e coberta por pedras muito bem polidas de sodalita, lápis-lazúli e água-marinha. No outro canto, a banheira de hidromassagem e a ducha. Ao lado, na parte que não era preenchida pelos bancos de madeira, havia outra porta branca de madeira. Bom, eu não precisava ter um QI muito alto para saber o que havia lá.

Voltei para o quarto e me perguntei se haveria mais um cômodo. Abri outra porta e descobri um closet enorme, com diversos tipos de roupa, até maior do que o que eu tinha na minha casa. E logo após me deparei com uma escada de madeira na sala que eu não tinha notado até então. Obviamente, eu tinha que subir para olhar, mesmo com o sono que eu estava sentindo.

Eu provavelmente não deveria me surpreender mais, mas... WOW! Parecia ainda maior do que o primeiro andar, talvez pela ausência de paredes. Uma mesa redonda com oito cadeiras estofadas com couro branco estava em um lado, próximo ao que eu talvez pudesse considerar uma cozinha, com um armário de madeira com algumas gavetas e portas, uma cafeteira, um fogão e uma geladeira. No outro lado, havia uma espécie de cinema particular, com mais puffs, um sofá grande e uma namoradeira em frente à uma grande tela e a uma prateleira repleta de DVDs. Ao longo de uma parede, havia uma única prateleira, com todos os livros que eu poderia imaginar. Próximo ao cinema, havia um piano de cauda e alguns sinos, aparentemente de prata. Ao centro, luzes coloridas, como de uma discoteca. Era impressionante como alguém poderia conseguir misturar todas essas coisas e ainda deixar o ambiente agradável. E agora eu realmente podia entender o amor da minha mãe por esse lugar.

E então eu desci, desliguei as luzes e caí no sono, sem nem mesmo me dar ao trabalho de tirar a fantasia que usara na festa.

POV Katherine

– ONDE É QUE EU VOU LIGAR A MINHA CHAPINHA? – gritei, olhando ao redor do chalé. Por algum motivo desconhecido, tinham me colocado no chalé de Atena. O chalé não era pequeno, mas tinha gente demais, e isso era sufocante, especialmente para alguém acostumado a ter um quarto só para si, no melhor bairro de Manhattan.

A cama que haviam me designado era de solteiro e parecia ser antiga a ponto de ranger, não que eu já tivesse testado. O único espaço que eu tinha para guardar as minhas coisas era um baú em frente à cama e a parte de baixo da cama, onde eu poderia colocar as minhas malas.

Mas o pior de tudo? O uniforme. Com certeza era o uniforme. As camisetas que me deram eram alaranjadas. ALARANJADAS! Laranja com certeza não combinava com os meus olhos! E nem com a minha pele. Nem com o meu cabelo. Não combinava com nada. ABSOLUTAMENTE NADA!

– Novata, quer fazer o favor de parar de escândalo? Você já chegou em péssima hora e ainda quer se achar no direito de atrapalhar o sono dos outros? – um garoto loiro, com cabelo cacheado e óculos com armação preta quadrada virou parou ao meu lado. – Sabe, se o seu problema maior é o seu cabelo e não os monstros que podem te matar a qualquer instante fora daqui, você pode voltar pra sua casa.

– Eu não posso voltar pra casa. Bem que eu gostaria! – exclamei e o garoto suspirou.

– Olha, se você for boazinha comigo, eu posso pedir ajuda para uma amiga do chalé de Afrodite. Você só não pode MORAR lá, ok? Sabe, se você está aqui, é porque a sua mãe olimpiana é Atena e...

– Não.

– Como assim “Não.”?

– Minha mãe é Luisa Kirsten Stoll e o meu pai é Connor Stoll. Minha mãe é sua irmã mais velha. – assim que eu disse o nome de mamãe, a boca do garoto se escancarou.

– Eles são uma lenda por aqui, seus pais. – ele murmurou. – A filha de Atena e o filho de Hermes mais conhecidos, exceto por Annabeth Chase e Luke Castellan.

– O que eles fizeram para serem tão conhecidos assim? – questionei, me interessando subitamente pelo passado dos meus pais.

– Acho que essa não é hora para historinhas, novata. Durma, amanhã você tem muito pela frente. Suas unhas vão deixar de ser tão impecáveis, pode ter certeza disso. – ele sorriu. O sorriso dele era muito fofo. Aliás, por que eu pensei nisso? Foco, Katherine. Ele é seu tio. Você não pode ficar reparando no sorriso dos seus tios. – Aliás, qual é o seu nome?

– Katherine Kirsten Stoll e o seu?

– Anthony Taylor. Seja bem-vinda. E agora... boa noite.

E então ele tirou os óculos e deitou-se novamente em sua cama. Eu, aparentemente, não tinha outra opção senão dormir e rezar para que aquilo fosse apenas um pesadelo.

POV Adrian

Katherine provavelmente estava surtando. E, claro, tinha sido justamente esse o motivo pelo qual eu escolhi o chalé de Hermes. Não era um acampamento de verão que me obrigaria a ficar no mesmo espaço que a minha amada irmã. Sim, amada irmã. Sem ironia. O único problema dela era que ela era fresca e mimada. E eu não podia deixar de culpar meu pai por isso.

É... Por mais que mamãe tentasse ser exigente e severa, papai sempre acabava dando um jeito de mimar a princesinha dele. Se mamãe negava algo, papai fazia escondido. Claro que mamãe sempre descobria. Contudo ela era incapaz de ficar com raiva de papai, o que era uma coisa impressionante. Talvez todo o amor que ela sentia por ele impedisse isso, acalmasse-a.

E, por mais gay que isso soasse, eu realmente esperava viver um amor assim algum dia.

O chalé em que eu estava era repleto de pessoas, roupas jogadas no chão, guerra de travesseiros, creme de barbear, cola e, bom... Tudo, menos organização. E eu acho que era uma coisa com a qual eu teria que me acostumar.

Notas finais
Reviews? Por favorzinho?