Wayward
5 Capítulo 4
Notas iniciais
— Bella? Bella, está me ouvindo?
Minha cabeça doía mais do que eu gostaria de suportar. De alguma forma, eu não havia desmaiado, mas talvez aquela batida de cabeça fosse considerada uma concussão e eu temia vomitar em algum momento. Havia algo escorrendo da minha têmpora direita – sangue, o que me fazia temer que Edward estivesse por perto, mas aquela voz não era dele.
— Onde ele está? – perguntei quando consegui abrir meus olhos e percebi que era Dean falando comigo. Eu estava sentada em algum outro carro, provavelmente o dele, e ele estava agachado ao meu lado, do lado de fora.
— Ele está inofensivo – Dean sorriu de canto, me deixando confusa. – Não se preocupe com ele, cuidaremos dele. Ele nunca mais vai te incomodar.
Por um momento, eu temi ter acabado de cruzar caminho com alguém muito mais perigoso que Edward e me vi paralisada.
— O que fizeram com ele?
— Um pouquinho disso aqui – ele levantou uma seringa vermelha. – E ele está desacordado.
Aquilo era novidade. Eu não sabia que existia algo que pudesse apagar um vampiro, especialmente um rápido como Edward era.
— O que vão fazer comigo? – tentei recobrar as forças para me mexer, e quem sabe, com muita sorte, usar meu spray de pimenta a tempo.
— Nada – ele franziu o cenho, confuso ao que parecia. – Estávamos atrás de um trio de sanguessugas e vimos que o ninho desse maluco quase brigou com os nômades que estávamos caçando.
— O meu pai – tentei levantar. – James sentiu o meu cheiro, ele vai me caçar!
— Ei, ei, fica calma. Onde está o seu pai? Podemos tirar vocês daqui e colocar em um lugar seguro até matarmos aqueles três.
— Ele estava em casa quando eu saí hoje.
— Beleza. Você tá com seu celular aí?
— Sim.
— Liga pro seu pai.
Eu não precisava ouvir duas vezes para fazer aquilo. Meus dedos tremiam enquanto eu digitava o telefone de Charlie, mas a espera foi pior. Chamava, chamava e ninguém atendia. Na terceira tentativa, finalmente tive resposta.
— Isabella Swan — eu engoli a seco ao ouvir meu nome.
— James? – perguntei com um fio de voz, no que Dean ficou atento.
— Eu estava pensando em fazer uma visitinha ao seu pai. O chefe Swan estava preocupado com a sua demora. Imagine a surpresa dele quando percebeu que não era você andando pela casa.
— Onde ele tá?! O que vai fazer com ele?!
— Por que não vem pra casa e descobre? Ah, e venha sozinha. Se os seus amiguinhos vierem, eu vou rasgar o seu pai da cabeça aos pés – e desligou.
— E aí, o que foi que ele disse? – Dean me encarou.
— Ele disse que se vocês forem lá, ele... Ele vai...
— Ele está com o seu pai?
— Sim.
— Tá, fica tranquila, a gente vai dar um jeito.
— Ah, Dean...! – ouvi a voz de Sam o chamando, no que percebi que Emmett e Jasper estavam segurando Sam enquanto Alice tirava Edward do carro. – Preciso de ajuda aqui!
— Soltem ele! – eu gritei ao sair do carro, no que Emmett e Jasper me encararam sem entender nada. – Eles estão aqui atrás do bando de James!
— O que vocês fizeram com o nosso irmão? – Emmett perguntou furioso.
— Sangue de homem morto – Dean mostrou a seringa, e eu vi que, por um momento, Jasper engoliu a seco. Talvez tivesse parado de respirar. – O seu irmãozinho aí não queria deixar a Bella sair do carro.
— É verdade – Alice trocou um olhar preocupado com os demais. – Ele está falando a verdade. Eu disse a vocês que o Edward faria isso!
— O James está com o meu pai! – me aproximei. – Ele disse que se eles forem, ele vai matá-lo.
— Esme e Carlisle estão à procura deles, mas seria melhor se nós nos dividíssemos. O problema é que o mais rápido de nós está apagado – ela suspirou, encarando um inconsciente Edward em seus braços.
— Olha, eu sei que nós temos as nossas diferenças... – Sam começou a falar, ainda que com as mãos erguidas em rendição. – E que vocês não gostam nem um pouco da gente, beleza, eu entendo, mas se nós nos dividirmos, podemos pegá-los. Vocês querem ajudar a Bella e nós queremos matar aqueles três. O que acham de nos ajudarmos aqui?
— É uma péssima ideia – Rosalie rosnou.
— Se deixarmos eles por aí, vão ferir mais pessoas – Alice a encarou. – Sabem o que temos que fazer, sabem o que Carlisle vai dizer.
— E quanto ao Edward? – Jasper observou o irmão.
— Mantenham ele longe da Bella – Dean disse com cara de poucos amigos, muito para a minha surpresa.
— É o que você quer? – Jasper me fitou.
Eu apenas assenti, no que vi Rosalie arregalar os olhos.
— Não dá – respirei fundo. – Ele ia me levar embora e deixar meu pai pra trás, desprotegido!
— Bella, seu pai nunca ficaria desprotegido – Alice saiu em defesa do irmão. – Nós cuidaríamos dele.
— O que é ótimo, e eu agradeço, mas o Edward... Ele não respeitou as minhas escolhas...! Não dá pra continuar desse jeito.
— Eu vou levá-lo pra casa – Alice me assegurou. – Precisamos encontrar os outros dois, vamos nos dividir.
— Qual é o plano? – Dean perguntou.
Nos próximos minutos, todos nos dirigimos à casa dos Cullens e nos encontramos com Carlisle e Esme, que afirmaram ter perdido Victoria e Laurent de vista.
E para o meu horror, Charlie não estava em casa, e não havia sinal dele ou James na cidade. É como se James já soubesse o que estávamos decidindo fazer e estivesse à nossa frente, nos fazendo andar em círculos.
Apesar de meus protestos para acompanhar os Winchester na procura à Charlie, eu fui obrigada à ficar confinada em casa, sob a vigilância de Sam e Esme enquanto os demais procuravam por Charlie e os três nômades.
Eu ligava para o celular de Charlie a cada cinco minutos, esperando por notícias, mas ele não respondia à nada, e nem James falava mais por ele.
Esme, que parecia profundamente curiosa e confusa com os Winchesters, conversava com Sam sobre seu ‘‘trabalho’’ de caçar monstros enquanto aguardávamos por notícias. O Winchester mais novo, que estava armado com sangue de homem morto, parecia interagir com mais facilidade em comparação ao mais velho.
Sam parecia ter uma mente mais aberta e ser mais compreensível. Dean, por outro lado, parecia estar no extremo oposto. De acordo com Sam, o extremismo do irmão era algo ainda em desconstrução, o que pareceu ter tranquilizado Esme de alguma forma.
Eu estava prestes a começar a roer minhas unhas depois de tantas horas de espera quando meu celular finamente tocou. Era o telefone da minha mãe, o que me deixou confusa a princípio.
Mas então meu coração afundou quando a ouvi me chamar com uma voz de desespero. Não apenas ela, como Charlie também.
— Pensei ter dito para ir para casa sozinha, Isabella— James por fim falou. — Se não está disposta a honrar os termos, tenho que tomar decisões mais drásticas.
— Onde eles estão?! O que vai fazer com eles?!
Percebi pelo canto do olho que Sam e Esme logo estavam vindo até mim.
— A sua escola não guarda muito bem as informações dos alunos. Não foi difícil pra Victoria descobrir algumas coisas. Lembra do estúdio de ballet?
O estúdio onde eu costumava ter aulas quando criança.
— Venha, e venha logo. E sozinha, Isabella, ou seus pais pagarão o preço. Não teste a minha paciência de novo— e desligou.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Sam e Esme estavam com seus respectivos celulares, ligando para os outros e lhes dizendo o que estava acontecendo. Eu me senti enjoada, meu estômago pesado como se eu tivesse engolido uma pedra, e meu coração prestes a saltar pela boca.
— O que eu faço agora?
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