Waves

3 Capítulo Três


Notas iniciais
Olá, tudo bem? Peço desculpas pela demora, tive um enorme bloqueio. De agora em diante, tentarei atualizar o mais breve possível. Obrigado a todos que estão acompanhando. Tenham uma ótima leitura!

— E então? — Madge questionou ansiosa ao ver a melhor amiga deixando o refeitório.

— Ah, foi tranquilo. — Katniss respondeu, dando de ombros.

— Argh! Quero detalhes.

— Ele tem dificuldade nas matérias de humanas.

— Ótimo! — Madge disse empolgada. — E quando vão se encontrar para os estudos?

— Sei lá, eu disse que iríamos nos comunicar durante a semana — A morena murmurou, sem muita animação.

— Certo! Agora, vamos para a aula. Aquele loiro irritante estará com a gente.

— Um deles, né? — Katniss provocou. — Porque são dois.

Madge fez careta.

— Nem me lembre! Piorou tudo quando a cegonha errou a rota.

O sinal tocou estrondoso e as duas correram para seus lugares.

A professora Wiress Barbieri de literatura entrou devagar, como se qualquer movimento brusco fosse desmontá-la.

— Bom dia, turma! — ela disse, quase sussurrando. — Página 112, por favor.

Judith Weinberger — a famosa ruiva conhecida como FoxFace — ergueu a mão antes de todo mundo.

— Professora, a página 112 vem depois da 111.

Wiress piscou lentamente pela constatação óbvia. Madge cobriu a boca para rir baixinho e Katniss respirou fundo para não gargalhar. Judith fazia parte do ciclo social de Everdeen, não eram melhores amigas, mas também não eram inimigas e tinha plena noção do quanto FoxFace poderia ser inconveniente quando queria.

— Isso mesmo, senhorita Weinberger. Obrigada pela informação.

Peeta soltou um riso nasalado.

— Revelações chocantes...

Cato, atrás dele, revirou os olhos.

— Cala a boca, Peeta.

— Ai, começou — Peeta sussurrou melodramático.

Katniss suspirou.

As aulas em que os gêmeos estavam, sempre eram cansativas e cheias de farpas.

Wiress tentou seguir a aula, mas FoxFace não parava de interromper. Madge estava cada vez mais irritada e Katniss cansada de toda aquela situação.

— Professora, esse poema tem versos.

— Sim, Judith...

— Professora, o autor usou palavras difíceis.

— Isso acontece... — Barbieri repetia de forma categórica.

— Professora, acho que o narrador está narrando.

Wiress respirou fundo, como se meditasse para sobreviver ao próprio trabalho.

Coitada, pensava Everdeen enquanto observava os colegas debocharem até mesmo da paciência da professora.

Peeta se inclinou para Seneca Crane, dizendo:

— Se ela disser que “o livro é um livro”, eu juro que entro em combustão.

Seneca permaneceu calado, fingindo não ouvir o que Mellark estava dizendo. Crane adorava as aulas da Sra. Barbieri, achava um insulto Judith e Peeta atrapalharem tanto.

— A combustão aconteceria por falta de atenção sua — Judith corrigiu meticulosa.

— Meu Deus, ela ouviu… — Peeta murmurou.

Cato bateu a mão na mesa com raiva.

— Falou o gênio incompreendido que repetiu no último semestre.

Peeta virou lentamente na cadeira.

— E falou o queridinho do papai... Oh, espera — ele sorriu sombrio — papai sequer lembra da sua existência.

A sala inteira prendeu o ar.

Cato arregalou os olhos.

— Repete isso.

— Claro. O papai te ignora — Peeta articulou cada palavra, saboreando. — Quer que eu soletre também?

Wiress engasgou com a saliva.

— Meninos, parem imediatamente!

Cato levantou, derrubando a cadeira e ignorando as tentativas de apaziguamento da professora.

— E você acha que ele é muito diferente contigo, seu inútil?

— Aí vem ele — Peeta murmurou, sarcástico — Pelo menos eu lido bem melhor com a indiferença de Plutarch.

Cato avançou um passo.

— Você é um lixo de ser humano.

Peeta soltou um riso sem humor.

— Isso eu já sei! E você que só fica com o nariz entupido de pó dentro do quarto? Acha que ninguém percebe o quanto é um viciado que venderia até a alma por uma quinquilharia de droga?

Cato virou um demônio.

Katniss sentiu o estômago gelar. Eles não estavam brincando.

Madge passou a mão no rosto.

— Esses dois vão matar um ao outro.

Wiress correu para o meio da sala.

— Parem! Parem agora! — berrou histérica, numa voz que ninguém sabia que ela tinha. — Sentem-se já!

Peeta ergueu as mãos num gesto de paz falsa.

— Tudo bem, Wiress, sem sangue por hoje.

Cato fechou os punhos, tremendo de raiva.

— Eu vou te matar!

— Promessas, promessas... — Peeta falou, sentando-se.

Madge sussurrou para Katniss:

— Se sarcasmo fosse arma branca, Peeta já teria sido preso.

— E se estupidez fosse crime, Cato teria pena perpétua — Katniss respondeu baixinho.

FoxFace ergueu a mão de novo.

— Professora?

Wiress fechou os olhos, condenada.

— Sim, Judith?

— Sabia que Cato e Peeta são gêmeos?

— Não, não sabia — abriu os olhos encarando os próprios pés — Obrigada pela informação.

Era notório que a Sra. Barbieri estava mentindo.

O resto da aula seguiu com a professora falando muito mais baixo que o habitual, num gesto claro de desconforto e os gêmeos Mellark se encarando como dois leões.

Katniss só torcia para que o intervalo não terminasse em guerra civil.

Notas finais
Até breve :)